clicRBS
Nova busca - outros

 

Coisa de Gordo - 532

532 – QUE PAÍS É ESTE ? – parte 2

Os absurdos se sucedem e assim não dá para agüentar. A gente vê cada coisa..

Houve um drama policial na cidade de Gravataí – RS no qual uma seqüência de mal-entendidos e trapalhadas acabou por manchar as reputações das polícias gaúcha e paranaense.

Dois empresários saíram do Paraná atraídos pela compra de maquinário a preços bem baratos, o que os fez virem de lá até aqui para lucrarem com isso. Era um golpe. Na verdade foram seqüestrados e por eles se pediu resgate. Aí entram os policiais do Paraná que então vieram para prender os bandidos. Vieram sem avisar a polícia local. Paralelo a isso, um sargento da Polícia Militar, à paisana, numa moto, obviamente armado (e sabe-se agora, alcoolizado) abordou os policiais paranaenses e acabou morto a tiros. Primeira trapalhada. Nos momentos seguintes, num lance quase que cinematográfico, os policiais estavam parados numa rua quando lhes aparece, saindo de uma garagem, um carro com os bandidos e as vítimas. Ao verem os policiais, os bandidos entraram de novo na garagem e o tiroteio começou. Na ação, um dos reféns foi baleado e morto (sabe-se agora, pela arma do delegado Carivali). Esta foi a segunda trapalhada. Mas acaba que os meliantes foram presos e o seqüestro foi resolvido, com a libertação do outro refém. Estes os fatos.

Passado um mês do ocorrido, agora sai a notícia de que este delegado, Leonel Carivali foi indiciado por homicídio doloso (com intenção da fazer o mal) por erro de execução, podendo ir a júri popular e até mesmo vir a ser preso.

Então vejamos. O começo de tudo se dá pela cobiça e avareza de dois empresários do Paraná que, na intenção de pagarem menos, de tirarem vantagem, vieram a cair num golpe rasteiro de seqüestro e extorsão. Ninguém é santinho nesta triste história. Eles vieram em busca de vantagens sabidamente ilícitas. Diga você, caro(a) leitor(a), se lhe oferecerem um carro zero quilômetro, por 10.000,00 reais, você saberá que é um golpe, certo? Ou o carro é roubado. Ou é clonado. Ou é de traficante. Boa coisa é que não vai ser. Portanto, quem entra numa dessas vai sabendo que ali tem coisa. Lamento o triste desfecho da história, onde um dos dois veio a morrer, mas há que se reconhecer que eles estão no nascedouro de toda a situação.

Ato seguinte, na ação de desfecho, um tiro infelizmente dado por este delegado agora indiciado veio a alvejar uma das vítimas. Certo, certo, tragédia, erro na operação, fracasso na ação policial, mas daí a indiciar o policial, com dolo, isso é um grande absurdo! Ora, os culpados do crime cometido são os meliantes, os seqüestradores, os bandidos que desde o início montaram o circo todo. Pois neles ninguém fala. Os nomes deles não estão na imprensa. Coitadinhos, vai ver que são vítimas também, pobrezinhos! Mas que pouca vergonha.

Profissionais da lei que eventualmente vão se defrontar com assassinos e outros criminosos vão ter sim que dar tiros aqui e ali. Também eu prefiro que eles alvejem a bandidalha e não as vítimas dos crimes. Mas se a cada ação policial se vai indiciar o policial esquecendo-se dos bandidos, então estamos fadados a morrer nas mãos frias dos bandidos. Por omissão da polícia.

Imagine-se você, sendo policial aqui no Rio Grande do Sul, e sabendo que por pouca coisa você vai ser acusado de assassinato. Ora, na hora da ação, você vai se esconder, não vai atirar em ninguém, não vai cumprir seu papel, pois isso poderá colocá-lo no banco dos réus. Enquanto os verdadeiros criminosos assistem a tudo de camarote, às gargalhadas. O que isso faria com você? Tornaria você um policial omisso, inseguro, incapaz. Essa postura de proteção aos bandidos e de acusação às forças policiais é devastadora para uma força policial. Como se diz aqui em terras baguais, com essa me caíram os butiás do bolso.

Indiciar este delegado por homicídio doloso é absurdo, absurdo, absurdo!

