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"É possível construir um Estado que reduza promessas e melhore entregas", diz secretário Gavazzoni

23 de maio de 2015 3

Antonio Gavazzoni, secretário de Estado da Fazenda e doutor em direito público

Alguma coisa está fora da ordem. E isso pode ser uma enorme oportunidade. Vemos cidadãos indo às ruas sem bandeiras específicas, alguns até clamando a volta da ditadura ao poder. Brasileiros frustrados se rotulam entre “coxinhas” e “petralhas”.

Somente a democracia pode garantir esse tipo de manifestação. Mas a democracia de nossos dias está presa por nós difíceis de se desatar. Sobrecarregamos o Estado com reivindicações e nos enfurecemos com seu funcionamento. Eleitores adiam decisões difíceis iludidos pela visão de curto prazo. Governos repassam a conta de seus benefícios sociais às gerações que não poderão opinar sobre eles. Um exemplo claro de insustentabilidade do Estado é o Judiciário, hoje com 95,14 milhões de processos a serem analisados por um quadro de 16,5 mil juízes, segundo o Conselho Nacional de Justiça. O atual modelo não delega, só acumula responsabilidades. Embora exerça funções vitais à sociedade, o Estado é cada vez mais esmagado por dívidas e crescimento demográfico. Somos uma legião de insatisfeitos: 80% dos brasileiros não têm preferência por um partido político e 69,2% não estão satisfeitos com o funcionamento da democracia. Essa massa tende a crescer, impulsionada pelas tecnologias de comunicação. Uma nova revolução está no ar.

Conforme o livro A Quarta Revolução, leitura obrigatória do momento, essa revolução é a da informação. A bem-vinda ameaça a esse modelo sufocado de democracia vem de dentro: da profusão de micropoderes, de redução de barreiras pela internet. A Estônia já permite o voto pela internet, e na Islândia os cidadãos participaram dos debates da reforma constitucional usando redes sociais. Logo aqui também poderemos votar com um clique.

Não se pode ignorar essa nova realidade. É possível fazer um sistema de governo melhor e redesenhar um Estado mais estreito, restrito e sustentável, que reduza as promessas e melhore as entregas. A mudança não será fácil e não faltarão defensores de direitos específicos. Mas, ao convencer as pessoas de que um Estado menos paternalista pode ser mais forte e eficaz, veremos nascer uma democracia realmente verdadeira.

Comentários (3)

  • Marco diz: 23 de maio de 2015

    Desculpe Hassan Farias, mas o próprio estado não quer mudanças. A contratação de cargos de confiança por parte do governo permite uma continuidade do estágio atual. Então, esse senhor Antonio Gavazzoni foi nomeado pelo governo para que a ordem não altere.

    Por outro lado, concordo que a mudança deve partir do povo, do trabalhador, do estudante, mas ainda existem forças que impedem essa ação. A mídia é uma delas e você sabe disso. A própria RBS, quase sempre, é uma força negativa para que ações como essa (de mudanças) ocorram. Não estou falando somente dos jornalistas, que muitas vezes atuam por obrigação financeira, já que necessitam do trabalho, mas principalmente do comando geral, da direção da empresa que veicula aquilo que lhe é conveniente.

  • Pedro diz: 24 de maio de 2015

    sobre o livro citado – “na maioria dos Estados do Ocidente, a desilusão com o governo se tornou endêmica. Impasse nos Estados Unidos; raiva em grande parte da Europa; ceticismo no Reino Unido; perda de legitimidade em todos os lugares. A maioria das pessoas está resignada com o fato de que nada jamais mudará. No entanto, como mostram John Micklethwait e Adrian Wooldridge neste livro, esta é uma visão extremamente limitada das coisas. Segundo os autores, já ocorreram três grandes revoluções políticas e estamos agora em meio a uma quarta revolução na história do Estado nacional; desta vez, porém, o modelo de Estado ocidental corre o risco de ficar para trás. A quarta revolução apresenta um panorama geral da crise e abre janelas para o futuro. Os autores, graças ao acesso privilegiado a personagens importantes e a tendências dominantes em todo o mundo, oferecem um tour global pelas grandes inovações em curso. A corrida não é apenas para conquistar a eficiência e a eficácia, mas também para definir os valores políticos que triunfarão no século XXI – os princípios liberais da democracia e da liberdade ou os preceitos totalitários do comando e do controle. O centro de gravidade está mudando rapidamente, e os interesses em jogo não poderiam ser mais altos.”

  • Do Padroado Régio Português aos Dragões nas Sesmarias do Cabido de Funchal Atual diz: 24 de maio de 2015

    Vai ter nomeações a rodo como as de Dom João ? Então o coro da Catedral de Funchal vai desabar muito antes disso. Mas que coxinha lindinha… não é índio… não é negro… os antropófagos andam doidinhos por um novo Fernando Sardinha!… Ai Jesus!

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