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reverberando

06 de junho de 2010 0

Jackson Araújo, 46 anos, é multimídia. Jornalista nascido no Ceará, já colaborou para os principais veículos de comunicação do Brasil. Reuniu todo o conhecimento adquirido em anos de pesquisa e contatos para se recriar. É hoje um dos pensadores de moda mais interessantes do país. Esteve em Blumenau na semana passada para assumir a direção de conteúdo do Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC). Veio disposto a estabelecer o conhecimento como principal matéria-prima do projeto. Depois de uma maratona de palestras, ele conversou com a coluna sobre as mudanças, os alunos de moda, a consultoria para o badalado WGSN e o futuro (aqui, na íntegra).

O que significa ao SCMC essa nova direção criativa e de conteúdo?
Vamos utilizar nossa expertise como pesquisador e analista de tendência para alimentar as pessoas e as marcas. Estou ampliando a ideia de participação para que as empresas tragam seus profissionais de visual merchandising, de comunicação, da estamparia. Nosso projeto é todo focado em conhecimento. Porque a gente acredita que o conhecimento é a grande moeda de troca e de maior valia dentro do mundo contemporâneo. As marcas que tocarem o coração de seus consumidores com o conhecimento vão ficar pra sempre na gaveta da fidelidade.

Você já conhecia o projeto?
Já, eu fiz a palestra de abertura do primeiro evento, falando de identidade. É interessante porque questionei diversas coisas quando fui consultado para fazer o projeto. Perguntei ao Cristiano (Buerger, diretor do SCMC) se eu poderia questionar ou queriam apenas que eu fizesse algo amistoso e fofo. E ele me disse que precisa criar uma zona de desconforto. Então, vou fazer uma análise sobre o evento antes de fazer uma proposta. Vamos começar a ver tudo o que deu errado. E até que ponto eu posso contribuir. Eu sei pensar sobre moda. Esse é o meu papel. Encontrei esse caminho, de inspirar as pessoas a ousar, a experimentar o novo. É a minha colaboração dentro da minha linha de pensamento.

Será um trabalho direto com as empresas e os alunos?
Sim, com todos. Nossa proposta não é trabalhar só com a equipe de designer, mas com gente que trabalha em outras áreas das empresas. A mudança que a gente está sugerindo é que o SCMC deixe de ser apenas um órgão de captação de sinais. Ele vai trazer pra si o que está acontecendo no mundo e refletir sobre isso e aprender a emitir novos sinais. Nossa ideia é fazer essa digestão de conhecimento para poder refletir dentro das marcas, da cabeça de cada um. Construir uma ideia de que não apenas consumimos conhecimento, mas damos também.

Você falou na palestra sobre a importância do olhar para si, pra dentro. Isso não é difícil, principalmente entre os estudantes de Moda?
Essa dificuldade nós temos como seres humanos. Mas existe uma arrogância natural da juventude que é muito saudável pra gente. E essa dificuldade de olhar pra si é muito saudável. Ela vai dar pano pra manga para criticar. Ao mesmo tempo que te dá liberdade para criar coisas malucas, ela também te coloca diante do melhor e do pior de você mesmo. Temos de vir com essa dificuldade. Outra coisa que estamos propondo é que o estudante e a marca trabalhem juntos. É aprender junto. Esse produto não precisa ser, e eu prefiro isso, roupa. Eles podem criar roupas, campanhas, cenografias, figurino de balé, qualquer coisa que tenha a moda como suporte criativo.

O que faz um colaborador do portal de tendências WGSN?
Funciona como uma antena do WGSN fora de Londres. O meu trabalho é olhar para música, arte e comportamento. Vejo o que está acontecendo dentro do Brasil e sugiro pautas pra eles. Posso emprestar meu olhar e trazer esse repertório dividido dentro de um formato que eles usam. São elementos que não estão presentes na moda, mas podem inspirar a moda a criar novos produtos.

Glória Kalil deu uma declaração de que os criadores de moda brasileiros passam mais tempo na balada do que em exposições de arte, por exemplo. Seu acesso aos estudantes é muito grande. Como você essa geração que está saindo das escolas?
Admiro extremamente a Glória, ela tem um viés interessante de pensamento. Ela está todo colocando todo mundo no mesmo saco para chacoalhar. Isso é uma verdade e não só na moda. É no empresariado em geral. Porque, no sentido geral, somos um país outdoor. A gente prefere se encontrar na praia, na balada, na rua. A galeria de arte e o museu também passam por um processo de educação muitas vezes anterior a vida adulta. Temos uma dificuldade muito grande de se inspirar em galerias. Essa visitação é muito mais comum fora do Brasil do que aqui. É péssimo, mas é verdade. É importante tocar na arte. Ela reverbera na perenidade dos conceitos. Ela não trabalha com o descartável, tem pruridos em relação a isso.

