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velocidade estonteante

22 de maio de 2011 1

Poucas pessoas experimentaram tanto na vida. Os 38 anos de Marcinho Albani parecem pouco para tudo o que blumenauense já viveu. Formado em Comércio Exterior, uma das locomotivas sociais de Santa Catarina morou na Inglaterra, Espanha e México, entre outras passagens mais rápidas pelo mundo. Mas sempre com um QG especial: a agitação e a intimidade de Balneário Camboriú. RP, assessor de imprensa, dono de bar, de restaurante e apresentador de tevê e de rádio são algumas das profissões que constam no currículo da figura longilínea. Mas só há dois anos Marcinho realmente se encontrou como fotógrafo. Afinal, desde criancinha carregava uma máquina nas mãos. Até a próxima sexta, alguns de seus retratos podem ser vistos em exposição no charmoso Lucca Bistrô, em Balneário Camboriú.

Qual a sua lembrança de infância mais remota?
Natal na casa da minha Oma em Brusque. Toda a família reunida, era ótimo!

Qual a sua ideia de um domingo perfeito?
Na cama.

O que você faz para espantar a tristeza?
Faço terapia.

Que som acalma você?
Som do mar.

Qual seu maior medo?
Perder pessoas que eu amo.

Qual o seu bem mais precioso?
Minha família e amigos.

Um gosto inusitado.
Intimamente tenho um gosto inusitado para pessoas.

Qual você considera a maior das virtudes que uma pessoa pode ter?
Autenticidade.

Que presente você ganhou e nunca esqueceu?
Minha primeira viagem.

Que presente você daria para a sua cidade natal se pudesse?
Um dos grandes problemas da minha cidade natal são as enchentes e o maior presente seria encontrar uma maneira para preveni-las. Acho que esse é o sonho de todos os blumenauenses.

O que você mais faz na internet?
Pesquisas, e-mails e Facebook.

Que filme você sempre quer rever?
Diário de Uma Paixão, de Nick Cassavetes.

Quem é a pessoa que você mais admira?
Não tenho uma pessoa em especial. Esses dias estava assistindo ao CNN Heroes e é demais ver pessoas “comuns” que lutam pela dignidade do próximo. Isso sim é admirável!

Se você pudesse voltar atrás e mudar alguma coisa na sua vida, o que mudaria?
O que sou hoje é resultado de tudo que passei, então eu não mudaria nada.

Qual a primeira coisa que faria se um dia acordasse mulher?
A mesma coisa que faço todos os dias pela manhã: tomaria meu café e fumaria um cigarro.

Se você pudesse se mudar para qualquer lugar do mundo amanhã, que lugar seria?
Londres.

Que experiência artística teve mais impacto em você recentemente?
A coreografia Amelia, de Edouard Lock, da cia de balé La La La Human Steps. Tem no Youtube. Indescritível!

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Todas as profissões que me imaginava, eu fui atrás e tentei até encontrar a fotografia que acalmou aquela inquietude que eu tinha dentro de mim.

com o pé direito

20 de fevereiro de 2011 0

Giana Cervi (www.gianacervi.com.br) não sabe explicar direito quando começou o encanto pela música. Nem se preocupa com isso. Só sabe que não viveria sem. Dos grupos de jovens na igreja aos palcos dos barzinhos e bailes de casamentos, garantiu a experiência. Aos 31 anos, formada em Fonoaudiologia e especializada em Musicoterapia, a brusquense se divide entre a carreira de cantora e a de professora no bacharelado em canto da Univali, em Itajaí, onde mora há seis. Alguns sonhos já tomaram forma. Gravou recentemente Cirandinha, seu primeiro disco (ok, vamos deixar as participações de lado) que também se transformou em DVD, incluindo uma participação especial de Leila Pinheiro.

Qual a sua lembrança de infância mais remota?
São algumas lembranças, mas acho que a mais remota é de quando eu tinha três anos de idade. Na época, a gente tinha que usar umas botinhas da Ortopé, acho que para andar com os pés numa posição correta. Eu não suportava andar com aquilo e consegui tirar a botinha do pé direito e em seguida, uma prima me convidou pra andar de bicicleta (eu na garupa). E eu fui somente com a botinha no pé esquerdo que não consegui tirar, pois fez um nó no cadarço. O raio da bicicleta era enfeitado com alguma coisa bem colorida e assim que saímos, eu coloquei o pé direito no raio. Resultado: perdi o dedão do pé direito!

