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Ben + Vesper - Honors (2011)

02 de fevereiro de 2011 0

O sinal de positivo que junta o nome de Ben com o de Vesper para formar o nome da banda não é só uma questão estética. O símbolo matemático representa mais do que o matrimônio entre Ben e Vesper Stamper, ele marca a união das vozes do casal, que foge do típico dueto e cria diversas formas de usá-lo, exemplificadas mais uma vez, agora no novo disco, Honors.

As vozes, além de não cairem numa rotina, possuem sonoridades que se completam. Em Honors, elas exercem diversos papéis. Seja brincando no diálogo inicial de Holly Home, com Vesper suavizando a voz de barítono de Ben em Knee-hi Wall, ou ao contrário, com ele brincando de aparecer e sumir para pontuar simplicidade feminina no vocal dela.

Sonoramente, a dupla, que conta com amigos para preencher as melodias do álbum, traz um clima indie pop, com momentos mais animados, que me lembrou The Owls, e outros mais calmos, que me trouxe à memória outra parceria, a de Isobel Campbell com Mark Lanegan. As canções são belas e sabem a hora certa de "estranhar" um pouco. Mas a força de Honors está mesmo belo casamento (não consegui fugir do trocadilho) das vozes.

Dá pra ouvir a canção My Father's Eyes aqui. O primeiro clipe do disco deve sair em breve.

Young Buffalo - Catapilah (2011)

01 de fevereiro de 2011 0

young buffalo

Ouvir Young Buffalo pela primeira (o que fiz hoje) trouxe a mesma sensação de quando ouvi Arctic Monkeys lá pelos idos de 2006. Coisa boa encontrar no meio de tanta firula um som novo nada pretensioso. A banda de Oxford (EUA) reúne o básico - baixo, bateria, guitarra e teclado - e não precisa de mais nada.  É música com frescor.

Alex Von Hardberger (vocal, teclado, baixo, guitarra), Ben Yarbrough (vocal, bateria, baixo, guitarra) e Jim Barrett (vocal, bateria, baixo, teclado, guitarra) formaram a Young Buffalo em 2009. Em pouco tempo, a banda começou a ser citada em blogs especializados justamente pela maturidade precoce. O primeiro single, Catapilah, está disponível no iTunes UK - o lançamento oficial está previsto para 14 de fevereiro. Mas dá para ouvir outras músicas no MySpace.

Abaixo, o vídeo quase caseiro de New Beat:

Asa - Beautiful Imperfection (2010)

31 de janeiro de 2011 0

Comentei com um amigo no final de semana, a caminho do Meca Festival, que a próxima edição do Summer Soul Festival, outro festival que fomos, e que trouxe além de Amy Winehouse, o carismático Mayer Hawthorne e a aposta do pop, Janelle Monáe, poderia trazer a francesa Asa (pronuncia-se Asha).

Fui conquistado por ela no último disco, Beautiful Imperfection, que saiu no final do ano passado. Foi daqueles álbuns que me pegaram pela capa, nem tinha lido muito sobre pra ela. Quando dei o play, fui até a terceira faixa (a sequência de Why Can't We, Maybe e Be My Man) me deslumbrando muito com o som. Um soul atualizado, uma voz sensual e refrões que grudam na cabeça.

Depois o disco perde a capacidade de deslumbrar e apenas cumpre seu papel. Continua bom, um pop dançante, com alguns momentos mais românticos, umas linhas de reggae e jazz aqui e lá, mas nada como aquilo do começo. No final, ainda aparece a ótima Broda Olé, cantada em Yoruba, um dialeto de origem africana.

Apesar de oscilar em qualidade, o disco todo é muito bom. E das faixas que eu apontei como as melhores, Be My Man (vídeo abaixo) já ganhou um ótimo clipe e Why Can't We (aqui, em uma versão ao vivo) terá um vídeo lançado em breve.

Os quatro bons shows do Meca Festival

30 de janeiro de 2011 0

Beleza, animação, energia e harmonia. Essas quatro palavras resumem os quatro melhores shows do Meca Festival, que rolou sábado, no litoral gaúcho. Se, aparentemente, o festival recebeu menos público do que esperava, esse foi o fator que tornou tudo mais agradável. Sair de lá da frente do palco, por exemplo, para pegar uma cerveja e voltar, não era tarefa árdua.

Assim mesmo, o público foi bom, principalmente para um evento longe de uma metrópole e com bandas que ainda são apostas (ok, o Vampire Weekend nem tanto, mas...). Mas voltando a falar das palavrinhas que resumem o Meca Festival...

