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Roth, Einstein e a oportunidade

28 de setembro de 2016 88

Seijas aproveitou uma oportunidade rara

*por Marcelo Carôllo

Uma noite de futebol que começa com Celso Juarez Roth citando Albert Einstein não tem como acabar bem. Já na casamata da Vila Belmiro, instantes antes do início da partida, o pensador do pior momento da história do Colorado se referiu a um dos maiores pensadores da história da humanidade:

“Já dizia Einstein: a gente tem que aproveitar a oportundidade”.

A completa sequência de frases do físico alemão é tão bonitinha. Numa tradução livre, seria algo como: “Na desordem, encontrar a simplicidade. A partir da discórdia, encontrar a harmonia. Na dificuldade reside a oportunidade”. É bem provável que Einstein tenha chegado à tão belas conclusões enquanto pensava em complexos e incompreensíveis (pelo menos para 98% da raça humana) problemas físico-matemáticos. Justamente na dificuldade de se responder alguma grande questão reside a oportunidade de desbravar estas novas águas do saber.

Acontece que desenvolver a Teoria da Relatividade é FICHINHA perto do desafio que Roth tem pela frente. Tirar o Inter deste atoleiro requer mais do que um QI elevado, mais do que força de vontade, mais do que a sabedoria de identificar as oportunidades em meio à lama e ao caos. Requer – entre tantas e inúmeras habilidades - um pouquito de sorte, também.

E, finalmente, o acaso jogou a nosso favor em uma noite futebolística. Em uma partida em que – novamente – futebol nenhum conseguimos apresentar, um venezuelano esperto identificou, em meio ao nosso mar de dificuldades, a chance de se consolidar como um dos jogadores mais importantes para esta reta final de temporada.

Com um quê de habilidade e um muito de sorte, o camisa 23 empurrou para as redes não só a nossa esperança de classificação na Copa do Brasil (e, a essas alturas, quem se importa com a Copa do Brasil?), mas também reforçou a sua posição como titular no time Colorado.

Se ainda temos algum remoto sonho de deixar a zona dos quatro últimos do Brasileirão, precisamos contar com o que de melhor temos. Mesmo não sendo nenhum craque de bola ou grande pensador, Seijas é indispensável neste processo. O meia venezuelano, tal qual o físico alemão, sabe transformar dificuldades em oportunidades.

Que assim siga.

O fantasma

27 de setembro de 2016 119

*por Marcelo Carôllo

Troco rápido o canal da TV que anuncia que vai passar os melhores momentos dos jogos de segunda-feira. Não sei quem jogou. Nem quero saber. Quero um espaço para fugir de qualquer referência futebolística. Vou para o canal de músicas.

Evito as conversas de grupos no WhatsApp. Passo o dia desviando dos colegas colorados da redação. Aqueles com quem o papo, invariavelmente, passa pelo Inter, sabe? Não quero falar sobre. Adio ao máximo a escrita do próximo post no blog.

Mas não adianta. Tudo me faz lembrar da zona de rebaixamento. Não há fuga. Não há escapatória. É um fantasma que me persegue do momento em que saio da cama até o momento em que volto para ela. Chega a parecer bobo abatimento tal ser ocasionado por algo tão banal quanto o futebol. Não deveria ser tão importante, mas é. “A mais importante das coisas sem importância”, disse o italiano Arrigo Sacchi, treinador da azurra na Copa do Mundo de 1994.

“É um pouco pior do que isso”, responderia este colorado que não consegue pensar em outra coisa que não a tabela do Campeonato Brasileiro 2016.

No mais, amigos, o fantasma toma forma. Foi um turno inteiro jogado fora. Dezenove jogos, um passeio por todos os adversários da elite do nacional, e apenas uma vitória. Precisamos de tantos pontos que qualquer prognóstico positivo parece exagerado, mentiroso, enganador.

Que sofrimento interminável. Seria tão mais fácil se tudo se resolvesse assim, com um clic do controle e uma mudança do canal de esportes para o de música. Peraí, é a marcha fúnebre isso que tá tocando?!

