O Conta Giros abre espaço para um depoimento empolgante de um apaixonado por velocidade. Vicente Queiroz comenta o sucesso do evento em Tarumã.
“Para que o novo possa florescer em um mundo cético, é preciso que ele seja mais do que bom. Precisa ser SUPERIOR. Algumas vezes isso leva um tempo.
Para todos aqueles que têm feito parte da AD desde seu início e têm acompanhado seu desenvolvimento, tenho certeza que essas palavras calam fundo. Pois sabem o quanto dói ouvir críticas levianas e irrefletidas. Mas as que mais machucam mesmo são aquelas bem arquitetadas, para acertarem no ponto mais fraco do joelho de alguém que já se esforça ao limite, carregando o enorme peso das expectativas dos seus, das desconfianças dos neutros e das maledicências dos outros
Quando você traz o novo, é bom que ele seja bom, muito bom.
E assim foi a ND9. Não foi só boa, foi transcedental. Um divisor de águas.
Para aqueles que enchiam a boca para dizer que Tarumã não tinha mais arrancada, foi uma grande decepção. A ND9 trouxe a competição mais feroz do ano em solo gaúcho, disputada por pilotos aguerridos que se entregaram de corpo e alma para o espírito competitivo e protagonizaram duelos inesquecíveis, que viverão para sempre na memória daqueles que estavam na pista. A expressão mata-mata foi levada ao seu limite pelos pilotos que arrancaram dando tudo de seus carros e não tiveram medo de se arriscar à derrota.
Uma verdadeira guerra: Empinadas, ladeadas, burnouts selvagens, recordes pessoais caindo puxada a puxada. Aqueles foram mais que pilotos, foram gladiadores do asfalto em uma tarde quente, que lutaram até o fim pelo direito de serem considerados os mais aguerridos, os mais imbuídos, os mais ousados. Os melhores.
E nesse afã desenfreado de vencer à todo custo, Tarumã viu seus heróis locais ignorarem a subida, ignorarem o asfalto em suas más condições, ignorarem a inferioridade da pista e baixarem seus tempos aos níveis das melhores pistas do Brasil. Um a um os pilotos foram melhorando suas marcas: A cada puxada mais rápida do adversário, cada piloto acreditava mais em si mesmo e baixava ainda mais seu próprio tempo.
E não, não há cronometragem duvidosa. Os tempos foram registrados pela Produpark, a melhor cronometragem do Brasil. Isso traz credibilidade, isso mostra que em Tarumã também dá.
Novos pilotos vieram, trazendo máquinas renomadas, competência reconhecida. E se chocaram num duelo de gigantes com os pilotos locais, mostrando que no TOP16 ninguém é menor do que ninguém. Depois de muitos anos, é finalmente lá que a competição ganha sua notoriedade e reconhecimento. Talvez o local mais improvável, pois assim como a AD, a arrancada em Tarumã vinha sofrendo de um grande descrédito após a abertura do Velopark, melhor dragway do Brasil.
A ND9 trouxe de volta o prestígio para a arrancada em Tarumã. Lá estava o caldeirão que mais fervilha na arrancada de hoje. O que mais influencia novos pilotos, o que mais esperança traz àqueles que sonham em correr e um dia tornarem-se os grandes, incontestes e reconhecidos campeões.
Ver a expressão única dos pilotos assistindo o grande campeão do dia ser levantado por sua equipe, nos leva a imaginar: No que será que estarão pensando? Certamente na próxima corrida, nas próximas mudanças que farão no carro, na próxima chance que terão de voltar a Tarumã, o coliseu da velocidade e lutar novamente.
Talvez nem importe tanto assim a vitória. Talvez o que valha mais são aqueles momentos em que a luta está a pleno, momentos em que nada mais importa, somente eles, o carro e o pinheirinho. Momentos em que eles voltam triunfantes pela pista após uma vitória, ouvindo a algazarra da equipe e de seus torcedores. Momentos em que soltam a voz e acreditam que hoje será o dia. Momentos que antecedem a próxima disputa. Momentos que só um verdadeiro lutador pode entender.
Momentos que só existem em Tarumã.
Talvez o hoje não consiga expressar a verdadeira dimensão desses momentos. Mas com certeza os frutos dessa safra serão colhidos num futuro não tão distante. E novas safras tem tudo para serem ainda mais doces. Mas para continuar colhendo, é preciso continuar plantando.
Longa vida às ND em Tarumã!”
Vicente Queiroz