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Jon Lord e Taliesyn (R.I.P.)

16 de julho de 2012 0

A notícia da morte do músico inglês Jon Lord, um dos fundadores da banda Deep Purple, caiu nas redes sociais junto com uma torrente de lamentações. Dentre elas, uma em especial traduziu o sentimento reinante de perda: “o órgão Hammond nunca mais será o mesmo” (Dorva Rezende). Lord teve a moral de tornar o órgão um instrumento tão emblemático quanto são as guitarras e suas grifes (Les Paul, Fender…). Tomando emprestada a tradução do seu sobrenome, Jon foi um senhor dos teclados, um genial arranjador, que brilhou do rock à música erudita. Há anos em tratamento contra um câncer no pâncreas, Lord morreu ontem, aos 71 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar em uma clínica de Londres.
Lord foi um virtuose que transcendeu o hard rock que ajudou a fundar no final dos anos 1960 e lançou as bases também para o que viria a se configurar com força nos anos seguintes com o rock progressiva. Na sua extensa lista de serviços prestados está a criação do Deep Purple, junto com Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). Integrou o grupo de 1968 a 1976, com o qual gravou verdadeiros clássicos do gênero, como Shades of the Deep Purple, Deep Purple, In Rock, Fireball, o antológico Machine Head e Burn. Músicas como Smoke on the Water, Chasing Shadows, Highway Star e Child in Time _ esta uma seminal mistura de música erudita com rock pesado _ tornaram-se hinos até hoje evocados em qualquer show da banda. Lord ficou um período afastado do grupo, retornou em 1984 até sair definitivamente em 2002.
Requisitado como produtor e músico, seguiu ativo, fez parte da banda Whitesnake junto com o ex-companheiro de Purple, o cantor David Coverdale, mas trabalhou como afinco com a música clássica. Em 1969, levou o Deep Purple a se apresentar com a Orquestra Filarmônica Real inglesa no lendário concerto chamado For Group and Orchestra, na qual deixou a plateia perplexa ao executar Child in Time. Este mesmo espetáculo ele apresentou em São Paulo em 2009, durante a Virada Cultural. Em seu trabalho solo e orquestral, Lord lançou 19 álbuns. Mas morre como viveu: sendo uma lenda do rock.
Curiosamente, no mesmo momento em que eu escrevia este obituário, recebia a ligação do Domingos Longo informando que a Justiça estava lacrando o imóvel onde operava o Taliesyn Rock Bar. O nome do saudoso boteco, por indução, vem do álbum The Book of Taliesyn, o segundo do Purple e composto por Lord.


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