Inútil e irritante

23 de setembro de 2016 59
Quartas de final e nada, a estas alturas, dá no mesmo

Quartas de final e nada, a estas alturas, dá no mesmo

*por Marcelo Carôllo

A partida da noite desta quinta-feira tinha a mesma utilidade que um aparelho de fax vencido em um sorteio de rifa da firma. Em um universo whatsappístico, nada pode ser mais obsoleto do que um aparelho de fax. Aparelhos de fax são imensos. Ocupam boa parte de qualquer mesa de trabalho. Fazem um barulho do inferno. Não servem para nada. Ganhar uma coisa dessas e não ganhar nada, no que diz respeito a utilidade, dá no mesmo.

No Castelão, se o Inter vencesse por catorze a zero ou perdesse por vinte e três a dois daria no mesmo. Nós não seremos campeões da Copa do Brasil. Nós não temos mais nada a ver com a Copa do Brasil. Esse campeonato não nos pertence, nesse momento. Todas as nossas energias, atenções, torcida e força de vontade devem estar empregados na única coisa que nos resta neste ano: não cair.

Com a escalação mais “experiente” possível, deixando os guris no banco para dar oportunidade aos jogadores com mais cancha, o futebol não melhorou. Pelo contrário. Foram minutos e mais minutos de um sofrimento interminável. Conseguimos perder para um time de terceira divisão. Tericeira. Divisão. Mas tudo bem. Nada disso importa.

Essa classificação é inútil. A Copa do Brasil não é nossa. Não será nossa. Não deveria nos importar. O que vem em seguida pelo Brasileirão, sim. Jogo fora de casa, contra um dos melhores times do campeonato. Evitar a – provável – queda é a meta. O resto, meus amigos, é um aparelho de fax em 2016.

O antifutebol de Juarez

20 de setembro de 2016 156

*por Marcelo Carôllo

Antimatéria é um troço maluco. Na ficção científica, grandes vilões malvadíssimos tentam utilizá-la como arma de destruição em massa. Seus poderes de aniquilação são totais. Que o diga Robert Langdon, personagem da literatura de Dan Brown, que impede que um artefato do tipo exploda o Vaticano. Que o diga a turma de Jornada nas Estrelas, que usava o material para disparar torpedos pelas galáxias. Pensa num negócio poderoso e altamente aniquilante. Antimatéria é mais ou menos isso.

O que já virou caso a ser estudado pela ciência (e possível inspiração para ficções – científicas ou não – futuras) é a partícula descoberta e desenvolvida por Celso Roth em seus anos como treinador de futebol. Em 2016, no comando do Inter, parece que a sua criatura chegou ao ápice. À sua forma suprema. Nesta segunda-feira, tivemos uma exibição de sua forma mais pura.

O antifutebol desenvolvido pela mente-pensante do vestiário colorado é a arma mais devastadora que este clube já viu. Está nos aniquilando implacavelmente. A cada nova escalação torta, a cada semana cheia de treinamentos jogada no lixo ele vai se espraiando como um câncer de gols idiotas englobando células da nossa boba defesa. Não temos chance.

A fórmula para a horrenda criatura está aí, fácil para quem quiser ver. Basta misturar treinos mal conduzidos, esquemas mal armados e alguns bruxos a gosto. A essa fedorenta massa, adicione – sem piedade – uma grande dose de volantes. Muitos volantes. Mais volantes. Nunca é demais colocar um volante. Para garantir, mais um. E outro, para “compor o meio”.

Pronto. Só mais uns dois ou três volantes e deu.

Está pronto o produto de anos de incompetência e má gestão: um time que joga algum outro esporte. Um clube que pratica qualquer coisa que não o futebol. É o contrário do futebol. É o antifutebol de Roth, nos aniquilando como bomba-atômica.

Jogo de segunda

19 de setembro de 2016 65

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*por Marcelo Carôllo

Que grande – e sofrível – ironia que América-MG e Inter se enfrentem em uma segunda-feira. A partida do Independência pode ser vista por algum colorado mais pessimista como uma PREMISSA do que está por vir em 2017. O América, pobrezinho, realmente parece que não vai ter condições de sequer sair da lanterna do campeonato.

O Colorado, por sua vez, se esforça para se manter nesta zona tenebrosa. Se as coisas seguirem como estão, as duas equipes que entram em campo esta noite se encontrarão em uma “segunda” bem mais tenebrosa do que esta pré-feriado para nós gaúchos.

