Tomboy e L'Apollonide na Sessão Marcca. Promo Encerranda!
Jerônimo Rubin e Rafael Favaretto levaram cada um um par de ingressos para as estreias de Tomboy, de Céline Sciamma, e L'Apollonide, de Bertrand Bonello, hoje, na Sessão Marcca de Cinema no Paradigma Cine Arte. Perguntamos "qual a fo a última vez em que o diretor Woody Allen concorreu a um Oscar até ser novamente incado por Meia Noite Em Paris?" Eles responderam e levaram: Match Point (indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2005).
Os ingressos valem para as sessões de abertura, nesta sexta-feira, às 15 e às 19h340min (Tomboy) e 17h10min e 21h30min (L'Apollonide). Seus ingressos aguardam por vocês na bilheteira do Paradigma.
Tomboy é a história de uma garota que, aos 10 anos, muda de região com a família e passa a adotar a identidade de um garoto a ponto de despertar a paixão de uma nova amiga. Uma decadente "casa de tolerância" no início do século 20, onde um mundo particular é criado por seus habitués, é o mote de L'Apollonide, filme celebrado na última edição do Festival de Cannes.
Os discos nacionais de 2011
O show do século em DVD!!!
Dos shows mais intensos e marcantes da minha existência sem vacilar eu cito a visita do ex-vocalista da seminal banda alemã Can, o japonês Damo Suzuki, a Florianópolis. Foi em 2009, numa noite marcada por um embate titânico aquele travado no pequeno teatro do Sesc Prainha. Damo veio à Floripa a convite do 17º Festival de Música Livre, apresentar seu a sua curiosa "turnê infinita", que ele implementou desde que deixou o Kan. O "japa" percorre o mundo encontrando com outros músicos e formando bandas para performances únicas de composição espontânea. Em Floripa ele estava acopanhado de 10 "subversivos" (Guilherme Zimmer, Gabriel Orlandi, Cassiano, Petter Gossweiler, G Serpa, Manolo K, dentre outros) que se revezeram num show arrebatador, inconsequente, primitivo, libertário. O sexagenário cantor e seus asseclas locais criou uma profusão de sensações, do êxtase ao incômodo, a beleza no caos. Naquela ocasião, o músico e produtor Antônio Rossa comentou no seu blog Transitoriamente: "Um show que nunca termina de fato, um gerúndio artístico."
O cineasta e músico Gurcius Gewdner, que dividiu o palco e doses de conhaque barato em prosas riquíssimas com o "mendigo/músico/samurai", documentou aquele evento extremo e lançou no último dia 16 (aniversário de Damo), o DVD Damo Suzuki Network. Um presente para reger nossas impressões sobre o "futuro da música". Pedidos pelo e-mail bulhorgia@hotmail.com
Espírito do Verão...
A abertura do Summer Soul Festival, terça em Sampa, confirmou o prognóstico: a segunda edição do evento sonoro capitulou para o pop, está muito mais para o "espírito do Verão" do que propriamente uma festa reverencial ao gênero que lhe deu nome e visibilidade, ano passado, com Mayer Hawthorne, Janelle Monae e Amy Winehouse. Não há o que temer. Rox, Florence & The Machine e Bruno Mars, atrações escaladas para a etapa de Floripa do festival, sábado no Stage Music Park, representam esta guinada de curso, mas mantém o status do projeto de ofertar um grande espetáculo. O que prevaleceu na primeira noite e deve se confirmar amanhã é o poderio vocal e a diversidade de influências destes artistas.
A inglesinha Florence Welch esbanja carisma e com a impressionante voz comanda banda The Machine num show que pode sagrar-se como o referencial desta edição e vocês nem ligarão para a liturgia gospel, rock, folk e indie dela. Tomara que repita o clímax com o tributo a saudosa cantora Etta James, quando mandou, a capella, Something's got a hold on me.
E o cantor Bruno Mars desembarca nesta quinta em Florianópolis, onde encontrará uma programação forte para desfrutar a Ilha até sábado, quando se apresentará no Summer Soul Festival, em Jurerê. A agenda sugerida ao astro aponta os caminhos de Jurerê, Santo Antônio de Lisboa e Centro. Ou seja: praia, gastronomia, descanso e, quem sabe, uma esticada nos clubs da região para conferir a nossa "vista privilegiada", já que o rapaz intenciona encontrar uma noiva por aqui.
