Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

A arte que persevera

29 de maio de 2012 0





Foto Vinil Filmes, Divulgação






O DC publica amanhã uma reportagem sobre os 20 anos do palhaço Biribinha. Aproveitei a oportunidade e redigi um grifo sobre o documentário É Bucha, de Renato Turnes e Glaucia Grígolo, sobre os 40 anos da companhia de circo teatro mais atuante no Estado.


A família Passos é a fiel depositária da tradição do circo teatro em Santa Catarina. Seu caráter hereditário ajuda a entender a longevidade da companhia, a mais antiga – se não a única nestes moldes – em atuação pelo Estado. Adriano Passos, 38 anos, o Biribinha, detém com os irmãos e os filhos o legado que persevera há quatro décadas e que ajudou a educar pelo menos quatro gerações de catarinenses que tiveram seu primeiro (em muitos casos o único) contato com o teatro pela trupe mambembe.
Eu fui um destes que se divertiu e se comoveu, na infância, com as peraltices e os melodramas do pioneiro Palhaço Biriba. A última vez deve fazer mais de duas décadas. Eu julgava que seria a definitiva, porque o circo havia acabado. Até avistar a tenda armada com seus luminosos incandescentes em um cidade do Vale do Itajaí . O Circo Biriba sempre esteve por aí e continuará, como nos deixa claro o documentário É Bucha, dirigido por Renato Turnes e Glaucia Grígolo, com produção da Vinil Filmes, que esmiúça o baú histórico da célebre companhia. Desde 2006 a dupla acompanha e investiga a companhia. Em 2009, os diretores assumiram a tutela do acervo audiovisual, documental e de imagens dos Biribas. Um relicário de inestimável valor cultural. Ali estão textos originais criados ou comprados pelo fundador Geraldo Passos, o pioneiro Biriba. Os melodramas caíram de uso por seus descendentes. Os tempos são outros, e as plateias pedem por comédia. Turnes e Gláucia mergulharam no acervo e lá encontraram pérolas que remetem aos tempos das novelas dos rádios. Textos trocados ou comprados de outros teatros circos, um inclusive de uma companhia Portuguesa.
É Bucha não é a história triste do palhaço desolado pela falta de perspectiva ou pela perda da própria graça com o mundo. É uma fábula real sobre a redenção da arte no seu estado mais perseverante, que se alimenta na esperança das novas gerações dos Passos. A era digital só provou o quanto ainda há o que ser percorrido. A tecnologia ajudou a encurtar a distância entre os Biribas e suas plateias. Em algum lugar, Biribinha e sua prole haverá de estar contando alguma piada, perpetuando jargões e maneirismos.
Há dois meses, durante o lançamento de É Bucha, na Maratona Cultural de Florianópolis, perguntei a Adriano o que é ser palhaço. “Não há explicação racional”, justificou.
- É tu estares numa sexta à noite em Balneário Camboriú se apresentando no teatro e logo depois contando piada numa casa de swing. Chega ao sábado e você está na Capital em um evento com a presença do governador. Aí fecha o domingo em um festa religiosa em Benedito Novo. É você viver mundos diferentes e ser aplaudido.

A família Passos é a fiel depositária da tradição do circo teatro em Santa Catarina. Seu caráter hereditário ajuda a entender a longevidade da companhia, a mais antiga – se não a única nestes moldes – em atuação pelo Estado. Adriano Passos, 38 anos, o Biribinha, detém com os irmãos e os filhos o legado que persevera há quatro décadas e que ajudou a educar pelo menos quatro gerações de catarinenses que tiveram seu primeiro (em muitos casos o único) contato com o teatro pela trupe mambembe. Eu fui um destes que se divertiu e se comoveu, na infância, com as peraltices e os melodramas do pioneiro Palhaço Biriba. A última vez deve fazer mais de duas décadas. Eu julgava que seria a definitiva, porque o circo havia acabado. Até avistar a tenda armada com seus os luminosos incandescentes em um cidade do Vale do Itajaí . O Circo Biriba sempre esteve por aí e continuará, como nos deixa claro o documentário É Bucha, dirigido por Renato Turnes e Glaucia Grígolo, com produção da Vinil Filmes, que esmiúça o baú histórico da célebre companhia. Desde 2006 a dupla acompanha e investiga a companhia. Em 2009, os diretores assumiu a tutela do acervo audiovisual, documental e de imagens dos Biribas. Um relicário de inestimável valor cultural. Ali estão textos originais criados ou comprados pelo fundador Geraldo Passos, o pioneiro Biriba. Os melodramas caíram de uso por seus descendentes. Os tempos são outros, e as plateias pedem por comédia. Turnes e Gláucia mergulharam no acervo e lá encontraram pérolas que remetem aos tempos das novelas dos rádios. Textos trocados ou comprados de outros teatros circos, um inclusive de uma companhia Portuguesa.É Bucha não é a história triste do palhaço desolado pela falta de perspectiva ou pela perda da própria graça com o mundo. É uma fábula real sobre a redenção da arte no seu estado mais perseverante, que se alimenta na esperança das novas gerações dos Passos. A era digital só provou o quanto ainda há o que ser percorrido. A tecnologia ajudou a encurtar a distância entre os Biribas e suas plateias. Em algum lugar, Biribinha e sua prole haverá de estar contando alguma piada, perpetuando jargões e maneirismos. Há dois meses, durante o lançamento de É Bucha, na Maratona Cultural de Florianópolis, perguntei a Adriano o que é ser palhaço. “Não há explicação racional”, justificou.- É tu estares numa sexta à noite em Balneário Camboriú se apresentando no teatro e logo depois contando piada numa casa de swing. Chega ao sábado e você está na Capital em um evento com a presença do governador. Aí fecha o domingo em um festa religiosa em Benedito Novo. É você viver mundos diferentes e ser aplaudido.



Envie seu Comentário