Brincadeira de palavras à parte, se o Inter não vencer hoje, não vence nunca mais. É impensável perder pontos, a esta altura do campeonato, para um time que está na situação que o América está. Por mais torta que a nossa temporada seja, não pode ser aceitável qualquer coisa além de uma vitória em terras mineiras.

Em campo, Roth insiste – inacreditavelmente – em escalar Sasha e retira – incompreensivelmente – Seijas. Vamos com três volantes, pensando em não perder. Olhando pelo lado bom, teremos boas opções no banco de reservas caso a coisa não funcione de saída.

Vamos lá, mais uma vez, sofrer um pouquinho em uma noite de Inter.
Tomara que a encerremos já fora desta zona infernal.

A origem do mal

15 de setembro de 2016 171
Tenho provas e convicção

Tenho provas e convicção

*por Marcelo Carôllo

Como é triste ver o Inter jogar. Já não é mais chato, não é mais inquietante, é triste. Vamos fechar a rodada com a antepenúltima colocação do Campeonato Brasileiro. Em um torneio de 20 times, estamos em 18º. Só Santa Cruz e América-MG conseguiram ser piores do que o Inter até aqui.

A sequência é de dois jogos fora de casa. A esperança de deixarmos esta zona maldita é praticamente nula para as próximas partidas.

Não acho que falte vontade.
Não acho que falte garra.
Não acho que falte “respeito à camisa”.

O que falta é qualidade, mesmo.
E, se falta qualidade (tanto dentro de campo quanto na casamata), o problema é maior do que o um a zero de hoje ou o dois a um de domingo. Nosso problema é lá atrás, é no planejamento. Esta temporada tenebrosa, sofrida, horrorosa é culpa de quem pensa – ou deveria pensar – o futebol.

Estamos, faltando ainda treze rodadas, caindo. Por mais que nossos problemas sejam, a essas alturas, mil, a origem deles é uma só. Senta na cadeira de presidente e está nos levando para o buraco.

Covardia recompensada

12 de setembro de 2016 110


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*por Marcelo Carôllo

Tem alguma coisa no Roth que parece o impedir de conseguir resultados mais positivos com os times que comanda. É uma força maior do que ele. Uma coceirinha irresistível e incontrolável: estamos ganhando? Vamos nos segurar! Tranquem a rua, já! Isso acontece, sem falta, em todos os jogos em que saímos na frente do marcador.

Só que ontem estávamos à frente com quarenta segundos de jogo.

Valdívia ainda estava celebrando seu gol relâmpago quando o Inter de Juarez se preparava para fazer o que faz sempre que o resultado parece minimamente favorável: segurar o jogo. Ali, com menos de um minuto de partida na Arena da Baixada, abdicamos de jogar futebol para deixar o Atlético tentar a sorte.

A coisa ficou tão ruim que, ao final da primeira etapa, a posse de bola do time paranaense superava os 70%.

A virada deles – que, é bem verdade, só nasceu por duas falhas defensivas – era questão de tempo. O Inter não sabe muito bem o que fazer quando está com a vantagem no placar. Ou, se sabe, aprendeu que deve parar de praticar futebol quando está somando mais gols do que os adversários. Se estamos na frente, nos acovardamos. E, assim, somos recompensados com mais pontos deixados pelo caminho.

 

Xô!

09 de setembro de 2016 102
Seijas, o desurucubador de urucubacas

Seijas, o desurucubador de urucubacas

*por Marcelo Carôllo

Xô, urucubaca infame!
Xô, sequência maldita!
Xô, bola vadia que balançava as minhas redes!
Xô, pilantra redonda que insistia em não entrar no alvo!

Acabou. Chega. Hoje os nossos chutes desviados encontraram as redes. Hoje, a clara chance desperdiçada virou escanteio e o gol mais lindo que o Inter já anotou no ano. Assim, na sorte, na xiripa, no rebote torto, na bola que sobe canalha (depois da inacreditável defesa) e cai abençoada (para a milagreira testa que complementa para o gol).

Xô, zona infernal!
Xô, delírios de descenso!
Xô, pessimismo cretino!

