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Coisa de Gordo - 566

17 de março de 2015 3

566 - PESO

Há muito tempo atrás, na aurora da minha vida (como diria o Casemiro de Abreu), lá pelos meus 16 ou 17 anos, estava de férias na Fazenda da minha avó e um tio meu ficou curioso sobre o meu peso. Sim, o meu malfadado peso.

Crítico de meu hábito alimentar, esse meu tio alegou que eu não poderia ser pesado numa balança comum, ele teria que me levar a uma balança de pesar gado. Assim o fez e lá constatou meu peso: 104Kg.

peso001Aquilo foi assunto para o resto do dia, ele me criticando, que absurdo – já pensou? – alguém pesar tudo isso, e ainda mais, ter que pesar numa balança animal, blá, blá, blá.

Aquele peso me acompanharia pelo resto de minha vida, mal eu imaginaria. Naquele breve momento ele era o topo de uma cadeia, o alto de uma escala de massa corporal. Ah, se eu soubesse. Nos anos e décadas vindouras eu me distanciaria muito desse peso, viria a pesar muito mais, de tal sorte que sempre imaginei que se voltasse a pesar 104Kg isso seria um sonho.

Nessa caminhada descobri outra coisa. Usando as tabelas de IMC, esse peso de 104Kg – para mim – é uma espécie de fronteira. Até 104Kg eu me classifico como SOBREPESO. A partir daí, sou OBESO.

Fui obeso a maior parte de minha vida, portanto. Ou seja, estive muito acima dos tais 104Kg.

Passaram-se os anos. Recentemente dediquei-me a controlar a alimentação, usar shakes, praticar ciclismo (tenho pedalado bastante), o que me fez então reduzir bastante a marca na balança. Assim, passados bons meses de esforço, um dia me vi ali de novo, na fronteira dos 104Kg. Sim, o peso se avizinhava de minha vida, e numa semana faltavam três quilos, na outra dois e meio, assim vim vindo, vindo, chegando. Seja por isso ou por aquilo, consegui enfim baixar dos 104Kg. No dia lembrei do meu tio, gostaria que ele estivesse vivo e eu lhe telefonaria para contar. Tio, pode buscar uma balança de gente, baixei dos 104. Mas ele já morreu.

peso002Resta agora um novo desafio que terei que levar vida afora. Não mais me aproximar dos 104. Fugir dele, distanciar-me dele.

Escalei o Everest da minha vida física. A partir de agora, resta me equilibrar diante do vento e do frio da vida, para não escorregar e cair de novo no abismo da obesidade. Soa dramático aos seus ouvidos? Imagine então aos meus, que carreguei esse peso todo vida afora.

Consegui, Tio Leonel. Consegui.

Silvano – o impossível

Crédito das imagens: Silvano Marques

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Comentários (3)

  • Luiz diz: 18 de março de 2015

    O meu peso emblemático é 90.
    Há uns 20 anos, estava pertinho do casamento e um tio da minha esposa dizia que de 90 não podia passar. Até hoje ele me pergunta pelos 90… Como devo ser mais baixo que vc., para mim 90 é o limiar entre sobrepeso e obesidade. Hoje estou com 120 kg, no limiar entre obesidade severa e mórbida.
    Será que todo o gordo tem uma história parecida para contar?

  • Flavio Tesser diz: 18 de março de 2015

    Um beijo, Silvano .

  • Rosalva Rocha diz: 24 de março de 2015

    Bah … foi bom. Sentí saudade. Apesar da alegria que sempre escreves, esta crônica finaliza com poesia. Gostei demais (não que poesia não possa ser alegre … entenda! rs). Bj -> continue please!

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