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As cores daqui importadas daí

21 de fevereiro de 2012 0

Um brasileiro de topete alto e vermelho intenso colore os céus havaianos - e a terra também, como dá pra ver nas fotos. O simpático pássaro chamado popularmente por aqui de Brazilian Cardenal (Cardeal Brasileiro) é facilmente encontrado a qualquer hora, em qualquer lugar dessa ilha de cá (Oahu). A população deles é muito grande. Arrisco dizer que num dia, vejo mais do que vi na vida inteira que passei no Brasil.

Diz a lenda que amostras foram trazidas de navio para cá, para presentear um príncipe lá pelo início de 1900. A realidade mostra que esses pássaros lindos se adaptaram muito bem e até incorporaram inclusive o espirito aloha...Os cardeais daqui são bem mais mansos do que os que encontramos no Brasil. Olhe só como a gente consegue chegar pertinho deles!

Fotos: Eduardo Silva
Fotos: Eduardo Silva

O gostinho brasileiro do North Shore havaiano

20 de fevereiro de 2012 0

Uma das perguntas que todo mundo faz para quem mora fora é: Você tem saudade do quê? Claro que no topo das listas vêm a família e os amigos que estão longe e logo depois a comida*. Confesso que não é todo dia que digo, "ai uma comidinha brasileira cairia bem". Adoro isso de ir na esquina e me sentir na Tailândia, no Vietnã ou no Japão. Aqui no Havaí os gostos asiáticos são dominantes, mas tem também restaurante italiano, grego, francês, mexicano, espanhol....e por aí vai. Tem de tudo mesmo, não dá para reclamar.

Mas principalmente nessa época de carnaval bate aquela saudade do nosso gostinho brasileiro. Já falei aqui que relembro os sabores da infância comendo as malasadas portuguesas que têm gosto de sonho. Mas o que realmente me deixa feliz é dar uma voltinha no North Shore e poder me deliciar num verdadeiro pastel brasileiro, numa deliciosa coxinha, num saboroso açaí com guaraná e ter de sobremesa um brigadeiro! Que dieta que nada, esse coquetel para mim soa como um banquete.

Na beira da estrada, a poucos passos de Pipeline, a gente encontra estacionado um caminhão amarelo, com a bandeira do Brasil estendida. Ele é pilotado pela Cris Jensen, uma japa bem brasileira que coloca todo os seus temperos e seu amor na panela para criar o melhor dos sabores.

Antes e depois da praia, surfistas famosos, anônimos ou turistas de todo o planeta se encontram, ou para matar a saudade do gostinho do nosso país ou para descobrir os sabores do Brasil.

Fotos: Cleide klock
Fotos: Cleide klock

Crispy Grinz - esta é a pastelaria do Havaí

Clientes se deliciando com um pastel bem grande e guaraná

A dona das receitas, Cris Jensen (esquerda) e eu aí do lado esperando meu pastel

* Continuando a lista das saudades vem: os médicos, a manicure e a petshop - tanto na qualidade do serviço quanto no preço cobrado, os brasileiros têm que agradecer muito! Ah, têm ainda, os biquinis, a calça jeans, o café, a banana, o pão de trigo....

Forró in the dark - de Nova York com um "toque" catarinense

17 de fevereiro de 2012 0

divulgação
divulgação

A mistura de forró, embalado com uma percussão forte, uma pitada de jazz, outra de rock e reggae, e mais todas as influências tanto brasileiras quanto Nova Yorkinas formam o Forró in the Dark. Banda idealizada pelo músico catarinense Mauro Refosco, e que comemora em 2012 dez anos de formação, seis anos do primeiro CD e várias voltas pelo mundo. Foram eles que fizeram David Byrne – ex-Talking Heads - cantar Asa Branca, por exemplo. Aliás, Byrne é um dos maiores fãs dos brasileiros, que levam ao palco além de uma performance impecável, sons engraçados diante de uma musicalidade moderna e irreverente com songs em inglês e português.

E, nesse carnaval eles deixaram NY para levar seus embalos para Salvador. Sorte de quem puder passar pelo Camarote Expresso 2222.