Senhor tende piedade de nós. Senhor, escutai a nossa prece

Silvano – o impossível

Crédito da foto: Jean Schwarz do CLICRBS

Share

Comente aqui

Pé na estrada..

Share

Comente aqui

Coisa de Gordo - 531

531 – Que país é este?

A mídia local gaúcha está alvoroçada desde que, no passar do Reveillon, um trágico acidente de trânsito ocorrido na Estrada do Mar, município de Xangri-lá, causou a morte de duas pessoas. Três automóveis colidiram, sendo que o causador do acidente era pilotado por uma mulher aparentemente bêbada e sem habilitação, acompanhada do dono do carro, também bêbado.

Comoção geral, morreram uma jovem mulher no outro carro e um motorista de táxi de 62 anos no  terceiro veículo.

A partir disso, os debates e opiniões singraram os céus riograndenses, os jornais estamparam colunas, opiniões, pareceres. As rádios promoveram debates, contrapontos, o falatório foi e ainda é geral.

No ato do acidente o delegado de plantão indiciou os dois ocupantes bêbados do carro que causou tudo por homicídio doloso (dolo eventual). Quem bebe e sai a mil por hora na estrada assume o risco do que pode ou vai acontecer. E o acompanhante foi indiciado como co-autor, por ter cedido o carro a pessoa não habilitada (e ainda por cima bêbada).

No ato jurídico seguinte, em poucas horas, com os feridos indiciados ainda no Hospital, o juiz do caso confirmou o indiciamento inicial proposto pelo delegado, mas liberou o casal para que, em liberdade, responda aos trâmites legais subseqüentes (inquérito, processo, etc).

Essa atitude do juiz é que levantou a gritaria popular. Até então o povo assistia a tudo estarrecido, mas satisfeito. Prenderam dois bandidos – pensavam as pessoas.

Bastou o juiz soltar os supostos delinqüentes e os debates começaram. “Pouca vergonha”, “absurdo”, “eles tinham que apodrecer na cadeia” – foram as expressões ouvidas entre tantas outras indignações.

Sofro junto com todos ao ver a morte de pessoas nas estradas, rotinas que infelizmente se torna cada vez mais habitual. Sofro pelas famílias das vítimas, que tiveram seu ano-novo eternamente maculado por uma tragédia dessa monta. E sofro por nós, sociedade corrupta, injusta e deplorável, que faz leis sempre visando o bem-estar do infrator.

Do quase nada que entendo de leis brasileiras, tenho sempre a impressão de que quando os caras vão votar as leis, os códigos penais, eles imediatamente pensam: - E se for um filho meu? Isso, e só isso, justifica nossa legislação tão branda nesses casos. A mim parece que os legisladores até que tentam endurecer os castigos, as penas, mas aí lembram de seus “mimados filhinhos” e amolecem. Faça você esse exercício de empatia. Se os ocupantes do carro causador fossem seus parentes, amigos, você por certo os ia querer são, salvos e longe das grades das prisões, certo? Se uma filha sua tivesse, num ato de desvario, matado duas pessoas na noite da festa,você teria mil atenuantes para proteger, cuidar, aliviar a barra dela.

Por sermos assim, é que matamos tanta gente nas estradas impunemente, e não é de agora!

O exemplo vem de cima. Você talvez tenha esquecido, mas eu não. Uns anos atrás, o Ministro dos Transportes acompanhado de seu filho, atropelaram e deixaram, sem socorro, um homem nas ruas de Brasília. Isso mesmo, o então ministro Odacir Klein, figura notória do PMDB gaúcho, em companhia do filho, fez o que fez. Nos meses seguintes, no processo em que foi denunciado por Omissão de Socorro, o filho do ministro foi absolvido por uma firula legal, um detalhe de interpretação. A defesa alegou que a vítima morreu logo e, portanto, não foi omissão de socorro. Não se deixa sem socorrer quem já está morto! E o motorista foi absolvido! E o Ministro dos Transportes estava a bordo do carro!! Até hoje rola um boato em terras gaúchas de que quem estaria na direção seria o próprio Odacir Klein, e que o filho assumiu a culpa para livrar a cara do pai. Mas são só boatos. Não interessa quem estava na direção. Mataram, deixaram sem socorro e foram absolvidos!

