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Posts de maio 2014

Coisa de Gordo - 562

21 de maio de 2014 1

562 – Zero Hora para burros
Recebi o jornal Zero Hora em sua nova formatação e me deprimi. Assinante que sou, acompanho a evolução deste veículo de comunicação e percebo o quanto ele é dinâmico. Longe de mim querer questionar aqui as decisões do Grupo RBS. Se tem gente que entende de mercado, tendências e novidades, esses são eles. Se a Zero Hora mudou é porque o público leitor agora prefere coisas assim.

capazero O que vi de novo no Jornal Zero Hora? O tamanho da fonte aumentou, os espaços em branco aumentaram, as fotos aumentaram….e o texto diminuiu! Foi aqui que me deprimi! Para mim, que vivo de ler, isso foi terrível!

Um estudioso dirá que as pessoas leem cada vez menos, os textos da atualidade são aquelas frases do Facebook : -”Fui dormir.” Ou então : -”Partiu Baile Funk”. Assim, caber ao jornal buscar essa linguagem. Daqui a uns seis meses o tamanho das fotos talvez fique ainda maior.

Chego a imaginar uma fictícia reunião da direção do jornal com seus colunistas, redatores, editores numa segunda-feira chuvosa. O pessoal do Segundo Caderno se reúne num canto do auditório, os redatores do Esporte ficam de pé, as celebridades mal conversam entre si, o Veríssimo e a Martha Medeiros mal emitem palavra. A turma do Caderno Vida tem que atender alguns colegas que choram. Chega a direção, silêncio no auditório. O orador entra sem meias palavras (logo ele, que as está usando cada vez menos) e sentencia: – A partir de agora a ordem é uma só. ESCREVAM MENOS!
- O quê, como é que ……balbucia o Sant’anna.
- Vocês escutaram! Escrevam menos. Menos texto, menos frases, menos parágrafos, menos palavras!!!

Sim, essa é a reunião que eu imagino vá acontecer em breve e pior ainda, vá se repetir. Cada vez menos textos porque, afinal, ninguém mais lerá coisa alguma! Por isso me deprimi ao receber o jornal renovado. Ele está lindo, ele está de acordo com o mercado, ele será um sucesso. É como se fosse uma Zero Hora para burros, para gente que acha normal escrever MENAS e FLOCHO!

Nós, os viciados em leitura, vagaremos nas noites escuras da cidade. Trocaremos textos, manuscritos, cópias em Xerox. Falaremos com nostalgia de jornais antigos e seus textos enormes. Lembraremos aqueles Cadernos Dominicais com textos que nos ocupavam pelo resto da semana. E sim, lembraremos a velha e boa Zero Hora, com seu Caderno de Cultura, suas pautas jornalísticas variadas, suas longas entrevistas, suas fotos e imagens sendo apenas acessórios dos textos.

Seja bem-vinda, nova Zero Hora. E pensar que um texto como este talvez não tivesse espaço neste novo jornal.

Silvano – o impossível

Crédito da foto: reprodução a partir do site do jornal

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Coisa de Gordo - 561

04 de maio de 2014 1

561 – NEGRINHO, BRANQUINHO E CACETINHO – apologia ao simples

Serei repetitivo ao tratar deste assunto, mas percebo que ele se faz necessário. Nessas coisas de culinária, de gula, às vezes o simples é soberano ao sofisticado. É uma coisa quase divina.

Dizem que no início dos tempos Deus enviou anjos à superfície terrestre para que ensinassem à humanidade algo que nos acompanharia para sempre. O pão francês. Isso mesmo, isso que nós gaúchos chamamos de cacetinho, outros chamam de pãozinho, baguete, pão dágua, enfim, formas diferentes de denominar a mesma coisa. Pois bem, os enviado do Senhor desceram, reuniram as pessoas que queriam, tomaram da farinha, da água, misturaram, bateram, sovaram, puseram no forno e…uau…lá estava o pão quentinho crocante, delicioso, insubstituível. Desde então, as pessoas replicam a receita ensinada por aqueles anjos, saciando a fome da população. E o homem, afeito à sua curiosidade, tenta modificar aqui e ali aquele delicioso pão, sem nunca conseguir igualar.

Falo nisso e lembro do amigo saudoso Tonho Message. Certa feita, comentei com ele que um conhecido nosso estava fazendo pães e cucas, deliciosos. Aí falei do pão com linguiça, do pão com geleia de morango, pão com isso, pão com aquilo, ao que o Tonho sentenciou: – Verdade, todos parecem bons, mas nada se compara a um pãozinho novo recém saído do forno. Na mosca! Ele foi curto e grosso. Todos os pães oferecidos eram de fato deliciosos, mas nada que se aproximasse do sagrado pão francês.

Certa feita tivemos uma festa aqui em casa, na hora de encomendar docinhos supliquei por Branquinhos e Negrinhos. Não sou contra os outros docinhos, mas esses dois são imbatíveis. A sra Kátia pacientemente encomendou o que eu lhe pedira, mas encomendou igualmente aquela longa série de outros docinhos. Uns com cores diferentes, uns com uma ameixa por cima, uns de amendoim, outros decoradinhos com uns trocinhos, enfim, uma série de coisinhas bonitinhas, só isso. Passada a festa, estávamos a organizar o que restara dos doces e então lancei-lhe um desafio. Que ela me mostrasse o que restara de Branquinhos e Negrinhos, comparado ao que sobrara dos outros. Foi vexatório. As pessoas comem de todos os docinhos, e de fato são todos muito gostosos, mas nada que se compare aos dois clássicos, imbatíveis, insuperáveis. Ou seja, o que sobra em festa são os outros docinhos. Os dois campeões são devorados pelas pessoas.

Imagino que em determinado momento da história da humanidade, Deus enviou outros anjos à superfície planetária, inclusive dizem que eram anjos mais robustos, corpulentos, diria que…quase gordos. Sim, as asas eram enormes para conseguir elevar aqueles anjos aos Céus. Eles aqui chegaram, reuniram as pessoas que quiseram e avisaram que iam dar a receita do melhor docinho do universo. Na hora de preparar sacaram de latas de Leite Condensado, o que desconcertou aquele povo humilde e ignorante. Então avisaram:

- Fiquem tranquilos, isso ainda não foi inventado no vosso planeta. Mas fiquem atentos, a hora que isso chegar à prateleira do mercado, tenham uns sempre em casa.

E a partir daí mostraram passo a passo como fazer Branquinho e Negrinho. O povo, maravilhado, salivava. Passada a palestra, bateram suas grandes asas e, com alguma dificuldade, conseguiram subir aos Céus.

Isso, amigo leitor, são dois exemplos do que citei na abertura do texto. Sim, faço aqui uma apologia à simplicidade. Os docinhos que tenho provado por aí são todos deliciosos, criativos, sensacionais. Mas não chegam perto, não se aproximam, sequer tangenciam a magia de um Branquinho ou Negrinho. Você tem dúvida disso? Confira o que vai sobrar em sua próxima festinha. Você vai lembrar de mim, ah vai. E quando for à padaria, chegue em casa, passe aquela manteiga no pão quentiinho, feche os olhos e, sim, faça uma prece aos Céus. Ah, esses anjos..

Silvano – o impossível

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