Além dos cinco discos lembrados na matéria do DC sobre 1972, há mais alguns clássicos emepebistas quarentões que merecem ser ouvidos:
Ben, de Jorge Ben
Deslumbre acústico de Ben (hoje Ben Jor) que serviu de ensaio para o monumental A Tábua de Esmeraldas (1974), traz Fio Maravilha, Domingo 23 e Taj Mahal.
Tim Maia, Tim Maia
O mago do soul-funk brasileiro mantém a pegada dos dois primeiros discos nesse terceiro, que tem Canário do Reino e These Are the Songs.
Jards Macalé, Jards Macalé
Acompanhado de Lanny Gordin (violão e baixo) e Tuti Moreno (bateria), Jards faz um disco original e ousado, com Mal Secreto e Farinha do Desprezo.
Para Iluminar a Cidade, Jorge Mautner
Estreia de outro artista único. Traz Quero Ser Locomotiva e From Faraway, uma parceria com Caetano Veloso em homenagem a Billie Holliday.
Mestre João Donato estará na Barra da Logoa para abrir a Semana do Meio Ambiente do projeto Tamar, no dia 2 de junho. Não se trata apenas de um grande músico, expoente da Bossa Nova. Donato personifica um gênero próprio, uma grife. Ele avançou no processo de construção de um novo conceito musical ao fundir a levada nativa com o funk, o jazz experimental e a psicodelia já no final da década de 1960. Seu repertório é vasto, afinal são seis décadas produzindo incansavelmente, mas eu já me daria por realizado se ele executasse na íntegra A Bad Donato, assombroso álbum de 1970. Fica a dica, professor!
Terça nobre no Festival de Música de Itajaí. Trio Azymuth e o violonista Hélio Delmiro se apresentam hoje à noite no Teatro Municipal. Com muita sorte ainda é possível encontrar ingressos. Mas vale a ida até o porto sonoro!
Já que o belo álbum Segunda Pele é o que de melhor surgiu no campo emepebista nesses dois meses e meio de 2012, vale muito prestar atenção na artista por trás do trabalho, Roberta Sá, que logo mais se apresenta no Teatro Governador Pedro Ivo:
Porque morrer não é falir. Trinta anos sem Elis e na esteira da sabática data que marca a partida da Pimentinha uma série de homenagens, tributos e relançamentos rememoram o legado da cantora. A Warner retirou do baú o registro de duas apresentações da saudosa Elis no festival de Montreux, em 1979, sendo uma delas na companhia de Hermeto Pascoal. O CD chama-se Um Dia e será lançado semana que vem. Mas podem contar com o YouTube!
Cassim (a.k.a. Cassiano Fagundes) perambulou pelo Peru, escalou vulcões e mergulhou nas veias abertas. De volta ao mundinho real de Floripa, retomou as lidas quase que hiperativo com seu projetos sonoros. A começar pela lendária Bad Folks (que não tardará a voltar aos palcos da Capital), o disco novo do Cassim & Barbária e a estreia de Cassberts _ a investida MPB (Música Popular Britânica) com os "Mar de Quirino" Rob "Demolidor" e Gerson e Eduardo XuXu(recomendo conferir o show deles desta sexta no Café dos Araçás, na Lagoa).
Mas a fritação ele reservou para a parceria com a estilista curitibana Lisa Simpson. Chama-se Catastrofismo - Costura Musical, que pintará na Ilha no segundo semestre. Deixo o próprio Cassim explicar: "Serão duas modelos de Curitiba e mais três que serão recrutadas aqui. O espetáculo funciona assim: eu toco minhas músicas solo e a Lisa faz interferências sonoras com sua máquina de costura enquanto costura a roupa das modelos no palco e no corpo delas!". Não entendeu? Então assista ao vídeo abaixo.
Obrigatório dar aqui o nosso parabéns ao maior ídolo do rock e da música popular brasileira, o Rei Roberto Carlos, que completa neste dia 19 de abril 70 anos de vida.
