Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Gal e Caetano visitam Florianópolis e o Teatro Pedro Ivo nesta terça

17 de julho de 2012 7

Gal Costa e Caetano Veloso passaram por Florianópolis quase que despercebidos, entre segunda e terça-feira. Os baianos vieram para uma visita técnica ao Teatro Gov. Pedro Ivo, palco do show Recanto, que Gal apresentará no dia 21 de agosto (informações sobre venda de ingressos aqui).

A direção é de Caetano, que compôs a maior parte das canções do álbum homônimo. Ambos chegaram na tarde de segunda, hospedaram-se no Il Campanário, em Jurerê Internacional e foram ao local da apresentação.

Uma muito visita discreta e tranquila, contrastando com o estardalhaço policial causado na cidade na última vez que os dois colocaram os pés por aqui, há 36 anos. E sem a “campana” do delegado aposentado Elói Gonçalves.

Após aprovarem o teatro, Gal e Caê partiram no final da manhã de ontem para São Paulo.

Poderia ser uma passagem rotineira, mas a presença de Caetano Veloso e Gal Costa, juntos, em Florianópolis, tem um peso histórico.

É a primeira vez que dois ex-Doces Bárbaros (da mítica banda formada com Gilberto Gil e Maria Bethânia na década de 1970) retornam lado a lado à Ilha desde o episódio da controversa prisão de Gil e de um músico da banda por porte de maconha, em 6 julho de 1976. Desde então, todos os quatro integrantes estiveram em Florianópolis, mas nunca juntos.

Gal e Caetano retornarão à cidade no dia 20 de agosto e partirão no dia 22 à noite, um dia após o show.

Rito

Por duas ocasiões me debrucei sobre o caso da prisão do Gil. A primeira em 2003, para a revista Donna DC. A segunda, em 2006, para a revista Bizz, em decorrência dos 30 anos do episódio. Empreitada essa tocada em conjunto com o jornalista Fábio Bianchini.

Partimos um mês antes do deadline, com mais de 90% do material apurado (praticamente os arquivos da reportagem anterior.) Nem sombra de outro personagem da trama, o baterista Chiquinho. Chegamos à data limite para a entrega do material e nada. Até que o Bianchini tentou um último tiro, enquanto eu redigia noite adentro. Contatou o músico Arnaldo Brandão, no Rio de Janeiro, amigo de Chiquinho e do Gil.

Nada do batera, mas ele nos deu uma informação de ouro que praticamente colou toda a história e encerrou o ciclo: uma semana antes da prisão em Floripa, Arnaldo participou de um ensaio com o Gil, e este lhe pediu um “baseado” para fumar na volta para a casa, no Rio de Janeiro. Só que o Gil esqueceu o cigarro na carteira, e acabou lembrando da sua existência na fatídica batida policial naquela manhã do dia 7 de julho em Floripa.

O resultado foi um material de encher os olhos. Oito páginas dedicadas ao caso pela Bizz, algo documental, estampando inclusive uma foto do temido delegado Elói posando de Charles Bronson com uma metranca nas mãos.

Naquele início de julho de 1976, mais precisamente no dia 5, os Doces Bárbaros desembarcaram sob o mesmo tempo fechado, carrancudo e gélido que impera nesta semana. No festivo dia 7, o clima de expectativa pelo maior show nacional do ano naquela época foi atravessado pela notícia ação da polícia civil no Hotel Ivoran, onde os artistas e músicos estavam hospedados. E, consequentemente, pela prisão de Gil, flagrado com um cigarro de maconha.

Rodou também o baterista Chiquinho Azevedo, este carregado com uma quantidade maior da erva. O show ocorreu, naquela mesma noite, no Clube 12, graças a uma autorização judicial. Gil e Chiquinho ficaram na cidade por 15 dias, entre detenção e internação em clínicas da Capital. Foram condenados por porte de drogas, cuja pena foi convertida em tratamento.

Caetano, Gal e Bethânia deixaram a cidade revoltados com a situação. Caê até retornou poucos anos depois, assim como Gil. Já a Gal levou 33 anos, Bethânia reapareceu em seguida. A experiência rendeu algumas composições a Gil, como Gaivota (gravada por Ney Matogrosso), Cânhamo (que nunca foi gravada), e inspirou outras, a exemplo de Sandra (referência as companheiras de clínica) e Não Chores Mais.

