542 – MULHER MINHA, MATO EU
Mais uma manchete de jornal e mais uma família assassinada. Brutalmente assassinada. Covardemente assassinada. Um homem casado e pai de um gurizinho de 5 anos achou que estava sendo traído pela mulher e, ato contínuo, tomou de uma faca e trucidou não apenas sua esposa, como também seu pequeno filho. Após esse banquete de sangue e violência, foi até uma das pontes sobre o Rio Jacuí e se jogou. Acabou sendo resgatado por pescadores. Pena que os mesmo pescadores não puderam resgatar a mulher e o menino. Resgataram só o bárbaro assassino. Que neste momento encontra-se internado em recuperação em Hospital público de Porto Alegre. Sendo atendido com o seu dinheiro de contribuinte. Recebendo as benesses que você, contribuinte paga para ele, assassino, ter.
Pudera essa história fosse inédita, não é! Repete-se todas as semanas e quase todos os dias. Lá na cidade de Carazinho, norte do estado, um outro homem já tinha trucidado a sogra e a esposa. Que não o queria mais como marido. Não se desespere, mas amanhã outro homem vai matar a esposa. Talvez junto o filho. Com sorte, até outra sogra vai prá baixo da terra.
Dentre tantas lentes através das quais se pode ver essa situação repetitiva e sem controle, permito-me bater na mesma tecla do choque de gerações e na falta de limites e frustrações dentro de casa. Ih, você dirá, lá vem o Silvano com a mesma ladainha. Ora, parem de matar as mulheres que paro de falar sobre isso.
Nós somos da geração X, os filhos do pós-guerra, e nossos filhos integram a temível geração Y. Essa geração Y é formada de pessoas entre 20 e 30 anos, mais ou menos, e tem uma série de características. São ligados em tecnologia, celulares, I-pads, conectividade (quem não é?). São desconectados de noções de hierarquia, respeito aos mais velhos. Têm só direitos, nenhum dever. São egoístas. São ecológicos quando se trata dos gansos da Nova Guiné, mas não se importam em jogar lixo pela janela do carro. E nunca, ou quase nunca, lidaram com noções séries de LIMITE e eventualmente FRUSTRAÇÃO dentro de casa. Foram cheios de vontades, nunca ouviram um NÃO e, diante da menor adversidade, entram em crise, buscam antidepressivos nos consultórios médicos, agonizam, matam e se matam.
Sim, nós os integrantes da geração X, fomos péssimos educadores. Não preparamos nossos filhos para sofrerem decepções. Assim, quando suas esposas, namoradas, amigas, os dispensam, eles cogitam de matá-las. Nunca, mas nunquinha mesmo, pensaram em se separar e buscar outra mulher. Constituir outra família. Não. Se não pode ser como eles querem, então eles “não brincam mais”. Como meninos mal-criados, erguem a voz e partem prá cima de quem os rejeita. Só que não fazem isso contra bandidos armados das ruas, contra autoridades policiais, não investem sequer contra outros homens que talvez tivessem a chance de se defender. Não. O momento em que eles ficam mais violentos é quando enfrentam suas frágeis mulheres e seus indefesos filhos! Aí viram macho! Aí batem, esfaqueiam e depois, infantis, buscam no suicídio a acolhida de uma saia materna. Mamãe, matei minha família e agora vim me esconder aqui, debaixo de sua saia.
Resumindo, esse bando de covardes que está trucidando suas famílias não passam de meninos mimados, mal-criados, mal orientados por nós, seus antecessores. Pobres mulheres e crianças que sucumbem diante de tanta covardia e destrambelho.
Os psiquiatras comentam essa coisa de nossas mulheres serem objetos de posse. Nós homens não dizemos minha esposa, dizemos “minha mulher”. Como dizemos meu carro, meu cachorro, minha bicicleta. E “mulher minha, mato eu”, dizem os covardes assassinos.
O que nos resta fazer? Educar, educar e educar. Mostrar aos nossos filhos que a vida não é um mar de rosas, não é uma sucessão de sucessos. E mais que isso, ensinar que depois de um tombo a gente pode levantar e seguir em frente. Já vi cenas de mulheres as mais canalhas, as mais pérfidas, as mais irritantes possíveis. E no entanto, nenhuma delas me pareceu fazer jus a ser eliminada com facadas. Está ruim viver com essa mulher? Largue-se dela e procure-se outra. Mas esses mimadinhos acovardados não conseguem virar uma página e tocar a vida em frente.
Tarde da noite, fico a imaginar o que sente um monstro desses enquanto trucida o próprio filho de cinco anos a facadas. Será que pensa em ipads e videogames?
Silvano – fulo da vida
Crédito das fotos: reprodução do ClicRBS a partir de arquivo pessoal
Crédito da ilustração: Silvano Marques



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