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Trilha sonora para a vida

11 de abril de 2011 2

Toque Dela reutiliza os mesmos artifícios de Sou, de 2008. Melodia, poesia e o jeito de cantar baixinho com alguma elevação nos refrãos também são ingredientes desta segunda empreitada da carreira solo de Marcelo Camelo. Mesmo assim, quando ouço as 10 faixas de Toque Dela, esqueço de Sou completamente. Não, o disco não é uma continuidade.

Todo ele forma uma peça única, na qual as composições se completam. E, quando se percebe, o álbum acabou. Hora de dar replay.

Grande parte do mérito do segundo CD não é apenas de Camelo. A qualidade instrumental dos paulistas do Hurtmold é a engrenagem essencial que une uma faixa a outra. Minha dica: ouça o disco com fones de ouvido. Muitas das músicas parecem feitas como trilha sonora cinematográfica (destaque para Tudo Que Você Quiser), complexas, atemporais e capazes de emocionar por si só.

Claro que as letras continuam sensíveis por mais que repitam assuntos cotidianos, como amor e solidão. Além disso, Camelo está mais soturno, frequentando menos Carnaval, pelo jeito. Entre as composições, Vermelho (com um backing tímido de Mallu Magalhães) é uma das belas. Com tantos elementos a favor, Toque Dela só poderia dar certo. Agradou o público e a crítica. Se continuar assim, Marcelo Camelo jamais desocupará o posto de favorito da minha playlist. É a trilha sonora para a vida toda.

Scarlett Johansson: um paradoxo

11 de março de 2011 0

Às vezes, amo Scarlett Johansson cantando. Noutras, tenho minhas dúvidas sobre o talento vocal da moça. Mas, em geral, simpatizo com os projetos que ela encara cantando. Dessa vez, ela gravou uma das músicas da trilha do documentário Wretches & Jabberers. A faixa One Whole Hour mostra a evolução de Scarlett como cantora. Acho que ela acertou finalmente o tom.

Quando ouvi que a atriz gravaria um disco de estreia, torci o nariz e não dei crédito. O primeiro single de Anywhere I Lay My Head – com músicas de Tom Waits -, Falling Down, demorou pra me conquistar (veja o vídeo abaixo. Dá pena, tadinha). Era muito arrastado, ela tentando cantar sempre no mesmo tom. Golpe de marketing ou não, posso dizer hoje que gosto daquele disco.

Peter Yorn foi muito esperto em perceber que poderia usar Scarlett como backing de algumas músicas (é basicamente isso que ela faz no álbum The Break Up) e ganhar fama com isso. Segundo a dupla, o projeto é inspirado nas gravações que Serge Gainsbourg fez com Brigitte Bardot nos anos 60. Rendeu publicidade e o disco mostrou-se realmente bom. Méritos de Yorn, claro.

Depois dessa escalada, considero Scarlett uma cantora esforçada. Ela vive em conflito horas sustentando a imagem sensual de atriz de Hollywood e horas da cantora indie que grava usando moletom. O certo é que ela pode render, mesmo que consiga ser indie através da voluptuosa atriz. O certo é ouvi-la sem preconceitos e esperar que ela não perca o tom que finalmente parece ter encontrado.

As fases de Scarlett Johansson:

Noah and the Whale - Last Night On Earth (2011)

10 de março de 2011 0

Alguém por favor poderia fazer o Charlie Fink se apaixonar novamente e depois partir o coração dele? Sério, o Noah and the Whale não funcionou tão bem com seu mentor nesse clima de oba-a-vida-pode-ser-boa-vem-gente.

No novo álbum, Last Night On Earth, o Noah and the Whale mudou a sonoridade pela terceira vez em três discos. Nada contra, é um avanço que preserva a base melódica da banda e poderia ter dado certo assim como deu de Peaceful, The World Lays Me Down (Charlie apaixonado) para First Days of Spring (Charlie de coração partido). Mas não.

