Às vezes um disco explora um território simples, é bom, mas ganha pontos extras mesmo pela história de como foi produzido. É o caso do novo do The Decemberists, The King is Dead, gravado após um exílio voluntário em uma fazenda do Oregon. Mas a história por trás do disco agora será sobre Cape Dory, o álbum de estreia da dupla Tennis.
Cape Dory é a marca de um barco. E foi nesse barco que, após terminar a faculdade de Filosofia, planejar a viagem durante um tempo e vender tudo que tinham, o casal Patrick Riley e Alaina Moore viajou à vontade do vento e das condições do mar por sete meses. Velejar eles aprenderam através de livros e vídeos daqueles tipos "how to". Dois anos depois da aventura, a experiência da viagem ganhou letra e melodia.
Seria natural pensar que uma aventura assim trouxesse como resultado um som mais intimista, ligado à natureza, quem sabe um folk cairia bem, não? Não! O que Cape Dory apresenta é um rockzinho animado e romântico da década de 1960, se aproximando daqueles climas de girl group e também do indie pop de bandas como Camera Obscura. Só não é tão fundamentalista assim porque o botão da distorção da guitarra está um pouquinho (bem pouquinho) para a direita e a voz de Moore não é tão inocente assim.
As letras são sim inocentes, normalmente românticas com frases bobinhas como "i will be holding you tight, let you sleep through the night" ou "when you kiss, you really kiss me, tell me how can you resist me", além de uh uh uh's e la la la's. Quando não quiser pensar muito sobre a música e só ficar batendo o pé e balançando a cabeça, Cape Dory, do Tennis, é uma boa pedida.




A música é +/-. Quanto ao vídeo, deveria vir com a mensagem \"Não tente fazer isso\" (risos). Agora, quanto à capa, provavelmente vai entrar na lista das \"Worst Album Covers\" de todos os tempos.