Promoção Sunsplash Florianópolis - resultado
A resposta para a pergunta "de que país vem o regueiro Alpha Blondy?" é Costa do Marfim.
Os vencedores da promoção foram:
Christiano Andrada
Anderson Andrade Pereira
Francisco Silverio Renz Filho
Thiago Rossi
Gianna Nunes Moritz
Os ganhadores devem retirar os ingressos na recepção do edifício do Grupo RBS/Diário Catarinense, no endereço SC-401, 4190 - Torre A – Saco Grande, a partir das 13h30min, mediante apresentação de documento de identidade. Atenção: os ingressos só poderão ser retirados até as 12h desta quinta-feira, dia 26.
Um breve resumo do ano de 2011 para a música
RENÊ MÜLLER
Nas análises da produção musical, nada mais interessante do que um ano após o outro. A situação neste universo é hoje das mais caóticas. Para um artista ou banda emplacar é preciso misturar um pouco dos dois universos, o das grandes gravadoras e a plataforma “ sem lei” do mundo virtual. E um aviso: não compre por inteiro o papo de que a indústria do disco está indo para o vinagre.
Surgir como febre na internet é um dos caminhos mais fáceis para se tornar a banda do momento e sair fazendo shows pelo mundo afora. Em 2011, isso ficou muito claro com o trio norte- americano Foster the People. O seu som moderno lembrou outros queridos da rede, como MGMT e Hot Chip. Depois de virar febre virtual, lançou o CD Torches com o amparo da gigante Sony Music.
O duo Black Keys, que lançou no fim do ano passado El Camino, colhe os frutos do sucesso depois de 10 anos de cena independente. O seu blues rock cheio de graxa acabou no segundo lugar da parada da Billboard, vendendo 300 mil cópias nas duas primeiras semanas de lançamento. Mas as grandes estrelas do ano, no Brasil e no mundo, foram mulheres.
A cantora inglesa Adele e seu segundo álbum, 21, foram itens básicos de consumos, na web, nas rádios, nas lojas de discos. O selo da moça ( o inglês XL) não chega a ser pequeno, mas é independente e está longe de ser uma major. Seu staff sabia que o disco iria bem, mas não tinha expectativa de que se tornasse o álbum mais vendido do século até agora, com 15,3 milhões de cópias vendidas, e quebrasse recordes e mais recordes de vendagens pelo mundo.
Paula Fernandes arrebentou no Brasil. A cantora sertaneja- country- pop vendeu 1,5 milhão de cópias do seu Ao Vivo, somando edições em CD e DVD. É um patamar raríssimo de ser alcançado no mercado nacional, e por uma artista relativamente desconhecida.
Músicos como o catarinense-alagoano Wado, o carioca Pedro Bonifrate (RJ) e o capixaba Silva não vendem tantos discos. Longe disso, os números podem chegar, no máximo, a umas poucas dezenas de milhares. O próprio Wado, ao lançar seu excelente Samba 808, escreveu que gravadora antes “ servia para distribuição e para dar visibilidade, visibilidade gravadora não tem dado e distribuição... Os caminhos da internet tem resolvido bem melhor”.
Se para os artistas independentes disco não dá mais dinheiro, por outro lado roqueiros e fãs não podem reclamar. Sem custo algum, podem baixar trabalhos como o de Wado, o excepcional Um Futuro Inteiro de Pedro Bonifrate (que, para nosso Fábio Bianchini, foi o melhor de 2011 inclusive à frente dos destaques internacionais) e o EP de Silva.
Renê Müller, DC
Nacionais
Marcos Espíndola, Contracapa
Internacionais
Nacionais
Rubens Herbst, coluna Orelhada (AN)
Internacionais
Nacionais
Emerson Gasperin, blog Fancaria
Internacionais
Nacionais
Fábio Bianchini, blog Tico-Tico no Fubap
Internacionais
Nacionais
Dorva Rezende, jornalista
Internacionais
Nacionais
Promoção Sunsplash Florianópolis
A legendária banda de Bob Marley, The Wailers, mais Alpha Blondy and The Solar System aterrissam em Santa Catarina. Parceiras de longa data, as bandas realizam um show em conjunto em Florianópolis, no festival Sunsplash. A apresentação ocorre quinta-feira, às 21h, no Stage Music Park, em Jurerê.
