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Posts de maio 2011

Gil Scott-Heron (R.I.P.) - parte 2

31 de maio de 2011 0

Mais uma homenagem aqui do ContraVersão ao grande Gil Scott-Heron, que faleceu na última sexta-feira. Essa é uma resenha que escrevi como “OP” no Diário Catarinense, em 14 de abril do ano passado:

“O cara tem uma enorme influência na música atual. Mas pode andar na rua numa boa – e não é o que podemos chamar de um sujeito endinheirado. Gil Scott-Heron foi um escritor e poeta norte-americano que, nos anos 1970, criou a amálgama de jazz, canto falado e funk, lançando sementes para o rap e hip-hop da década seguinte.

Continua sendo um nome negligenciado. Isso é perceptível nesse 2010, em que Scott-Heron retornou com o espetacular I’m New Here, álbum lançado após um hiato de 15 anos. O poeta continua afiado, com uma música que junta observação social e lirismo. Nomes como Kanye West, Mos Def, Black Star Jay-Z e Dr. Dre devem muito ao pioneiro. Public Enemy, então, nem se fala: apropriou-se do bordão de uma canção emblemática do Scott-Heron, The Revolution Will Not Be Televised.

Trata-se da primeira faixa de Pieces of a Man, o trabalho que melhor explicita a sua proposta. Nas letras, uma atitude crítica, mas não ofensiva: racismo e consumismo como inimigos da igualdade social, o poder das mídias, o conformismo da classe média. Criado no Tennessee, o multiartista foi parar no Bronx, onde assistia in loco a degradação dos guetos.

Raras foram as ocasiões em que bateria e baixo funk, pianos e flautas jazzy, e os lamentos resgatados do blues e do soul foram mesclados de forma tão harmoniosa. Talvez porque tenha sido Scott-Heron o primeiro a entender como todas as formas de expressão musical afrodescendente entrelaçavam-se na América do Norte.

When You Are Who You Are é uma canção de amor. Home Is Where The Hatred Is e Pieces of a Man abordam tensões familiares. Save The Children é uma balada-mensagem à moda de What’s Going On, e Lady Day and John Coltrane é quase um boogie. E ainda havia cartucho pra gastar em discos posteriores, como Winter in America e From South Africa to South Carolina. Pena que esse poeta nunca teve reconhecimento à altura de seu pioneirismo.

Pieces of a Man, Gil Scott-Heron. 11 faixas, 1971


Em Marcha....

31 de maio de 2011 1

O esperto Xico Sá lembrou que a Marcha da Maconha, reprimida e empastelada pela polícia paulista, encontrou a redenção em horário nobre, no último domingo: “E não é que a Marcha da Maconha, canetada pela turma da toga preta e reprimida nas ruas pelos frios homens de cinza, foi realizada em pleno Fantástico da rede Globo?!”. Também me surpreendi com o latifúndio dedicado ao tema, tendo como mote o lançamento do documentário Quebrando o Tabu, que traz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o narrador do filme que questiona as políticas de repressão as drogas implementadas no Ocidente. Naturalmente, remete à descriminalização de algumas drogas, como a sempre pleiteada maconha. Lembrou que “A carroça da história desembestou e avançaremos mesmo nessa questão? Veremos. Bom é que as marchas das ruas acionaram o piloto automático dos avanços.” Talvez a razão para o “surto” de empatia global com o tema esteja na produção do doc: Luciano Huck. O referido movimento traz em seu bojo os bens nascidos e assistidos, ou “uma fatia da classe média moderna acendendo uma ponta do avanço histórico em vez de tocar fogo na fogueira eterna da liga das senhoras católicas”, novamente citando Xico Sá. Ao final, o programa convidou os telespectadores a opinarem sobre o tema. Prendam a respiração (ou a fumaça! Nada menos que 57% se declararam favoráveis a descriminalização da maconha. Por aqui a Marcha transcorreu no seu rito normal. Quem compareceu ao Trapiche da Beira-Mar Norte no sábado passado não foi incomodado, mas também não incomodou. Detalhe é que um dia antes, os organizadores promoveram um seminário sobre o tema na UFSC e, dentre os debatedores, havia um delegado de polícia do Rio de Janeiro. Um avanço? É possível, mas não contem vitória ainda. O irônico é que a cidade que um dia foi conhecida por aquele folclórico delegado-pavão que vivia em tocaia na Praia da Joaquina, que colocou o Gilberto Gil na cadeia por um baseado (apenas um! Esquecido na carteira no Rio de Janeiro e só descoberto aqui) e que criou o adágio “nem todo maconheiro é surfista, mas todo surfista é maconheiro” (ele nega a autoria!) hoje pode ser o bastião desta marcha histórica. Ps: Um amigo entusiasta da “hidroponia” está preocupado com a onda liberalizante. “Quem ‘regula o barato’ é fominha, pô!”.

