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Tempos de quadrinhos

16 de agosto de 2010 0

Vai o nosso rescaldo da HQCon, o encontro de quadrinhos e cultura pop que rolou na Capital no sábado. Golaço! Particularmente, me ative às palestras, assaz interessantes. Visões distintas sobre um mercado em franca ebulição. Assim como são díspares, porém iguais na sua magnitude os desafios da nova geração de autores e artistas. Cada um tem o seu desafio a capitular, dos independentes Pedro Franz e coletivo Quarto Mundo (que reúne mais de 100 quadrinistas no Brasil e fora) e sua batalha pela sustentabilidade e difusão de obras, aos consagrados profissionais, como o brasileiro Eddy Barrows, hoje o desenhista exclusivo do Superman, da DC Comics.

A reedição do HQCon em 2011 é certa! Dado o resultado de sábado, os geeks podem preparar suas caracterizações de cosplay _ um tanto tímidas nesta última edição _ e reservar o caderninho para anotar as boas idéias ventiladas nas palestras. E, claro, reservem um bom fundo ($) para a “feira”. Aqui vai uma sugestão: seria prudente abrigar as palestras em um ambiente mais reservado. Ah, e se você nunca participou de algo do gênero, compartilho outra “letra” que poderá determinar a sua sobrevivência neste ambiente: traga na ponta da língua o Juramento do Lanterna Verde! E se algum espertinho resolver desafia-lo não esqueça de que o tal juramento tem sete versões. E mais, saber que Shazam é uma sigla que denomina um super-herói pode representar a sua consagração.

Enquanto isso…

Eles ralam para saldar as contas do mês e suas criações salvam o mundo. O intrépido Homem-Grilo, de Cadu Simões e Ricardo Marcelino (ambos signatários do Quarto Mundo), passa um perrengue bizarro para combater criminosos idem em um mercado alternativo não muito diferente. Enquanto isso… na “Sala” da editora DC Comics, Eddy Barrows segue com a tarefa de manter na ativa e relevante um senhor de 75 anos, o Superman. Contratado para desenhar 12 edições, o brasileiro recebeu dos editores da DC a proposta de continuar indefinidamente na função. E vai aceitar?

_ Claro, vou me aposentar! _ festeja.

Ah, e o nome original do cara é Eduardo Barros. Ele nasceu no Pará há 35 anos, mas se criou em Minas. Está na DC Comics há seis anos, sendo que começou a carreira profissionalmente em 2003. O nome americanizado foi adotado por resignação. Como não conseguiu fazer os gringos pronunciarem corretamente seu nome, acabou “desencanando” e ficou por isso, Eddy. E de tanto desenhar Superman e seus colegas de Liga da Justiça, o Homem de Aço caiu sobre seu colo. O momento foi oportuno, sustenta, com as editoras abrindo espaço para novos talentos, atraindo roteiristas da área do cinema e televisão, recondicionando os heróis do passado ao novo ambiente midiático.

_ Não é que os quadrinhos ficaram mais adultos, porque seu público envelheceu. São as novas gerações que estão mais ligadas, amadurecem muito mais rápido, e isso levou a uma reformulação do gênero, seja nos traços, nas histórias e no uso de outras mídias, como ipods, quadrinhos virtuais _ explica.

Barros, ou Barrows, acredita que em questão de duas décadas o quadrinho impresso será um artigo de luxo. Algo como o vinil hoje, cada vez mais exclusivo e trabalhado para colecionadores. Quando ele foi contratado para integrar o projeto Superman 700, a DC Comics já apostava no formato digital. Paciência, experiência e saber contar uma boa história. Esses seriam os requisitos básicos, aponta o quadrinista, para ingressar neste seleto grupo.

_ As editoras estão à caça de bons contadores de histórias.

Telona

E quanto ao cinema… Qual a chance de o Superman volta para as telonas? Barrows assegura que há um projeto para retomar a série, mas do zero. A iniciativa com Superman Returns, do diretor Bryan Singer, se revelou um fiasco na concepção do artista:

_ Não havia qualquer ligação com os quadrinhos. Aí querer incluir na trama um “filho” do Superman foi a gota d’água!

A se confirmar o novo filme, muito provavelmente o quadrinista brasileiro será consultado a exemplo de outras adaptações _ como o Lanterna Verde (em produção).

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