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Com a sola gasta: do duplo expediente à meia maratona

04 de outubro de 2011 0

O Roger Bittencourt é daqueles jornalistas que, apesar de não estar no vídeo, não apresentar nenhum telejornal ou conduzir “talk-show”, ganhou fama em Santa Catarina. Por sua competência, toda a imprensa sabe quem é o Roger. Eu, particularmente, o conheço há exatos 20 anos. Naquela época, em 1991, a RBS selecionou apenas 20 jornalistas de SC pra participarem de uma especialização chamada Curso de Jornalismo Aplicado, com a maioria dos professores vindos do exterior. Nós dois fomos colegas e meio ano depois, com mais um diploma engordando o currículo, voltamos ao mercado de trabalho.
Aí adivinhem… Com a chance de assumir o telejornalismo da RBS TV e a editoria de Geral do Diário Catarinense, o Roger optou por nada menos que… os dois cargos ultra-hiper exigentes! Passadas duas décadas, o Roger virou empresário, pai de família e vice-presidente da Casa do Jornalista, e duvido que sua rotina seja menos apurada do que era naquele tempo… A diferença é que agora ele inclui a prática de exercícios na agenda, a ponto de ter participado, este ano, da Maratona de Punta Del Este, no Uruguai. Olhem que fantástico o relato que ele mandou pro blog…

“Você conhece Punta? Sim, então é um privilegiado de já ter visitado um dos mais badalados balneários do sul do mundo. Praia, agito, excelentes restaurantes, lojas de grife, doce de leite, bons vinhos e a hospitalidade do povo do Uruguai. Não conhece? Então vá correndo. Literalmente correndo, pois Punta Del Este oferece uma das melhores provas de média e longa distância: 21 e 42 kms à beira-mar, num circuito praticamente plano e com temperatura amena. Ingredientes perfeitos para uma boa prova. O vento intrometido, mas sempre presente na época, é um componente que atrapalha quem quer fazer um tempo melhor, mas agrega um grau de dificuldade aceitável.

A Maratona de Punta Del Este acontece sempre no domingo do feriado de 7 de setembro, o que facilita a participação de atletas de todo Brasil. A prova, promovida pela Agrupación de Atletas Del Ururguay e Suca Sports, começou tímida, largando em Maldonado, mas chegou à quarta edição prestigiada, tendo como ponto de referência o suntuoso Conrad Hotel e Cassino e como patrocinadora a New Balance. E os organizadores fazem de tudo para que os atletas, sejam nativos, do Brasil, Chile, Argentina, Colômbia ou Venezuela, se sintam bem e possam fazer uma boa corrida. Para estimular a participação, existe o percurso de 10 Km e a maratoninha para crianças, com 2 Km.

O kit é retirado no Conrad. Simples, mas a camiseta é um belo “recuerdo”. No mais, organização muito boa, cabendo apenas a sugestão para ampliar os pontos de hidratação. A maior dificuldade mesmo é o fato de a cidade oferecer maravilhosas oportunidades enogastronômicas. Antes da largada, é preciso se controlar, mas depois… é curtir os assados de tira, entrecotes, mariscos e vinho de uva tannat.

Brasileiros, uruguaios e argentinos são a maioria e os nossos conterrâneos têm se dado bem. Esse ano deu Brasil na cabeça na maratona. No masculino, Macos Alexandre Elias (2h28min13seg), e no feminino Maria Bernadete Cabral (2h47min13seg) ambos da Acrimet, de São Paulo. Já na meia maratona, os uruguaios venceram: Santiago Casco (1h11min41seg) e Marisol Redón (1h30min22) chegaram na frente.

A largada e a chegada são na parada 1 de “La Mansa”. Para quem não sabe, Punta é dividida em Praia Mansa, com águas calmas; Praia Brava, com ondas; Península, região central; e La Barra, na verdade já Maldonado. E o percurso permite visualizar algumas dessas belezas. Após a largada, com prioridade para os maratonistas, os atletas contornam toda a Península, que é o coração do balneário, e seguem para “La Brava”. Ao lado, o estuário do rio da Prata e o mar. Na Brava, os maratonistas seguem no sentido de Maldonado e quem optou pelos 21 km retorna e pega o vento de frente por, pelo menos, 6 quilômetros.

Fiz em Punta a minha melhor meia maratona até agora. Não são muitas, é verdade: duas em Florianópolis e a Meia Maratona do Rio de Janeiro, que havia corrido apenas 20 dias antes. Estava muito frio na hora que vesti o uniforme do Clube de Corrida Formacco. Larguei às 8:15 e me senti bem para apertar o passo. A cada quilômetro ia procurando manter o ritmo, sempre abaixo dos 4’25”. Na altura do quilômetro 10, ultrapassei o pacer de 1 hora e 30. Como eu tinha planejado a prova para 1 hora e 40, estranhei, mas segui em frente pensando que ele me alcançaria no final, o que não aconteceu – deve ter quebrado.

Consegui manter o ritmo até o Km 14, quando viramos para a volta. Nessa hora, dei de cara com um forte oponente – o vento, que castigou todos os corredores. O pace subiu muito por 4 quilômetros. O vento era tanto que revezei com dois atletas da Sogipa, de Porto Alegre, no trabalho de proteção contra o inimigo comum. No Km 18 criei coragem para vencer o vento e melhorei de novo, mas já na casa dos 4’35”. No último quilômetro, em direção à Praia Mansa, já sem vento no peito, a coisa melhorou e fechei em 4’17”, sendo os últimos 200 metros com o pace de 3”05”.

Faltava um bom sprint final para soltar a adrenalina. Resultado, 21 km e 200 metros em 1 hora e 34 minutos e 7 segundos, com pace médio de 4’27”. Muito melhor do que havia previsto e me sentindo super bem e pronto para mais 10 Km. O treinamento do professor Antonio Saccomori, do Clube de Corrida Formacco, e as orientações da nutricionista Janaína Porto Alegre me ajudaram muito nessa conquista. No ano que vem, pretendo correr a maratona.

Para completar a alegria de correr em Punta pela segunda vez (na primeira, fiquei na prova curta), tive a companhia de amigos correndo junto os 10 Km e na torcida pela minha chegada. Estavam lá o Pita Bittencourt, da VidativaFloripa, e de Porto Alegre, da equipe Run4Life, meu irmão, Alexandre Bitencourt, e minha cunhada Ellen, que foi quem me estimulou a entrar para o mundo das corridas. Todos mandaram bem nos 10 Km. Mas gostoso mesmo foi ver a Sofia na reta final, junto com a mamãe, Karin Verzbickas. Me deu força para o Sprint que faltava. É para elas que eu entrego a medalha e a Sofia, com 1 ano e 9 meses, faz a festa. Por isso tenho que continuar correndo. E Punta estará no calendário do ano que vem”. POR ROGER BITTENCOURT.

Roger Bittencourt partindo pro abraço. Ele merece!!

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