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um colunista que cai

14 de janeiro de 2011 2

“Não tenho medo de altura. Foi o que pensei, em uma espécie de mantra, ao aceitar saltar de paraquedas pela primeira vez. Será que ligo e aviso minha mãe? Melhor assim.

Dizem que o melhor de uma festa é esperar por ela. Não foi meu caso. Quanto mais São Pedro atrasava o salto, mais os colegas de trabalho riam, duvidavam. É difícil explicar para os outros que você sente calafrios até na sacada do terceiro andar.

Duas semanas e muita chuva depois, finalmente cheguei ao Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, acompanhado de quatro especialistas (e aficionados pelo esporte). Algumas poucas dicas e uma rápida encenação em terra do que viveríamos depois, embarcamos no avião. Bem pequenininho. Uns 25 minutos de subida. A cidade, que tão bem conheço por terra, se mostrava diferente. O rio Itajaí-Açu cortando os bairros, as inúmeras casas com piscina, o reconhecimento dos trajetos do dia a dia. Mas, claro, o salto em si não saía da minha cabeça.

Calmíssimo, pouco antes do grande momento, meu instrutor perguntou:

_ E aí, tudo bem? Tranquilo?

_ Claro _ respondi, com um certo sorriso amarelo. _ Não tenho medo de altura, só nunca abriram a janela do avião e me jogaram pra fora.

Com a aeronave parada lá em cima, o piloto olhou pra trás e sorriu. Chegamos. Foi esse um dos “grandes momentos”. Eles abriram a porta, o vento gelado entrou meio assustador, os dois outros saltadores, com câmeras nos capacetes, se posicionaram fora do avião, esperando ansiosos a perda de mais uma inocência. Eles devem curtir essa tensão daqueles que experimentam pela primeira vez. Deve ser diferente pra eles, tão acostumados com toda aquela loucura.

É tudo muito rápido. Acoplado ao meu instrutor, relembrando as regras,segurando somente no meu equipamento, sem agarrar em mais nada, pisei fora do avião, gritei, mal lembro o que se passou pela cabeça. Dei uma risada afogada pelo vento, posei para as fotos (se é que isso é possível) e vi meus dois companheiros da frente se jogarem. E eu também cai.

Como explicar os 30 segundos de queda livre? Até ri por dentro, como se não estivesse acreditando naquilo tudo. Não há como pensar direito, organizar as ideias. É mais ou menos aquela sensação de quando você sonha que está caindo de um prédio. Só que elevada a 10 mil, sei lá.

Parece que os teus observadores param na sua frente. Fazem as fotos, filmam. Um deles quis até me cumprimentar. Melhor não. Toda essa histeria a 10 mil pés se acalma com a abertura do paraquedas. Quando aquele solavanco te leva novamente para o alto, já é passado. O vento não é mais forte e você começa a flanar. É uma descida suave. O oposto da descarga de adrenalina

que acabou de passar por todo o corpo. A chegada em solo é tranquila.

Não consigo imaginar melhor descrição para tudo isso do que diversão. O melhor de tudo é contar para os amigos e relembrar cada segundo.”

Onde praticar

SC Paraquedismo

Costa Esmeralda Condomínio Aeronáutico

(aeroporto dos ultraleves).

BR-101, km 156.

www.scparaquedismo.com.br

Serviços

Salto duplo de paraquedas

Demonstrações aéreas

Preços

Salto duplo de paraquedas: R$ 349

Demonstrações aéreas _ preços sob consulta

Contato

contato@scparaquedismo.com.br

(47) 9996-4299

(48) 7811-2391

nextel id: 80*171689

Que roupa usar

Mais confortável, como bermudas e camisetas. No verão, não são usados os macacões.

* Publicado na Revista de Verão desta sexta, encartada no Jornal de Santa Catarina, Diário Catarinense e A Notícia.


Comentários (2)

  • Vilmar Giovanella Junior diz: 18 de janeiro de 2011

    Caracas Parabéns pelo salto.
    Estou querendo fazer isso a muito tempo.
    Com certeza agora me impulsionou ainda mais a fazer.

    Um abraço e sucesso.

  • Dojao diz: 24 de janeiro de 2011

    Muito boa a matéria….
    Parabéns pela iniciativa e pela divulgação do esporte…

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