O blog ContraVersão vai dar cinco ingressos, um para cada um dos cinco primeiros que acertarem a resposta para a seguinte pergunta:
De que país vem o regueiro Alpha Blondy?
Respostas nos comentários do post. A promoção é restrita para a Grande Florianópolis. Resultado sai amanhã às 13h!
"Quedelhe" J.C Castañeda e o Accept?
"Dos meus alfarrábios saquei esta preciosidade do jornalismo pop, aliás a melhor experiência nesta seara em Santa Catarina, que é a reportagem do fanzine Futio Indispensável, que durou de 1993 a 1995, sobre o famoso show que não houve da banda alemã de heavy metal Accept em Floripa, em agosto de 1993, no Babilônia. A edição do Futio ficava a cargo dos mestres Emerson Tomate Gasperin e Frank Maia. Algo tão genial e despudorado só poderia sair destas duas mentes privilegiadas e desprovidas de pudores. A reportagem leva a assinatura da jornalista Christiane Balbys. Simplesmente hilário e brilhante. Passados 15 anos ainda persistem uma série de dúvidas e lendas, como por exemplo, quem é e qual o paradeiro do soturno empresário J.C Castañeda? Lembra o próprio Tomate que o nome do distinto tem J de Juan, o bruxo personagem do livro A Erva do Diabo, C de Carlos e que junto com Castañeda formam o nome do autor desta obra da lisergia mundial, que também escreveu Uma Estranha Realidade. Outra questão é que ninguém assume que esteve lá no Babilônia para cair no Golpe do Século.
Saboreiem sem qualquer parcimônia!!
O BLEFE DO ANO
Esse cartaz não colou. Por trás da arte 1/2 boca, telefone errado, boatos e um monte torcendo para que fosse verdade. O futio foi lá conferir. Putz, não espalha.
Aqueles cartazes estavam com maior cara de enrolação braba. " J.C. Castañeda Produções traz pela primeira fez ao Brasil - Florianópolis, Accept (heavy metal), dia 7 de agosto" Até aí tudo bem, não há nada de mais Floripa abrigar um show internacional, ainda que de uma banda alemã decadente. Mas o cartaz continua: "Local- Babilônia Club". Quem foi nesse lugar no show do Dorsal Atlântica, em maio, se espantou dizendo que "só o cubo (amplificador) do guitarrista ocupa todo o palco". É verdade. O palco do Babilônia tem no máximo 3 metros de largura por 8 de comprimento, minúsculo para bandas locais, que dirá gringas. Outra coisa: divulgação zero e nem o logotipo da banda foi usado no cartaz.
Dá pra acreditar?
Na semana que antecedeu o show, rolou o maior auê entre os roqueiros da cidade. Era segunda-feira e na Mensageiro Musical, onde os organizadores (?) deixaram duzentos ingressos à venda, só tinham saído dois. " Não acredito que vai ter esse show, não. Aqui, a gente tá até avisando ao pessoal que vem comprar", diz um funcionário da loja. A Roots Records não aceitou vender as entradas. Diante da condição imposta pelo dono, de só ficar com os bilhetes depois de ver o contrato com a Accept, o sujeito misterioso desapareceu. E por falar em mistério, quem é J. C. Castañeda? A responsável pelo departamento de eventos do Hotel Diplomata, que estava apoiando a promoção, também não sabia. Ela não viu o contrato, mas em troca de cinco ingressos ficaram reservados cinco apartamentos para os integrantes da banda alemã. A entrada no hotel foi marcada para o dia 7 de agosto (dia do show). O telefone para contato com o produtor - Castañeda - caía numa padaria, que por acaso fica em frente ao Babilônia Club. Na Real Panifício, ninguém jamais ouviu falar em J. C. Castañeda, nem demonstrou boa vontade em chamar alguém da boate.
Aí tem...
No meio da semana, próximo ao dia do show, o porteiro do Babilônia - um sujeito com cara de jagunço e o maior bafo de cana - continua a inventar desculpas e desviar o assunto para não falar do produtor. " O Castañeda está em Buenos Aires e só volta no dia do show". O proprietário da boate Nelson Pinto, disse que o figura chegaria na quinta, junto com o Accept. Neste dia, a Mensageiro Musical já tinha vendido 28 ingressos. O preço era 300 paus e na hora ia custar 400. Das duas uma: ou o Castañeda era um gênio de marketing ou os roqueiros ilhéus estavam diante do blefe do ano.
