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De Fora do Blog |Pra mau entendedor, nem todas as palavras bastam

26 de julho de 2016 60
O texto, abaixo, é do colorado Claudio Medaglia. Achei um pouco nefasto demais mas, convenhamos, não há muito argumento para contrapor este pessimismo todo neste momento. Oremos.
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Pra mau entendedor, nem todas as palavras bastam
Olho pro futebol do Internacional e vejo o que só a direção do clube não enxerga (ou nega a realidade). E saio do sério. Aliás, colorado tem mesmo que soltar o grito. Vejamos: Vitorio Piffero foi um excelente general de vestiário no Inter quando teve junto dele alguém que conhecia futebol. Até como presidente ganhou uma Libertadores, pasmem.
Mas, assim como Giovani Luigi, excelente administrador, é “Bi-Caolho”, perdoem a figura de linguagem, ao olhar pra dentro das quatro linhas. E, assim como Luigi, não tem ninguém à sua volta capaz de enxergar mais que ele. Bom futebol até se faz com jogadores médios. Mas com muitos abaixo da média, não tem condição.
O que preocupa a nós, colorados, é que Vitorio Piffero, Carlos Pellegrini , Pedro Affatato e qualquer membro da atual diretoria que seja questionado sobre a situação do time simplesmente rechaçam, ignoram, desprezam a iminência de queda para a Segunda Divisão evocando o incontestável argumento de que isso “está fora da realidade do Inter”. Quer dizer: se eu fechar meus olhos e meus ouvidos, nada vai me acontecer. Estarei protegido pela graça divina porque, afinal, o Inter não cai.
Bom, em 2016, ano em que, além da falta de segurança da zaga e de qualquer lateral esquerdo, pela primeira vez na minha memória, não temos no grupo um jogador sequer com característica de articulador (sou fã do Alex, mas não é; Anderson não é sequer jogador; Ferrareis não é  - pode vir a ser em alguns anos, mas hoje não é -, Andrigo não é, etc, etc, etc), não haverá o milagre da bênção dos deuses e dos astros. E, a despeito dos ouvidos moucos e dos olhos cerrados de quem comanda a nau, o que nos espera é mesmo o Bento Freitas no ano eu vêm. Pouco adianta negar os fatos. A realidade não é virtual. A realidade é o que é: real.
Presidente, mais vale a humildade do sucesso do que o orgulho do fracasso. Sem qualidade não se faz futebol. E o grupo que o senhor montou não tem qualidade suficiente pra permanecer na Série A. Só há dois, talvez três, elencos superiores nesse Brasileirão. E nós ainda estamos nos agarrando na 11ª posição. Quer dizer que estamos abaixo da média. Então, contrate certo. Note que eu não disse “contrate caro”.
Garanta o 16º lugar, e não falamos mais nisso.  Mas abra os olhos e os ouvidos. Vista as sandálias, aquelas. Assuma um discurso coerente e real. Ou vai cair mentindo.

 

Pontuar é o primeiro passo

24 de julho de 2016 150

 

Foto: Ricardo Duarte/Inter/ Divulgação

 

* Por Raquel Saliba | @raquelsaliba

Quando eu era pequena eu brincava de um jogo chamado “mamãe posso ir”. Consistia em um grupo de amigos eleger a “mamãe” e depois formar uma fila horizontal e começar a pedir permissão para avançar. Com a autorização dela, perguntávamos em qual passo poderíamos avançar e era nos dado um tipo de animal. Hoje o Inter avançou a passo de formiga. Mas avançou.

Não achei que fosse dar para empatar depois de tomarmos a virada da Ponte Preta (ainda mais com um a menos). Voltei a ver a coleção de balões e chutões. Voltei a me apavorar com a perspectiva de zero pontos em mais uma rodada. Mas aí o Ariel apareceu e marcou o gol de empate.

Fiquei tão feliz com o gol de Valdívia no primeiro tempo. Confesso que estava com saudades de comemorar gol. Aliás, estou comemorando até este pontinho solitário. Obviamente era outra saudade forte.

Achei por alguns minutos que este poderia ser o jogo do início da reação. Mas não. Não foi hoje o marco da nova fase colorada.  Ainda não. Precisamos de mais. Precisamos de uma partida-lavada-na-alma, sabem? Do tipo que a gente grita a frustração para fora.

Mas foi o primeiro passo. De formiga, mas um passo à frente.

Saudações coloradas!

 

 

Tapando o Sol com a peneira

19 de julho de 2016 106

Foto: Reprodução/Twitter

* Por Raquel Saliba | @raquelsaliba

Eu juro que não sou pessimista. Eu sou aquela colorada que reclama com os amigos cornetas, que discute com a turma do amendoim que vaia no estádio e que odeia o pessoal do “faltam só X pontos para não cair”. Mas confesso que está complicado acreditar que tudo vai melhorar agora.

