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Tecnologia e crianças: veja como detectar exageros ou vícios

28 de janeiro de 2017 0

No mundo cada vez mais conectado, é fácil encontrar crianças, adolescentes e adultos aficionados por tablets e smartphones. Trocam conversas de família por aplicativos, e ficam horas jogando games, assistindo vídeos e filmes na internet. De certa forma, essa relação com a tecnologia se inseriu naturalmente nas nossas vidas. Nem percebemos o quanto nossas relações estão mudadas. Mas será que essa inserção tão precoce no mundo da tecnologia é benéfica para as crianças e adolescentes? Qual é a responsabilidade de pais e educadores? Como entender ou detectar exageros ou vícios?

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Essa é a Catarina, filha da Jeane Petrucci. Catarina ganhou o tablet da avó / Foto arquivo pessoal

Catarina tem dois anos e três meses e já tem aulas de informática na escolinha. A mãe de Catarina,  Jeane Petrucci, se preocupa com essa exposição precoce com a tecnologia, mas conta que não é fácil evitar, que parece natural e em todo lugar o acesso é fácil. Catarina ganhou um tablet da avó e, nele, acessa o conteúdo que é monitorado pelos pais.

“Ela consegue localizar o ícone do Youtube, do Netflix, do YouTube Kids, tudo a Catarina sabe abrir – o que a gente faz, a gente tem muita preocupação com o tempo de exposição, o tempo que ela vai olhar desenho, para que isso não ultrapasse mais de 1 hora.” – contou  Jeane.

As vezes os pais até incentivam os filhos para usarem o celular e o tablet como meio de distração, para o tempo passar mais rápido como, por exemplo, em viagens ou restaurantes.

É o que acontece na casa da Paula Peixoto, que é mãe do Júlio, de 2 anos. Paula conta que, pela vida agitada, deixar o filho assistir desenho enquanto ela agiliza as tarefas logo cedo é um jeito prático, mas ela mesmo reconhece que talvez isso não seja correto.

“Na real, a gente como pai e mãe acostuma e já acostuma errado. O meu filho acorda e eu já coloco ele na sala, tomando mamadeira e olhando desenho. Essa foi a melhor forma para que eu conseguisse me arrumar, arrumar a mochila dele, e as coisas da escola, sem que ele ficasse ‘zamzando’ atrás de mim” – contou Paula.

Aline Restano, psicóloga e integrante do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat) relembra uma recomendação Academia Americana de Pediatria  - “mais tempo ao ar livre e menos tela”. A recomendação da academia para os pais é a tentativa de retardar ao máximo o uso das telas por crianças.

“E pensando que os pais tem que repensar o tempo deles junto. Porque não adianta eles ficarem o tempo todo no WhatsApp, mexendo no celular, levando trabalho pra casa para fazer no computador – somos exemplo o tempo todo. Tem que ter toda uma consciência da família.” – relata a psicóloga.

O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) realizou uma pesquisa sobre uso da Internet por crianças e adolescentes no Brasil, em 2016, e revela que o aumento do uso de equipamentos móveis (celulares e tablets) faz com que o tempo de conexão seja maior. Em relação à frequência de uso da Internet, a pesquisa  registrou um aumento significativo: em 2014, 21% disseram que acessavam a rede mais de uma vez por dia; em 2015, essa proporção atingiu 68% – um aumento de 47 pontos percentuais. Em 2015, 85% acessaram a rede por meio do telefone celular. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2015 verificou ainda que 31% das crianças e adolescentes acessavam a Internet exclusivamente por esse dispositivo. Já os computadores (de mesa, laptops e tablets) perderam espaço: 64% das crianças utilizavam dispositivos desse tipo para acessar a rede, uma queda de 17 pontos percentuais em relação a 2014.

Fábio Senne, coordenador de projetos e pesquisas da Cetic.br, lembra um fator que chama atenção. O acesso pelo celular dificulta o monitoramento dos pais sobre o conteúdo acessado pelos filhos, explica o coordenador da pesquisa.

“Fica mais difícil uma mediação que a gente chama de restritiva ou de monitoramento” - enfatizou Fábio.

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Catarina tem 2 anos e 3 meses já tem aulas de informática na escolinha / Foto: arquivo pessoal

O estudo aponta, em números, que 71% dos pais entrevistados acham que os filhos fazem uso seguro da internet, mas ao mesmo tempo quando a pesquisa pergunta se eles monitoram ou conversam com os filhos sobre os riscos dos conteúdos acessados na redes – a minoria dos pais responde que sim, que monitora e conversa com os filhos. Ou seja, há uma certa contradição nas respostas – segundo Fábio.

Além da precocidade da exposição com a tecnologia, tem a questão da mediação, monitoramento do conteúdo que a criança acessa e também dos riscos de vícios e comportamentos como déficit de atenção na escola. Os pais precisam ficar atentos aos sinais, como alerta a psicóloga Aline Restano.

“A grande questão é avaliar o prejuízo tanto social como acadêmico e a relação com a família. Se já estiver apresentando problemas na escola – é claro que já está influenciando – então o pai tem que rever os hábitos e em conversas – impor condições e limites. Se a criança só quer a tecnologia e deixa de sair, deixa de interagir – já é possível detectar que afeta a convivência em família. Então talvez tenha que buscar atendimento e ajuda” - conta Aline.

Bruna Brognoli está grávida e tem a pequena Heloísa, de 1 ano e 9 meses. Bruna conta que não tem aplicativos infantis no seu celular – ela disse que a filha Heloísa não usa o aparelho e nem incentiva que a menina fique em frente às telas como TV e tablet. Segundo Bruna, a Heloísa pertence a uma nova geração que aprende tudo sozinha.

“Não acredito que a Heloísa vai ter algum problema por não ter acesso a tecnologia agora. O pediatra me aconselhou a não oferecer, para que ela tenha momentos de interação comigo e com o pai. É a priorização do momento em família, a gente trabalha tanto e quando nós estamos com a Heloísa – nós queremos brincar e interagir com ela. Quando estamos com ela, não estamos no celular” - destaca a Bruna.

A recomendação da Academia Americana de Pediatria é para que os pais monitorem os filhos quando estiverem distraídos com jogos eletrônicos, na internet ou assistindo filmes e vídeos por muito tempo. O uso excessivo deste tipo de produto, de acordo com a academia, pode provocar problemas de atenção, dificuldades na escola, distúrbios de alimentação e do sono. Outra recomendação é de que menores de dois anos retardem ao máximo o contato com celulares, tablets e até mesmo a televisão.

Segundo a psicóloga Aline Restano, uma recomendação é ter um momento com a família – sem acessos e postagens – inclusive por parte dos pais.

“O que eu costumo dizer também é que se possa ter um momento sagrado da família que  para algumas pessoas vai ser a hora da refeição, algum momento esportivo, um almoço na casa da avó – e nesse situação ninguém posta ou pega o celular – inclusive os pais. Não é para ficar olhando o celular, é sim para estar junto, é para conversar. E não precisa ser o tempo todo – mas ter momentos de vínculos, de troca afetiva – porque se a família não tem mais momentos assim – aí temos um problema e talvez se precise de ajuda” – exemplifica Aline.

Neste link tem recomendações importantes aos pais. Acesse aqui!

Para encerrar este post – deixo uma superdica:

Fizemos um Live na redação da Gaúcha com a psicóloga e professora da PUC, Carolina Lisboa – respondemos dúvidas dos ouvintes, nesta sexta-feira (28) – assista:

Ouça a matéria:

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