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Posts de janeiro 2010

Dicas da semana

31 de janeiro de 2010 1

A semana foi corrida lá na Campus Party, então não consegui reproduzir por aqui as dicas publicadas no jornal. Aproveito o domingo para atualizar com o que ficou faltando:

Terça-feira: Uma década em 2 minutos - Quer relembrar os principais fatos que marcaram os anos 2000 sem gastar mais do que 120 segundos? Este vídeo, de edição ágil, apresenta uma compilação de capas das mais importantes revistas americanas publicadas no período. Mesmo que o enfoque seja os EUA, a maioria dos eventos mudaram o rumo do mundo inteiro. Confira: http://tiny.cc/decada

Quarta-feira: Apple lança tablet - A expectativa pelo produto da Apple que será lançado hoje colocou a marca em alta na internet nesta terça-feira. O Google Trends, ferramenta que analisa os temas de maior interesse na web, chegou a destacar o termo tablet apple em primeiro lugar. No Twitter, a expressão também manteve-se entre as 10 mais citadas durante o dia.

Quinta-feira: Combustíveis - Quer descobrir o posto de combustível com o melhor preço entre os municípios pesquisados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)? A tarefa ficou mais fácil com o recém lançado www.precodoscombustiveis.com.br. Atualizado semanalmente, o site permite que você veja a localização dos postos em um mapa interativo e mostra os valores de álcool, gasolina e diesel.

Sexta-feira: Obama - A madrugada desta quinta-feira foi de repercussão nas redes sociais do discurso de Barack Obama sobre a situação do país. No Twitter, expressões relacionadas ao evento já superavam o lançamento da Apple do dia anterior. A rede de TV CNN chegou a colocar em destaque em seu site uma forma diferente de agrupar as opiniões favoráveis e contrárias ao presidente que estavam sendo mencionadas no Twitter. Confira: http://migre.me/hUWZ

Sábado: Prestígio - William Bonner está no Twitter. Mesmo que seu perfil (www.twitter.com/realwbonner) não seja uma unanimidade, a mistura entre mensagens pessoais e notícias que antecipam o Jornal Nacional ganhou popularidade. Mais de 340 mil pessoas acompanham as atualizações. No Shorty Awards, espécie de Oscar do Twitter, Bonner foi o mais votado pelos internautas na categoria Jornalismo. Para saber como criar uma conta no Twitter e seguir o apresentador, acesse http://tiny.cc/twitter657

Namoro virtual, encontro real

31 de janeiro de 2010 2

Muitos podem imaginar que a Campus Party — evento que encerra neste domingo no Centro de Exposição Imigrantes, em São Paulo — é só uma reunião de nerds que ficam colados no computador, baixando arquivos na conexão de 10Gbps, jogando games online ou preocupados mais com seus blogs do que com o colega no laptop ao lado.

Mas entre os 6 mil inscritos, histórias como as do catarinense de Florianópolis, Stephan Martins, de 22 anos, comprovam o contrário.

O editor de notícias do site Jovem Nerd só decidiu embarcar em uma caravana que sairia do Rio Grande do Sul rumo ao evento em São Paulo para finalmente conhecer Barbara Miotto, a gaúcha de 24 anos que paquerava virtualmente desde o final do ano passado.

O novo casal faz parte de um grupo de cerca de 20 jovens que aproveitaram a Campus Party para se reunir pessoalmente.

— O motivo principal de eu vir para cá foi mesmo ela. Nós viemos para namorar e ficar com nossos amigos. Na verdade, não estamos muito ligados em novas tecnologias nem no que está rolando em volta.

A também catarinense Fernanda Rosa, de Jaraguá do Sul, Norte do Estado, mal tem tempo de ver tudo que gostaria em volta. A técnica em TI de 21 anos assiste a palestras de desenvolvedores de softwares, mas também tenta acompanhar os debates nas áreas de design e fotografia, suas preferidas. Ela tirou férias especialmente para conferir a Campus Party.

— Estou jogando e também participando das promoções. Tem brindes muito legais sendo distribuídos, mas o mais legal é fazer contato com outras pessoas.

Marcelo Branco, diretor do evento, ressalta que este é o maior encontro de comunidades de internet do país. Os investimentos para a sua realização chegaram a R$ 7,5 milhões.

— O mais importante é que no Campus Party se discutem questões estratégicas sobre as novas dinâmicas sociais — afirma.

