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Institucionalizaram o jabá?

16 de abril de 2010 6

Embora eu defenda a participação do Estado como indutor da produção artística, não tiro a razão do músico João Parahyba nesta lúcida reflexão sobre os destinos do mercado da música no país, cada vez mais atrelado ao aparato estatal dos editais. Um cenário nebuloso que gera mais distorções do que propriamente apontar um novo modelo. Para ele, o que está em curso é o “jabá institucionalizado”, em benefício de produtores e festivais que se valem da desculpa “da promoção e divulgação da arte” para faturar alto em detrimento do artista que na maioria dos casos nem cachê recebe mais. Um grande festival pernambucano ofereceu R$ 1 mil de ajuda de custo para uma banda de Floripa se apresentar lá. “Mil reales” para custear as passagens de sete integrantes! E com a Petrobrás bancando a farra. Aí é melhor que encontrar um poço de petróleo.

O que virá a seguir é um trecho da carta endereçada aos músicos e artistas que ele publicou na lista de discussões da Rede Música Brasil e cuja íntegra foi publicada no Scream & Yell (boa dica do Matias). Aconselho aos bons chapas que leiam o texto na íntegra e reflitam sobre o tema que é dos mais palpitantes. É uma paulada!

“(…) percebi que os projetos de maior valor contemplam os produtores de shows e festivais, empresários artísticos, pontos de rede e pontos de cultura, mas não diretamente a sobrevivência do artista. Com a queda brutal do mercado musical como CULTURA, hoje COMMODITIES, com a história desta política de show de graça, etc. e tal não existe subsistência, sobrevivência e sustentabilidade em toda cadeia. Estamos acabando com a iniciativa privada desde país, e ficando escravos dos editais. O funil das gravadoras e empresários artísticos do passado está hoje na máquina pública. Assim nunca construiremos um mercado cultural sustentável e verdadeiro.

E honestamente, depois de 40 anos de carreira e de ter tocado no mundo todo, não venham me dizer que festival e mostra de música é única e exclusivamente uma vitrine para quem está começando ou para quem está um pouco sumido da mídia, ou ainda, uma forma de formar público novo. Pois isso é o óbvio. Mas isso também hoje é uma vitrine para o nome do festival, para os produtores e entidades organizadores, para o marketing das grandes empresas e principalmente para o governo. E esses proponentes muitas vezes obtêm fonte de renda que mantêm toda a estrutura de suas empresas através desses editais públicos, estaduais, municipais e federais. Principalmente com dinheiro público e quase 100% sem investimento privado, digo dos pequenos empresários, os proponentes, não das grandes empresas que utilizam esses editais e leis para fazer somente marketing, e não cultura.

Vejam: quase todos os festivais e shows já têm apoio do seu município, do seu estado, (conquista deles é verdade) e muitos da grande iniciativa privada, e quase todos, com a desculpa da promoção e da formação de público não pagam cachê aos artistas e músicos convidados “é divulgação Etc. e tal”, mas não justifica, pois ganha pão, é ganha pão. “Não peçam para eu dar de raça a única coisa que tenho para vender, minha música, minha arte”. (Cacilda Becker)

Isso é jabá institucionalizado, igual às rádios que tanto reclamamos há décadas. Quer tocar aqui é assim, você paga para estar aqui. Absurdooo! E se reclamar não entra mais na rádio, TV e/ou no circuito dos festivais, como temos exemplos de vários amigos artistas que foram excluídos das rádios e dos festivais por se manifestarem contra o jabá e/ou não pagamento de cachês nos festivais pelo Brasil afora. Isso hoje, como há 30 anos vem acontecendo.

Estamos criando outro monstro!?”

Comentários (6)

  • XuXu diz: 16 de abril de 2010

    sim, o monstro já foi criado e vem ficando cada vez mais forte.
    há quanto tempo cantamos essa pedra mesmo???

    abs e parabéns por isso aqui. lindo!

  • Vitor diz: 16 de abril de 2010

    “…muitos da grande iniciativa privada, e quase todos, com a desculpa da promoção e da formação de público não pagam cachê aos artistas e músicos convidados”

    Sobre o texto acima vai uma pergunta, não uma crítica: porque os artistas vão se não recebem cachê, não bastaria recusar o “convite”?

    abraço

  • Bernardo diz: 16 de abril de 2010

    Exato (re: comentario do Vitor).

  • Daniel Lopes diz: 20 de abril de 2010

    O texto também está na integra no http://www.culturaemercado.com.br/ideias/por-quem-os-sinos-dobram/comment-page-1/#comment-81772 , deixei meu comentário mais geral por lá.

    Sobre o que o Vitor levantou e o Bernardo respondeu, faria sentido perfeitamente se todo aquele dinheiro dos festivais não fosse incentivado. O governo concede alguns milhares, as vezes milhões, e o proponente não tem dinheiro para pagar as bandas? Quem já “passeou” pelo SalicNet* sabe que ali não tem ninguém fazendo projeto pra fazer “showzinho” não!

    * http://sistemas.cultura.gov.br/salicnet/Salicnet/Salicnet.php

  • Henrique Staino diz: 22 de junho de 2010

    Salve, senhores!

    Procurei o e-mail de vocês por toda parte, perdoem-me se retardei completamente mas não consegui encontrar.

    Onde encontro?

    Valeu! Abraços

  • Henrique Staino diz: 22 de junho de 2010

    Droga!
    Acabei de econtrar!
    haha!

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