Em movimento!

31 de maio de 2011 0

Gustavo Cimadoro, Divulgação

Outro aperitivo da exposição 8 Movimentos, que abrirá no dia 9 na Galeria Luciano Martins, aqui nesta Ilha ao Sul do Mundo. A tela aí é do brasileiro Gustavo Cimadoro. A história é a seguinte: são artistas de Floripa e Buenos Aires, quatro de cada lado da fronteira, produzindo e dialogando-se. A curadoria é de Anderson Rodrigues (BR) e Kuke Castiñeras (ARG) _ ambas figuras mais que radicadas na Lagoa da Conceição, morou?

"Perseguidas"

31 de maio de 2011 0

foto Roberto Scola

Mais um prédio histórico da cidade foi vítima do picho-crítico.  O registro é do repórter-fotográfico Roberto Scola. Deste vez, foi o Casarão que pertenceu ao jornalista e educador José Boiteux, na Avenida Hercílio Luiz (Centro, Capital), recém-reformado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). O picho As Procuradas é uma referência ao primeiro longa-metragem do diretor Zeca Pires, cujo novo filme, A Antropóloga, rendeu uma manifestação semelhante há um mês, só que nas paredes do Museu Victor Meirelles. Esse Sim, As Procuradas (ou “Perseguidas”), tem sérios problemas de roteiro , assim com o videoclipe do Valdir Agostinho! 

Mas não é sujando o espaço público que vamos varrer aquele lixo (As Procuradas) da nossa filmografia!

Alô?! Alguém viu me "phone" por aí?!!!

31 de maio de 2011 0

Isso não é novidade na cidade. Durante o Verão, uma dupla de larápios foi flagrada dentro da Pacha, fazendo uma verdadeira festa em bolsas alheias e descuidadas, roubando máquinas fotográficas, celulares e i-Phone. Desta vez, ao que parece, as vítimas foram um grupo de clientes do Club 1007 Boite Chik. O caso ocorreu na madrugada de sábado e, segundo a nota oficial emitida pela casa, foram furtados nove aparelhos celulares (sendo três iPhones) e uma máquina fotográfica. Como o 1007 foi fechado para um levantamento sobre os pertences da clientela e para a chegada da polícia _ que se negou a entrar _ , o(s) gatuno(s) tratou de dispersar o produto do furto pelos ambientes. O autor não foi descoberto, mas o saldo do susto acabou com apenas dois celulares não encontrados. Muita calma e cuidado nessas horas. Saiu de casa para curtir a vida a doidado, então previna-se, gaste um pouquinho mais, e deixe seus pertences em um guarda-volumes da casa, do club ou do inferninho que o valha.  Afinal, qual a necessidade de levar um celular para a pista?! Há formas mais dignas de se praticar “caridade” e não é facilitando a vida dos larápios de tocaia.

Gil Scott-Heron (R.I.P.)