* Publicado no jornal Diário Catarinense deste domingo, 31 de janeiro

Gilberto Gil debate a "distribuição da riqueza digital"

28 de janeiro de 2010 1

Qual deve ser o papel do Estado e do setor privado quando se trata de expandir o alcance do acesso à internet rápida para cidades do Interior do país? A questão, radical para o debate do Plano Nacional de Banda Larga, foi tema de um encontro que contou com a presença de Gilberto Gil na tarde desta quinta-feira na Campus Party:

- A riqueza digital, como outras riquezas, tende a se acumular. O Estado tem que complementar não só o processo de materialização do acesso a esses meios, mas a questão conceitual. Como isso vai se democratizar? Como a distribuição dessa riqueza vai se dar, em um sentido ou em outro?

Franklin Coelho, professor da Universidade Federal Fluminense e líder da equipe do projeto Piraí Digital, trouxe o exemplo da cidade do interior do Rio de Janeiro que conseguiu desenvolver uma rede própria e pública de acesso à rede. A discriminação das grandes empresas em relação às pequenas cidades foi destacada pelo vice-governador do RJ,  Luiz Fernando Pezão, que também participou do debate:

- Cidades com menos de 50 mil habitantes não são atraentes para investimentos das operadoras, então elas começam a sonhar com redes próprias. Temos que olhar com carinho para elas, não adianta só ficar reclamando do inchaço das periferias das cidades grandes se não levarmos estes recursos para o Interior.

A relevância do software livre para a autonomia da sociedade, a importância das lan houses para a democratização do acesso ao mundo digital, o uso do celular ponto primário de acesso para comunidades onde não existe internet, como é o caso de algumas localidades indígenas foram alguns dos temas também explorados no debate, que teve a participação de Célio Turino (Secretário da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura) Antônio Carlos Valente (Presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações - Telebrasil) Cláudio Prado (Laboratório Brasileiro de Cultura Digital – Casa de Cultura Digital).

Na Campus, "dormir é para os fracos"

28 de janeiro de 2010 3

Às 3h da madrugada de quinta-feira, a Campus Party é mesmo uma festa. Ao ritmo de I will survive, com clipe projetado do YouTube na parede, nerds largam mouses, teclados e celulares para bater palmas ou batucar nas mesas. Em outro canto da arena, o pessoal do software livre assiste a uma palestra. O campeonato de Beatles Rock Band não para. Tem até gente jogando carta - com baralho de verdade, não no computador. Os gritos não cessam nunca. Com intervalos de no máximo 40 minutos, sempre tem alguém para puxar um "oooh", que é seguido como um eco pelos demais. Algo como uma comunicação pré-linguagem de um povo primitivo. Um pouco mais cedo, teve guerra de aviãozinho e "revolta das cadeiras". Uma das "atividades" de maior sucesso foi na área de modding por volta de 1h, quando alguém começou a projetar fotos de perfis de campuseiras do Orkut em um telão. Vaias, aplausos ou comentários maliciosos seguiam cada imagem. Quer saber mais sobre como foi a noite? Confere alguns vídeos do YouTube e tweets que rolaram durante a noite:

fadamiao

2:45am, Jan 28 from web

A melhor parte da #cpartybr e ver uma vez ao ano ,alguns amigos que voce nunca poderia ver

frankgeek

2:45am, Jan 28 from web

Afff dormir pra q ¬¬? Gastar dinheiro pra dormir ?! Tem que fikar acordado e se divertindo #cparty #cpartybr

Kallina_

2:07am, Jan 28 from TweetDeck

Flashmob das cadeiras em High Definition #cpartybr #cp #redbul #cpartydanca http://bit.ly/d1RKvH

ferkobaia

2:06am, Jan 28 from DestroyTwitter

Se a arena aqui #cpartybr passar 1hora sem alguem gritar "OOOOWWHHH" não é a arena.

guilhermehott

A Campus Party é o sonho de todo nerd. Muita tecnologia, internet de 10GB e poder zuar até de madrugada #cpartybr #cparty

Campuseiros opinam sobre lançamento da Apple

27 de janeiro de 2010 3

Um dos assuntos mais comentados na internet nesta quarta-feira foi o lançamento do iPad, o tablet da Apple. Como definiram os guris lá no Infosfera, "o iPad será uma espécie de prancheta com tela touch screen, que permite conexão com a internet e usos variados, semelhantes aos do iPhone ou iPad Touch. Mais portátil que um notebook comum, o iPad fica, conforme Jobs, no espaço entre um smartphone e um netbook, mas é também melhor que um netbook". Confira o que alguns campuseiros acharam do lançamento:

Já tinham falado tanto que não houve muita surpresa. A novidade é que vai usar um processador desenvolvido pela Apple. O aparelho é um híbrido entre um Mac e um iPhone, e vai acabar servindo também como netbook, pois dá pra acoplar a um teclado. Comercialmente, acho que vai concorrer com netbooks e com o Kindle. O interessante é que lançaram vários modelos, sendo o mais barato vendido por US$ 500. Não achei tão caro, eu até compraria o modelo mais simples. O problema é que aqui vai chegar a R$ 2 mil, aí eu não compraria. - Hugo Borges, 26 anos, desenvolvedor - São Bernardo

Para mim, não passa de um iPhone grande. Se eu fosse comprar algo da Apple, compraria um MacBook, que tem muito mais funcionalidades. Além de tudo, não gosto dessa coisa "hypada" da Apple. O Steve Jobs consegue fazer seus fanboys defenderem tudo que ele faz. Eu não gosto nem de olhar muito. - Giseli Ramos, 25 anos, engenheira de computação - Bragança Paulista

Tudo que a Apple lança vira tendência. E o iPad vai concorrer com o Kindle, com tela maior e muito mais possibilidade de desenvolvimento de aplicativos. Já teve bastante repercussão hoje, mas vai revolucionar ainda mais, assim como o iPhone. Se pudesse pagar, já teria até encomendado um. - Adriano Trenahi, 19 anos, estudante de Comunicação Digital - Embu-Guaçu

Vai quebrar muita coisa por aí. Tem muito mais funcionalidades do que outros leitores de e-book. Muita gente vai aposentar o Kindle. Eu compraria, com certeza. - Bruno Hungaro, 23 anos, estudante de Ciência da Computação -  Presidente Prudente

Com ou sem os políticos, as mídias sociais fazem a diferença

27 de janeiro de 2010 0

Especialmente no Brasil, onde os jovens são usuários ativos e ávidos por novidades quando se trata de redes sociais, Scott Goodstein acredita estas ferramentas são capazes de fazer a diferença nas eleições. Ele tem autoridade para falar, pois liderou a estratégia da campanha de Barack Obama no Twitter, Facebook, MySpace, YouTube e todos os outros sites usados como plataformas de trocas de ideias e conteúdos entre o político e os eleitores americanos.

Goodstein é uma das principais atrações da Campus Party nesta quarta-feira, e contou detalhes sobre algumas decisões tomadas nos dois anos em que trabalhou para Obama. A primeira regra:

- Nem tudo vai funcionar tão bem, mas não tenha medo de experimentar.

Enquanto o uso do YouTube foi bem sucedido, ele pondera que a ação de downloads de vídeos em celular não foi tão bem, por exemplo. No site de publicação de vídeos, fica clara uma das principais premissas que conduz um especialista em mídias sociais:

- É preciso dar poder ao público, permitir que ele se envolva e se engaje. Sabemos que somos capazes de produzir alguns vídeos, mas que vocês podem fazer milhares. Dê a sua cara à campanha, participe conosco.

Querendo ou não, os eleitores estão nas redes sociais e vão usá-las para apoiar ou tentar boicotar uma campanha. O melhor que ele tem a fazer, se ouvir os conselhos do estrategista de Obama, é estar lá.

O futuro da internet

27 de janeiro de 2010 0

A evolução da tecnologia é tão rápida que ninguém pode ter certeza sobre como serão os computadores - se é que ainda vão existir - e a internet daqui a 10 ou 20 anos. O que sabemos é que preciso que todos tenham oportunidade de aprender a viver e a trabalhar neste universo desde cedo. Por isso, esta edição da Campus Party tem na sua programação uma atividade chamada Batismo Digital. Crianças e adolescentes de escolas públicas vêm até o Centro de Exposição Imigrantes, conhecem os estandes e depois vão para uma sala de aula para ter noções de informática e internet.

Na manhã desta quarta-feira, chegava por aqui um grupo de 37 crianças de Santos, trazido pela ONG Pró-Viver, onde já têm aulas de música, dança e podem usar computadores. A professora Andréia Farias e mais algumas mães tratavam de organizar e tentar conter a ansiedade do grupo.

- Eu queria morar aqui - dizia uma das meninas. Outra explica que não dá, aqui não é uma casa.

