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O primeiro passo é sempre o mais longo

12 de julho de 2011 4

Previsão de chuva em Floripa… Até janeiro, isso era tudo o que eu precisava pra “abortar” minha sessão de corrida. Sério! Não é porque amo me exercitar que não sofro com as infinitas intempéries físicas e emocionais… Então, tenham certeza: compreendo cada leitor e amigo que escreveu desabafando sua dificuldade em quebrar a inércia. Na verdade, até acho que comigo foi pior… Não cheguei nem no portão…

Era janeiro de 2011. Recém-voltada do inverno nos Estados Unidos, me deparei com todo o vigor do Verão brasileiro a meu favor. Então calibrei a coragem, disposta a voltar a ser aquela ANA, ANAlgésico, ANAdor, que encontrava na corrida um bálsamo pros males do corpo e da mente. Eu tinha acabado de sair dos 40 (sabendo que os 41 são só o start pros 40 e muitos) e me neguei a assistir, passivamente, aos efeitos da gravidade se agravarem.

Decidida, calcei os tênis de corrida, vesti a cinta com garrafinhas d´água, liguei o GPS de pulso, recarreguei o MP3, escolhi o boné com ventilação, enfim, preparei um arsenal daqueles pra estrear com glória na pista do parque. E adivinhem o quanto corri… Nada! Vergonhosamente, nada. Caía uma chuva fininha, insistentemente, e fiquei com medo que estragasse os acessórios 0 km. Então fui só até o portão. E dali, voltei pra casa.

Dois dias depois, a saga se repete. Disposta a caminhar, dispensei a “indumentária”. Saí de roupa e tênis, sem tecnologia a tiracolo… Mas quer saber? Voltei de novo. Aquela chuvinha entrando nos meus olhos, incessantemente, começou a me irritar. Abri a porta, contei pro meu marido, e bastou um olhar pra contabilizar a reprovação. Que fracasso, francamente. E ele tem razão. Se render a esses pingos foi a gota d´água. A confissão pública de que perdi a persistência. Não sei onde, mas perdi! São Longuinho, por favor, me ajude a encontrá-la…

Passou mais um dia, inteiro, e eu só no computador. Até que meu marido anunciou: “vou correr”. E eu, correndo, respondi: “eu vou antes”. Num ímpeto, troquei de roupa e saí chuva afora. Caminhei, o quanto pude, e voltei pingando uma hora depois. Sujei os pés. Lavei a alma. Pisei na inércia (com força, pra não deixar vestígio!). Deixei aquela água toda, que o céu oferecia em abundância, desinfetar a minha vida. Pude sentir o marasmo, a preguiça e o ócio escorrendo até o chão. Bebi daquele bálsamo. E jurei, sem ressalvas, que voltaria no dia seguinte.

E voltei, e de novo, e outra vez… e assim é há meio ano. E você?

MP3 BY ANA LAVRATTI

They say all’s fair
In love and war
But I won’t need to fight it
We’ll get it right and we’ll be united

And I know that we can be so amazing
And being in your life is gonna change me
And now I can see every single possibility

- I just haven´t met you yet – na voz de Michael Bublé

O hotel onde nos hospedamos em Miami tinha o pé na areia. Quando acordei com este cenário e ainda assim não fui correr, vi que alguma coisa estava errada

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Comentários (4)

  • Rodrigo Hammer diz: 12 de julho de 2011

    Precisava de um texto-relato como esse para voltar a correr. Na verdade, comecei ontem na academia e corri meus 20 minutos…mas gosto de corrida ao ar livre, seja em Porto Alegre, seja na praia. Hoje, correrei novamente…e ao ar livre. Sucesso !

  • Vanius Ricardo Santos diz: 12 de julho de 2011

    Ana, muito inspiradoras suas palavras. Estou precisando realmente dar o primeiro passo, confesso que me achava mais determinado.

    No em março criei uma planilha para acompanhar minha perda de peso em conjunto com minhas atividades físicas, emagreci 3Kg e iniciei alguns trotes (só caminhava até então). Só que tive uma problema no joelho e depois veio o inverno e aqui em SC nunca peguei um inverno tão frio e chuvoso…

    Mas agora, após ler o seu texto, me perdoei… Junto com o perdão veio a vontade de me derrotar, sim minha mente precisa derrotar o meu corpo e só assim serei vencedor. Sua experiência será grande aliada para meu sucesso e um estímulo para iniciar e nunca mais parar.

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