O que é o refrão de Life Is Life, num otimismo que enjoa? E na sequência vem Tonight`s the Kind of Night “onde tudo pode mudar”. É isso, Charlie? Pois preferia que não tivesse mudado e você estivesse com o coração partido pela Laura Marling ainda. Nada contra você.

O disco é bom em aspectos “técnicos”, digamos assim. As melodias são criativas, apesar de mais pop do que nos discos anteriores. O vocal de Charlie está bem explorado, tem umas brincadeiras com climas dançantes e o disco é na maior parte do tempo divertido e bonito. Mas não é bom porque parece raso. Charlie já foi melhor letrista e as canções, na primeira audição, costumavam conquistar.

Eu acho o Noah and the Whale uma das bandas com o maior potencial criativo ultimamente, e justamente por isso julguei colocando os critérios lá no alto. Mas não acertaram tanto em Last Night On Earth. O disco tem seus momentos iluminados. Como por exemplo em L.I.F.E.G.O.E.S.O.N. com ótimo refrão e a bela Wild Thing, justamente os dois primeiros singles do disco.

Abaixo, uma apresentação ao vivo em estúdio de L.I.F.E.G.O.E.S.O.N.

Hannah Peel - The Broken Wave (2011)

09 de março de 2011 0

Assim que eu terminei de ouvir o primeiro álbum de Hannah Peel, The Broken Wave, fui logo atrás de uma referência que me parecia familiar. Parei em Lia Ices, até pela proximidade do lançamento do álbum. Era isso mas ainda não totalmente. Procurei em Lia o que poderia haver mais enraizado. Cheguei até Feist. Me pareceu melhor, e achei que o caminho era a canadense. Na verdade era, mas não completamente. Por fim cheguei em Sally Seltmann, a cantora que escreveu o hit 1,2,3,4 gravado por Feist.

Agora vamos explicar esse caminho percorrido. Lia Ices apareceu por ter lançado um álbum recentemente e por conta do vocal, além de similaridade na melodia, um folk mais ritualístico, com momentos tradicionais, porém doce e contemporâneo. Daí achei a estrutura melódica de Hannah parecida com a de Feist, mas foi só nas extremidades do disco, nos seus momentos mais brilhantes, onde soa menos pop e mais solto, brincando seriamente de incluir uma percussão menos boba.


Então apareceu a Sally Seltmann como referência. A moça que já gravou sob o nome de New Buffalo tem o mesmo folk-pop simples, de menininha, com raros momentos de mulherão, daquelas cantoras que conquistam pela força de uma voz que parece indomada e uma melodia livre. The Broken Wave não é ruim, é simples. Eu gosto de ouvir, mas só em dias neutros, como hoje, que amanheceu com sol, nem calor nem frio, depois de um feriado, com o corpo e a cabeça no lugar.

As extremidades que mostram momentos brilhantes (mas nem tanto) aparecem com The Almond Tree (no vídeo abaixo), a primeira canção, em Cailin Deas Cruite Na Mbo, típica canção irlandesa, e em The Parting Glass, com sintetizadores e metais de fundo e calcada mais no vocal, que encerra o álbum. Eu esperava mais depois do exótico EP Rebox, com canções tocadas todas apenas com uma caixinha de música.

Prévias do novo disco do Noah & the Whale

15 de fevereiro de 2011 0


Confesso que Noah & The Whale é uma das minhas bandas favoritas. Mas já passei da fase de apenas deslumbramento. Consigo ser mais crítico com o grupo. Do primeiro disco, deixei pra trás a fase em que me diverti muito com as canções, que hoje acho um pouco bobinhas. Do segundo disco, comecei a dosar um pouco aquele ar triste, mesmo com as letras esperançosas.

E parece ser justamente uma mistura dessas duas características que vai estar presente no novo disco do Noah & the Whale, que sai dia 7 de março. O terceiro álbum, Last Night On Earth, pelas duas músicas já disponibilizadas, mostra o lado divertido de Peaceful, The World Lays Me Down, um pouco mais maduro, e a seriedade de The First Days of Spring, um pouco mais dosada.