Noventa por cento apostava na segunda opção.
Às nove horas do dia 7, umas vinte pessoas ocupavam a calçada do outro lado do Babilônia Club. Um grupo menor sentou no muro do quartel, do lado da boate. "Aquele cara ali veio de Videira só para o show", alguém denuncia. Eroni Borges, fã do Accept, tem cinco discos da banda e veio de longe, mas preferiu ver para crer. Deixou para comprar seu ingresso na hora. O amigo dele, Ricardo Bocca, daqui, era proprietário do nº2. M.R., de 20 anos, também comprou antecipado. O dele e o de K.T.: "Não acreditei, mas só comprei para poder contar pros meus netos". W.B., de Tubarão, faz as contas. Setecentos de passagem, 300 de ingresso, é ... gastei uma puta grana". Todos preferiram não revelar seus nomes para não ficarem marcados para sempre.
Mais de 30 pessoas, 10 horas. Começaram os protestos. "Cadê o Accept?". O bilheteiro chega alterado na porta e responde que o show é à meia-noite. Uma garota tenta devolver o ingresso e ele não aceita. " Vou pedir mais grana pro meu pai e vou pro Berro", diz conformada às quatro companheiras. Um cara arranca o cartaz colado ns entrada do clube e sai colhendo assinaturas dos indignados. Lembrança do golpe que vai ficar para a história. E o Castañeda? "Saiu com o Nelson e não voltou", explica o porteiro. Do lado de fora, a legião de revoltados aumenta. "Pô, veio gente até de Biguaçu". Tinha nego de muleta com a perna engessado. Isso é que é fã". "O Nelso taí?", pergunta uma garota que provavelmente tinha esquema com o dono do Babilônia para entrar de graça no show. O bilheteiro responde de novo que ele saiu com o Castañeda. "E os rapazi, já estão aí?" ( rapazi = Accept?)
Esse show parece que vai ser porrada.
Um cara com caneta e papel na mão chega na bilheteria e quer saber quantos ingressos foram vendidos. Para ele, é revelado o número oficial - de um bloco de cem, venderam apenas dois. No início da noite, o jagunço disse ter vendido mais de mil. O fiscal do ECAD (Escritório Central de Arrecadação) Edson Passig ficou de voltar mais tarde para pegar a lista das músicas. Se o Accept tocasse algum som de autoria de terceiros, dez por cento da renda seria repassada para o autor. Na Alemanha.
Onze horas. Entre 150 roqueiros putos com o blefe está Antônio Pimentel, dono do Harmonia Lanches, que fica do lado do Babilõnia. Ele espera o proprietário da boate para receber cinco mil cruzeiros reais que o Nelson prometeu pagar com o lucro do show. O comerciante logrado tinha recém saído do Babilônia e disse que não havia nenhum equipamento montado lá dentro. "Acho que eles vão fugir e levar tudo". Outro cara pergunta o preço da entrada. O bilheteiro resmunga que só tem mais duas e fecha a janelinha.
Quando as gozações e piadinhas se esgotaram, a moçada ficou irada. Todo mundo estava a fim de quebrar tudo. Bastou uma pedra para iniciar o show. Com pedaços de pau, garrafas e o que tivesse na frente, as vítimas quebraram os vidros da boate e botaram as portas abaixo. Num dos carros estacionados mais adiante, o volume aumenta e o heavy metal move os pirados do outro lado da rua até a porta, onde eram descarregados chutes.
A polícia militar chega depois do quebra-quebra, que durou vinte minutos. Nessa hora, todo mundo dispersou para não sujar. Os PMs ligaram uma lanterna, entraram no Babilônia, descobriram uma porta nos fundos e anunciaram triunfantes: "Os malandros fugiram para não serem linchados". Não diga...
Estelionato, vulgo um-sete-um. Se algum lesado der queixa, a polícia vai investigar. Na viatura um PM informa pelo rádio que é J.C. Castañeda o nome do responsável". "OK, vamos checar esse nome aqui". Enquanto isso, a esperança de quem comprou o ingresso de recuperar o dinheiro ia sumindo. Junto com ela, um pouco do crédito de shows de rock por aqui. Quem souber o paradeiro do tal Castañeda - se é que ele existe - por favor, avise alguém que goste de escutar o som no volume máximo. O roquenrôu, vingado, vai agradecer."








