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O desafio da produtividade

25 de março de 2014 0

por CARLOS RODOLFO SCHNEIDER*

O Ranking de Competitividade Global 2013-2014, do Fórum Econômico Mundial, aponta um recuo do Brasil: caiu da 48ª para a 56ª posição em 2013. O índice, elaborado pelo Instituto de Administração de Lausanne na Suíça, avalia as condições de competitividade dos países e nos ajuda a entender por que o País cresce tão pouco – e por que a nossa indústria está encolhendo. O renomado economista Ricardo Amorim, que estará em Joinville hoje para conferência a convite da Acij, é enfático: “Enquanto o setor privado brasileiro não se unir e exigir do governo um corte brutal de gastos e desperdícios, que permita a redução de impostos e libere recursos para mais investimentos em infraestrutura e educação, as dificuldades da indústria não vão passar”.

De fato, no Brasil, as empresas não financeiras poupam pouco porque suas margens são baixas e são oprimidas por um sistema tributário irracional. O governo “despoupa” perto de 3% do PIB devido ao excesso de gastos. As famílias poupam pouco por uma questão cultural e por estarem assistidas por um sistema de proteção social excessivamente paternalista, cujos déficits recorrentes são grandes consumidores da já escassa poupança nacional.

De 2000 a 2012, a produtividade do trabalho no Brasil cresceu em média apenas 1% ao ano, contra 5,1% ao ano na Índia e 10,4% na China. E o pior:enquanto no Brasil, em 2011, para um crescimento zero de produtividade os salários reais cresceram 5,6%, no México, a produtividade aumentou 1,7% e os salários, 1,8%. No Chile, a produtividade avançou 2,9% e os salários cresceram 2,5%. Para não comprometer a competitividade do País, aumentos salariais devem caminhar alinhados com a evolução da produtividade. E isso vale também para o salário mínimo.

Este fato vem fazendo do Brasil um país caro, dificulta a competitividade da indústria de transformação e compromete exportações. Ficou claro que o Brasil não vive num mundo à parte e que a nova classe média brasileira não tem como carregar o País nas costas. A retomada do crescimento passa pela recuperação da competitividade da economia, que não virá sem aumento de investimentos e produtividade e sem gastos públicos mais eficientes que permitam menor carga tributária. Sem esquecer a simplificação da nossa caótica estrutura de impostos, ou favela tributária, como também vem sendo chamada.

* Empresário em Joinville e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)
crs@brasileficiente.org.br

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