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Os 40 anos de "Harvest", o clássico disco de Neil Young

14 de fevereiro de 2012 2

Havia quem criticasse o canadense Neil Young por conta da trova no melhor estilo bittersweet. E de fato, depois da doçura melódica e acústica de After the Gold Rush (1970), não houve uma grande mudança de direção com Harvest. Talvez a escolha por uma banda de sonoridade muito diferente da pauleira rústica do Crazy Horse (os Stray Gators).

São dois discos mais conectados com o trabalho de singer-songwriters, gente como James Taylor ou Jackson Browne — o último, inclusive, havia lançado seu debut semanas antes.

Mas o tempo muda a percepção das coisas. Já no fim dos 1980, Harvest — cujo lançamento completa 40 anos hoje — era citado com um dos grandes momentos, senão o maior, do mestre canadense. E nesse caso, o sucesso comercial do álbum, que chegou ao primeiro lugar da Billboard e foi o mais vendido em todo o ano de 1972, não é um ponto negativo.

A verdade é que o público médio norte-americano já tinha percebido o que há de mais belo no disco, a coleção de composições inspiradas que mantém a majestade tantos anos depois de concebidas. Lançada um mês antes como single, Heart of Gold tornou-se a música de maior sucesso da carreira de Young, e pode ser encarada como a peça central do álbum.

Harvest é muito calcado na aridez californiana e na placidez dos violões, mas traz um artista que jamais consegue se entregar ao conformismo, seja para o bem ou para o mal. Então, ao mesmo tempo em que entrega reflexão ao passar do tempo com Old Man, também traz a pungente descrição da danação de um amigo mergulhando no abismo das drogas em The Needle and the Damage Done. Em outra ponta, a London Symphony Orchestra propicia dramaticidade à controvertida A Man Needs a Maid, cuja letra, para alguns, era sexista. Não era, mas um pouco de polêmica sempre fez bem ao senhor Young.

Harvest, de Neil Young. 10 faixas, 1972


 

Comentários (2)

  • Xando diz: 14 de fevereiro de 2012

    Sempre achei o melhor álbum, adoro a Crazy Horse, mas a atmosfera das canções de Harvest transportam para um ambiente absurdamente agradável, o nirvana hillbilly.

  • Giusti, valdair diz: 14 de fevereiro de 2012

    tenho varios lps de N.Y. e embora algumas musicas polemicas, elas nos levam no tempo e nos dizem coisas com nexo.
    pena que atualmente, temos que ouvir meio que sem querer coisas como : ai se te pego, eguinha pocotó , na boquinha da garrafa e …p.q.p, saudades de Raul, Z.Ramalho, Geraldo V., Mutantes e tantos outros

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