Muitos podem imaginar que a Campus Party — evento que encerra neste domingo no Centro de Exposição Imigrantes, em São Paulo — é só uma reunião de nerds que ficam colados no computador, baixando arquivos na conexão de 10Gbps, jogando games online ou preocupados mais com seus blogs do que com o colega no laptop ao lado.
Mas entre os 6 mil inscritos, histórias como as do catarinense de Florianópolis, Stephan Martins, de 22 anos, comprovam o contrário.
O editor de notícias do site Jovem Nerd só decidiu embarcar em uma caravana que sairia do Rio Grande do Sul rumo ao evento em São Paulo para finalmente conhecer Barbara Miotto, a gaúcha de 24 anos que paquerava virtualmente desde o final do ano passado.
O novo casal faz parte de um grupo de cerca de 20 jovens que aproveitaram a Campus Party para se reunir pessoalmente.
— O motivo principal de eu vir para cá foi mesmo ela. Nós viemos para namorar e ficar com nossos amigos. Na verdade, não estamos muito ligados em novas tecnologias nem no que está rolando em volta.
A também catarinense Fernanda Rosa, de Jaraguá do Sul, Norte do Estado, mal tem tempo de ver tudo que gostaria em volta. A técnica em TI de 21 anos assiste a palestras de desenvolvedores de softwares, mas também tenta acompanhar os debates nas áreas de design e fotografia, suas preferidas. Ela tirou férias especialmente para conferir a Campus Party.
— Estou jogando e também participando das promoções. Tem brindes muito legais sendo distribuídos, mas o mais legal é fazer contato com outras pessoas.
Marcelo Branco, diretor do evento, ressalta que este é o maior encontro de comunidades de internet do país. Os investimentos para a sua realização chegaram a R$ 7,5 milhões.
— O mais importante é que no Campus Party se discutem questões estratégicas sobre as novas dinâmicas sociais — afirma.
* Publicado no jornal Diário Catarinense deste domingo, 31 de janeiro