31 de maio de 2011 0

Em tempo: Gil Scott-Heron morreu, mas esta notícia não foi televisionada. Poeta, escritor brilhante, compositor, jazzista e, por acaso (segundo o jornalista Alex Antunes), cantor, o precursor do rap silenciou-se na sexta passada, aos 62 anos, em Nova York. Como quis, longe do horário comercial. Como ficcionista, vocalizou o ambiente inflamável marcado pela ativismo e a radicalização do movimento negro na passagem das décadas de 1960 a 1970, e nisso ajudou a forjar também um estilo que transpôs as letras e inseriu-se na música e cinema: o blaxploitation. Produziu seis romances, sendo o primeiro, Abutre (de 1970 _ recomendo a leitura!), ganhou edição no Brasil pela Conrad, e o último, The Last Holiday, ainda não foi lançado. Em 2010 ele lançou seu derradeiro álbum, I’m New Here, o que renovou as esperanças quanto à sua volta. Mas foi com álbum manifesto The Revolution Will Not Be Televised que Gil viu sua verve inundar como magma incandescente o espírito dos “irmãos”, forjando uma nova consciência. Narrou poesia sobre uma base de percussão_ rhythm and poetry (ritmo e poesia): RAP!

A Revolução Não Será Televisionada:

você não vai poder ficar em casa, irmão.

você não vai poder sentar, ligar e fugir.

você não vai poder se perder nas trocas de canais

ou sair e pegar cerveja nos comerciais,

porque a revolução não será televisionada.

a revolução não será televisionada.

a revolução não será trazida pelos patrocinadores,

em quatro partes sem comerciais.

a revolução não vai te mostrar imagens de Nixon

tocando corneta e iniciando um ataque de John Mitchell, General Abrams e Spiro Agnew comendo comida de negro vinda duma igreja do Harlem.

a revolução não será televisionada.

a revolução não será trazida pelo seu teatro favorito e não terá aquela atriz bonitinha no papel principal, tampouco será um daqueles seriados do horário nobre.

a revolução não vai te dar o prazer pregado pelos comerciais.

a revolução não vai te colocar em boa forma.

a revolução não vai te fazer cinco quilos mais magro porque a revolução não vai ser televisionada, irmão.

não vão ter fotos suas arrastando um carrinho de compras junto com um maratonista famoso, ou tentando levar uma tv dentro de uma ambulância.

a NBC não vai predizer o ganhador do jogo as oito e trinta e dois, nem te dizer a notícias de vinte e nove distritos em tempo real.

a revolução não será televisionada.

não terão imagens de policiais atirando em irmãos no replay “de olho no lance”.

não terão imagens de policiais atirando em irmãos no replay “de olho no lance”.

não vão ter imagens de líderes dos direitos civis sendo expulsos dos bairros pobres com processos.

não vai ter câmera lenta do Roy Wilkens [aquele dos direitos civis para negros] andando pelos bairros de Los Angeles em roupas perfeitamente apropriadas a este dia, pregando liberdade, com as cores pan-africanas.

os seriados do horário nobre não serão mais tão relevantes e as mulheres deixarão de se importar se o galã ficou com a mocinha, porque os negros estarão nas ruas procurando um dia mais bonito.

a revolução não será televisionada.

não terão holofotes no jornal das dez, nem feministas revoltas ou Jackie Onassis em luto.

a música tema não vai ser escrita pelos caras do hino nacional tampouco pelos queridos da rádio.

a revolução não será televisionada

a revolução não vai passar depois de um comercial sobre algo que deixe suas roupas mais brancas, ou sobre luzes brancas e até mesmo gente branca.

você não vai precisar se preocupar com slogans idiotas.

a revolução não será sempre coca-cola.

a revolução não combaterá os germes do mau-hálito.

a revolução vai te colocar no banco do motorista.

a revolução não será televisionada, não será televisionada, não será televisionada, não será televisionada.

a revolução não vai ter reprise, irmãos.

a revolução será ao vivo.

Foo Fighters - Back and Forth

30 de maio de 2011 0

Dave Grohl já avisou que o Foo Fighters desembarcará no Brasil no segundo semestre. Banda cotadíssima na “bolsa de apostas” para o SWU 2011, em Itu. Na esteira do excelente álbum Wasting Light, sairá/saiu também o documentário Back and Forth. Oficialmente “sairá” no dia 17 de junho por aqui. “Oficiosamente” o doc saiu e nada em cardumes na grande rede.
Além de trazer os bastidores da gravação do último disco e um show, passa também em revista a trajetória do grupo, indo ao princípio: o fim do Nirvana. É barulhento, furioso e hilário. Agora “vá pescar”!

