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Posts de julho 2012

Coisa de Gordo - 542

28 de julho de 2012 0

542 – MULHER MINHA, MATO EU

Mais uma manchete de jornal e mais uma família assassinada.  Brutalmente assassinada. Covardemente assassinada. Um homem casado e pai de um gurizinho de 5 anos achou que estava sendo traído pela mulher e, ato contínuo, tomou de uma faca e trucidou não apenas sua esposa, como também seu pequeno filho. Após esse banquete de sangue e violência, foi até uma das pontes sobre o Rio Jacuí e se jogou. Acabou sendo resgatado por pescadores. Pena que os mesmo pescadores não puderam resgatar a mulher e o menino. Resgataram só o bárbaro assassino. Que neste momento encontra-se internado em recuperação em Hospital público de Porto Alegre. Sendo atendido com o seu dinheiro de contribuinte. Recebendo as benesses que você, contribuinte paga para ele, assassino, ter.

Pudera essa história fosse inédita, não é! Repete-se todas as semanas e quase todos os dias. Lá na cidade de Carazinho, norte do estado, um outro homem já tinha trucidado a sogra e a esposa. Que não o queria mais como marido. Não se desespere, mas amanhã outro homem vai matar a esposa. Talvez junto o filho. Com sorte, até outra sogra vai prá baixo da terra.

Dentre tantas lentes através das quais se pode ver essa situação repetitiva e sem controle, permito-me bater na mesma tecla do choque de gerações e na falta de limites e frustrações dentro de casa. Ih, você dirá, lá vem o Silvano com a mesma ladainha. Ora, parem de matar as mulheres que paro de falar sobre isso.

Nós somos da geração X, os filhos do pós-guerra, e nossos filhos integram a temível geração Y. Essa geração Y é formada de pessoas entre 20 e 30 anos, mais ou menos, e tem uma série de características. São ligados em tecnologia, celulares, I-pads, conectividade (quem não é?). São desconectados de noções de hierarquia, respeito aos mais velhos. Têm só direitos, nenhum dever. São egoístas. São ecológicos quando se trata dos gansos da Nova Guiné, mas não se importam em jogar lixo pela janela do carro. E nunca, ou quase nunca, lidaram com noções séries de LIMITE e eventualmente FRUSTRAÇÃO dentro de casa. Foram cheios de vontades, nunca ouviram um NÃO e, diante da menor adversidade, entram em crise, buscam antidepressivos nos consultórios médicos, agonizam, matam e se matam.

Sim, nós os integrantes da geração X, fomos péssimos educadores. Não preparamos nossos filhos para sofrerem decepções. Assim, quando suas esposas, namoradas, amigas, os dispensam, eles cogitam de matá-las. Nunca, mas nunquinha mesmo, pensaram em se separar e buscar outra mulher. Constituir outra família. Não. Se não pode ser como eles querem, então eles “não brincam mais”. Como meninos mal-criados, erguem a voz e partem prá cima de quem os rejeita. Só que não fazem isso contra bandidos armados das ruas, contra autoridades policiais, não investem sequer contra outros homens que talvez tivessem a chance de se defender. Não. O momento em que eles ficam mais violentos é quando enfrentam suas frágeis mulheres e seus indefesos filhos! Aí viram macho! Aí batem, esfaqueiam e depois, infantis, buscam no suicídio a acolhida de uma saia materna. Mamãe, matei minha família e agora vim me esconder aqui, debaixo de sua saia.

Resumindo, esse bando de covardes que está trucidando suas famílias não passam de meninos mimados, mal-criados, mal orientados por nós, seus antecessores. Pobres mulheres e crianças que sucumbem diante de tanta covardia e destrambelho.

Os psiquiatras comentam essa coisa de nossas mulheres serem objetos de posse. Nós homens não dizemos minha esposa, dizemos “minha mulher”. Como dizemos meu carro, meu cachorro, minha bicicleta. E “mulher minha, mato eu”, dizem os covardes assassinos.

