Toque Dela reutiliza os mesmos artifícios de Sou, de 2008. Melodia, poesia e o jeito de cantar baixinho com alguma elevação nos refrãos também são ingredientes desta segunda empreitada da carreira solo de Marcelo Camelo. Mesmo assim, quando ouço as 10 faixas de Toque Dela, esqueço de Sou completamente. Não, o disco não é uma continuidade.
Todo ele forma uma peça única, na qual as composições se completam. E, quando se percebe, o álbum acabou. Hora de dar replay.
Grande parte do mérito do segundo CD não é apenas de Camelo. A qualidade instrumental dos paulistas do Hurtmold é a engrenagem essencial que une uma faixa a outra. Minha dica: ouça o disco com fones de ouvido. Muitas das músicas parecem feitas como trilha sonora cinematográfica (destaque para Tudo Que Você Quiser), complexas, atemporais e capazes de emocionar por si só.
Claro que as letras continuam sensíveis por mais que repitam assuntos cotidianos, como amor e solidão. Além disso, Camelo está mais soturno, frequentando menos Carnaval, pelo jeito. Entre as composições, Vermelho (com um backing tímido de Mallu Magalhães) é uma das belas. Com tantos elementos a favor, Toque Dela só poderia dar certo. Agradou o público e a crítica. Se continuar assim, Marcelo Camelo jamais desocupará o posto de favorito da minha playlist. É a trilha sonora para a vida toda.

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