Mesmo com a demissão do Argel, com a chegada do Falcão, com o discurso otimista de mudança do nosso presidente e com a recente confirmação da contratação de Nico Lopez. Isso me parece apenas o básico, um punhado de atitudes tardias para tentar consertar algo que já vem errado há tempo.

Correr atrás do prejuízo de uma falta de planejamento em meados de julho é difícil. Falcão tem o imenso desafio de desfazer a república do balão e criar uma nova, que jogue futebol. Os jogadores precisam bater no peito frente aos protestos da torcida e voltar a ter confiança.

Enfim, ainda que a direção esteja tentando tapar o Sol com a peneira, do jeito que estava, não dava para ficar. Mesmo tardias, pelo menos são atitudes. Cabe a torcida, agora, protestar e apoiar.

Mas acreditar? Ainda não consigo. E vocês?

Cinco pra lá, cinco pra cá

17 de julho de 2016 139

 

Fernando Bob com a 5 no Beira-Rio

Fernando Bob com a 5 no Beira-Rio


*por Marcelo Carôllo

É deveras simbólico que, na volta de Falcão – o maior Camisa Cinco da história do futebol – à casamata colorada, o camisa cinco titular em campo seja Fernando Bob – apavorantemente, o melhor camisa cinco do elenco colorado. É um sinal dos tempos. Um reflexo da má gestão. A nossa falta de time – e de elenco – grita. Urra. Esperneia.

Faz um mês que não vencemos. A última vitória veio em forma de Última Grande Mentira: aquele 2 a 0 diante do Atlético-MG, no Beira-Rio. Na tarde deste domingo (dia lindo, estádio lotado) o Inter foi amplamente dominado. Sequer finalizou a gol. Viu o líder do campeonato jogar para o gasto. Depois da vantagem no placar, bastava administrar o vergonhosamente fraco time de vermelho. O fez sem sustos.

Do nosso lado, sobra juventude e falta bola. Sobra vontade, falta qualidade. Não dá para dizer que os jogadores ACEITAM as derrotas, pelo contrário, eles brigam – e até brigam bastante. Mas há um imenso e profundo abismo entre brigar e jogar futebol. Ferrareis, Andrigo, Sasha, Rafinha, Vitinho… pouca idade e pouquíssimo futebol apresentado.

Assim, sem jogar bola, sem demonstrar virtude que não seja a vontade, perdemos mais uma. O bola-bola voltou e, na sua reestreia, teve que assistir de pertinho a sua camisa ser usada por Fernando Bob. Não é, nem de longe, uma cena bonita de se ver. Que tempos difíceis, estes.

Falcão, manobra política

13 de julho de 2016 137
Falcão voltou.

Falcão voltou.

*por Marcelo Carôllo

Politicagem. A volta de Paulo Roberto Falcão ao comando do Inter pode ser resumida assim. Depois de um mandato sofrível, com decisões tortas e resultados de campo inexistentes, Vitorio Piffero recolocou o Rei de Roma no Colorado visando salvar o que lhe resta de tempo na cadeira de presidente do clube. O que virá, a partir de agora, é um: “se não der certo, a culpa não é mais minha, é do ídolo de vocês”.

Colocar uma figura emblemática e indiscutivelmente forte como a de Falcão no comando técnico do Inter blinda a direção. O ídolo vai concentrar os olhares, as atenções, as críticas. A figura de Piffero ficará, para o bem e para o mal, eclipsada pela presença de um dos maiores homens que já vestiram vermelho em todos os tempos. Depois de tantos equívocos, vai ser confortável para o atual presidente passar alguns meses protegido pelo único treinador que poderia vir para o Inter com algum respaldo da torcida.

O único, pois Piffero já havia queimado os nomes de Abel Braga e de Mano Menezes (dois caminhos até interessantes) ainda no início do ano passado.

Manobras políticas à parte, parece óbvio que a mudança trará melhoras esportivas. Mesmo nunca tendo se firmado como treinador em absolutamente nenhum clube, Falcão é mais treinador do que Argel. Em 2011, sob o comando do ídolo, o Inter mantinha um padrão de jogo. Engatinhava na direção de uma equipe compacta, bem treinada, taticamente disciplinada. Isso tudo em três meses de trabalho.

Argel trabalhou por praticamente um ano e nunca – absolutamente nunca – mostrou nenhum avanço, nenhum padrão, nenhum grande legado que mereça ser recordado. Um ponto em dezoito. Falcão não pode ser pior do que isso.

Nem há de ser.

Mesmo fruto da politicagem da nossa direção, acredito que Falcão vai dar certo. Com tempo para poder trabalhar as suas ideias (que já eram meio mirabolantes lá em 2011), acredito que vai dar certo. Aliás, como torcedor, a gente é pago para isso, né: acreditar.

