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Posts de janeiro 2016

Coisa de Gordo - 570

01 de janeiro de 2016 4

570 – Pobre Rio Grande do Sul 

O Rio Grande do Sul, assim como seu co-irmão Rio de Janeiro, vive uma crise aterradora em suas finanças. A mim não causa estranheza, diria que semeamos vento, agora colhemos tempestade!

O povo gaúcho se orgulha, quando deveria se envergonhar, de querer ser diferente. Aqui, tudo é diferente.

Festejamos o Vinte de Setembro, uma guerra que perdemos. Mandamos a Ford embora porque, ora bolas, grande coisa ter uma montadora de automóveis em solo gaúcho. Quando as indústrias calçadistas começaram a alçar vôo em direção ao nordeste, não fizemos menção de conquistá-las a que aqui ficassem com seus milhares de empregos. Nada disso, fossem embora.

Certa feita num réveillon em Capão da Canoa, onde quase cem mil pessoas aguardavam um show de fogos à beira-mar, tudo foi cancelado por causa de quatro corujas (isso mesmo, quatro pequenas aves) que tinham feito ninho justamente ali, onde se soltariam os fogos. A multidão foi mandada embora sem festa, sem show..por causa de quatro corujas.

Aqui em solo gaúcho o Movimento dos Sem-Terra canta de galo, a tal ponto que a Fazenda Ana Paula, empreendimento colossal na área da pecuária, cansada das sucessivas invasões, sem qualquer medida por parte das autoridades, acabou indo embora para o Uruguai, levando consigo os empregos, os impostos, a riqueza do Estado. Ficamos com a miséria do MST.

Somos assim. Afugentamos investidores porque somos metidos a diferentes.

Sentenças judiciais inovadoras, badalações jurídicas, aqui fazem sucesso.

Na capital, a beira do Guaiba encontra-se divorciada do seu povo, porque basta alguém lance uma idéia de urbanização, mil vozes contrárias se levantam! Deixa o Guaiba atrás do muro, não mexam com o Guaiba. Quem quiser curtir orla urbanizada que vá a Florianópolis, Montevideo, Buenos Aires. Aqui não pode.

Aí você vem viajando pela rodovia BR-101 desde Santa Catarina até aqui. Ao longo de todo percurso, cruzando áreas urbanas, pontes, etc, a velocidade máxima permitida ao motorista é de 110km/hora. Quando o motorista chega ao Rio Grande do Sul, exatamente na ponte que nos separa de Santa Catarina (sobre o rio Mampituba), justo ali tem um controlador de velocidade de 60km/h!!! De 110 para 60, assim somos nós.

Alguém se queixou do sinal de celular em Porto Alegre. Aí responderam que nós criamos leis tais que o tempo de espera para instalar uma antena de telefonia celular na capital é de dois anos e meio!!

Ouso dizer que este é o Estado do atraso, do desmando, do predomínio do inútil sobre quem produz, o Estado que afugenta o progresso e a tecnologia.

Como disse antes, semeamos vento. Ora, tendo essa postura em todos os setores da vida, estranho seria se estivéssemos nadando em riqueza. É óbvio que um dia a casa ia cair. Casa essa que vem sendo demolida, dia a dia, tijolo a tijolo, multa a multa, por nós gaúchos.

Imagino-me sendo um investidor do centro do país, que estivesse aventando trazer meu precioso dinheiro para cá, estivesse pensando em abrir uma indústria, uma fazenda, um ramo de negócios qualquer. Ao cruzar a ponte do Mampituba já receberia um “choque de realidade”, e a partir daí seria uma sucessão de entraves e dificuldades. Que faria eu? Meia volta, volver! Vou investir noutro lugar.

Pois é, fiquemos aqui no canto do país, entre corujas e invasores de terra, afinal, temos essa mania de sermos diferentes! O Estado está falido? Mas esperávamos exatamente o quê, agindo dessa maneira?

Pobre de nós.

Silvano Marques – o impossível

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