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Cinco anos frequentando o Taliesyn e só há apenas dois meses que eu troquei algumas palavras e cordiais cumprimentos com o Johnny Hell, um dos proprietários. Sujeito peculiar, boa gente, nada afeito a arroubos, pelo contrário, está sempre sossegado no seu canto, empunhando o canecão, inclusive quando está cochilando no balcão. O "Talys" é a sua imagem e semelhança: o recanto do roqueiro. Nunca vi o Johnny reclamar de nada, por isso fiquei surpreso quando eu soube que o bar está prestes a fechar as portas. A única trincheira tolerante ao rock na cidade sucumbe às intempéries financeiras. Falta dinheiro para honrar os alugueis e até as contas de luz. O nosso GBGB agora conta com a solidariedade daqueles a quem ele nunca faltou, seja para unir laços matrimoniais, musicais, entorpecer os ouvidos, afogar as mágoas e a abstinência sexual nas doses de "viagra" em conserva. Sem contar as sessões de terapia em grupo gratuitas sob as marquises da Rua Fernando Machado.
Um grupo de frequentadores e apoiadores já se mobilizou e organizou um festival: o S.O.S. Taliesyn. Ao longo do mês, bandas da cidade abrirão mão de cachês e custos para tocar no espaço, em noites cujas rendas serão destinadas integralmente para estabilizar as finanças do bar e assim garantir a sua continuidade. A largada será sexta-feira com as bandas Efeito Lavanda, Motel Overdose, Golden Jivers e Apicultores Clandestinos. Não esperamos menos que a lotação. Músico e idealizador da Matinê do Rock _ projeto que nasceu e venceu no Taliesyn_ convocou a malta e está aceitando adesões pelo seu Facebook e pelo e-mail: domingoslongo@gmail. A intimação não se restringe só as bandas: produtores, artistas de teatro, cineastas e todo o microcosmo cultural da cidade estão em crédito com o Talys.
A iniciativa é louvável, mas eu incluiria como "bônus" uma consultoria do Sebrae.