República do balão

10 de julho de 2016 191

Foto: Wendell Ferreira

* Por Raquel Saliba | @raquesaliba

Era uma vez uma direção sem planejamento.  Que não acredita em trabalho a longo prazo e mandou embora um treinador por implicância. Que trouxe outro treinador, mas um grosseirão, para dar jeito no vestiário. Que achou que poderia construir um time na base do grito. Que ganhou o Gauchão por incompetência dos adversários e achou que estava tudo bem. Que achou que Anderson poderia ser a referência de um time jovem com a saída de D’Alessandro. Que foi rápida como uma lesma nas negociações por reforços. Que ignorou o fato de que, mesmo vencendo partidas, claramente o time não apresentava um bom padrão de jogo. Ou padrão algum, na verdade. Que não mudou o discurso mesmo vendo os jogadores de vermelho em campo atuando na base do “seja-que-deus-quiser”. Que vai até o microfone e reitera confiança no treinador mesmo tendo conquistado UM PONTO nos últimos DEZOITO disputados. Que assistiu de camarote o nosso Inter virar a República do Balão e PARECE NÃO ESTAR NEM AÍ.

Essa história não parece ter fim.

PS. Nem este jogo contra o Santa Cruz. Posto agora, aos 42 do segundo tempo, na esperança de voltar e editar o post caso conquistemos um ilustre ponto com um golzinho cagado nos acréscimos.

Atualização: realmente, zero pontos.

Abraços.

"Destratorada" realidade

03 de julho de 2016 231
Repete comigo: goleiro.não.rebate.bola.para.dentro.da.área.

Repete comigo: goleiro.não.rebate.bola.para.dentro.da.área.


*por Marcelo Carôllo

Não teve ajuda de deus. Não teve trator. Não passamos por cima de ninguém. Num Beira-Rio lotado, perdemos a nossa quarta partida em cinco jogos e – agora em definitivo – deixamos as fantasiosas esperanças de briga por título para mergulhar na nossa realidade: a disputa do Troféu Sétimo Lugar do Brasileirão 2016.

Argel escalou um Inter medroso. A formação com três volantes, apesar de manter o Colorado com a posse da pelota, pouco – quase nada – oferecia de perigo ao gol deles. O primeiro tempo não estava nem na sua metade quando Muriel rebateu estabanadamente uma bola rasteira para o meio da área. Absolutamente tudo o que um goleiro não pode fazer, nem na pelada da firma nem no Beira-Rio. Douglas aproveitou a chance e, com o gol, obrigou o treinador do Inter a mexer.

Ferrareis entrou no lugar de Fernando Bob e, na prática, pouca coisa mudou. No segundo tempo chegamos a empilhar chances, mas a nossa total e completa falta de competência para colocar a bola na rede falou mais alto. Foram minutos de ataques, tentativas, cruzamentos, jogadas do Vitinho… nada de gol. Nada de virar. Nada de sequer empatar.

Para um time que não consegue apresentar futebol convincente há meses (considerando a partida contra o Atlético-MG uma exceção), nada mais justo do que uma posição intermediária na tabela. Quando a rodada terminar e ficar confirmada a nossa saída do G4, o Inter (esse Inter treinado por este Argel e dirigido por este Piffero) estará no seu lugar verdadeiro na classificação.

O Argélico do trator

01 de julho de 2016 74
Argel, em casa, pode falar o que bem entender

Argel, em casa, pode falar o que bem entender


*por Marcelo Carôllo

Quando soltou o polegar do botãozinho com desenho de microfone, enviando o áudio que acabara de gravar para um amigo, Argel era Argélico. Cansado depois de uma noite mal dormida, de uma estressante viagem de avião e de um entediante deslocamento de carro até a sua casa, o treinador do Inter havia sido desativado. Quando os sapatos foram descalçados ao lado da porta, o comandante do vestiário vermelho deu lugar ao homem simples de Santa Rosa.

O áudio recebido pelo amigo foi repassado adiante. A coisa, por óbvio, cresceu. Em semana Gre-Nal a gente fica meio idiota. Tudo é motivo para qualquer coisa. O rebu causado pelos vinte e sete segundos de som é tão exagerado quanto tosco.

Para o “guerreiro”, Argélico disse que estava cansado. Pedia a deus que o ajudasse a vencer o próximo jogo. Daquele jeito humilde, meio grosso e absolutamente sincero, concluiu: “aí [deus querendo e o Inter vencendo] a gente a ruma a casa e passa o trator por cima dos caras”.

Não há desrespeito ao Grêmio e sua grandeza. Não há menosprezo ao adversário e às suas capacidades. Não há soberba. Não há provocação. O que há é vontade de vencer. É a ciência de que a vitória no domingo é necessária. O treinador do Inter respeita o Grêmio.