Meses atrás vi matéria na TV onde o Odacir lançou um livro com suas memórias, sua trajetória, suas dificuldades, sua luta contra o vício da bebida. E lá foram os famosos todos abraça-lo na noite de autógrafos. Será que alguém lembrou da família do rapaz atropelado? Acho que não.

Que país é este? – Este é o Brasil!

Voltemos ao caso da Estrada do Mar. Ora, se lá em Brasília os infratores foram absolvidos, por que alguém condenará esses dois de agora? A sermos justos, também eles devem ser absolvidos! Se o filho do Ministro e o Ministro não foram para a cadeia, por que estes de agora devem ir? É porque não são filiados ao PMDB? É porque são menores em fama? Porque não têm os “cumpanheiros” a lhes defender?

Chega de hipocrisia. Liberdade aos assassinos! E cantemos aquela musiquinha de minha infância que dizia.. “este é um pais que vai prá frente...rô..rô..rô...rô...rô.”

Durma-se com um barulho desses.

Silvano – além de impossível, recalcado

Crédito da foto do acidente: Ricardo Duarte – Agência RBS

Crédito da foto do Odacir Klein: Jéfferson Botega - CLICRBS

Share

Comente aqui

Coisa de Gordo - 530

530 – Passando a Régua

Sei, sei , abusei da sua paciência, amigo leitor, falando de caminhadas ao longo de 2011. Tinha uma meta que estabeleci lá no início do ano e estou super-feliz por tê-la suplantado, fiz mais, bati a mim mesmo. Fiquei de fazer 100 caminhadas aeróbicas e no dia 31 de dezembro atingi a marca de 127 caminhadas! Fiz a meta e mais um quarto!

As coisas andam juntas, fazendo tal atividade física acaba que a gente perde um pouco de peso, baixa a pressão arterial, desopila, fica mais disposto para a vida.

É impressionante o que tem de gente caminhando, fico mesmo entusiasmado com tal afluência de gente a essa prática desportiva. E por conseqüência direta, tem muita gente correndo, isso mesmo, correndo. Magros correndo, crianças correndo, gordos correndo.

Juntando esse tema da caminhada/corrida com a virada do ano, esta é uma boa época para estabelecermos novas metas, coisas como emagrecer, parar de fumar, trocar de mulher/marido, mudar de emprego, mil coisas.

Assim, aproveito este dia 01 de janeiro de 2012 para lançar-lhe mais este desafio. Trace uma meta de caminhadas para 2012. Você nunca caminha? Então prometa a si mesmo que vai fazer 12 ao longo do ano. Quer ousar um pouquinho mais? Faça uma meta de quatro/mês, total de 48 no ano. Bah, fácil, fácil.

Agora, quer ficar condicionado? Então assuma que vai caminhar cem vezes em 2012. Você consegue. É só se planejar.

Mas vamos começar seja por onde for. Comece a caminhar. Seu médico, seu marido, sua mulher, seus filhos, vão lhe agradecer!

Permita-se caminhar! Sua vida ficará mais leve!

Quer criar um estímulo. Pegue um papelzinho e escreve nele suas metas para 2012. As caminhadas, as relações pessoais, profissionais. Coloque ali coisas suas, de mais ninguém. Dobre, ponha num pequeno envelope, cole e deixe guardado. No lado de fora do envelope, escreva: - ABRIR SÓ NO DIA 31/12/2012. Lá no tal dia, abra o envelope e confira suas aquisições.

Quer que eu conte suas caminhadas? Então me envie seus resultados de quando em quando e eu vou pondo aqui neste gráfico.

Vamos juntos nessa.

Como fiz 100 neste ano que passou, vou fazer uma nova meta para mim: - quero fazer 120 caminhadas em 2012. Resta cumprir.

Mas esteja a gosto, faça sua própria meta, combine ela com apenas uma pessoas, você mesmo! E vamos buscar atingir o estabelecido.

Tempo tem de sobra. Hoje é recém o primeiro dia do ano. É pé na estrada e vamos lá!

Silvano – mas que ladainha..

Crédito das ilustrações: Silvano Marques

Share

Comente aqui

Coisa de Gordo - 529

529 – As Ditaduras

Esse tema de ditaduras vai e vem, por vezes algum político ou escritor o traz às luzes da discussão e dificilmente se chega a um consenso. Uns acham certo um lado, outros acham certo outro lado e todos morrerão abraçados às suas convicções.

