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Extra: Laranjas vai fechar!

08 de fevereiro de 2012 0

Para quem não pode acessar a versão impressa da Contracapa, segue a entrevista com Bruno Volpato, do site Laranjas:

Na base da piada baseada em fatos reais, o site de humor Os Laranjas virou alvo do seu próprio tiro: celebrizou-se. No ar desde 2007 como blog e como site a partir do ano passado, esse suco de gaiatice que tangencia a realidade notabilizou-se nas redes sociais neste verão quando lançou a campanha Occupy Jurerê, uma pseudo mobilização popular que exigiu celebridades de verdade (com pelo menos uma novela das “nove” no currículo) na Ilha. Uma crítica, sutil e assaz refinada, ao deslumbramento reinante na cidade, que chegou a ser tomado como verdade, a exemplo da suposta tentativa de se estender a cobrança da Zona Azul para as areias de Jurerê Internacional _ até a prefeitura da Capital emitiu uma nota de “desmentido”. O equívoco é natural, já que se valem das “técnicas do texto jornalístico para fazer graça”, explica um dos Laranjas, o jornalista Bruno Volpado.  Além de Volpato, a laranjada é formada por Marcone Tavella, Rafael Hertel, Tomás Petersen , Thiago Verney e César Soto, todos egressos do Curso de Jornalismo da UFSC. Desde dezembro, quando passaram a monitorar a audiência do site (www.laranjasnews.com.br) registraram 30,2 mil visitas e 58 mil pageviews _ sendo que  25.511 visitas e 48.618 pageviews foram em janeiro, pós-OccupyJurerê.
Bruno conversou com a Contra e explicou um pouco sobre a receita deste suco:

Contracapa _ Como pintou a ideia de Os Laranjas?
Bruno Volpato _ Foi em 2007, numa reunião no Restaurante Universitário da UFSC. Eu, o Marcone e o Rafa éramos calouros de Jornalismo e queríamos fazer algo que remetesse ao Fútio Indispensável, lendário zine do Emerson Gasperin e do Frank Maia. Só que nós entendemos completamente errado o que eles faziam, e acabamos criando um blog com notícias falsas, crônicas e contos. Gostávamos muito do Planeta Diário e do Pasquim, também. A gente escrevia quando dava na telha, até que no ano passado o Marcone e o Tomás transformaram o Laranjas em um TCC e um site bonitão, o que nos motivou a levar a coisa a sério.

Contra _  O Laranjas faz jornalismo de humor ou humor do jornalismo?
Volpato _ Nós não fazemos jornalismo, definitivamente. Sim, fazemos uma análise de eventos reais e atuais, satirizando os fatos, e procuramos dar atenção à conjuntura da “notícia”, mas jornalismo é um troço sério, ou pelo menos deveria ser. Pode-se dizer que fazemos graça usando técnicas de texto jornalístico, e só.

Contra _ Ao contrário de outros veículos do gênero, baseado no escracho, vocês tangenciam a verdade, incorporando um verniz jornalístico a uma mentira “baseada em fatos reais”, a exemplo do site Sensacionalista. Como você define a linha editorial do site?
Volpato _ Só um reparo: o Laranjas começou antes do Sensacionalista, só esquecemos de ganhar dinheiro ou fazer sucesso como eles. Nossa linha editorial, se é que podemos dizer que existe uma, é procurar uma piada diferenciada sobre assuntos atuais, que, de preferência, faça as pessoas rirem e, quem sabe, pensarem um pouco.

Contra _ Um exemplo foi a história daquela reportagem “falsi” sobre a cobrança pela ocupação da faixa de areia durante o verão pela Zona Azul. Até a prefeitura emitiu uma nota desmentindo o assunto, depois que o meio jornalístico também cogitou a possibilidade. Nestes tempos de imediatismo da internet, que negligencia a apuração, é fácil tornar-se uma “presa” fácil, não é não?
Volpato _ Pode ser, a pressão do on-line faz com que muita gente não tenha tempo para apurar direito uma informação. Eu acho mais interessante é que a loucura de Florianópolis esteja num ponto tão absurdo que algumas pessoas efetivamente achem factível que a areia da praia seja loteada para cobrança por metro quadrado.

Contra _ E o movimento Occupy Jurerê já recebeu muitos apoios? De quem foi esta ideia?
Volpato _ Ninguém explicitou apoio, mas certamente muita gente queria celebridades de verdade em Floripa. Só acho que a crítica da piada foi bem aceita, porque o pessoal estava de saco cheio do deslumbramento com famoso que precisa de legenda na foto para ser identificado.

Contra _ Mulher fruta tem vez na equipe de vocês?
Volpato _ Vou te contar um segredo: um dos nossos colunistas é, na verdade, uma mulher. Mas não espalha.

Contra _ Vocês são “laranjas” de alguém?
Volpato _ Não temos editor-chefe, mecenas ou guru espiritual. Seria bom ter pelo menos um dos três para pôr ordem na casa, mas por enquanto estamos indo bem.

Contra _ Como surgem as pautas?
Volpato _ Todo dia aparece algo ou alguém que pode render uma piada. A Luiza, por exemplo, estava no Canadá estudando e virou assunto nacional. A vaquinha da Cow Parade, coitada, cuidava da própria vida ali no Centro e acabou barranqueada. E volta e meia rola aquele assunto que a gente diz “porra, a gente PRECISA esculhambar isso aí!”, tipo Jurerê Internacional no fim do ano.

Contra _ Em termos de piada pronta, a concorrência com o jornalismo tradicional é difícil?
Volpato _ Sim, muitas vezes a gente tenta bolar alguma coisa, mas a realidade já é muito mais engraçada ou pervertida que qualquer notícia falsa que o Laranjas invente.

Contra _ O que já virou piada velha?
Volpato O próprio Laranjas. Vou te dar a notícia em primeira mão: vamos fechar o site na semana que vem. Pode publicar, garanto que é verdade.

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