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Entre o céu e o chão: efeito entorpecente no Rosário

25 de março de 2012 2

Se o céu é o limite, do chão também não passou e o sagrado e o profano se cumprimentaram à distância de uma esquina. A segunda noite de Maratona Cultural, sábado, descia, marcando o ponto de ebulição no Centro da Cidade: o cortejo obsequioso da Procissão de Nossos Senhor dos Passos às voltas na Catedral Metropolitana e a Escadaria do Rosário tomada de um efeito entorpecente e sonoro aplicado pelo projeto Benzina de Edgard Scandurra. A decantação inflamável do ex-Ira foi uma fração do que se viu no Rosário, instituído o ponto de refino da música contemporânea na programação da Maratona. Os Skrotes e seu rock fusion atingiram a sublimação do processo de experimentação que começou com o trompetista Manolo K desconstruindo a obviedade colocando o concretismo a serviço dos pedais e ruídos: “essa febre que levanta/ a maré das minhas veias/ e transborda na garganta/ a voz rouca e vermelha“. Precisa desenhar para entender?
Scandurra abriu a sua entoada com a feroz Do Chão Não Passa. Bem que o público tentou, mas não foi desta vez.

Edgar Scandurra entra em estúdio nesta semana para gravar um novo trabalho. Deixou a cidade impressionado com a participação do público na Escadaria do Rosário. Quer voltar de preferência, pelo menos, a cada estação. Leva com ele uma impressão já corrente por aqui: de que a Escadaria é arquitetônica e estrategicamente um espaço privilegiado para ações culturais. Há muito merece se tornar um palco permanente para intervenções  ambicionado por muitos artistas. Que tal uma campanha Occupy Rosário? Muito mais simples que uma faraônica restauração de ponte.

E a volta do Mottorama: Jean e Alê estavam um tanto apreensivos e até acusaram o golpe no início da performance, reclamando em certo momento de problemas já na passagem de som _ para não perderem a prática. O show ocilou bastante denotando um desentrosamento natural dado a ausência da dupla dos palcos. Mas a liga e o punch seguem pairando o Mottorama. As chances de recuperar a boa forma nos shows pelo menos se revelam mais promissoras do que a física.

Comentários (2)

  • Ale diz: 27 de março de 2012

    e pra não perder a prática, marquinhos escrevendo bobagem. Não sei de onde vêm toda essa dor de cotovelo, mas só para constar, não reclamamos de nada, houve um problema no nosso equipamento e o que falamos foi só disso, nada a ver com o evento. E que propriedade é essa pra falar de boa forma, hein?

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