Wild Thing, que dá pra ouvir na fita cassete lá embaixo, tem muito a cara do segundo disco, mas a batida dançante, que cresce durante a canção, suaviza a densidade e o jeito de cantar de Charlie Fink mostra aquele desleixo do primeiro álbum. O refrão tem a ótima frases como “The boredom stirs a rage inside her soul / A rage that reaches out and takes control / Baby she’s a wild thing”.

L.I.F.E.G.O.E.S.O.N., canção que já teve seu clipe divulgado, tem o lado bem-humorado do primeiro disco, mas um pouco da maturidade alcançada no segundo. O refrão, com a brincadeira de soletrar, fica fácil na cabeça. Quando o disco sair, posso rever minhas opiniões, mas pelas prévias, esse deve ser o tom no novo álbum.

Al Diaz + Serotonina em Jaraguá e Stuart em Blumenau

11 de fevereiro de 2011 0

Serotonina / Foto: Vicky Bartel

Findal de semana de shows de boas bandas catarinenses. Em Jaraguá do Sul, que é aqui do ladinho de Blumenau, tocam Al Diaz, que entre vai e vem, continuam por aí com as boas composições próprias que eu tanto cantei junto lá em 2005 e 2006. Entre elas Pra Te Levar, ali embaixo pra ouvir.

Junto com os rapazes, toca também a enérgica Serotonina. O eletrorock do trio da cidade foge do lugar comum e, junto com as distorções da guitarra, o peso do baixo e as batidas eletrônicas, incluem elementos que se incorporam de forma bonita e divertida. Destaque para a ótima voz da vocalista. Ouça aí embaixo Kirk e Solar Flares. Os shows rolam hoje (havia dito que era tudo sábado, foi mal) na Licoreria Pub.

Stuart / Foto: Cleverson Cassanelli

Em Blumenau teremos um show que é sempre bom de ver não só com olhos voltados ao palco, mas também pela animação e sintonia pelo lado do público. As clássicas canções dos blumenauenses do Stuart voltam a tocar ao vivo na cidade, outra vez no Ahoy! Tavern Club, neste sábado. A noite terá ainda o setlista da discotecagem do vocalista Kaly.

The Strokes - Under Cover of Darkness

10 de fevereiro de 2011 0

Ontem The Strokes divulgou a primeira música do próximo disco, Angles, a ser lançado daqui exatos 39 dias (tem uma contagem no site oficial). Under Cover of Darkness foi um dos assuntos mais comentados do twitter na tarde de quarta-feira. Enquanto não podia ouvir o single (justificando o delay deste post), lia muitos comentários do tipo: “Strokes não faz nada diferente”, “parece com todas as outras” etc.

Realmente Under Cover não foge muito do que os nova-iorquinos estão habituados a fazer. Mas enquanto a crítica espera por coisa nova, os fãs gostam mesmo é do fato de Strokes sempre parecer com… Strokes. E é nisso que eles são bons.

Depois de 5 anos sem nenhum álbum novo, o que eu particularmente esperava da trupe de Julian Casablancas era uma música como Under Cover. Mas estou escrevendo como fã. Vocês podem discordar tranquilamente. Até porque single é pra funcionar assim, afinal, é uma prévia que serve mais para divulgar o disco do que sintetizá-lo. As próximas faixas é que dirão qual caminho a banda está seguindo.

Você pode ouvir Under Cover of Darkness abaixo e baixá-la no site oficial do Strokes. (Aproveitei a deixa para embedar o demo de You Only Live Once, resgatado por Thomas Mars (do Phoenix) para a trilha de Somewhere, novo filme de Sofia Coppola).

Anna Calvi - Anna Calvi (2011)

07 de fevereiro de 2011 0

Anna Calvi, na canção First We Kiss, pergunta por quanto tempo seu coração irá continuar batendo contra a janela, preso em algum lugar. A resposta ela dá ao mesmo tempo em que pergunta. E eu digo: “Anna, seu coração fica livre no momento em que você canta”.

