Coisa de Gordo - 532
532 – QUE PAÍS É ESTE ? – parte 2
Os absurdos se sucedem e assim não dá para agüentar. A gente vê cada coisa..
Houve um drama policial na cidade de Gravataí – RS no qual uma seqüência de mal-entendidos e trapalhadas acabou por manchar as reputações das polícias gaúcha e paranaense.
Dois empresários saíram do Paraná atraídos pela compra de maquinário a preços bem baratos, o que os fez virem de lá até aqui para lucrarem com isso. Era um golpe. Na verdade foram seqüestrados e por eles se pediu resgate. Aí entram os policiais do Paraná que então vieram para prender os bandidos. Vieram sem avisar a polícia local. Paralelo a isso, um sargento da Polícia Militar, à paisana, numa moto, obviamente armado (e sabe-se agora, alcoolizado) abordou os policiais paranaenses e acabou morto a tiros. Primeira trapalhada. Nos momentos seguintes, num lance quase que cinematográfico, os policiais estavam parados numa rua quando lhes aparece, saindo de uma garagem, um carro com os bandidos e as vítimas. Ao verem os policiais, os bandidos entraram de novo na garagem e o tiroteio começou. Na ação, um dos reféns foi baleado e morto (sabe-se agora, pela arma do delegado Carivali). Esta foi a segunda trapalhada. Mas acaba que os meliantes foram presos e o seqüestro foi resolvido, com a libertação do outro refém. Estes os fatos.
Passado um mês do ocorrido, agora sai a notícia de que este delegado, Leonel Carivali foi indiciado por homicídio doloso (com intenção da fazer o mal) por erro de execução, podendo ir a júri popular e até mesmo vir a ser preso.
Então vejamos. O começo de tudo se dá pela cobiça e avareza de dois empresários do Paraná que, na intenção de pagarem menos, de tirarem vantagem, vieram a cair num golpe rasteiro de seqüestro e extorsão. Ninguém é santinho nesta triste história. Eles vieram em busca de vantagens sabidamente ilícitas. Diga você, caro(a) leitor(a), se lhe oferecerem um carro zero quilômetro, por 10.000,00 reais, você saberá que é um golpe, certo? Ou o carro é roubado. Ou é clonado. Ou é de traficante. Boa coisa é que não vai ser. Portanto, quem entra numa dessas vai sabendo que ali tem coisa. Lamento o triste desfecho da história, onde um dos dois veio a morrer, mas há que se reconhecer que eles estão no nascedouro de toda a situação.
Ato seguinte, na ação de desfecho, um tiro infelizmente dado por este delegado agora indiciado veio a alvejar uma das vítimas. Certo, certo, tragédia, erro na operação, fracasso na ação policial, mas daí a indiciar o policial, com dolo, isso é um grande absurdo! Ora, os culpados do crime cometido são os meliantes, os seqüestradores, os bandidos que desde o início montaram o circo todo. Pois neles ninguém fala. Os nomes deles não estão na imprensa. Coitadinhos, vai ver que são vítimas também, pobrezinhos! Mas que pouca vergonha.
Profissionais da lei que eventualmente vão se defrontar com assassinos e outros criminosos vão ter sim que dar tiros aqui e ali. Também eu prefiro que eles alvejem a bandidalha e não as vítimas dos crimes. Mas se a cada ação policial se vai indiciar o policial esquecendo-se dos bandidos, então estamos fadados a morrer nas mãos frias dos bandidos. Por omissão da polícia.
Imagine-se você, sendo policial aqui no Rio Grande do Sul, e sabendo que por pouca coisa você vai ser acusado de assassinato. Ora, na hora da ação, você vai se esconder, não vai atirar em ninguém, não vai cumprir seu papel, pois isso poderá colocá-lo no banco dos réus. Enquanto os verdadeiros criminosos assistem a tudo de camarote, às gargalhadas. O que isso faria com você? Tornaria você um policial omisso, inseguro, incapaz. Essa postura de proteção aos bandidos e de acusação às forças policiais é devastadora para uma força policial. Como se diz aqui em terras baguais, com essa me caíram os butiás do bolso.
Indiciar este delegado por homicídio doloso é absurdo, absurdo, absurdo!
Senhor tende piedade de nós. Senhor, escutai a nossa prece
Silvano – o impossível
Crédito da foto: Jean Schwarz do CLICRBS