Jack White... Freedom at 21

16 de julho de 2012 0

Jack White, além de gênio de carteirinha do rock “muderno”, também debocha com primazia do bom convívio entre as mulheres. Depois de colocar Kate Moss no pole dance em I Just Don’t Know What To Do With Myself, ele promove mais um desfile de curvas um tanto apropriado para o road movie Freedom at 21, clipe de uma das faixas do álbum Blunderbuss. Enjoy…

Desafinaram com João Gilberto

16 de julho de 2012 0

Como não esperar o melhor de uma semana, quando ela começa saudada por uma boa prosa logo no início da segunda-feira. O músico e leitor Nelson Padilha liga ao final da manhã para lançar mais luzes sobre a obscura passagem de João Gilberto por Florianópolis, assunto tratado na coluna do mesmo dia. O show, promovido pelo disc jockey Ourivaldo Goulart, da rádio Diário da Manhã (hoje CND Diário), foi um fracasso de público.

Mas o que se sucedeu após a pouco prestigiada apresentação no Teatro Álvaro de Carvalho, entre os anos de 1964 e 1965 segundo a memória de Padilha, foi uma daquelas dádivas que de tão fantástica entrou para o roll dos ocasos da cidade. Na época ele integrava a Orquestra do Lira Tênis Clube e com a sua turma acompanhou a jornada quase anônima do então expoente da Bossa Nova que terminou em um seresta que varou a noite no Bar do Goiano, no Mercado Público da Capital.

E fez uma retificação: Luiz Henrique Rosa não estava com o músico. João parou no botequim para fazer fazer umas horas até tomar o voo de volta para o Rio de Janeiro, na manhã seguinte. _ Imagine se o Goiano tivesse que pagar por aquilo. Teria que vender o bar, a casa e endividar-se para o resto da vida _ brinca Padilha. …como um sussurro Não é exagero, ano passado, por ocasião dos 80 anos de João Gilberto, uma turnê nacional foi anunciada com ingressos a partir de R$ 1 mil.

Problema de saúde e a baixa procura por ingressos levaram ao cancelamento da tour. Padilha foi ao TAC e presenciou o teatro vazio, algo que não o surpreendeu dada a pouca familiaridade da então provinciana Capital com um gênero e um ídolo em ascensão no mundo. Soava um tanto elitista ainda na época. João Gilberto foi subestimado _ como viria a se repetir na década seguinte com outra sumidade, o dramaturgo Nelson Rodrigues.

Naquela madrugada no balcão do Bar do Goiano, João sacou o violão, cantou todo o repertório, apresentou a melancólica Chega de Saudade, a frívola Lobo Bobo. Saiu da cidade como chegou: como um sussurro. João Gilberto não deixou saudades porque ninguém o viu, e muito menos demonstrou qualquer tipo de rancor, segundo Padilha. Estava mais preocupado em manter seguro o cachê que guardava no bolso.

João Gilberto veio a Florianópolis por obra do disc jóquei (ou discotecário) Ourivaldo Goulart, da rádio Diário da Manhã (hoje CND Diário). Ele promovia shows, como Ângela Maria, mas se notabilizou como um desses radares que farejavam tendências e novas ondas. Um cara que antecipava os acontecimentos da sua época. Sua loja de discos na Praça XV de Novembro, por exemplo, foi o ponto de desembarque da beatlemania na Capital, há cinco décadas. Foi da vitrola posicionada na porta do estabelecimento, nos idos de 1963, que a Ilha ouviu o primeiro compacto dos Beatles: Love Me Do. E depois nunca mais foi a mesma.



A onda nova do Tame Impala

16 de julho de 2012 0

Fiquei animado com os aperitivos que a banda Tame Impala tem disponibilizado na rede para promover o lançamento de Lonerism, seu segundo álbum, agendado para outubro. São dois singles _ Elephant e Apocalypse Dreams _ que dão a impressão do quanto o trabalho parece promissor.  Lonerism sucede outra boa peça da banda australiana,  Innespeaker, lançado em 2010. Desde 2007, quando a lisergia indie dos impalas começou a correr aos ouvidos pelo planeta, o que se viu foi uma onda refrescante do novo rock vindo da Austrália.

Jon Lord e Taliesyn (R.I.P.)