A última bobagem que transitou na mídia foi a tentativa do vereador Pedro Ruas e uma colega sua de mudarem o nome da avenida de entrada de Porto Alegre. O nome da avenida é CASTELO BRANCO, e os dois esquerdistas edis queriam mudar o nome para avenida da Legalidade.

Imagine você se a cada mudança de partido no poder as ruas e praças tivessem seus nomes alterados. Diziam os vereadores pouco ocupados que dar o nome de um ditador (e torturador) à tal avenida era uma afronta. Quando escutei este argumento imaginei se eles gostariam de mudar o nome da avenida Getúlio Vargas, outro ditador e torturador famoso. Ah, dirão, mas é o Getúlio. Então tá combinado, alguns podem ser ditadores e torturadores, o que não pode é ser impopular.

Acho uma graça nisso. As ditaduras de direita têm toda uma série de defeitos, mas algumas características elas têm. Elas inevitavelmente tendem à abertura, à democracia. Os generais aqui no Brasil não tinham cargo vitalício e, quando morriam, não passavam o poder aos seus filhos ou parentes. As ditaduras de esquerda tendem a se perpetuar, e os mandatos dos ditadores são vitalícios. No seu impedimento ou morte eles passam o poder a um filho, irmão, etc. Veja que em Cuba o irmão do Fidel assumiu após décadas de ditadura. Para continuar ditador. Na Coréia do Norte, o filho do cara aquele é quem vai assumir. Mas aí, dirão os comunistas, isso pode. O Fidel, assim como o Getúlio, pode!

Na última feira do livro da capital gaúcha comprei o livro MÉDICI – a verdadeira história, de autoria do General Agnaldo Del Nero Augusto (Editora Artes Gráficas Formato, Ltda – Belo Horizonte). Claro, claro, é uma versão que raramente se vê e que tem todos os matizes de quem apoiou os governos militares. Mas o livro traz dados bem específicos, bem detalhados sobre o desenvolvimento do país naqueles tempos e mais que isso, as ações engendradas pelos terroristas de esquerda com o fim de tomarem o poder no país e instalarem aqui o comunismo.

Alguns dados desenvolvimentistas: o país do governo Médici cresceu 14% ao ano (!!), lançou as obras de Itaipu, a Ponte Rio-Niterói, a Embrapa, o Funrural, entre outras coisas. E ao fim do mandato nenhum filho seu tinha ganho milhões como o Lulinha, e escândalos como o Mensalão não aconteciam naquele tempo.

Aliás, essa é outra diferença esquerda-direita. Os presidentes de direita continuam com a mesma riqueza que tinham antes de assumir. Os de esquerda...rá, rá..veja as fortunas amealhadas pela família Lula da Silva em sua passagem por Brasília. A fortuna pessoal de Fidel Castro é uma das maiores do mundo na revista Forbes. Mas fazer o quê? Os comunistas falam mal do capitalismo, mas não resistem às suas benesses.

Por fim, este livro narra o meticuloso treinamento dessa gentalha de esquerda que ia a Cuba aprender táticas de terrorismo, guerrilha, manejo de bombas, armas, tudo com o fito de impor uma ditadura de esquerda! Pois é, não conseguiram. Falharam na sua missão. Foram corridos a bala. E em que pese os atos bárbaros e criminosos por eles cometidos (o livro dá os nome das vítimas, gente que a mídia considera desimportante), hoje em dia são heróis ricos, receberam milhões de indenização, perderam a guerra mas tiraram na megassena! Então agora sabemos afinal a sua real ideologia. Enriquecer. Às nossas custas, sim, você e eu pagamos a esses perdedores as pensões-comunismo que eles receberão até morrer.

O time do Santos foi ao Japão e levou uma surra do Barcelona. Ninguém pensou em indenizar os jogadores santistas. Perderam, fizeram um fiasco, foram derrotados. No Brasil de agora o absurdo está instalado. Os comunas perderam a guerra, levaram um “laço”, mas recebem regiamente as glórias monetárias advindas do seu rotundo fracasso.

Alô, alô, patrulhas da esquerda! Mandem chinelaço à vontade!

Com todos os diabos, se eu tivesse imaginado isso teria me filiado ao PC do B na minha infância e hoje estaria rico , feliz e desocupado. Alegando traumas da ditadura.

O livro é obviamente tendencioso. Mas vale a pena ser lido. Aproveite.