Qual a sua ideia de um domingo perfeito?
Tem que começar acordando sem despertador e poder ficar de preguiça na cama assistindo tevê. Depois, café da manhã e sofá pra mais um pouquinho de tevê (gosto muito disso!). Em seguida, uma voltinha com a Tutuca, minha cachorra, preparar um almocinho sem pressa, curtindo um som, bebericando alguma coisa, batendo papo. À tarde um filminho, preguiça no sofá, comer alguma coisa doce e ficar à toa, sem hora pra nada. E pra noite ficar perfeita, não trabalhar na segunda!

O que você faz para espantar a tristeza?
Primeiro eu choro bastante (sou bem chorona) e depois eu gosto de conversar a respeito do que estou sentindo, trocar ideias me faz bem, alivia um pouquinho a dor. Gosto também de inventar programas que me distraiam.

Que som acalma você?
Eu gosto muito da natureza e os sons que vem dela me acalmam bastante. Som de água correndo, de passarinho, de vento batendo nas árvores, de chuva no mato, é muito bom. Onde eu moro tenho o privilégio de ter isso pertinho de mim, é incrível como esse contato com a natureza revigora a gente.

Um gosto inusitado.
Comer polenta amassada com leite quente e açúcar. Aprendi com minha Oma e é muito, muito bom!

Qual você considera a maior das virtudes que uma pessoa pode ter?
Bom caráter, acima de qualquer coisa.

Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa?
Honestidade.

Que presente você ganhou e nunca esqueceu?
Meu maior presente é de fato a minha vida, pela forma como ela é, pelas pessoas que fazem parte dela e pelas oportunidades que me são concedidas constantemente. O que mais eu posso pedir? Tenho muito mais do que preciso.

Que presente você daria para a sua cidade natal se pudesse?
Nasci em Brusque e o presente que eu daria seria um grande centro cultural com um bom teatro, salas para exposições, salas de cinema, salas para oficinas, aulas, enfim, um lugar onde a arte pudesse ser vivida e experimentada a todo instante.

Quem é a pessoa que você mais admira?
Não está mais aqui. É meu pai.

Se você pudesse voltar atrás e mudar alguma coisa na sua vida, o que mudaria?
Não teria colocado o dedo no raio da bicicleta.

Se você pudesse se mudar para qualquer lugar do mundo amanhã, que lugar seria?
Não tenho vontade de um lugar específico, mas de muitos lugares. Tenho um desejo que é o de viajar sem data pra voltar e ir conhecendo tudo, ficar um pouco em cada lugar e viver em cada um, por um tempo. Eu ainda vou realizar isso, escreve aí.

Que experiência artística teve mais impacto em você recentemente?
A gravação do meu DVD. Por muitos motivos: a oportunidade incrível de poder ter um registro bem feito do que faço há tantos anos, o encontro com músicos que são “os caras” em todos os sentidos e o privilégio de dividir o palco com a Leila Pinheiro.

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Às vezes bate o cansaço e rolam algumas frustrações porque trabalho em duas profissões que são pouquíssimo valorizadas, sou cantora e professora (escolhi a dedo). Ainda assim, é isso que gosto de fazer e não consigo me imaginar realizada trabalhando em outra coisa, a não ser que fosse em outra profissão ligada à arte, aí acho que seria bom também.

que marravilha!

06 de fevereiro de 2011 1

Claude Troisgros é de uma simpatia e um bom humor arrebatadores. O chef de cozinha francês está há mais de três décadas instalado no Rio de Janeiro. É na “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos” que o boa praça mantém quatro restaurantes e ainda grava um programa para o GNT. Convidado para cozinhar durante um evento da importadora Decanter, em Blumenau, ele reservou alguns minutos à coluna recheados de histórias e risadas.

Você está no ar com a temporada de verão do Que Marravilha!. De onde vem essa espontaneidade diante das câmeras?
É a minha personalidade, não vem de nenhum lugar, sempre foi assim e o fato de estar na frente das câmeras não muda. E é assim desde a primeira vez. É como se ela não existisse. Como já sou uma pessoa espontânea, que fala o que pensa, que ri, que mexe com os braços, isso ficou mais claro.

Você está há 31 anos no Brasil. Que mudanças são percebidas na gastronomia nacional?
Diria que é quase radical. Desde o tempo que eu cheguei, em 1979, onde você tinha uma certa dificuldade principalmente de fornecimento de produtos adequados para fazer uma culinária francesa. Hoje em dia, a gente tem no mercado nacional basicamente tudo o que a gente quer. Diria que comparado aos Estados Unidos e à Europa, nós temos os mesmos produtos ou até melhor. Os produtos nacionais são incríveis principalmente se a gente fala das frutas e dos peixes da Amazônia. E as frutas são únicas no mundo. Somos o país da fruta. Em termos de gastronomia, o país cresceu e de maneira muito positiva. Em 1930, por exemplo, tinham poucos chefs nacionais ou muito tímidos. Hoje em dia você tem chefs nacionais competentes como Alex Atala, Felipe Bronze e Roberta Sudbrack. Já passamos pela fase inicial. Eu acredito fortemente, e já falei isso há três anos, que o futuro grande chef do mundo, que já foi o (espanhol) Ferran Adriá, será brasileiro.