O Inter é maior do que tu, inferno astral segundino. O Inter é maior do que tu, fantasma bêzístico. Hoje o empate deles aos quarenta e quatro do segundo tempo virou desarme milagroso. Hoje, o apito nervoso foi pior para quem não vestia vermelho. Assim, na bola que iria para fora (torta), desvia e um joelho e vira tento (abençoado pelo papai do céu).

Hoje a falha do Geferson não virou eliminação.
Hoje o gol deles não valeu de nada.
Hoje, acabou.

Xô, zona maldita!

Cansamos de brincar disso. O Inter é muito maior do que tu. Xô!

Nico, Aylon e uma noite - até que enfim - tranquila

01 de setembro de 2016 176
Nico e Aylon: TITULARES, JÁ!

Nico e Aylon: TITULARES, JÁ!

*por Marcelo Carôllo

O juiz apitou o final do jogo e eu não estava atirando meu celular contra a parede. A partida se encerrava e eu não queria socar o armário. Os jogadores iniciavam seu deslocamento para os vestiários e eu não queria ir até a janela gritar alguns impropérios para despertar os vizinhos. Ao contrário, estava calmo. Tranquilo. Sereno. Olhei de novo para o placar da recém encerrada partida e entendi o porquê das minhas estranhas emoções para uma noite de futebol:

O Internacional – pasme – venceu uma partida.

E venceu com autoridade, sem sustos. O Colorado foi superior ao seu rival – da terceira divisão nacional, diga-se – em absolutamente todo o tempo de jogo. Não tivemos sustos. Danilo raramente foi acionado, nenhum perigo real corremos no decorrer do certame.

Lá na frente, que alegria! Nico em campo. Aylon mais uma vez brilhando (como já havia feito em uma sequência de jogos pelo Gauchão). Fizemos três e poderíamos ter guardado mais uns dois, fácil, só pelo volume de jogo e domínio do meio de campo. Soberania esta que passa pelos pés de Seijas. O venezuelano vem jogando muito, chamando a responsabilidade, participando de praticamente todas as nossas ações ofensivas.

Que jogo gostoso de se ver. Que jogo leve. Que jogo desestressado. Os gols foram saindo naturalmente e a vitória – que nos encaminha às quartas-de-final da Copa do Brasil – nasceu sem sobressaltos. Fazia muito tempo que eu não me sentia tranquilo após um jogo do Colorado. Como é delicioso quando isso acontece.

O "mundo invertido" de Juarez

30 de agosto de 2016 60
Seria Juarez o Demogorgon colorado?

Seria Juarez o Demogorgon colorado?

*por Marcelo Carôllo | @carollomarcelo

Chama Stranger Things o último e estrondoso sucesso da Netflix. O seriado pode ser resumido como: uma turminha da pesada apronta altas confusões para salvar um menino que ficou preso no “mundo invertido”. Este “mundo invertido” é, na trama, uma espécie de espelho escuro do mundo real. É parecido com a realidade, só que mal iluminado, triste e habitado por monstros sinistros. É mais ou menos o que Celso Roth está fazendo com o time do Inter até aqui.

Nesta quarta-feira, contra o Fortaleza, em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, vamos jogar com um “time misto”. Nada mais correto, uma vez que absolutamente todas as forças que ainda nos restarem devem ser dedicadas a nos tirar da zona de rebaixamento no Brasileirão. Ocorre que, no “mundo invertido” de Juarez, o nosso time meio-reserva é amplamente superior ao que vem sendo considerado “titular” pelo treinador.

Amanhã, enfim, Nico López – nossa maior contratação do ano – começará jogando. Amanhã, enfim, Sasha vai para o banco de reservas. Amanhã, ao que tudo indica, William vai voltar para a lateral. Amanhã, graças ao papai do céu, Artur não vai pisar no gramado. Parece inacreditável, mas a nossa primeira vitória neste milênio virá justamente quando jogarmos com um time considerado – pelo treinador – como “não ideal”.

São tempos estranhos. Que o triunfo (que ojalá virá) ilumine os pensamentos do nosso comandante. Afinal de contas, independente do que acontecer na quarta-feira, há monstros muito maiores e mais perigosos para derrotarmos ali adiante.