O que nos resta fazer? Educar, educar e educar. Mostrar aos nossos filhos que a vida não é um mar de rosas, não é uma sucessão de sucessos. E mais que isso, ensinar que depois de um tombo a gente pode levantar e seguir em frente. Já vi cenas de mulheres as mais canalhas, as mais pérfidas, as mais irritantes possíveis. E no entanto, nenhuma delas me pareceu fazer jus a ser eliminada com facadas. Está ruim viver com essa mulher? Largue-se dela e procure-se outra. Mas esses mimadinhos acovardados não conseguem virar uma página e tocar a vida em frente.

Tarde da noite, fico a imaginar o que sente um monstro desses enquanto trucida o próprio filho de cinco anos a facadas. Será que pensa em ipads e videogames?

Silvano – fulo da vida

Crédito das fotos:  reprodução do ClicRBS a partir de arquivo pessoal

Crédito da ilustração: Silvano Marques


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Coisa de Gordo - 541

15 de julho de 2012 0

541 – PARA ROMA COM AMOR – filme

O diretor Woody Allen é daquelas personalidades que divide a humanidade em dois grupos. Uns o adoram, outros o detestam. Sou do que adoram. Depois que saiu de Nova Iorque, onde fazia todos seus filmes, depois que saiu dos Estados Unidos, vem fazendo uma bela amostragem da vida inteligente fora das fronteiras americanas.

Vimos e nos emocionamos com o recente MEIA-NOITE EM PARIS, onde as imagens, a música, o enredo já nos seduziam do começo ao fim. Fomos então ver o PARA ROMA COM AMOR, seu último filme, em cartaz nos cinemas. Mais uma vez a cena de abertura já arrebata os expectadores, mostrando cenas da vida urbana romana, o trânsito agitado, as pessoas indo e vindo, e a partir daí ele nos leva a observar uma série de pequenas tramas.

Neste filme ele brinda seus fãs colocando-se entre os personagens. Eu, pelo menos, adoro quando ele aparece. Mas o filme vai bem mais longe que isso. Traz um enredo de um renomado arquiteto (Alec Baldwin) que retorna a Roma e lá se depara com um jovem estudante de arquitetura, que simboliza a sua juventude ali, naquela magnífica cidade. A partir daí o diretor coloca o velho arquiteto fazendo uma espécie de metalinguagem, servindo de consciência para dois jovens enamorados. Esse recurso não é inédito em seus filmes, no SONHOS DE UM SEDUTOR, no A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUSHENKO e no ANNIE HALL ele já se valera disso. Colocar um personagem como se fosse um fantasma a debater com as pessoas da trama. Longe de soar vazio, neste filme este recurso mostra-se útil e interessante, possibilitando às pessoas em questão avaliarem suas decisões.

Noutra trama ele esmiúça o dilema das celebridades que têm sua vida invadida pelo interesse público, fazendo um fechamento simbólico onde diz que o público se interessa por uma pessoa da noite para o dia. E da mesma forma, se desinteressa no dia seguinte.

Indo além, surgem pequenos dramas conjugais, dúvidas, traições, aventuras. Aliás, o filme tem muito sexo (todo mundo transa) mas nenhuma cena de sexo! E tem a Penélope Cruz, linda como sempre, provocante, ousada.

E o pano de fundo disso tudo é a cidade de Roma, linda, bela, maravilhosa, pulsante, emocionante! As imagens são lindíssimas e eventualmente dão aquele nó da garganta do expectador que já esteve lá. É como que um tour, um revival, um lembrar-se de um dos berços da civilização ocidental.

Roma, Roma, e cada vez mais Roma! Magnífica! Sedutora! Imperdível!

Nota do filme: 9,5 !

Vá correndo comprar seu ingresso.

Silvano – o impossível

Crédito das imagens: reprodução do site oficial do filme

Elenco:

Alec Baldwin (John)

Roberto Benigni Leopoldo)

Penélope Cruz (Anna)

Ellen Paige (Mônica)

Judy Davis (Phyllis)

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