Na palestra você falou de um menino catarinense, de Criciúma, que tem chamado sua atenção. Quem é ele?
Não posso falar ainda.

Ele está fazendo moda?
Sim, moda. É um trabalho muito interessante. Não é o momento para falar ainda, de expor publicamente a opinião que tenho sobre o trabalho dele. Até porque ele pode ser importante num processo que pretendo discutir ainda aqui no SCMC. É muito novo, tem apenas 25 anos. Tem um trabalho muito interessante de moda relacionado com a arte. Ele tem que parar de fazer coleção e fazer série. É um trabalho muito mais artístico do que fashionista. Eu estou tentando fazer com que ele primeiro experimente essa possibilidade de encarar a moda como uma mídia de comunicação do trabalho. Fiz isso muito bem com a Rita Wainer. Falei que ela não era estilista e sim designer. Ela trabalha com vários elementos que constituem a alma de um artista. Que devia usar a moda para isso. É aí onde vamos encontrar, por exemplo, o novo Alexander McQueen, o novo Herchcovitch, o novo Lino Villaventura.

Em 2005, quando conversamos pela primeira vez, perguntei sobre o futuro. Você disse que queria uma casa na praia, ao lado do namorado e de um cachorro. Já conseguiu comprar a casa de praia?
(risos) Eu consegui comprar um apartamento nos Jardins (bairro paulistano), com o meu namorado, e agora são dois cachorros. Já tenho um sítio. Comprei também uma obra do Burle Marx. Tem coisas que eu valorizo muito mais do que roupas apesar de trabalhar com moda. Agora quero cada vez mais inspirar as pessoas e deixar meu conhecimento na mão dos outros. Porque é muito cafona, fora de moda, guardar as coisas pra você. O colaborativo é importante.

verborragia

27 de maio de 2010 0

Jackson Araújo fez uma das palestras mais interessantes da história do Santa Catarina Moda Contemporânea, terça-feira, no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau. Para o sexto ano do projeto, o jornalista foi contratado com a tarefa de reciclar e revirar (além de uma boa revisão, claro) tudo o que foi feito até agora. Ele assume a diretora de conteúdo do SCMC, substituindo o estilista Mario Queiroz.

Na apresentação, o cearense (com passagens pela Folha de S. Paulo, site da Erika Palomino, RG Vogue etc) foi direto, quase repetitivo. Bateu insistentemente na tecla da busca por uma identidade regional, cultural e íntima.

– Não vou contar nada que vocês não saibam. Tudo isso está por aí – avisou logo nos primeiros minutos.

Este “tudo está por aí” se resume em uma reunião de conhecimentos e ideias adquiridos ao longo da carreira. De campanhas publicitárias à imagens de moda, arte, consumo, rua e o que mais se possa pensar.

Deu, inclusive, algumas dicas preciosas. Citou vários nomes que devem ser observados.

É simples. Um Google já basta:

Aloísio Magalhães, designer
Carolina Ponte, artista plástica
Barrão, artista plástico
Solve Sundsbo, fotógrafo
Maria Nepomuceno, artista plástica
Rodrigo Almeida, designer
Jarbas Agnelli, diretor de arte e de música
Jean-Aimar, artistas plásticos

*

Leia mais sobre o SCMC na coluna Mercado Aberto, de Francisco Fresard.

* Texto publicado na Contracapa desta quinta.

teia criativa

27 de março de 2010 0

Quando surgiu, em 2005, o Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC) apontava no horizonte a possibilidade de levar estudantes de moda – de escolas e universidades – para dentro das principais empresas têxteis do Estado. O objetivo foi cumprido desde o início. E a iniciativa tomou formas variadas. Além do trabalho de criação e da fomentação da criatividade destes mesmos alunos através de workshops e palestras com nomes renomados, o SCMC busca, a cada edição, também levar conhecimento aos empresários. No sábado passado, o público conferiu em um desfile no Green Valley, em Camboriú, as criações da quinta edição (as fotos podem ser vistas aqui). O processo, como o diretor do projeto Cristiano Buerger comenta na entrevista a seguir, é uma espécie de teia que necessita e resulta da união de todos os envolvidos.

Qual é o balanço desta quinta edição?

Cristiano Buerger - O evento tem hoje uma importância muito grande para a sociedade catarinense. Existe um envolvimento de empresas de todos os níveis. Neste sentido houve um crescimento bem bacana. Esse negócio de união é o que mais nos agrada. Desta vez, por exemplo, recebemos no Green Valley um número grande de participantes, pais, alunos e imprensa. Para o próximo ano já confirmamos lá mesmo o desfile. Queremos unir DJs internacionais ligados à moda, além de arte e cultura naquele belíssimo espaço.

