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Um tributo às lições vitalícias

19 de outubro de 2011 5

Havia um tempo em que não era preciso Copa do mundo pra gente torcer em uníssono…
Um amigo torcia pelo outro,
e todos torciam juntos…
pra festa chegar logo; terminar tarde;
e o mais inacreditável:
pras férias terminarem logo, pra gente se reencontrar.

Havia um tempo em que a ditadura do hábito não ameaçava a alegria da rotina…
Porque cada dia, tão igual na agenda,
era um dia digno de registro no diário…
porque todo dia era dia útil, de lucro,
dia de ganhar declarações-surpresas de amizade eterna,
fruto de vínculos sem rótulos,
acolhidas sem pré-requisitos.

Havia um tempo em que ninguém temia o novo,
nem tentar de novo,
muito menos ser novo, inovador.
Porque o diferente, o peculiar, tinha aura de potencial;
porque ser autêntico não era caricatura;
e “ser novo” era um uniforme confortável,
naquele tempo em que não se perdia tempo remoendo outros tempos…
no afã de se sentir maduro ou, obsessivamente, parecer mais novo.

Havia um tempo em que as coisas que mais importavam eram as de menor porte,
porque pra ser feliz bastava uma carona,
um violão e um encontro marcado…
Naquela época em que a gaveta tinha muito mais cartas do que extratos bancários,
em que o sentimento dos outros era prioridade,
em que a dependência não amordaçava a alma,
em que conselhos valiam mais do que consultoria.

Havia um tempo em que o sorriso surgia fácil,
e sem pressa,
sem ânsia de promessas,
porque sobrava confiança, transbordava esperança…
naquela época em que ninguém sabia o tamanho da família,
porque era impossível contabilizar tantos amigos…
naquele tempo em que ninguém perdia tempo se comparando com os outros,
mas com o melhor que viria a ser.

Havia um tempo em que “inviável” era só um incentivo extra,
um tempo em que “perecível” era mero adjetivo…
porque a dúvida sobre os resultados não intimidava nosso empenho,
porque o mérito do nosso trabalho não se traduzia em números,
porque ninguém fazia o bem preocupado em deixar vestígios,
porque não importava “quanto” teríamos em alguns anos,
mas “quem” teríamos pro resto da vida.

Havia um tempo em que o acostamento, mesmo o mais rústico,
era tão importante quanto a via asfaltada que nos liga ao destino.
Porque na estrada da vida, ter “acostamento” é ter um amigo de infância…
de quem a gente só lembra quando precisa de ajuda…
mas que ainda assim fica à espreita, esperando ser útil… nos salvar sem sugerir recompensas.
Porque na estrada da vida, encontrar um atalho é ter um professor de confiança…
que nos espia pela fresta larga da experiência,
que não nos deixa perder o fôlego nesta trajetória sempre ascendente,
que nos ensina a conciliar ambição & ética, eficiência & carisma,
conhecimento & reconhecimento… a subir na vida sem atropelar ninguém.

Esse tempo… foi o tempo do colégio,
um tempo que não volta,
mas que também não se perde no tempo,
porque a saudade sabe guardar, intactas, as melhores memórias.

E os amigos desse tempo,
esses estão sempre prontos pra voltar,
e extrair risadas da saudade até quando a memória falhar.
Por todo esse tempo juntos,
somos melhores hoje,
e seremos mais felizes, sempre…
porque, pra sempre, lembraremos deste tempo.

Essa poesia, escrita há uns 5 anos, tem um significado muito singular pra mim… Daqui a exatos 10 dias vou encarar uma caminhada de tirar o fôlego! Não pelo percurso, extensão ou altitude, mas pelos amigos genuínos que vou reencontrar. No próximo dia 29, o Colégio São José comemora seus 70 anos com uma passeata em Itajaí. Saí de lá há 28 anos, e desde então carrego toda aquela turma dentro do coração. Escrevi esse texto quando nos reunimos pela última vez… e por mais que o tempo passe, que eu troque de cidade, que o rosto mude e a rotina se transforme… nada, nunca, vai abalar minha condição de devota eterna aos amigos perpétuos que tenho o privilégio de acumular. Eu amo vocês!

As melhores Primaveras da nossa infância tinham o perfume dessa flor!

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Comentários (5)

  • Lolly diz: 19 de outubro de 2011

    Ana, só tu mesmo para descrever tão bem o que a gente sente! Só me senti muito velha com o “saí de lá há 28 anos”… Não pode ser tanto tempo assim (eu sei que é, mas não pode…)! Bj, amiga!

  • Daniela diz: 19 de outubro de 2011

    Maravilhoso !!!!! Parabéns!!!!

  • Prof. Carlinhos diz: 20 de outubro de 2011

    Oi Ana…
    Fico muito feliz de um dia ter participado da convivencia de uma pessoal com tamanha facilidade para descrever momentos raros de nossas vidas.
    Esta sua poesia é fantástica e a mostrei aos nossos professores aqui do nosso Colégio (sou diretor) e até me “mitidando” falei que foi escrita por uma ex-aluna minha.
    Parabéns prá vc, fico muito feliz pelo seu sucesso.
    No encontro do São José mande um beijão prá todos e um especial prá Cris Rebelo.
    Se o Ciro aparecer, diga que mandei um abraço e quando der apareço na Praia Brava.
    O site do endereço é do colégio no qual estou diretor.
    Beijão pra vc.
    Att.
    Prof. Carlinhos

  • Prof. Carlinhos diz: 20 de outubro de 2011

    Ana….
    O especial é pra Chris Cesário….
    Bom encontro pra vocês…..

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