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Coisa de Gordo - 567

30 de março de 2015 1

567 – O FANTASMA

O filme Birdman, vencedor do Oscar, trouxe a mim uma metáfora que adorei. O protagonista passa o filme todo sendo assombrado pela figura do Birdman, personagem com o qual ele, ator, tinha ficado marcado. Todos temos os nossos “Birdmans”. (sim, o plural em inglês seria birdmen, mas aqui perderia força).

lata01Nessa luta de todo gordo contra a balança, o vaivém é intenso, algumas batalhas são vencidas, outras tantas (a maioria) são perdidas. Depois de ver o filme passei a simbolizar isso na minha vida da mesma forma. A gente até pode se dedicar a perder peso, caminhar, pedalar, correr, mas o fantasma da gordice está sempre ali, paradinho do nosso lado, pronto prá se manifestar.

Você vem se cuidando, controlando o que come e o que bebe, a balança vem mostrando seu sucesso, tudo parece vir bem até que..passa na sua frente aquela bandeja de Branquinhos com Negrinhos. Pronto, o fantasma toma conta do seu braço, da sua mão, da sua boca, do seu corpo todo e, quando dá por si, você deglutiu dezesseis docinhos. Em cerca de três minutos!

Esse ato desvairado vai lhe custar uma semana de sacrifícios apenas para voltar ao ponto zero, ao peso que você tinha ANTES do fantasma aparecer. Valeu a pena? Tarde demais. Como um serial killer que tivesse acabado de trucidar sua vítima, ali jaz você, embriagado de prazer e culpa.

lata02No meu estrito caso ainda faço manobras para manter o fantasma por perto. Cometo atos premeditados que alimentam a gula do fantasma, lhe dão energia. Desde minha singela noite de autógrafos do livro Coisa de Gordo, tenho uma lata gigante de Leite Moça, que estou envelhecendo como se um vinho fosse. Quanto mais velho, melhor. Em fevereiro agora que passou, a lata expirou sua validade. Delícia. O leite condensado fica espesso, grumoso, denso, saboroso! Ops, quase babei no teclado. Sim, o meu Birdman me ajuda a escrever textos, inclusive. Sim, sim, ele está entre nós agora. Esse tipo de coisa mantém o Fantasma por perto.

Morrerei um dia tendo essa entidade ao meu lado. Tem sido uma constante na minha vida. Resta combatê-lo, reduzir quilos na balança, se conter. A cada pequena vitória ele nos olha sorridente, cara de descrédito, certo de que cairemos de novo.

Não lhe tenho ódio, raiva. Longe disso. Esse convívio ao longo de décadas nos fez íntimos. Tenho respeito, sim, aprendi a respeitá-lo.

Que seja assim. Fica apenas a dúvida: – Até quando vou guardar aquela lata antes de devassá-la?

Birdman, Birdman..

Silvano – impossível

Crédito das imagens: Silvano Marques
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Comentários (1)

  • Claudete diz: 3 de abril de 2015

    Silvano,boa tarde!
    Li essas duas últimas crônicas e sei o que você passa…
    Mesmo tendo sido magra até a idade de 38 anos,venho fazendo dieta e emagrecendo e engordando já faz muito tempo…começo cheia de vontade e paro quando já não aguento mais resistir as tentações.Pior de tudo é que não posso fazer exercícios por causa das próteses que tenho nos dois joelhos e que me limitam muito.É só restrição alimentar mesmo!
    Mas o que me deixou pasma foi a insensibilidade do seu tio dizendo que a balança era de pesar gado,me desculpe mas foi de uma crueldade enorme com um adolescente,tenho esse tipo na família,quando emagreço perguntam se estou doente e quando engordo me dizem “que pena que engordou novamente…”,e tenho 15 ks.acima do peso normal…
    Mas o espiritismo já explica porque somos tão diferentes na mesma família,não é?rsrsrsrsrsr
    Adorei as crônicas,fiquei triste por você quando falou do que passou a respeito do peso e muito feliz por você ter conseguido chegar ao ponto em que está.
    Abraços e parabéns pelas crônicas,você continua escrevendo muito bem.
    Claudete

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