Quem é?
(risos) Não sei.

A sua profissão está na moda há várias temporadas. Mas como você vê a formação aqui no Brasil?
Se a gente fala de 30 anos atrás, a formação era no dia a dia. Pegava um menino, que na verdade mais por uma questão de sobrevivência virava cozinheiro ou garçom, e a gente formava ele. Hoje em dia tem escolas competentes em São Paulo ou Rio de Janeiro. Aqui em Blumenau tem uma incrível. Essas escolas começam a formatar uma mão de obra profissional que é importante. A gente está na fase de crescimento. A escola é outro caminho, demora, de geração pra geração, tem que formar o professor, pra depois formar o aluno. Estamos caminhando rápido.

Você tem feito muitos eventos no país?
Sim, muitos. Eu diria que a faixa de eventos que é jantar, aula ou simplesmente uma palestra, o ano passado fiz uma média de seis por mês. E eu estava recusando. Estava no Rio, tendo que gravar e conciliar tudo.

Qual sua opinião sobre a harmonização entre bebidas e comidas?
O mundo do vinho cresceu muito nos últimos anos. Quando eu cheguei no Brasil, o vinho não existia. Era uísque na mesa e, no meu restaurante, os clientes tinham uma garrafa guardada com o nome. Depois passou pela onda do vinho da garrafa azul. Foi o início, vamos assim dizer, da mudança do paladar em relação aos vinhos da população brasileira. O paladar, também em termos de harmonização, também está mudando. O que eu acho disso? Obviamente existe um fenômeno de moda, mas que é muito positivo porque isso forma as pessoas. O mundo do vinho é complicado, não é fácil. Estava conversando, inclusive, com o Adolar (Hermann, proprietário da Decanter) sobre isso durante o almoço. Pra mim, cozinheiro, o vinho vai levantar o meu prato. A gente não percebe isso até o momento em que a gente toma. Se o teu vinho está certo, ele explode. Já ele pensa o contrário (risos). Mas estamos todos na mesma onda.

Os Troisgros estão na quarta geração trabalhando com gastronomia. O que vocês cozinham quando se reúnem?
Olha, quando o pai está presente é muito difícil a gente falar alguma coisa. Ele que manda (risos). Hoje em dia ele está aposentado. Quando ele recebe a gente é a única maneira de cozinhar, então ninguém fala nada. Com o meu filho é engraçado – eu trabalho com meus dois filhos –, quando a gente se reúne nunca fazemos pratos muito complexos. É sempre churrasco. Quando ele cozinha fica com aquela timidez. A mesma que eu tenho com o meu pai.

Doce ou salgado?
Pergunta difícil. Eu sou muito adocicado, cara. É um dos meus problemas porque eu malho muito, não sou magro, mas faço muito esporte. E o que me engorda são os doces.

acessível

03 de fevereiro de 2011 1

A São Paulo Fashion Week, que terminou ontem, trouxe à passarela algumas das figuras que marcaram os 15 anos da maior semana de moda do país. Depois de Diogo Veiga para a V.ROM, o estilista Marcelo Sommer recrutou algumas “amigas-modelos” para mostrar as roupas do inverno 2011 da marca Do Estilista (uma espécie de Sommer, mas sem aquele charme dos anos 1990).

Mariana Weickert, obviamente, não ficou de fora da escalação. A blumenauense voltou à Bienal mais uma vez para matar a saudade – e não estava sozinha: Luciana Curtis, Isabela Fiorentino, Tatiana Abraços e Lara Gerin, entre outras, também passaram por lá.

Mari (porque a coluna é íntima, ok?) está à mil na gravação dos primeiros episódios de Vamos Combinar, programa solo que estreia dia 21 de março no GNT. A atração vai falar de moda de uma maneira mais prática.

Vai ao ar semanalmente com 30 minutos de duração.

* Publicado na Contracapa desta quinta.

extravasa

18 de janeiro de 2011 0

Disputando com Ivete Sangalo o título de musa do axé, a loira Claudia Leitte não mede esforços para conquistar fãs do Norte ao Sul do país. E tem conseguido cada dia mais.

