O Blog deixa um pouco de lado a dupla Rio-Nal neste post para repercutir a final do Mundial de Clubes, que gerou uma série de debates nas rodas esportivas e nas redes sociais neste domingo. A ideia é propor uma reflexão sobre a necessidade de o futebol brasileiro se reinventar, rever conceitos. O que, é claro, pode (e deve) interferir na realidade santa-mariense.
O ano futebolístico encerrou com chave de ouro. A goleada de 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos, na manhã deste domingo, na final do Mundial de Clubes, em Yokohama, só não agradou ao time treinado por Muricy Ramalho e a quem tenha restrição ao futebol bem jogado - e como isso ainda é possível?

Segundo título mundial do Barcelona coroou um clube que se preparou para ser multicampeão
Muito se falou de um possível duelo entre o brasileiro Neymar e o argentino Lionel Messi. Mas bastou a bola rolar, e só a estrela de Messi brilhou. E, mais do que isso, a coletividade do time catalão impôs sérias dificuldades ao Peixe, que sucumbiu dentro de campo. Restou a Neymar, após a partida, reconhecer que o Barça ensinou como se faz.
- Outro dia, vi uma entrevista do Guardiola (técnico do Barça), que disse que você primeiro perde para depois ganhar - afirmou, Neymar, que completa 20 anos em fevereiro.
Se o jogador mais badalado do país na atualidade assume que é preciso ter humildade, porque o futebol brasileiro não segue o exemplo? O Barcelona não virou um time multicampeão da noite para o dia. São décadas de planejamento. Só para ter uma ideia, o Barça é formador de jogadores, algo raro na Europa. Por isso, a Espanha, com a base do time catalão, tem se destacado em relação a outros vizinhos de continente, que contam com muitos estrangeiros em suas ligas nacionais.
Além de contar com um elenco de atletas escolhidos a dedo, o atual campeão do mundo sabe tirar o melhor deles, pois criou um padrão de jogo (expressão bem comum no futebol atual) vencedor e não abre mão. As estratégias dentro de uma partida podem variar - como ficou claro neste domingo, com alternância no posicionamento de jogadores em todos setores -, mas o time costuma manter a consistência defensiva e a efetividade ofensiva.
E considero que esta convicção na continuidade de uma maneira de pensar e jogar futebol - para ganhar, sempre - é o diferencial do Barcelona. Prova disso, que a garotada que sai das categorias de base do clube já foi instruída desde cedo sobre a cultura tática do time profissional. Aí, facilita o trabalho do técnico.
Dito tudo isso, quero deixar claro que o Santos não foi batido apenas pela qualidade de Messi, Xavi, Iniesta e cia. Foi a coletividade de um time bem organizado, preparado para ser campeão, enquanto, no Brasil, muita gente achava que o brilhantismo de Neymar e Ganso seria suficiente para conquistar o mundo com um time irregular.
A culpa não é do Santos, mas da cultura brasileira de que a "magia" do nosso futebol pode sustentar a tradição. Futebol é planejamento e organização, precisa ser pensado e bem executado. Não seria a hora de abandonarmos esta postura e reciclarmos ideias? Afinal, há meia década nenhum clube brasileiro é campeão mundial. São duas Copas do Mundo consecutivas da Seleção como coadjuvante.