Foto: Joyce Guse Barbi

A beleza ficou por conta da primeira atração da noite. Tá, o Wannabe Jalva foi a primeira banda, mas o público ficou sentado na grama e desatento ao show. Nem contou como abertura. O que acionou os ouvidos de quem estava lá foram os curitibanos do Rosie and Me, com seu folk animado. As letras em inglês, levadas com acordes de violão, guitarra e banjo, fizeram o público perder a timidez, dançar calmamente e aplaudir. E a banda realmente merece os aplausos. No meio do show, quem ainda não conhecia a banda, disse que se surpreendeu. Rolou até uma ideia de um projeto para trazê-los para Blumenau, mas isso é outra história...

Foto: Jean Schwarz

A dancinha que era tímida perdeu a vergonha com o Copacabana Club, também de Curitiba (é a nossa Suécia?). É aí que entra a animação. Quem acha que eles dependem apenas do hit Just Do It, pode esquecer. A "clássica" canção era só mais uma em um repertório cheio de boas e animadas canções que fizeram o público acompanhar com pulos e palmas.

Foto: Jean Schwarz

Com apenas um disco lançado, mas cheio de boas músicas, o Two Door Cinema Club deve ter sofrido com o calor, mas entregou todas as suas gotas de suor, num show cheio de energia. O peso do som ao vivo foi surpreendente. E se eles se entregaram, o público também. Com as palmas e gritos, deu pra ver no rosto dos garotos a satisfação de tocar em um lugar do qual talvez eles não soubessem o que esperar.

Foto: Jean Schwarz

A principal atração do Meca Festival, os nova-iorquinos do Vampire Weekend, não chegaram ao êxtase com o público. Mas de maneira nenhuma isso se tornou algo negativo. O que havia era uma harmonia muito boa e bonita. O estilo fiel do show, que traz a mesma sonoridade do disco para o palco, fez todo mundo acompanhar, quase que de forma ensaiada, as canções que exigiam a participação de palmas ou de backing vocals (como foi o caso de Blake's Got a New Face). O show foi curto e eles ainda pareciam um pouquinho travados em palcos brasileiros. Quem sabe eles se soltem e façam shows ainda melhores (São Paulo, dia 1º, e Rio de Janeiro, dia 3).

A equipe do Ctrl+N dobrou de tamanho!

28 de janeiro de 2011 0

Olá, pessoal

Este é o meu primeiro post como colaboradora do blog. Estou muito feliz em poder escrever nesse espaço. Música é um dos meus assuntos preferidos e adoro descobrir bandas novas, por isso, não se intimidem em sugerir. Vou usar esse espaço como uma troca. Obrigada, Vini, pelo convite.

Para começar, o clipe de Stand on the Word, dos franceses do Keedz. Não é um clipe fresquinho da banda, mas é que eu os conheci através do twitter com a Dani Hasse (@dani_hasse). Ela sugeriu essa música num dia que eu implorei por sugestões que me animassem.  Deu muito certo.

Iron & Wine - Kiss Each Other Clean (2011)

25 de janeiro de 2011 1

Acho que no início da carreira, Sam Beam, o homem por trás do projeto Iron & Wine tinha um fôlego que alcançava o tamanho de um quarto médio. Talvez por isso, escondido atrás de uma característica lo-fi, seu folk simples, calcado quase que exclusivamente no violão, era tão denso, como um ar pesado e quase imóvel.

Em Shepard's Dog, de 2007, Beam mostrou que seu organismo criou novas habilidades. Seu fôlego aumento e ele conseguiu soprar em novas direções. Alcançou extensões maiores em seu som, como se houvesse viajado e trazido na poeira do ar, novas paisagens. Sua música ganhou elementos que ainda eram folk em sua raiz, mas muito mais completos.

Em seu novo disco, Kiss Each Other Clean, aquele fôlego pequeno, que se transformou em um vento viajante, agora é uma ventania domada. É como se ele dominasse essa energia que cresceu em seu trabalho e conseguisse incluir elementos novos, mais soul em um momento, como em Me and Lazarus, ritualístico, em Rabbit Will Run, e até dançantes, como na animadinha Big Burned Hand.

Isso tudo sem alterar alguma característica que é o Iron and Wine, é o que esperamos dele, mesmo sem esperar. Vale comentar também, bem pontuado na resenha sobre o disco no Pitchfork, que a voz é um dos elementos que mais evolui nessa trajetória. Beam se tornou mais cantor a cada disco.