A banda mais "copiada" da cidade

30 de maio de 2011 3

Tudo bem que os bondosos e belos de A Banda Mais Bonita da Cidade reconheceram que são fãs da norte-americana Beirut. Nem precisava, basta ouvir a base do super-hit Oração. O que eles não contaram é que o louvado clipe da música e seu “surpreendente” plano sequência é igual ao vídeo da banda canadense Hey Rosetta (a música chama-se There’s An Arc), datado de 2009. Oração tão manjada quanto o Pai Nosso.
O Led Zeppelin, em seu princípio, ficou conhecido como grande “usurpador” do rock ao tomar como suas composições de músicos obscuros e nem tão conhecidos do blues e do folk norte-americano. Demorou para reconhecer, mas eram os anos 1960. No caso da A Banda Mais Bonita da Cidade, a máscara caiu em três semanas.
É “Fantástico”, não?

Olhai a outra margem!!!

27 de maio de 2011 1

Caríssimos leitores, peço que atentem para este Myspace. Ou melhor, apareçam hoje à noite (sábado, às 20h30min) no Espaço Cultural Sol da Terra, na Lagoa da Conceição. Ouçam e me digam se tenho ou não razão em ficar animado? Não cabe aqui um levante ufanista e quase religioso como a “hiperbólica” A Banda Mais Bonita da Cidade. Longe disso, mas não há como segurar a excitação diante do trabalho desta menina curiosa chamada Carol Wan.  Cantora, compositora e letrista da banda Carolion, a jovem tem apenas 16 anos e não é uma promessa. É um fato. Quando você acha que já viu tudo, eis que surge uma manada sonora dessas, te surpreendendo pela contramão. Qualquer comparação com uma certa menina prodigiosa não vai além da precocidade latente e personalidade lúdica, quase divagante em sua propulsão artística. Mas os seus ouvidos estão muito mais para a freak cena da Islândia do que a Paulicéia. Muito mais o post-rock contemporâneo da Björk do que a bossa do Marcelo Camelo. Suas músicas cintilam numa fritada robusta, algo que leva das suas influências diretas _ Kate Nash, Laura Marling, Smiths, Soko. Compõe desde os 12 anos, em 2008 montou uma banda, mas foi no ano passado, quando chamou a atenção dos músicos e produtores e arranjadores Carlos Lamarque (baixo), Marcio Bicaco (bateria e vibrafone) e Jean Gengnagel (teclado) que a coisa decolou. Estimulada por seus três tutores, Carol entrou no estúdio no final do ano passado onde gravaram quatro deliciosas canções _ Luna, Water Of, Again Again Again e What About Your Children.
Todas elas já prontinhas no violão. Daí começou a “lapidação” _ entenda-se como experimentações _ com a adição de efeitos, programações, uma cozinha densa de baixo, bateria, além das violas e do charmoso vibrafone. Pimba! Loucura. Uma performance recente no projeto Songwraiters, colóquio de compositores mensal da Capital, deixou artistas veteranos e jornalistas experientes estupefatos. Ela tem um tino estético daqueles desconcertantes. Os vídeos da banda (confira no blog ContraVersão) são uma extensão deste experimentalismo _ e tudo feito pela Carol. O que virá daqui para frente pouco nos interessa, vai que ela resolva prestar um concurso público, fugir com um circo ou mergulhar no abissal oceano das suas possibilidades e abrace o dub. O lance é agora, embarcar no bom barato dela, nas suas canções vertiginosas e “fritar” junto. Até porque ela vai passar uma temporada na Alemanha e banda entrará em recesso. Isso não seria uma estratégia do “ardiloso hype” para torná-la um fenômeno? Veremos!!!

Indie Power 8 - Resultado da Promoção!

27 de maio de 2011 7

Rodrigo Veras e Paulo Roberto Peluso levaram as duas cortesias para a festa Indie Power 8, neste sábado (28/05), na Célula, com as bandas LASTTAPE (PR) _ lançando seu EP na praça de cá _ e APICULTORES CLANDESTINOS. Seus nomes estarão na lista de convidados da festa.