Em Nova York, eles são presença frequente nos palcos do Nublu Club, cuja proprietária também é brasileira.

Vamos contar baleias?

16 de fevereiro de 2012 0

Do Alaska para os arredores do Havaí, esse é o trajeto que as Baleias Jubarte fazem todos os anos durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte. Essa migração é muito semelhante a que acontece em Santa Catarina, com a Baleia Franca.

Aqui a jornada das jubarte é de quase seis mil quilômetros, uma viagem de mais de um mês. Elas investem tantas energias para procriarem nos arredores das ilhas de cá. Cerca de 12 mil gigantes são avistadas na temporada de observação de baleias. Leis severas punem aqueles que chegam a menos de 100 metros de distância delas, afinal elas vêm em busca de águas mais quentes, paz e traquilidade para terem seus filhotes.

Todo ano é feito um mutirão para contar baleias. Durante esse período de visita às ilhas havaianas, é a comunidade que ajuda a contar quantos animais estão passeando por aqui. Tudo com o apoio do Santuário Nacional Marinho, órgão responsável pela preservação da vida no mar. Moradores e até turistas se tornam voluntários, se inscrevem e passam um dia em algum lugar paradisíaco indicado pelos organizadores da contagem, olhando para o mar, vendo quantas passam e observando o comportamento desses seres pré-históricos e encantadores.

O próximo mutirão acontece dia 25 de fevereiro.

Foto Cleide Klock
Foto Cleide Klock

Essa aqui fez um showzinho para mim dia desses, em Oahu

Uma boa ideia

15 de fevereiro de 2012 0

Adorei o novo lançamento da prefeitura de Honolulu: um aplicativo para celular para deixar os moradores conectados. Na era no touchscreen, nada mais importante do que os governos usarem o poder da tecnologia para agilizarem seus processos em prol da qualidade dos serviços prestados. Acredito que outras administrações já utilizem programas semelhantes, mas sempre vale a pena compartilhar boas ideias.

Ficou curioso para saber como funciona? Ouça o comentário de hoje:
Na ponta do dedo by Cleide Klock

Minha 'praia' em NY

14 de fevereiro de 2012 2

No post anterior falei da minha praia preferida no Havaí - Hanauma Bay e agora vou contar como é a minha de Nova York. Ela não tem nem areia nem mar, mas sempre a chamei de praia. Tem cadeiras para deitar, gente bonita passando de um lado para o outro, descontração e é um local perfeito para pegar sol no verão. Estou falando do High Line.

Antigas linhas de trem, que ficaram abandonada por anos, viraram um jardim suspenso todo arborizado e no meio da cidade. Beirando o Rio Hudson, o parque vai do Meatpacking District até a rua 23, mas o projeto prevê que ele cresça até a rua 34. As linhas de trem fazem parte do cenário, junto com um paisagismo encantador, feirinhas e um bom astral. Um passeio no inverno é bem gostoso, mas no verão é perfeito. O parque tem até uma arquibancada, com vista para a cidade. E pode levar o biquini, pois sem pudor os nova yorkinos ganham uma corzinha esparramados nas espreguiçadeiras feitas, aliás, com madeira importada do Brasil...Isso foi uma longa discussão, com direito a manifestações e quase fechamento do parque. No final provaram que o ipê era certificado.

O projeto é uma prova de amor dos moradores por NY e mostra que a insistência tem ser louvor. A Associação dos Amigos do High Line convenceu o poder público que a revitalização era necessária para mudar a cara da região e trazer autoestima ao bairro. Dito e feito. Foi realizada a mais bem sucedida parceria púbica e privada da cidade e é possível ver nesse projeto como as forças unidas podem trazer benefícios para todos.