16 de julho de 2012 0

A notícia da morte do músico inglês Jon Lord, um dos fundadores da banda Deep Purple, caiu nas redes sociais junto com uma torrente de lamentações. Dentre elas, uma em especial traduziu o sentimento reinante de perda: “o órgão Hammond nunca mais será o mesmo” (Dorva Rezende). Lord teve a moral de tornar o órgão um instrumento tão emblemático quanto são as guitarras e suas grifes (Les Paul, Fender…). Tomando emprestada a tradução do seu sobrenome, Jon foi um senhor dos teclados, um genial arranjador, que brilhou do rock à música erudita. Há anos em tratamento contra um câncer no pâncreas, Lord morreu ontem, aos 71 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar em uma clínica de Londres.
Lord foi um virtuose que transcendeu o hard rock que ajudou a fundar no final dos anos 1960 e lançou as bases também para o que viria a se configurar com força nos anos seguintes com o rock progressiva. Na sua extensa lista de serviços prestados está a criação do Deep Purple, junto com Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). Integrou o grupo de 1968 a 1976, com o qual gravou verdadeiros clássicos do gênero, como Shades of the Deep Purple, Deep Purple, In Rock, Fireball, o antológico Machine Head e Burn. Músicas como Smoke on the Water, Chasing Shadows, Highway Star e Child in Time _ esta uma seminal mistura de música erudita com rock pesado _ tornaram-se hinos até hoje evocados em qualquer show da banda. Lord ficou um período afastado do grupo, retornou em 1984 até sair definitivamente em 2002.
Requisitado como produtor e músico, seguiu ativo, fez parte da banda Whitesnake junto com o ex-companheiro de Purple, o cantor David Coverdale, mas trabalhou como afinco com a música clássica. Em 1969, levou o Deep Purple a se apresentar com a Orquestra Filarmônica Real inglesa no lendário concerto chamado For Group and Orchestra, na qual deixou a plateia perplexa ao executar Child in Time. Este mesmo espetáculo ele apresentou em São Paulo em 2009, durante a Virada Cultural. Em seu trabalho solo e orquestral, Lord lançou 19 álbuns. Mas morre como viveu: sendo uma lenda do rock.
Curiosamente, no mesmo momento em que eu escrevia este obituário, recebia a ligação do Domingos Longo informando que a Justiça estava lacrando o imóvel onde operava o Taliesyn Rock Bar. O nome do saudoso boteco, por indução, vem do álbum The Book of Taliesyn, o segundo do Purple e composto por Lord.


Fecha a porta depois de arrombada

13 de julho de 2012 1

Agora o Taliesyn encerrará, de fato, as atividades. A trincheira até que resistiu, mas perdeu a batalha na Justiça dos homens! Uma decisão judicial pôs fim de vez às esperanças de manter o bar em atividade e o imóvel será oficialmente lacrado na segunda-feira. As poucas horas que restarão serão do balaco. Para passar o cadeado, tem Matinê do Rock neste sábado. Claro, Skrotes na jogada.

Claro que é mais um de tantos ritos que ainda cumpriremos por aqui. E que outras portas se abrirão, mas é que certo que deixaremos ali um pedaço das nossas histórias, é como uma naco da nossa memória e isso causa dor. O sentimento de perda, quando não também de derrota. Via no Taliesyn uma destas boas trincheiras, não só cultural, mas sentimental também. Era o ponto de encontro dos amigos, um centro de convergência de propósitos, gostos, aptidões e luta que pouco pude conhecer. Agora começará tudo de novo, aquela dispersão até que um novo espaço se abra.

O Taliesyn tinha vida. Era simples, básico, “limitado”, mas com o necessário para fazer nossas veias pulsarem: seus frequentadores. Poucos espaços aqui da cidade hoje tinham uma identidade tão forte, tão bem definida e poucos catalisaram tamanha empatia. Vi grandes shows ali, tomei meus últimos porres homéricos e vivi a maior história que está sendo escrita agora na minha vida.

Cheguei a cogitar (muito sério!) a possibilidade de comemorar meu casamento lá. Tudo bem, lá foi consumado. Eu planejava levar a minha filhota, que logo virá, para um “batismo profano”no Talis. Tudo bem, lá ela ouviu, do ventre da Ana, os primeiros e doutrinários shows (Superbug, Ambervisions, Pornô de Bolso). Muita coisa ficará lá dentro. Infiltradas até até emergirem pelas paredes como uma nova camada na memória daquele imóvel que até então desconhece-se quem é o seu dono de direito, de fato…Uma coisa é certa: aquele sobrado passa a ter uma identidade daqui para frente. Ali foi o Taliesyn, venha quem vier… Accepto damno januam claudere.