Os últimos dias não tem sido fáceis para o Rei, que acaba de perder a filha Ana Paula Rossi Braga. Por motivo óbvio, o show em que comemoraria suas sete décadas foi cancelado. Ainda assim, não dá para deixar passar em branco a data. Roberto é importante não apenas para a música brasileira - suas músicas fazem parte da história de tanta gente Brasil afora que não é possível separá-lo da história contemporânea do Brasil. Dúvida? Então dá uma olhada aí embaixo:
Todo mundo já ouviu Taj Mahal, Fio Maravilha, País Tropical, Chove Chuva, etc. Mas Jorge Ben Jor tem dezenas de maravilhas espalhas pelo seus discos. Aqui tem umas que, sozinhas, já seriam suficientes para comprovar a genialidade do grande Jorge, que toca amanhã no P12, em show do projeto Floripa Tem. Algumas sugestões abaixo:
Apareceu Aparecida
Gravada com o Trio Mocotó no lendário álbum Força Bruta (1970). Moda de viola sertaneja, samba e xote! A alegria do cara que tem sua amada de volta é como que genuína : "Apareceu aparecida / Aconteceu o que eu mais queria / Aparecida apareceu / Ei, cumpade!"
Jurubeba
Discaço gravado em um delicioso tom informal, Gil e Jorge (1975) é a melhor parceira entre dois artistas solo da MPB, e dificilmente terá alguma rivalidade a enfrentar nessa condição. É meio como lisergia com violão e caldinho de feijão. O maravilhoso baião-samba- rock Jurubeba (a música é de Gil), pede para ser bebido. E quem sou eu pra recusar?
Assim Falou Santo Tomas de Aquino
É um dos momentos mais belos da fase mística de Jorge. O ensinamento do santo é embalado por um clima sereno, mais contido, com teclados etéreos num samba existencial. No final, soa como se o Joy Division resolvesse tocar samba rock em Closer.
Dorothy
Assim como a anterior, é do fantástico Solta o Pavão (1975). A letra é daquelas tipo "conversa mole de apaixonado", nas quais Ben Jor é mestre. Mas o arranjo é de arrepiar, um samba-jazz-rock com flautas de arrepiar.
Hermes Trisgemisto Escreveu
Isso aqui é covardia, coisa que ninguém consegue e conseguirá fazer: misturar Miles Davis, James Brown e samba rock. Azar de Miles e do Brown, que não tinham Pedrinho na bateria.
Sou da Pesada
Essa é do LP mais esquecido de Ben, O Bidú - Silêncio no Brooklin, sempre lembrado como o disco "paulista" e "Jovem Guarda dele". Ele apenas marca o ritmo com o violão e com um percussaozinha, cheio de ameaça, numa daquelas letras conversa mole: "quem falou de mim na madrugada?"
Por Causa de Você, Menina
O disco de estreia do cara, Samba Esquema Novo, é inacreditavelmente sofisticado até hoje, e foi lançado em 1963! A banda de apoio são os Copa 5 de Meirelles, por isso não dá pra estranhar a beleza desse lamento jazz-samba. Tem a famosa letra em que "Você" vira "Voxê" na voz de Jorge.
Zumbi
Mounumental, é a melhor música sobre a escravidão no Brasil. Letra traz é emocionante, e o arranjo é quase um "country rock afro", com maravilhosas intervenções de cordas.
O Plebeu
Aqui a cuíca ronca pra valer, enquanto o mestre se diverte com guitarras funk e a letra que não passa de um lero-lero entre o plebeu e uma princesa: "o último será o primeiro, e o último sou eu". Do álbum definitivo do samba rock, África Brasil (1976).
Domingo 23
A letra dessa é muito citada pelo próprio Jorge, mas a música em si é pouco lembrada. Tem clima de um cortejo místico, levada apenas por baixo, violão e percussão. Os versos são perfeitos: "Com sua sabedoria e coragem / Mostrou que, com uma rosa e o cantar de um passarinho / Nunca neste mundo se está sozinho".