Esse vídeo conta um pouco mais da história do High Line (está em inglês):

Sobre o Meatpacking District:

O Meatpacking District é um dos bairros mais bacanas de NY. Cheio de galerias de arte, artistas expondo seus conceitos, lojas de designers famosos e de estilistas alternativos. O local também reúne muitos dos melhores bares e restaurantes da cidade. Mas essa transformação aconteceu na década de de 1990, depois que o plano de Tolerância Zero foi instituído na cidade. Antes, a região, que fica nos arredores da rua 14 no lado oeste da ilha, era conhecido por ter pontos de drogas e prostituição. Voltando ainda no tempo, no início do século passado aqui existiam matadouros e açougues, daí o nome Meatpacking District – Distrito de embalar carne.

Um paraíso chamado Hanauma Bay

13 de fevereiro de 2012 4

Hanauma Bay é um dos lugares mais impressionantes de Oahu, pelo menos para mim. Acho que se eu tiver que indicar apenas um local para visitar, digo sem pensar que este é o pico! Ela foi a primeira reserva marinha a ser criada nas ilhas do Havaí, em 1967. É uma praia - ou um paraíso, no meu ponto de vista - dentro da cratera do que um dia foi um vulcão. Há alguns milhares de anos, o mar invadiu a cratera e formou o que é hoje uma baía cheia de vida, de águas transparentes, com corais fascinantes e um mundo submarino multicolorido e encantador. Na terra do surf, esse é um dos melhores lugares para o mergulho de snorkel para todas as idades, principalmente para aqueles que nunca se aventuraram a respirar pelo tubo. É só colocar a máscara, botar a cabeça dentro da água para se sentir em um aquário, com direito a peixes de todos os tamanhos, formatos e tonalidades. As águas paradinhas da baía ajudam a gente a ficar boiando e assim fica super fácil admirar esses bichinhos lindos.

Quando a gente chega no parque, já de cima tem essa vista, que mais parece uma miragem:

Na parte mais escura estão os recifes de corais, lotados de peixinhos coloridos

Essa é a única praia paga de Oahu. Cobra-se uma taxa de 7,5 dólares (cerca de 14 reais - porém morador não paga) e já na entrada, antes de colocar o pezinho na areia, é preciso assistir a um vídeo curto que ensina "as boas maneiras" do parque para que a vida seja preservada. E depois é só descer o morro e ir olhar de perto o que Hanauma tem de melhor.

Para ter o gostinho, aqui vão alguns cliques do final de semana:

Chegando um pouco mais perto

Com o pé na areia

Fotos Cleide Klock
Fotos Cleide Klock

Sombra e água fresca, literalmente

* Uma das fotos do meu perfil foi tirada em Hanauma Bay, só porque eu amo esse lugar :)
* Fico devendo fotos e vídeos dos peixinhos, os principais astros dessa baía, mas prometo para breve um especial subaquático.

Aloha Friday!

10 de fevereiro de 2012 2

reprodução: ubercomments.com
reprodução: ubercomments.com

Assim são chamadas as sextas-feiras no Havaí, pois é hora de comemorar a semana que passou e o final de semana que está chegando. O termo começou a ser usado na década de 1960, quando um fabricante de camisas havainas (aloha shirts) fez uma campanha para que elas fossem usadas nas sextas, para deixar esse dia mais casual, mais colorido e descontraído. Logo depois foi a Assembleia Legislativa que fez a recomendação: os homens de negócios deveriam vesti-las todas as sextas. Porém o termo foi imortalizado na música de Kimo Kahoano e Paul Natto, em 1982, com o título "It's Aloha Friday, No Work 'til Monday" (É a sexta-feira de Aloha, sem trabalho até segunda, em tradução livre).

Nas sextas essa música é tocada o tempo todo nas rádios daqui, nos showzinhos nas ruas, em todo lugar.

Aliás, as camisas floridas agora são usadas diariamente.

Aloha Friday pra você!

Entre no ritmo do Havaí:

Nesse vídeo você vê um pouco do Havaí de antigamente. ele traz fotos antigas de

trabalhadores nas plantações de cana e abacaxi.

Aloha é uma palavra na língua havaina cheia de significado, como afeição, paz, compaixão, amor, amizade...enfim, tudo de bom! É usada o tempo todo: quando as pessoas chegam num lugar, para dizer bom-dia, boa-tarde ou boa-noite, tchau ou transmitir boas energias. Dizem também que é um estado de espírito, presente nos havaianos, que contagia quem mora aqui a levar uma vida mais leve, mais saudável, mais tranquila...