Neste ano uma empresa deixou o projeto que fazia em parceria com a Assevim. O que aconteceu?

Buerger - Foi um problema de relacionamento entre a universidade e a empresa. Mas a Assevim decidiu bancar os custos e manter todo o processo.

Existe um boato de que algumas empresas querem desistir do SCMC e que está complicado agregar mais participantes. Como tem funcionado essa relação?

Buerger – Isso não existe. É claro que é um projeto difícil, com um desenvolvimento complexo. Eu acho que esta foi a melhor edição. E o que vimos na passarela é resultado da qualidade do coordenador de criatividade, da qualidade de ensino das escolas, do nível de educação, de entendimento de todo o processo. Nós precisamos entender antes de qualquer crítica de que os trabalhos são feitos geralmente por alunos do 3º ou 4º períodos. Temos que dar um desconto, afinal, eles não são profissionais. Além de tudo isso, o SCMC busca desde o início focar nos empresários e gestores. Sem a abertura deles, sem que eles entendam as estratégias nada será possível. E isso é a médio prazo.

E a próxima edição?

Buerger - Já temos 20 empresas confirmadas e continuaremos com workshops e palestras com os principais nomes do setor. Já tivemos, entre outros, Michel Klein, das Casas Bahia, os (designers) Irmãos Campana e o filósofo francês Michel Maffesoli.

* Texto publicado na Viver! deste fim de semana.

continuação

22 de março de 2010 1

Com a criatividade não tão latente como em outros momentos, o projeto Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC) encerrou a quinta edição sábado à noite no Green Valley, o club catarinense que disputa com concorrentes pesados o título de melhor do mundo.

Coordenados por Mario Queiroz, os estudantes de Moda do Estado (Assevim, Furb, Udesc, Uniasselvi, Unifebe, Univali, Univille e das unidades do Senai de Blumenau, Brusque, Criciúma, Jaraguá do Sul, Joinville e Rio do Sul) desfilaram as criações (desenvolvidas meses a fio com muuuuuito suor), apoiados pelas empresas participantes deste ano (Buettner, Dalila Têxtil, Dudalina, Hering, Iriá, Kyly, Lancaster, Lunender, Marilua, Marisol, Oceano, Soutex, Tecnoblu, Villa Têxtil e Zanotti).

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Ótima decisão: a curta duração das apresentações (formatadas para um único dia de evento).
Na foto, um dos looks da Hering/Senai Criciúma.

* Texto publicado na Contracapa desta segunda.

scmc #3 . tecnoblu + unifebe

19 de março de 2010 0

Mais um pouco de Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC). A estudantes de Design de Moda da Unifebe, de Brusque, apostaram na malharia, uma novidade na carreira da Tecnoblu.

Elegância e discrição estão entre as palavras-chaves de Karoline da Silva e Fernanda Vieira da Cunha. Para colocar na passarela a coleção, elas beberam diretamente da fonte. Claire McCardell, estilista fundadora do activewear americano, e o artista plástico Brancusi são as maiores referências.

Na foto, modelo durante a prova de roupa.

O desfile rola sábado no Green Valley, às 19h.

scmc #2 . dalila + uniasselvi

18 de março de 2010 0

A vida e a obra do pintor catarinense Juarez Machado (nosso verdadeiro dândi), radicado há anos em Paris, serviram de inspiração para os alunos da Uniasselvi no projeto Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC).

Amparados pela Dalila Têxtil, Raphael C. Scholl e Patrícia Maas criaram uma coleção ligada às cores da boemia francesa da Belle Époque.

O desfile ocorre sábado, às 19h, no Green Valley (só para convidados).

scmc #1 . base + univali

18 de março de 2010 0

Respeitado no país inteiro, o projeto Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC) apresenta sábado as criações da quinta edição. Os desfiles serão mostrados, às 19h, no Green Valley, em Camboriú.

Nesta quinta e sexta publico imagens e informações sobre alguns dos participantes – o SCMC é uma união entre escolas e universidades e empresas da região (principalmente do Vale do Itajaí). A intenção é aperfeiçoar o design nas mãos destes futuros profissionais.

Pra começar, a Base (Grupo Dudalina) recebeu em suas instalações um grupo da Univali. Os estudantes criaram uma coleção – Os Homens de Métalon – inspirada nos metais, nas armaduras medievais e nos uniformes antigos dos trabalhadores de ferrovias. Essas referências misturam-se à moda contemporânea e à tecnologia de ponta.