Silvano – sempre do lado errado

Crédito da foto: reprodução da capa do livro

Share

Comente aqui

Bruna Surfistinha - o filme

Eu tinha lido o comentário deste filme no blog Febricitante, onde a Liziê dá aulas de cultura. Naquele momento a autora falou rispidamente do filme, meio que desfez na realização, concluindo que pelo menos para ver “os peitos” da Déborah Seco o filme se prestava.

O filme do diretor Marcus Baldini tem, a meu ver, bem mais do que os peitos da Déborah Seco. Com atores do quilate de Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes entre outros, ele traz a história do livro O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO, onde a famosa garota de programas Raquel contava suas peripécias. Esse livro virou best-seller uns anos atrás e a tal Raquel tinha um igualmente famoso blog onde narrava suas performances sexuais em busca do dinheiro de clientes.

Passaram-se uns anos e a coisa veio parar nas telas.

A idéia geral do filme é de ruptura, de tristeza e decepção. Partindo de uma trama simplista onde uma menina de família “normal” entra em crise existencial por ser adotada, o filme mostra então a saída dela de casa e a busca do caminho fétido da prostituição.

Enfrentando preconceito por parte de outras prostitutas que a julgavam deslocada ali naquele meio, ela acaba se impondo por uma impressionante resistência física e emocional. E faz uma legião de clientes e fãs.

Algumas coisas devem ser destacadas na trama. A família dela não tinha grandes traumas, não tinha motivos suficientes para tal ato derradeiro. Sair de casa para se prostituir. Era uma família como a de qualquer um de nós. Isso assusta. O ambiente da prostituição nunca é mostrado no filme como uma coisa glamourosa, sequer erótica. Não, o tom das cenas (eventualmente fortes, até meio nojentas) é sempre deprimente, lúgubre, pessimista. A personagem central não consegue e nem mesmo quer estabelecer vínculos afetivos duradouros com ninguém. E o inevitável caminho das drogas lhe cai como uma luva.

Enfim, achei o filme instigante, bem feito, cenários fortes, cenas arrojadas e de fato, os peitos da Déborah Seco estão lá. Mas o entorno é tão triste e sombrio que fica até meio difícil de ver.

Bom filme, deve ser visto por pais, mães e mesmo filhos. É uma realidade que está logo ali, do outro lado da avenida. E que por vezes esquecemos.

Nota: 8,0

Silvano – o impossível

Crédito do cartaz: reprodução do site oficial do filme

Share

Comente aqui

Dica em Gramado-RS

Estando em Gramado, a bela cidade serrana gaúcha, não deixe de conferir um lugar dos mais agradáveis para quem quer lazer. Trata-se do JOSEPHINA, um café que fica ali naquela ruazinha ao lado da Igreja. A casa parece ter sido de um dentista, na entrada se vê a placa com o nome do cara. Na decoração, cartazes e fotos de tempos idos, a música ambiente é diferenciada, algo entre um jazz e uma MPB de nível. O atendimento é sempre atencioso, e digo isso após várias idas lá, em diferentes situações.

O banheiro masculino é todo decorado com malas, mapas, guias de viagens que ficam afixados nas paredes.

As opções do cardápio são variadas, neste último dia pedi uma SALADA VERDE E COGUMELOS, assim descrita no cardápio: “Mesclun de verdes, cogumelos Paris ao molho de azeite de manjericão e queijo parmesão crocante.” Preço disso? R$ 21,50. Para Gramado, a cidade onde tudo é caro, é um achado!

Fora isso você tem opções de Saladas, Sopas, Cremes, Omeletes, Risotos, Carnes, Massas, Crostatas e ainda tem a Mercearia Josephina, onde eles fabricam e vendem para levar Vinagre Aromático, Azeite Aromático, Geléias, Pão Colonial e Biscoitos.

Então já sabe. Ali na ruazinha ao lado da Igreja, num fim de tarde, a serenidade o aguarda. Aproveite.

Silvano – em busca de coisinhas

Crédito das fotos: Silvano Marques



Share

Comente aqui

Coisa de Gordo - 528

528 – ISTO É MEDICINA?

Diz-se que já passamos da idade do pós-moderno e estamos entrando na idade da super-informação, do imediatismo, a idade do instantâneo. Por força disso, as pessoas (incluindo eu) têm acesso a informações muito variadas e nem sempre corretas.