Além de ser o apelido do Havaí: Aloha State ou o Estado Aloha.

O paraíso das tartarugas

09 de fevereiro de 2012 1

Encontrar várias tartarugas gigantes, dando um cochilo na areia, tem endereço certo em Oahu: na praia de Laniakea (também chamada de Turtle Beach), bem próxima às famosas Waimea e Pipeline. Lá é possível vê-las nadando nas águas transparentes, se alimentando de algas e logo depois, 'lagarteando' na areia. Dizem até que é o melhor lugar do mundo para encontrá-las...

Elas param para descansar, diariamente, e são apreciadas por muitos turistas – de longe. Voluntários estão vigilantes.

A ONG Malama na Honu tem cerca de 60 voluntários, que se revezam como os guardiões dessas gigantes de mais de 75 milhões de anos. Todos os dias, eles estão lá, com uma barraquinha, esperando as tartarugas chegarem à praia. Colocam uma corda vermelha ao redor e é proibido chegar a menos de 1,80 metro de distância perto das tartarugas. Eles também distribuem folhetos, dão informações aos turistas sobre esses animais e falam da importância da preservação da vida marinha. São 20 tartarugas cadastradas que visitam a praia. E, quando uma chega, o voluntário já coloca uma plaquinha com o nome da tartaruga e identificações como peso, idade, família....

O trabalho, que é feito há mais de 10 anos, aumentou o número de tartarugas que usam a praia como o local para o seus sonhos, como dizem por aqui. De acordo com a ONG, nessa praia elas se sentem seguras e ao contrário do que acontece no restante do planeta, sabem que aqui os humanos não irão perturbá-las.

Em Laniakea há uma grande quantidade de comida para elas, bem pertinho da areia, o que facilita o soninho logo após o almoço.

- Tartaruga na língua havaina é Honu.

Tenho uma verdadeira coleção de fotos desses bichos lindos. Todas as vezes que fui a Laniakea encontrei tartarugas. Compartilho com vocês:

Três tartarugas, com a corda mostrando o limite de aproximação e as plaquinhas com nomes.

A tartaruga Brutus foi a que mais encontrei até hoje, sempre está lá.

Fotos Cleide Klock

Mobilidade urbana em Nova York

08 de fevereiro de 2012 0

Lá venho eu falar de novo nela, na companheira bicicleta. Já comentei sobre como é no Havaí aqui e desta vez é Nova York que abre os olhos em defesa dela, ou como prefiro, em prol da mobilidade urbana. Nunca precisei reclamar do trânsito de Manhattan, apesar de ser completamente caótico. O metrô sempre supriu todas as minhas necessidades de ir de lá pra cá, ele chega em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da madrugada. Porém, se for possível ir de bike, a gente sempre une o útil ao muito agradável. A cidade é linda para ser admirada pedalando (não nos dias de neve), os passeios nos parques, na beira do rio, pela ponte do Brooklyn...enfim, por onde hoje as ciclovias já chegaram. Por isso agora é possível fazer da bicicleta o transporte do dia a dia numa das cidades mais populosas do planeta. E isso tudo vai ficar ainda melhor, em breve. Assim como em muitas cidades da Europa, que têm esse serviço há anos, a Big Apple vai implementar um sistema de aluguel de bikes por toda a cidade. Serão 10 mil delas espalhadas em 600 estações para retirada e devolução. Deve ser o maior sistema do mundo e são os moradores, que em reuniões nas comunidades, estão decidindo qual os melhores lugares para construir cada estação.

Os ciclistas poderão fazer assinaturas anuais (que irão custar cerca de U$ 100 - mais barata que uma bicicleta), semanais ou diárias (esses preços ainda não foram divulgados).

Esse site divulga o mapa de todas as ciclovias da cidade e eventos relacionados ao assunto: www.nycbikemaps.com

Ouça o comentário: NY de Bike by Cleide Klock