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O feriado passou, mas o Dia das Crianças continua... todo dia

13 de outubro de 2011 0

Porque todo dia é dia de amar e proteger as sementinhas da próxima geração, quero compartilhar com vocês um texto publicado no Portal Acontecendo Aqui, quando a minha filhinha ficou de molho com uma virose daquelas… Na época, fiquei impressionada com a repercussão, com a quantidade de mães que se identificaram com meus sentimentos (ou seriam sofrimentos?). Agora, passado o Dia das Crianças, perdoado o excesso de balas e pirulitos, tudo o que eu quero é lembrar o quanto cabe a nós, todos os dias, contagiar nossos filhos com bons hábitos, pra que independente da profissão que elegerem, sejam também top models de Saúde e disposição.

Existe dor mais encravada do que a dor de um filho pequeno?
De todos os sintomas que já senti – e olha que se revezam causando menor ou maior devastação – juro, nunca nenhum doeu tão profundamente quanto assistir, impotente, ao desconforto da minha filhinha.

Por mais avançada que esteja a medicina, não há analgésico que prive uma mãe de sofrer junto, num pânico silencioso, ante a doença de um filho.

É como um passe de mágica ao revés. Ao menor sinal de lamento, tudo o que brilhava passa a ser nebuloso. O mais inadiável compromisso é sumariamente esquecido. O mais esperado programa é impiedosamente cancelado. E o mais fantástico sonho vinga longe de viagens a Bora Bora, jóias em pacotes de luxo ou promoções compulsórias no trabalho.

Tudo o que se quer, com uma criança fragilizada entre os braços, é que volte a vestir uniforme, lotar o carro com sua tagarelice, entrar curiosa na sala de aula, pedir “replay” na hora do lanche. O mais comum do dia-a-dia, assim, sem prelúdios, passa a ser a essência do mais ambicioso desejo.

E só um coração de mãe – ainda que instalado no peito de um pai – consegue entender a amplitude, absoluta, desse sentimento, dessa impaciência, dessa vontade que o dia voe, pra que a cura chegue mais rápido.

Com minha pequena, tudo não passou de um susto. Felizmente, sem seqüelas no corpo. Mas com vestígios na alma, da mãe, que ao contrário do umbigo nunca sofreu cisão. Ela voltou ao colégio. Eu voltei ao trabalho. Os solavancos no peito, ao contrário, não sucumbiram à rotina da retração.

Que milagre invisível e invencível é esse, operado no coração da mãe, pra que se desdobre mais do que a barriga saliente? Mais do que no ventre, que se reprime com o parto, é no peito a grande revolução da maternidade.

É ali, sem prenúncios, que se instala um orgulho sem precedentes… uma dependência inédita… um amor sem parâmetros… um medo sem sentido… capaz de proclamar justiça, enfim, a todos os sentidos humanos. Porque nem amplexo de amor eterno traz mais conforto do que o abraço de um filho… Nenhuma voz tem a mesma graça… Nenhum perfume, no clímax do seu requinte, se compara ao cheirinho, docemente suado, do cabelo de nossos frutos.

Nenhum sabor satisfaz tanto… Nenhum rosto sacia assim a nossa visão… Seja ele perfeito ou com uma garagem no meio do sorriso. Como a minha filhinha, que não me permite piscar. Porque uma fração sem vê-la é pecado sem remissão (porque teus cabelos, filha, são um extrato da luz do sol. Teus olhos, filha, são puro orvalho cor do mar. Tua pele, filha, é pétala. Teu amor, filha querida, é a seiva da minha vida).

Às mães que compartilham a mesma prontidão e a mesma alegria, aqui vão as confissões de quem aprendeu que quando se tem um filho todos os dias são dignos de comemoração.

Teu amor, filha, é a seiva da minha vida!

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