Ps: O Talis sempre foi autêntico, roto e sem concessões e nisso estava o seu charme. Mas é preciso denunciar aqui um mito: aquele Viagra nunca funcionou. Me garantiu foi uma diarreia que quase me levou pelo ralo.


Viva o 13 de julho!

13 de julho de 2012 0

Eu é que não vou ficar pagando pau e passando atestado de coxinha para o propalado Dia Mundial do Rock, que foi apropriado muito espertamente pelos oportunistas que criaram o Live Aid, festival de 1985 que, além de jurássicos bambas do showbizz teve Madonna entre seus destaques. Há datas muito mais relevantes.

Agora, ninguém na “universidade” lembrou que essa data tem um significado maior para a música brasileira. É o Dia Nacional do Compositor e Músico Sertanejo. Essa brava gente que ajudou a forjar a nossa identidade nacional e que hoje vê sua herança ser aviltada e ridicularizada por aqueles que tinham o dever de tratá-la com o devido zê-lo.

Até certo tempo, universitário era sinônimo de conhecimento, do livre pensar e do fazer artístico. Ainda é, se não fosse por uma ruidosa e oportunista onda “poser”, a mesma que martela o 13 de julho como Dia Mundial do Rock. Bobo de quem acredita!

Viva Pena Branca e Xavantino, Tonico & Tinoco, Helena Meirelles, Rolando Boldrin e tantos outros que muitos destes universitários de “supletivo” jamais ouviram falar…

Resultado da promoção Peixonauta

13 de julho de 2012 0

Leitor e internauta Murilo Bento levou o par de ingressos para assistir ao musical Cante Com O Peixonauta, domingo, no encerramento da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Ele foi o primeiro a listar todos os filmes exibidos na edição de estreia do festival, em 2002: O Menino Maluquinho, O Espantalho, O Saci, Escaleno, Castelo Ratimbum, Tainá, uma aventura na Amazônia, Tem boi no trilho, Animando e Chifre de Camaleão.

* Seus ingressos (2) aguardam por você na bilheteria do Teatro Gov. Pedro Ivo e poderão ser retirados momentos antes do show, que começará às 16h deste domingo.

Semente da discórdia!

13 de julho de 2012 0


NIKOLAY KALEZIN,DIVULGAÇÃO



O Vértice Brasil 2012, festival bienal de teatro dedicado à temática feminina, encerra mais uma vitoriosa edição neste sábado e pincelamos aqui uma das opções gratuitas da programação: o trabalho NK603, da atriz mexicana Violeta Luma. Será às 14h, no Sesc Prainha. A performance é também uma reflexão sobre as consequências sobre a cultura transgênica. Daí o nome da performance, que é a titulação de uma espécie de semente de milho geneticamente modificada. Ativista declarada, Violeta transita entre as fronteiras do teatro, da arte visual e da militância social. Esta é a terceira edição do Vétice, que traz à Capital catarinense artistas e grupos de cantos diversos das Américas e do Velho Mundo. São convidadas da Argentina, Uruguai, Chile, México, Costa Rica e Estados Unidos, além de Dinamarca e País de Gales. O festival integra o projeto Magdalena, uma rede internacional de mulheres que trabalham com teatro e performance e que está presente hoje em mais de 50 países. Informe-se mais por aqui.

O verdadeiro inimigo vem da própria trincheira

12 de julho de 2012 0


A capa da Time partilhada pelo jornalista Felipe Lenhart no Facebook me deixou impressionado. A reportagem é de tirar o fôlego. Por dia, um soldado americano comete suicídio. Baixas que não são contabilizadas junto àquelas que padecem nos fronts de batalha. A maior guerra está por fim, no regresso para a casa. No jornalismo, o suicídio é um tema tratado com muita reservas, via de regra orienta-se não publicar. A Time trouxe o assunto à luz da discussão de forma muito apropriada, dada a urgência e relevância do fato que ultrapassou o mero sentido do tabu.  Leia a reportagem aqui.