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As melhores de Jorge que você não ouviu

28 de janeiro de 2011 0

Todo mundo já ouviu Taj Mahal, Fio Maravilha, País Tropical, Chove Chuva, etc. Mas Jorge Ben Jor tem dezenas de maravilhas espalhas pelo seus discos. Aqui tem umas que, sozinhas, já seriam suficientes para comprovar a genialidade do grande Jorge, que toca amanhã no P12, em show do projeto Floripa Tem. Algumas sugestões abaixo:

Apareceu Aparecida

Gravada com o Trio Mocotó no lendário álbum Força Bruta (1970). Moda de viola sertaneja, samba e xote! A alegria do cara que tem sua amada de volta é como que genuína : “Apareceu aparecida / Aconteceu o que eu mais queria / Aparecida apareceu / Ei, cumpade!”

Jurubeba

Discaço gravado em um delicioso tom informal, Gil e Jorge (1975) é a melhor parceira entre dois artistas solo da MPB, e dificilmente terá alguma rivalidade a enfrentar nessa condição. É meio como lisergia com violão e caldinho de feijão. O maravilhoso baião-samba- rock Jurubeba (a música é de Gil), pede para ser bebido. E quem sou eu pra recusar?

Assim Falou Santo Tomas de Aquino

É um dos momentos mais belos da fase mística de Jorge. O ensinamento do santo é embalado por um clima sereno, mais contido, com teclados etéreos num samba existencial. No final, soa como se o Joy Division resolvesse tocar samba rock em Closer.

Dorothy

Assim como a anterior, é do fantástico Solta o Pavão (1975). A letra é daquelas tipo “conversa mole de apaixonado”, nas quais Ben Jor é mestre. Mas o arranjo é de arrepiar, um samba-jazz-rock com flautas de arrepiar.

Hermes Trisgemisto Escreveu

Isso aqui é covardia, coisa que ninguém consegue e conseguirá fazer: misturar Miles Davis, James Brown e samba rock. Azar de Miles e do Brown, que não tinham Pedrinho na bateria.

Sou da Pesada

Essa é do LP mais esquecido de Ben, O Bidú – Silêncio no Brooklin, sempre lembrado como o disco “paulista” e “Jovem Guarda dele”. Ele apenas marca o ritmo com o violão e com um percussaozinha, cheio de ameaça, numa daquelas letras conversa mole: “quem falou de mim na madrugada?”

Por Causa de Você, Menina

O disco de estreia do cara, Samba Esquema Novo, é inacreditavelmente sofisticado até hoje, e foi lançado em 1963! A banda de apoio são os Copa 5 de Meirelles, por isso não dá pra estranhar a beleza desse lamento jazz-samba. Tem a famosa letra em que “Você” vira “Voxê” na voz de Jorge.

Zumbi

Mounumental, é a melhor música sobre a escravidão no Brasil. Letra traz é emocionante, e o arranjo é quase um “country rock afro”, com maravilhosas intervenções de cordas.

O Plebeu

Aqui a cuíca ronca pra valer, enquanto o mestre se diverte com guitarras funk e a letra que não passa de um lero-lero entre o plebeu e uma princesa: “o último será o primeiro, e o último sou eu”. Do álbum definitivo do samba rock, África Brasil (1976).

Domingo 23

A letra dessa é muito citada pelo próprio Jorge, mas a música em si é pouco lembrada. Tem clima de um cortejo místico, levada apenas por baixo, violão e percussão. Os versos são perfeitos: “Com sua sabedoria e coragem / Mostrou que, com uma rosa e o cantar de um passarinho / Nunca neste mundo se está sozinho”.


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