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The Congos e Max Romeo passam por Florianópolis

06 de junho de 2012 0

Soube apenas hoje, mas vale o registro: Max Romeo e os Congos, duas atrações lendárias do reggae, tocam logo mais em Florianópolis. Momento histórico. Quanto ao Congos, deixo para vocês uma seção Obra-prima, publicada no Diário Catarinense em 25 de fevereiro de 2009. O disco em foco é o transcendental The Heart of the Congos :

“O figuraça Lee “Scratch” Perry é o grande produtor da história do reggae. Mas consistência nunca foi a sua praia. Intercalava momentos sublimes com verdadeiros desastres sonoros. Quase um cientista da música, tinha o estúdio como laboratório. Heart of the Congos não é um disco exatamente dele, mas tornou-se seu grande legado em forma de LP.

O excêntrico produtor (para não dizer maluco), se não criou, ao menos radicalizou o mais espetacular subestilo do reggae, o dub, de influência estrondosa em todo o som eletrônico que viria a ser feito desde o final dos anos 1970. Instrumentos eram “tratados”, colocados em frequências e velocidades diferentes, um som encharcado de ecos, filtros e efeitos. O dub está presente em Heart of the Congos, mas não é um fim em si mesmo. Serve para tornar a música do grupo mais complexa e, por incrível que pareça, acentua a espiritualidade das composições do álbum.

Os Congos inicialmente surgiram com um duo vocal, o tenor Roy “Ashanti” Johnson e o doce falsete de Cedric Myton. Gravaram o single At the Feast para o visionário produtor. Foi Perry quem convocou o barítono Watty Burnett, formando o trio que brilha em Heart of the Congos. O álbum, gravado no estúdio Black Ark – uma espécie de QG de Lee – é um dos momentos máximos do som jamaicano.

Entre os backing vocals do trabalho, presenças ilustres de Gregory Isaacs, The Meditations, além de Barry LLewellyn e Earl Morgan dos Heptones. Mas os astros, claro, são os arranjos de Perry e as vozes de Myton e Ashanti.

Em Fisherman, a busca pela transcendência é exemplarmente incorporada pela performance vocal do Congos. Open Up the Gate é um reggae de raiz, na letra e na melodia, mas com o eco e a “chamada e resposta” dos vocalistas, adquire um tom definitivamente religioso. Em Children Crying, se aproximam bastante de Bob Marley – mas Marley jamais haveria de dar espaço para os experimentos de Perry que inundam a canção.

Os Congos continuam em atividade, queridos pelos fãs mais radicais do reggae e excursionando pelo mundo com seus preciosos timbres. Perry, morando na Suíça, está trabalhando com o figuraça Andrew WK em um novo material. De certa forma, porém, tanto o grupo como o produtor continuam assombrados pela força e excelência de Heart of the Congos, um dos grandes momentos da música não apenas da Jamaica, como de todo o Terceiro Mundo. (R.M.)

Heart of the Congos – The Congos. 10 faixas, 1977″


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