O “doutor Google” sabe bastante de tudo, mas não aprofunda em nada. Diz muita coisa, mas nem sempre revela muito.

Assim, nós os médicos temos nos defrontando com as mais estapafúrdias demandas por parte de usuários pseudo-informados, que adentram plantões, salas de emergências, consultórios, clínicas e hospitais exigindo isto e aquilo.

Um tempo atrás, os pediatras contavam aquela piada da mãe que, em companhia do filho mal-educado, vinha ao médico pedir um eletro-encefalograma “prá ver porque esse guri é tão nervoso”. Isso já passou. Não acontece mais. Hoje em dia, as mesmas mães irrompem salas adentro não mais pedindo, mas EXIGINDO, uma Ressonância Nuclear Magnética de Encéfalo. Foi isso que elas leram na Revista Cláudia, ou viram na Ana Maria Braga ou copiaram das dicas que o Dr Dráuzio Varela dá no Fantástico.

Na área da clínica, bastou a Revista veja publicar uma matéria de capa sobre o Victosa, um remédio para diabéticos do tipo II, que também emagrecia as pessoas e o tal remédio sumiu das farmácias. Os gordos compraram todos e atualmente tem fila de espera para adquirir o caro remédio. Pobre dos diabéticos que precisam de fato do remédio e não conseguem comprar.

Dia desses jogávamos conversa fora e paramos para nos perguntar quantas vezes a gente, pessoas da nossa geração, gente que nasceu aí pelos anos 1960 e proximidades, quantas vezes em toda nossa vida tínhamos procurado um hospital! As respostas foram impressionantes. Eu devo ter ido a hospital na qualidade de paciente umas duas ou três vezes ao longo de minha vida toda. No caso de mulheres a conta obviamente aumentava, somados os partos e eventuais cesáreas. Mas os números não fugiram muito disso. Certo, certo, eram outros tempos.

Há pessoas da atualidade que têm por hábito freqüentarem hospital quase que mensalmente. Certa feita, estava eu de plantão num Hospital aqui do litoral norte gaúcho e chegou uma jovem moça, aparentemente saudável, para ser atendida. O atendente imprimiu o boletim de atendimento dela e me mostrou que, só ali, ela estava consultando pela 121ª vez. E a idade dela era de 21 anos! Ela vem sempre aqui – disse o atendente. Depois, chega uma emergência de verdade e às vezes vai ser atendida com atraso porque o “doutor” talvez esteja atendendo a tal moça pela 122ª vez.

Faz parte do dia-a-dia médico lidar com a ignorância das pessoas sobre algum assunto e isso é de fato a missão dos médicos, esclarecer e auxiliar os pacientes. Isso não nos causa estranheza. O que nos impressiona na atualidade é a profusão, a intensidade, a multiplicação de casos absurdos, sucedidos por outros mais absurdos, que vêm seguidos de outros ainda mais absurdos! Colega meu de Porto Alegre nos contou que uma certa mãe levou o bebê à consulta uma vez no serviço onde ele atende. Levou outra, mais outra e lá entre a quarta e a quinta consulta a mãe se dirigiu ao Fórum da capital para exigir mais rapidez numa demanda que ela queria, um exame diferenciado, algo assim. Voltou ela do fórum com ordens judiciais, demandas legais, faça-se isso e cumpra-se aquilo, ao passo que o bebê, me dizia o meu colega, não tinha nada de mais, era saudável. Para ilustrar a gravidade do caso, tal paciente estava com dois meses de idade recém feitos, e já fora atendido dez vezes no serviço, já tinha feito mais de cinco exames alternados, já fora ao promotor em busca de mais coisas e ao fim e ao cabo não tinha nada! Nada de mais!

Pergunto a você: - Isso é medicina? Ou viramos um balcão de negociações judiciais e comerciais? O SUS está sobrecarregado? Afirmo-lhe que mais de setenta por cento da demanda do SUS eu enquadraria como bobagem. O resto é doença! O problema é que essa grande maioria ocupa o tempo, o espaço, gasta a verba do contribuinte exageradamente. É a tal da geração Y que já cresceu, procriou, tem filhos e – você lembra? – é aquela geração que só tem direitos, nenhum dever. Prova está na tal mãe que não hesitou em recorrer ao Promotor para dar vazão a mais um surto de sua ignorância.