Tanto que uma leva de fãs deve acompanhar a carioca radicada na Bahia dia 28 deste mês durante o show programado para a famosa Barra Sul, em Balneário Camboriú.

É num dos cantos mais badalados do Litoral catarinense que Claudia inicia a turnê nacional de 2011.

Ingressos à venda no site www.blueticket.com.br.

* * *

Os leitores da Contracapa poderão assistir ao show de graça. Hoje, às 14h, rola uma promoção aqui no blog. Fique ligado também no Twitter (@santoscristiano). Serão três pares de ingressos para o setor Fama (atrás do VIP).

meu mundo cor de rosa

17 de outubro de 2010 0

Racionalmente é difícil para Ana Judith Hirsch explicar o intenso interesse pelo rosa. A cor é predominante em sua vida desde criança. Aos 66 anos, Tia Jú – apelido que recebeu dos colegas aqui do Santa, onde trabalha há 26 como agente publicitária, é uma figura conhecida nas ruas de Blumenau. O Uno Mille bordô carrega nos bancos, no volante e nas portas mais de 500 bichinhos de pelúcia. Impossível não chamar a atenção. Com o cabelo tingido mensalmente (o sol desbota), ela me recebeu em casa para contar sua trajetória desde que saiu de Guarapuava, no interior paranaense.

Ainda no estado vizinho, aos 10 anos, a pequena Ana ganhou uma máquina de costura.

– Eu mesma fazia as roupas para as bonecas. Naquela época não tinha muita coisa rosa, mas lembro que fiz um vestido para uma boneca nesta cor – comenta sentada em um estofado recoberto pelo tom predileto.

Quando não estava brincando, lembra com os olhos brilhantes, gostava de frequentar os circos que chegavam à cidade. Um fascínio que mais tarde traria uma significativa mudança de percurso.

* * *

Já casada, em 1964, ela se mudou para Palmitos, no Extremo-oeste catarinense. Trabalhava em um cartório, ganhava bem e ainda fazia sucesso como uma espécie de cabeleireira. Hábil na arte de criar penteados, recebia em casa as vizinhas e amigas. Antes de ir para os bailes ou casamentos, elas pediam cabelos domados por fartos jatos de laquê.

* * *

Quando mais um circo se instalou, com todo aquele aparato que movimentava as pequenas cidades, Ana Judith não deixou de ir um só dia. E teve uma ideia. Um rompante.

– Falei com o meu marido que queria ir embora com eles. Ele era músico e sempre me apoiou em tudo. Falamos com o pessoal do circo, vendemos tudo o que tínhamos, ficamos só com um fogão a gás e a minha máquina de costura.

Embarcaram para a próxima parada e se instalaram em uma barraca, que se transformou no novo lar.

– Fui em uma loja e comprei 15 metros de plástico cor de rosa para cobrir a barraca. Acabou virando uma atração. As pessoas passavam por lá e queriam conhecer.

* * *

O marido montou uma dupla musical para animar a lona. Tia Jú foi treinada para um número de corda indiana. Dois meses depois, em Curitibanos, estreou no picadeiro. Estava tudo bem, um sonho se realizava, mas o casal sabia que em algum momento deixaria de acompanhar os colegas nômades.

– Nossa ideia era ficar em Balneário Camboriú, mas quando chegamos em Blumenau conheci uma mulher que alugou uma casa e me arrumou um emprego de costureira. Nunca mais saímos daqui.

* * *

No Vale do Itajaí, a mulher dos cabelos de boneca trabalhou em ambientes mais formais, que a impediam de extrapolar, de sair de casa montada.

– Meu cabelo é preto. Quando decidi pintar, mudei para o vermelho, só pintei de rosa há cinco anos. Tenho que comprar a tinta em Curitiba, porque aqui não tem.

* * *

Além do carro, das roupas e do cabelo, ela mantém peças com a mesma cor em toda a casa. O que mais chama a atenção é o quarto. Todo rosa. Das cortinas à moldura do espelho. No chão, em cima da cama, penduradas na janela, bonecas dos mais variados tamanhos e estilos repousam vestidas, claro, com uma infindável gama de tons de rosa.

– Quando vou dormir, recolho elas só de um lado da cama para poder deitar.

Ela perdeu as contas de quantos brinquedos estão por ali.

– Parei de contar quando chegou em 280. Agora não sei mais – revela, sorrindo, enquanto posa para as lentes do fotógrafo Artur Moser.

* * *

A cozinha é o espaço mais divertido. Fogão, panelas, copos, potes, armários, toalhas e guardanapos. Nada foge ao rosa. É um mundo extremamente singular. E alegre. A melhor definição da Tia Jú.

* Publicado na Contracapa deste fim de semana.