The Low Anthem no festival de Sundance

21 de janeiro de 2011 0

A banda The Low Anthem foi convidada para tocar no festival de cinema de Sundance. O grupo tem feito diversas apresentações neste mês para a divulgação do novo disco, Smart Flesh, que sai em fevereiro. O show em Sundance será na segunda e terça-feira. O vocalista Ben Knox disse ao site Spinner que não sabe realmente o que vai fazer lá, mas que era uma satisfação se apresentar no festival.

Abaixo, um vídeo da canção Ghost Woman Blues, faixa do novo disco.

Novo clipe do She & Him - Don't Look Back

20 de janeiro de 2011 0

Em todos os posts que eu vi sobre o novo clipe da dupla She & Him, o adjetivo "fofa" parecia indispensável ao se falar na fofa da Zooey Deschanel.

E falar o que mais dela? Tente pausar o vídeo no minuto 3'21" e não se apaixonar. Acho que ela resume um pouco as características que nós meninos  buscávamos naquelas paixões infantis, pela menina mais bonita da sala, que preservava encanto e beleza. Ai, ai, Zooey...

Lia Ices - Grown Unknown (2011)

19 de janeiro de 2011 0

Eu que sou apaixonado por vozes femininas, estou me deliciando com o novo álbum de Lia Ices, Grown Unknown. Isso porque ela apresenta um pouquinho de várias cantoras que eu gosto, principalmente na linha indiepop e folk.

Por exemplo, Love is Own tem um pop levemente sensual e muito feminino que lembra Feist. Daí o cenário fica mais denso na segunda música, Daphne, com os dedilhados do violão e melodia me fazendo lembrar de Alela Diane. Tem ainda o indiepop mais bobinho que lembra Sally Seltmann e às vezes uma voz mais grave e uma canção mais séria que me leva à sueca Frida Hyvönen.

Mas não aproveite essa definição para acusá-la de apenas sugar essas referências. Não são similaridades próximas de um espelho. Está mais para algo translúcido. A imagem da própria Lia Ices é que aparece atrás desse vidro de influências.

Vale dizer também que, dois anos depois do primeiro disco, ela amadureceu bastante. As referências de outras cantoras que ela já trazia eram mais secas e sem sua marca.

Abaixo, um teaser da canção que dá nome ao disco.

Mayer Hawthorne e Janelle Monáe em Florianópolis

09 de janeiro de 2011 0

Foto: Charles Guerra

Mayer Hawthorne

Mayer Hawthorne estava encantado por se apresentar no Brasil. E a empolgação dele se transformou na empolgação do público. Muito carismático, conversando com o público e ensinando coreografias de suas músicas, o cantor norte-americano fez um show curto, mas vibrante. Desconhecidas do público brasileiro, suas canções surpreenderam quem esperava por Amy Winehouse.

Vestido num terninho claro com gravata borboleta, a figura nerd de Mayer trouxe ao palco do Summer Soul Festival, sábado à noite, em Florianópolis, alguns hits do seu primeiro disco, como Maybe So, Maybe No e The Ills. Foi em I Wish it Woud Rain a parte mais bonita do show, com o público acompanhando o refrão em uma coreografia com as mãos.

Mayer não tocou a canção que dá nome ao seu disco, A Strange Arrangement, mas trouxe uma inédita, que deve estar em seu próximo disco, e explicou dizendo que a música "não é sobre amor, é sobre sexo". Além disso, tocou um cover de Snoopy Dog, Beautiful, e conversou bastante com o público. Numa dessas conversas, brincou contando a história de ter sido "reconhecido" no aeroporto, quandona verdade o confundiram com o ator Tobey McGuire.

Foto: Charles Guerra

Janelle Monáe

Ela entrou escondida em um capuz, cantando os versos rápidos de Dance or Die. Então se revelou ao público e a partir daí se mostrou uma artista concentrada em sua performance. E essa característica, junto com sua maravilhosa voz, foi a força do show.

A apresentação é um espetáculo completo. Começa com o telão apresentando o conceito do seu primeiro disco, The ArchAndroid, falando sobre futuro e robôs, e além da música, traz a energia da dança, momentos teatrais e até pintura. O show é curto comparado ao disco, mas acerta na escolha do repertório, que dá espaço para uma versão de Smile, clássico de Charles Chaplin.

Acertada também foi a escolha das duas músicas finais, um combo com Cold War e Tightrope, que arrancou aplausos entusiasmados do público. A banda deu um show à parte, tanto na técnica como na animação. Foi uma apresentação milimetricamente ensaida e com tudo dando certo. Ah, quase tudo. O famoso topete da bela Janelle se desmanchou. Talvez culpa do calor de Floripa.