Quando pressiona o botãozinho com desenho de microfone em casa, no seu celular particular, em uma conversa particular, Argel pode falar o que bem entender. Pode até ser ele mesmo, o Argélico de Santa Rosa, e pedir ao seu deus que o ajude a passar por cima dos caras.

Que passe. E de trator.

 

De doze pontos disputados, conquistar UM é um desplante

30 de junho de 2016 111

Foto: Ricardo Duarte / Sport Club Internacional

* Por Raquel Saliba | @raquelsaliba

Sinceramente, eu estou tentando manter a positividade. Tentando enxergar o que vai ficar de bom deste ano de reformulação e aproveitamento dos guris da base. Tentando apontar o as qualidades. Mas estas últimas quatro rodadas esgotaram a minha boa vontade. Até esperei hoje de manhã para escrever o post.

Estas últimas partidas só não estouraram completamente o saco onde guardo a minha paciência devido ao bom aproveitamento das rodadas anteriores. O que, injustamente, nos mantém entre os quatro primeiros neste momento. Mas, certamente, nas semanas a seguir teremos que clicar no “ver a página dois” para conferir a situação do Inter na tabela.

Espero que este solitário ponto conquistado dentre os últimos doze disputados acenda alguma luzinha vermelha na cabeça da direção, da comissão técnica, dos jogadores. Com zero poder ofensivo e com o Anderson passeando em campo como uma lesma paralítica, não dá mais.

 

 

De Fora do Blog: "O Inter é um time fraco; e é hora de lembrarmos disso"

29 de junho de 2016 71

O maior corneteiro que eu conheço, meu amigo, enviou um texto depois da derrota para o Botafogo, no Beira-Rio, no domingo passado. O jornalista Gustavo Frota é quem assina este texto tristonho e realista abaixo.

Leiam e opinem!

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O Inter é um time fraco; e é hora de lembrarmos disso

* Por Gustavo Frota | @gus_frota
Foto: Marcelo Oliveira/Agência RBS

 

Quando o campeonato brasileiro começou e o Internacional enfileirou uma série de bons resultados aquilo surpreendeu o país, pois pela primeira vez em anos os analistas de futebol não o colocava como um dos favoritos ao título. A prerrogativa era um tanto óbvia, já que o time fora eliminado da Primeira Liga e vencera o Gauchão sem encher os olhos de ninguém. A verdade é que desde a derrota para o Tigres o ano passado só não terminou mais cedo por conta de uma série de vitórias magras e improváveis.

O ano virou e o time continuou o mesmo, as contratações de peso não vieram, e as que vieram inacreditavelmente ainda não puderam entrar em campo. No entanto, a liderança impensável deu à torcida expectativas irreais e ao time uma carga de cobrança sobre um rendimento que não pode entregar. O primeiro lugar escondeu algo claro: o Inter não tem time para ser campeão.

Neste último jogo contra o Botafogo escalamos um time praticamente sub-20, tamanha a quantidade de garotos na equipe titular. Andrigo e Gustavo Ferrareis, por exemplo, não tem condições de serem titulares. Não ainda. Jackson não estava preparado para ser escalado, é o 3º goleiro. E assim, nos resta depositar a confiança em Anderson, um jogador que vive de lampejos pra lá de esporádicos e que não consegue convencer ninguém que ainda não desistiu do futebol, apesar da boa atuação na segunda etapa de ontem.

Nas costas de Sasha, que foi um coadjuvante de luxo na libertadores 2015 (jogava com D’Ale, Aránguiz, Valdívia, Nilmar), cai a responsabilidade de ser artilheiro e craque do time. Ele é bom jogador, preenche espaços, finaliza bem e corre muito, mas deveria ter alguém para acompanha-lo. Vitinho sofre com a irregularidade, é capaz de parecer dois jogadores completamente diferentes dentro de 90 minutos. E estes jogadores não tem substitutos. O fraco Aylon não pode ser a primeira alternativa para o ataque. O elenco é fraco e as entradas de Valdívia e Seijas, apesar de certamente elevarem o nível, não resolvem totalmente o problema.

Argel até definiu um modelo de jogo. É reativo, foca na defesa e no contra-ataque. Não é o meu favorito, mas pode ser funcional. O problema é a falta de variação nestes movimentos. O Inter só ataca pelos lados e preferencialmente pela direita, utilizando a qualidade de William. Cruza muitas bolas para a área, mesmo sem ter um atacante alto. Puro desperdício. Quando o time avança, ele “destrincha”, deixando os setores muito distantes e espaços para o meio de campo adversário criar. Esses problemas devem ser resolvidos, à parte do elenco deficiente. Mas cobrarmos rendimento de líder deste elenco ainda é desleal.