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uma certa timidez

30 de janeiro de 2011 0

Blumenauense de coração, Dani Hasse (www.danielahasse.com) recebeu recentemente o título de “a artista oficial do indie brasileiro”, dado pelo jornalista Lúcio Ribeiro. Além dos cartazes dos shows de bandas quase desconhecidas (e outras conhecidas, como Vampire Weekend e LCD Soundsystem), essa carioca de 32 anos vê seus desenhos estampando roupas, chinelos (acaba de fechar com a Havaianas) e páginas de revistas. Driblando a timidez, Dani falou, durante um telefonema de fim de tarde, sobre a vida em São Paulo, os contatos profissionais e o processo de criação. Contou ainda uma exclusiva: vai expor (pela primeira vez) mostrando suas criações em Washington e Paris.

Você está em São Paulo desde quando?
Pouco mais de três anos.

Essa mudança foi necessária para a sua profissão?
Eu entrei na Hering, o desenvolvimento deles era aqui em São Paulo e fui transferida de Blumenau pra cá. Antes disso, já estava procurando emprego por aqui. E há um ano e meio saí e estou trabalhando em casa.

Como surgiram os frilas?
Na verdade, eu fiquei fazendo frilas não muito por opção. Fiquei fazendo e a coisa foi dando certo. Agora é opção mesmo, a não ser que apareça um emprego muito bom.

Trabalhar com prazo é difícil para um artista?
Eu ainda não consegui me acostumar com esta história. Quando você está dentro de uma empresa tem o cronograma, você está lá dentro, tem aquilo para fazer. É diferente do que pegar várias coisas. E geralmente as pessoas querem pra logo. Não querem para um mês depois.

O Lúcio Ribeiro (jornalista, autor do site Popload) te apelidou de “a artista oficial do indie brasileiro”. De onde surgiram as propostas para desenhar os cartazes dos shows?
Começou pequenininho. Conhecia as pessoas de selos independentes, de bandas pequenas. É que nem Blumenau, você conhece todo mundo. A cena é pequena, não é porque é em São Paulo. Só o número de pessoas é maior.

É preciso estar em São Paulo para acontecer?
Eu acho. Quero trabalhar mais, ter um nome forte, pra poder pegar o meu laptop e passar, sei lá, um mês na Europa, trabalhando de lá. Ainda o que eu sinto é que acontece de você estar na festa, conhece as pessoas, elas lembram de você. Pra mim, essa é a parte mais forte do frila. Se eu tivesse em Blumenau isso não teria acontecido.

Então sair de casa faz parte do trabalho?
Muito. Vou te falar que sou uma pessoa bem caseira, adoro ficar em casa, mas eu me obrigo. Muitas vezes quando tem uma festinha que vai estar toda a galera onde é importante estar. É necessário ir em alguns eventos.

De onde vem essa história dos desenhos na sua vida?
Sempre gostei muito de desenhar, desde criança. Eu praticamente não brincava, só desenhava. Cresci, continuei desenhando, era aquela pessoa que no trabalho fazia caricatura em cartão no aniversário das pessoas. Mas nunca imaginei que pudesse ganhar dinheiro com isso, nem tive uma orientação profissional. Era bem lesada.

Você se formou em Letras, né?
Sim, e aí eu ia dar aula e passava muito mal porque eu sou muito tímida. Hoje em dia estou bem melhor, inclusive aqui falando contigo. Eu era bem bicho do mato, sabe? Ainda tenho dificuldade, mas pra dar aula era um horror. Um dia uma amiga me chamou para fazer um teste na Colcci, fui e passei. Fui aprendendo, porque eu não sabia nada. Trabalhei lá com o Douglas (Souza, da Punkcake). Ele me ensinou muito, assim como várias outras pessoas.

Como é o teu processo de criação? Você senta e começa?
Não, dependendo do que for é bem complicado. Tem épocas que eu passo um período sem inspiração. Você acaba não gostando do seu trabalho, rola até uma insegurança. Depois passa e parece que vem. Quanto mais conhecimento geral você tiver, melhor. Você cria mais links e combinações de ideias. Quanto mais filme, gibi, livro, mais passeio, quanto mais observar o trabalho dos outros, tudo isso ajuda a formar links bizarros na cabeça que ajudam a ter ideia de traço, de composição, de cor, de layout.

Você desenha em qualquer lugar?
(risos) Sim, eu desenho em qualquer lugar. Tenho um pouco de vergonha de desenhar na frente das pessoas, tipo na rua.

* Publicado na Contracapa deste fim de semana.

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