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Uma aldeia para inclusão

03 de fevereiro de 2016 0

Marlon Souza, Diretor executivo da Playmove

Mesmo que contestada em algumas instâncias, entrou em vigor, em 2 de janeiro de 2016, a Lei Brasileira de Inclusão, que implica em uma reformulação de toda a legislação nacional, desde o Código Eleitoral até o Estatuto da Cidade. Ainda que, em 2010, a população com algum tipo de deficiência representasse 24% dos brasileiros, as iniciativas que promovem a inclusão social de pessoas com alguma limitação visual, auditiva, motora ou intelectual são recentes. No âmbito escolar, por exemplo, até a década de 1990, as instituições no Brasil trabalhavam com a concepção de que a educação para deficientes deveria ser organizada de forma paralela à educação comum.

Felizmente, o cenário está mudando e cada vez mais o caminho da inclusão social de pessoas com deficiência tende a ser um caminho sem volta, sobretudo, por nos proporcionar uma oportunidade para lidar com preconceitos e aprender com a diversidade. Essa evolução está diretamente relacionada à perspectiva do mundo que queremos construir, do legado que pretendemos deixar às próximas gerações: maior consciência coletiva e união entre as pessoas. E, quando falamos sobre futuro, não podemos deixar de refletir especificamente sobre a educação que damos aos nosso filhos.

Há um provérbio africano que diz: “é preciso toda uma aldeia para educar uma criança”. Na essência, remete à responsabilidade social e coletiva que todos temos pelo cuidado e atenção necessários ao desenvolvimento pleno e à defesa dos direitos das crianças. Toda criança precisa ser vista e ouvida, sobretudo na fase de maior vulnerabilidade, que demanda um ambiente seguro, acolhedor e estimulador. Essa mesma lógica se aplica quando a pauta é inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar. Ou seja, é importante perceber que ela ocorre em uma contexto muito mais amplo, em que é fundamental haver sinergia entre as realidades interna e externa à escola, além de contar com metodologias e ferramentas que apoiem essa dinâmica, como a tecnologia.

O direito ao ensino de qualidade, que atenda às necessidades de crianças com deficiências, é um dos temas abordados na Lei Brasileira de Inclusão e torna urgente a adequação de escolas e profissionais da educação para promover uma educação mais inclusiva. Precisamos considerar, portanto, que a inclusão real só vai acontecer quando a escola estiver atenta ao contexto em que a criança está inserida: família, colegas, corpo clínico, professores, coordenadores, entre outros agentes presentes no cotidiano de uma pessoa com deficiência. Sendo assim, a meta para 2016 é clara: construir uma aldeia que promova inclusão de todos e com todos.

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