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A vitória começa na decisão de vencer

17 de novembro de 2011 0

No auge da aeróbica no Brasil, eu era aluna de ballet. Daquelas gordinhas, sem futuro na profissão. Daí, pra aderir à nova onda, bastou um “grand jeté”. Troquei as sapatilhas pelos tênis; substituí a ditadura do “plié” por pulos em altos brados, e os ensaios, até então engessados, por performances eufóricas em praias, bares e campeonatos lotados.

A sinergia foi tanta que, em pouco tempo, eu comandava uma equipe de aeróbica, e participava de todas as coreografias, com 10, três e dois integrantes. Tínhamos bons patrocinadores, ganhamos dinheiro e troféus, e, como se não bastasse, ainda estudei o suficiente pra ser uma das primeiras profissionais brasileiras com credenciamento pela AFAA, a Associação Americana de Aeróbica e Fitness.

Aparentemente, eu tinha tudo. Mas na prática, faltava um par. Isso mesmo! Pra competir em dupla eu precisaria de um homem disposto a “dançar” comigo. Nas aulas que eu dava, só tinha alunas. A quantidade de homens, fazendo aeróbica, ainda daria pra contar nos dedos anos depois. Sem saída, cavei um atalho. Convidei pra equipe o professor de natação. A experiência dele, zerada, contrastava com seu interesse, infinito. A qualquer hora do dia lá estava ele, treinando, se esforçando. E, quem diria, dando autógrafos.

Desde então, Romero Ferreira passou a assinar “Romerito Campeão 90”. Claro que a gente ria. Imagina um calouro, suando pra ganhar algum ritmo e flexibilidade, já se auto-proclamando o campeão de 1990. Passados muitos anos, mais de 20, eu diria, tive notícias do amigo que um dia ousou trocar a piscina, no porão úmido da academia, pelo calor dos holofotes. Vivendo na Europa, circula pela ala VIP da indústria de fitness e comanda aulas – lotadas – em grandes convenções. Vai dizer que não é trajetória de campeão?

Daquele autógrafo, distribuído ainda nos anos 80, hoje tiro mais do que saudades. Tiro a mensagem que confirma o poder das palavras, a potência dos pensamentos. Romero Ferreira, meu partner na dupla de aeróbica Döll – Giovanna Nucci, projetou ambiciosamente a sua vitória. Fez de nós cúmplices em sua ilusão. E deixou, sem qualquer ementa disciplinar, legítima lição acadêmica: quando nos convencemos do sucesso, e aliamos ao suor à força da mente, ele sucede, simplesmente.

Romero e eu, nos anos 80

Romero hoje, na Europa

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