A voz dessa inglesa não traz apenas, na mesma proporção, beleza e força. Ela cospe lá de dentro, desse coração que parece ter ânsia de liberdade, uma energia vital que emociona, de tão verdadeira que soa aos ouvidos. Ela não usa a garganta pra cantar. Ela quebra todas as janelas ao redor e deixa-se cantar com paixão.

Em seu álbum de estreia, homônimo, Anna Calvi ambienta sua paixão em um cenário denso, numa espécie de uma grande nuvem escura com raios brilhantes e belos, que, assim como numa tempestade, encantam pela imponência. Seu lado gótico nas canções aparece numa referência aos anos 1980, com The Cure e Siouxsie & the Banshees, mostra ainda um aspecto cru, meio PJ Harvey, mas com charme, em certos momentos lembrando o estilo de cantoras francesas como Françoise Hardy e Juliette Greco.

Várias cantoras têm surgido com ótimas vozes, até certo ponto maduras e com melodias que fogem de um folk ou rock bobinho. Mas Anna Calvi mostra uma seriedade diferente. As melodias são totalmente soturnas, mas é como andar no escuro sentindo-se totalmente seguro. A guitarra quase sem efeitos pontua climas desde o estilo flamenco em The Devil, a leveza dançante em No More Words e até a simplicidade na ótima Blackout.

É sempre perigoso dizer isso, mas podem me cobrar depois. Eu considero esta estreia de Anna Calvi, ao lado de Slippery Slope, do The Do, os melhores discos de 2011 até agora. Na imprensa britânica, ela surge também como uma das apostas para o ano. Abaixo, em uma apresentação ao vivo na televisão francesa, Anna traz duas canções do disco, Blackout e Desire e em outra performance ao vivo, No More Words.

Nous non plus

06 de fevereiro de 2011 0

Quem tem ouvidos atentos sabe que os seriadinhos americanos são uma ótima fonte para quem busca novos sons. Então, estava eu assistindo o último episódio de Gossip Girl, Damien Darko, quando Monokini, da Nous Non Plus, começou a tocar (na primeira cena da festa da W).

Chamou minha atenção na hora. Felizmente o GG tem fãs que fazem site sobre tudo que envolve a série, inclusive a trilha sonora, e encontrei facilmente a banda que tocava aquela música. Apesar do nome e algumas letras em francês, Nous Non Plus é nova-iorquina. Só a vocalista é germano-suíça Céline Dijon. Os outros integrantes são os Jean-Luc Retard (baixo e vocal), Bonnie Day (vocal, violino e pandeiro), Cal d’Hommage (guitarra), Harry Covert (bateria), Morris “Mars” Chevrolet (sintetizador) e François Hardonne (teclado e trompete).

Monokini é do primeiro disco, que leva o nome da banda, gravado em 2005. Depois dele, veio Ménagerie, de 2009. Apesar de não ser tão recente assim, achei as músicas tão divertidas que Nous Non Plus merecia um post. O grupo brinca com os clichês da música francesa (especialmente quando se autodenomina uma banda falso-francesa) – muito backing com la la la uh uh. Vale a pena ouvir mais no MySpace.

Brindo à vinda do Devendra Banhart...

03 de fevereiro de 2011 0

Não gosto de boatos, mas a notícia aqui fica mais como uma torcida para que se torne verdade do que uma fofoca. Também pode ser uma desculpa para postar o clipe. Então…

Com o line-up do Lollapalloza Chile divulgado, os produtores começam a se mexer para aproveitar a proximidade dos artistas com o Brasil. O The Drums está praticamente certo, só falta confirmar a data. Mas eu, particularmente, espero confirmação é da vinda de Devendra Banhart.

Vamos aos fatos. O Chile é aqui do lado. Devendra adora e assume sua paixão pelo Brasil. Parece que a agenda está livre. E, segundo o quase-sempre-bem-informado Lúcio Ribeiro, o cantor já foi oferecido a produtores brasileiros. Eu proponho um brinde à vinda de Devendra pra cá!

Agora, já que tocamos no assunto, fica aí embaixo o ótimo clipe de Brindo. A produção foi feita para uma marca de óculos e tem a participação da bela namorada do cantor, Rebecca Schwartz.