Um pequeno grupinho se formava para contar o que já sabia fazer no micro: jogar e pintar são as atividades preferidas de Mariana, 8 anos, e Maria Eduarda, 6. Mais velho, Kayque, 13 anos, confessa que gosta mesmo é de ficar no Orkut. Ao final do dia, todos receberão certificados e deverão sair daqui um pouco mais preparados para enfrentar um futuro que, quem sabe, seja mesmo meio parecido com morar aqui.

Maestro voluntário e desenvolvedor autodidata

27 de janeiro de 2010 0

Foto: Barbara NickelSe você já se sente frustrado por não conseguir fazer tudo que precisa em um dia, ou por não ter conseguido aprender tudo que gostaria até agora na vida, é melhor nem conhecer a história de Fábio Lima - ou Fábio TNT, como é conhecido. Ouvir sobre sua rotina leva à inevitável pergunta:

- Como você consegue fazer tudo isso?

O questionamento é recorrente, ele admite. Fábio trabalha como desenvolvedor web, mas não fez faculdade. Aprendeu tudo nos livros, fuçando, indo atrás do que a curiosidade pedia. Por diversão, é também um sound designer: agora mesmo na Campus Party está preparando a trilha de um vídeo que um amigo vai lançar durante o evento. Aos domingos, é maestro voluntário de uma orquestra. Mexe com música desde os nove anos, mas se considera bom mesmo "apenas" em instrumentos de corda, sax e trompete.

Aos 24 anos, participa do evento pela segunda vez. É de São Paulo, mas resolveu acampar por aqui. Como da primeira, tem passado quase nada do tempo na barraca. Na noite de segunda-feira, pegou no sono assistindo a um filme em um pufe. Já baixou 40 GB de filmes e material musical, mas está aqui pelas pessoas:

- Aqui tem muita gente, de tudo quanto é área. O mais legal é o trading de ideias.

Criatividade sem limites

27 de janeiro de 2010 0

Ok, as fotos não são lá essas coisas (para ver umas imagens legais, confere o Flickr oficial do evento), mas dá pra ter uma ideia da criatividade do pessoal que circula aqui pelas Campus Party:

Para campuseiras, trocar ideias é mais legal que trocar arquivos

27 de janeiro de 2010 1

Elas estudam computação, têm vinte e poucos anos e compartilham de uma filosofia que parece ser a de muitos campuseiros: acreditam que o mais legal do evento é a troca de ideias e a oportunidade de conhecer pessoas novas. Raquel Basílio de Souza só reclama de uma coisa: teve que passar a noite de segunda para terça no chão, porque o colchão de ar estourou. A guria de unhas verdes mora em São Paulo mas resolveu acampar com os colegas da faculdade e está achando a experiência "o máximo":

- Aqui podemos ver novas tecnologias, novas ferramentas. O que vai ser moda em TI no futuro.

Ainda sem saber muito bem a que área pretende se dedicar, a estudante gostaria de fazer algo que unisse informática e design. Ela também aproveita a festa para baixar arquivos, já que a internet aqui é muito rápida. Fez downloads de alguns filmes e séries, além de ferramentas que ela diz levaria dias para baixar em casa.

Sylvia Victor e Rebeca Ribeiro vêm de Pernambuco. Para elas, esta também é a primeira Campus Party. As meninas se incomodam com o frio e não se impressionam muito com a conexão:

- Banda larga hoje é comum. Palestra pode ser boa ou pode ser chata. O diferente mesmo é a oportunidade de ter contato com as pessoas, essa comunicação - diz Sylvia.

Fotos: Barbara NickelÉ essa troca de ideias que mais interessa para Nathalia S. Patrício. Aos 24 anos, ela deve sair daqui na sexta-feira para se formar em Engenharia da Computação na USP. Nathalia, que esteve em todas as edições, percebe o aumento no número de participantes mulheres em relação aos anos anteriores. Uma das coisas legais, para ela, é exatamente a oportunidade de conversar com outras meninas sobre interesses comuns, o que não é fácil de encontrar no dia a dia. Além de se preparar, com o colega Fernando Gil, para apresentar o projeto de um identificador de cores para deficientes visuais, Nathalia também aproveita o tempo para navegar nas redes sociais e atualizar seu blog.

- O melhor é a liberdade de conversar com vária pessoas diferentes, sobre assuntos que vão da robótica aos games. Vamos aprendendo vária coisas. A gente circula e dá palpite nos trabalhos dos outros, que também dão sugestões para o nosso projeto. Aqui a gente traz uma ideia e, no fim, pode transformar em realidade.