Os cirurgiões plásticos comentam a mesma coisa. As pacientes adentram os consultórios e antes de dizerem bom dia, sentenciam: - Vim aqui para fazer seio e abdômen! E quero um “lipo” no mesmo pacote. Aí, e só aí, o médico as cumprimenta e começa a conversar. Isto é medicina? Não, não é!

Consulte o google, como eu mesmo faço, várias vezes. Veja as dicas do Dráuzio e seus similares. Mas permita-se ser atendido decentemente pelo seu médico. Sua saúde vai lhe agradecer por isso.

Silvano – em meio às trevas da ignorância, incluindo as da própria ignorância


Com a palavra...as leitoras:

Concordo contigo ,mesmo sem ser médica pois isso acontece direto. Só que eu sei pelo outro lado ...o das clientes. Se o médico não der o tal exame é porque ele nãp é bpm médico, nem fez exame e já fez o diagnóstico!! Como é que pode? Como vou confiar? É...as coisas estão invertidas. NAIRA - da Praia do Cassino


Silvano! Fantástica esta tua postagem. (..)Sabes? há tempos atrás, o GERCC (um grupo de especialistas em relacionamento com clientes e consumidores aquí de Porto Alegre) buscou junto a 2 hospitais os indicadores das emergências ... e os números foram assustadores. Incrivel mesmo, a ignorância tomou conta e tudo leva a um hospital! E coitados dos "doentes" mesmo". Abraços. ROSALVA - da capital gaúcha


Share

Comente aqui

Mais uma..mais uma..

Share

Comente aqui

O GOLPISTA DO ANO - filme

O GOLPISTA DO ANO (I love you Phillip Morris)

Tem certos atores que nos fazem entrar no cinema ou alugar um DVD só pelo nome deles. O Jim Carrey para mim se enquadra nessa categoria. Sou fissurado nos clássicos dele como Ace Ventura, O Máskara, Cine Magestic, entre outros tantos.

Por força disso, fomos ver esse O GOLPISTA DO ANO (2010).

O filme é bem feito, produção impecável, trama bem amarrada, mas a gente fica o tempo todo numa dúvida. Os produtores pegaram três filmes a saber: O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, ACE VENTURA e AGARRA-ME SE PUDERES, jogaram tudo dentro de um liquidificador e o resultado deu neste filme.

A trama é bem contada mas a gente fica o tempo todo numa dúvida cruel: - O personagem do Jim Carrey está sentido o que está mostrando ou está fingindo para poder escapar?

A história é contada em flash-backs, nos quais o personagem citado (Steve Russel) se vê às voltas com amores homossexuais, golpes e prisões. E ele passa o filme todo sendo preso, fugindo, dando novos golpes, sendo preso, fugindo de novo, sucessivamente.

O problema é que Carrey não deixa nunca de ser histriônico, exagerado, sexualizado ao extremo, como em todos seus outros filmes. Lembre que no Máskara ele colocava um macaco no ânus de um criminoso, no Ace Ventura o bandido era sodomizado por um orangotango no final. Em Eu, Eu Mesmo e Irene ele se entregava a festas com vibradores. Pois nesse aqui ele faz questão de aparecer em cenas fortes ,onde insinua e eventualmente mostra detalhes desse seu sexismo exacerbado.

Fosse um outro ator a exercer o papel e talvez o filme tivesse uma outra conotação. É que o público fica o tempo todo se preparando para rir, quando na verdade o relato que o filme traz é o de uma história triste de amor, história sofrida, corrida. No Brokeback a gente se emocionava. Neste aqui a gente ri meio sem graça.

A trilha sonora e a sucessão dos fatos nos remetem àqueles filmes dos Irmãos Cohen , o que confirma a qualidade do filme como um todo.

Para surpreender o espectador, no final a gente fica sabendo tratar-se de uma história real, com citações do que aconteceu e ainda acontece com os dois principais envolvidos.

Destaque-se a presença de Rodrigo Santoro. E de Ewan MacGregor (de O Peixe Grande). Perfeitos. Dramáticos. Profundos. Esses sim, adequados à história.

Nota: 6,5

Mas, para mim que sou fã, todo filme de Jim Carrey deve ser visto. Confira, portanto.

Silvano -  o impossível

Crédito das imagens: reprodução do cartaz


Share

Comente aqui