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Com a sola gasta: de Norte a Sul, de Leste a Oeste

05 de outubro de 2011 0

No dia em que o blog completa 3 meses no ar, 65 textos postados e mais de 100 comentários recebidos, nosso personagem só poderia mesmo ser este guru da corrida: o professor Carlos Duarte, presidente da Eco Floripa Eventos Esportivos que acaba de retornar de um “giro” triunfal por Santa Catarina. Na verdade, foram 120 dias dedicados a percorrer (correndo ou pedalando!) os 293 municípios catarinenses, e isso às vésperas dos 60 anos de idade.

Ao longo de toda a jornada, o prof. Duarte contou com o apoio da esposa Maria de Fátima, que o acompanhou com um carro e trailer nesta prova inédita de fôlego e bravura denominada UNA Santa Catarina. “A presença dela foi fundamental, pois além de dar suporte, carinho, apoio moral, cuidar da minha saúde e segurança, essa pessoa ainda teria que me “agüentar” o todo o tempo, independente de estar sorrindo e bem ou de cara feia e cansado”, confessa.

Com a torcida garantida, era hora de se preparar para a aventura, que teve até mesmo cobertura do canal SporTV na estreia estrada afora. O treinamento começou há cinco meses, com trechos de 10 a 12 quilômetros por dia, adicionados de 20 a 30 quilômetros de pedalada três dias por semana. A falta de patrocínio não permitiu com que se dedicasse, de forma exclusiva, ao preparo técnico e mental necessários para correr 1.273km e pedalar 4.368km em quatro meses… mas quando se trata de um campeão em superação, toda intempérie vira impulso.

Dada a largada, não tardou para a prova mostrar a provação que seria. “O primeiro dia foi muito cansativo, pois corri 40km de Florianópolis até o Morro dos Cavalos, devido às condições péssimas da BR 101”, lembra o atleta que tem experiência de sobra em vencer 42km, afinal, já participou de 30 maratonas, incluindo as de Chicago e Nova York, onde só conseguir se inscrever já representa uma vitória. “Os trechos no Oeste e Meio Oeste também foram bem cansativos, com muitas subidas. Em alguns dias, cheguei a correr mais de 30km e pedalar mais de 40km”, conta.

Graduado em Educação Física, com mestrado em Ergonomia, o prof. Duarte é responsável por provas como o Revezamento Volta à Ilha, o Desafrio Urubici, o Desafio Praias e Trilhas e o Revezamento de São Francisco do Sul, entre várias outras aclamadas por público & crítica. Expertise em organização, portanto, ele tem de sobra. Ainda assim, não faltaram imprevistos dignos do Inverno a serem vencidos de Norte a Sul, Leste a Oeste de Santa Catarina.

“Quando me aproximei de Urubici, no mês de junho, estava escurecendo, fazia muito frio e havia uma descida longa, de sete a oito quilômetros. Mesmo com luva e touca, as mãos e os pés estavam quase congelando, então foi difícil completar o trecho”, lembra o prof. Duarte, que enfrentou desafio semelhante na chegada a Presidente Nereu. “Havia uma longa descida e eu não conseguia pedalar rápido, por causa das curvas e da chuva, então quando cheguei à cidade fui obrigado e entrar no carro de apoio, tirar toda a roupa e os tênis e ligar o aquecimento”, conta o atleta veterano que também enfrentou dias seguidos de chuva, entre Porto União e Mafra, e um vento cortante com temperatura beirando o negativo, próximo a Lages.

Com a merecida medalha no peito e uma chegada generosa em aplausos e abraços, é hora de selecionar as cenas, preciosas, a serem arquivadas pra sempre. “São muitas as lembranças de locais e pessoas. Sem sombra de dúvida, a chegada foi muito especial, mas a largada também foi emocionante e apreensiva, com muitas dúvidas, mesmo com todo o planejamento. Estar pedalando no Planalto Serrano, com uma vista muito bonita, passar correndo por estradas secundárias, pelos sítios de várias regiões, conhecer a região do Contestado, sobre a qual lemos muitas histórias, são momentos inesquecíveis”.

Também ficam, pra sempre, as lições dessa aventura, que o prof. Duarte compartilha com os leitores do blog: “Conseguimos realizar coisas muito complicadas e difíceis na vida, mas é preciso ter o pé no chão, planejar a longo prazo, ter perseverança e não desanimar com os obstáculos. Devemos ver as coisas boas da vida em vez de ficar se lamentando. Mesmo em um dia de chuva, podemos lembrar que com sol e calor o desgaste físico poderia ser maior”, ensina.

Para quem está pensando em quebrar a inércia, sob a inspiração desse vencedor na vida e no esporte, o prof. Duarte manda o recado: “Nunca é tarde para começar, mas quanto antes, melhor para cada um. No início, é importante procurar um profissional de Educação Física e fazer exercícios com moderação até conhecer melhor sua capacidade”, destaca, reforçando ainda que é preciso parar, quando perceber alguma lesão, e continuar, mesmo achando que a evolução nos resultados está muito lenta. Já nós, temos uma única mensagem para o professor: que não pare nunca de nos incentivar com seu exemplo e determinação.

Carlos Duarte e Maria de Fátima: casal campeão

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