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A Ninfeta - 5º capítulo

25 de setembro de 2007 46

Às quinze para as quatro, rodava com meu Palio fúcsia por uma rua sombria do Bairro Sarandi. Ah, essas meninas do subúrbio…São as mais espertinhas, todo mundo sabe.

Parei diante de um prédio encardido. Conferi o número. Aquele mesmo. Desci do carro, caminhei até a porta do prédio, apertei no botão do porteiro eletrônico. Esperei por 10 segundos, 20 segundos, não atenderam. Seria o endereço certo? Conferi mais uma vez. Talvez estivesse chegando cedo demais…

Premi o botão novamente. Agora, sim, ouvi uma voz feminina dizendo alô. Não tinha a certeza de que era ela, mas mesmo assim falei no aparelho:

— É o Aírton!

Como resposta, ouvi o som da fechadura eletrônica se abrindo. Empurrei a porta. Entrei. Ela morava no segundo andar. Não havia elevador. Subi pelas escadas, de dois em dois degraus. Dois, quatro, seis, oito, dez, doze, quatorze, dezesseis.

Parei diante da porta do apartamento. Respirei fundo. Levantei o dedo para premer a campainha. Antes que a tocasse, a porta se abriu. Lentamente. Lentamente. Era ela. Suzi.

Suzi, Suzi, Suzi.

Vestia uma camiseta branca, básica, e só. A camiseta servia-lhe de vestido, descia-lhe até o começo das coxas lisas. Estava de pés descalços e tinha o cabelo molhado. Recém saíra do banho, cheirava a água quente e a sabonete.

Era como se eu estivesse diante da própria primavera. Fiquei com lágrimas nos olhos. Contive-me a custo para não me atirar a seus pés ali mesmo, no corredor, e beijar seus tornozelos perfeitos. Sério: eram os tornozelos mais perfeitos que já vira.

— Entra – ordenou ela, com um sorriso de covinhas.

Entrei, o coração palpitando. Uma sala de estar típica da classe média. Um sofá surrado, uma poltrona mais surrada ainda, um tapete ralo e a indefectível TV. Sobre a mesinha de centro, flores de plástico; sobre a estante, livro nenhum, exceto um pocket do Anonymus Gourmet e a Bíblia.

Aquela singeleza me emocionou. Havia um clima de austeridade naquele lugar. Suzi acomodou-se no sofá, puxando para cima os dois pequenos pés número 35. A camiseta subiu mais um pouco, revelando-lhe mais meio palmo de pernas rosadas. Lindo, aquilo.

— Senta – disse ela.

Sentei-me. Fiquei olhando para ela, olhando bem dentro de seus olhos. Ela sustentou o olhar. Enrubesceu, afinal. Em um segundo, transformou-se numa menininha. Na menininha que era. Baixou a cabeça, sorriu sem jeito.

— Tô com vergonha – miou.

Senti-me enternecido. E ao mesmo tempo excitado. Meu coração batia com força, minhas virilhas formigavam de prazer.

Aproximei-me dela. Ela não se moveu.

Aproximei-me mais. Ela continuou quietinha, encolhida no canto do sofá, uma menininha, uma coisinha.

Abracei-a. Senti seu corpo quente de encontro ao meu. Ela se aninhou no meu peito. Seus braços delicados me envolveram, e eu a envolvi com os meus. O cheiro quente e doce de seu hálito bafejava meu rosto, e era inebriante.

Fitei seus lábios polpudos. Ela respirava com força. Ofegava. Eu ofegava também.

Então a beijei. Eu a beijei. Eu a beijei.

E foi uma das emoções mais plenas que senti na vida, sua língua macia enrodilhando-se na minha, seus dentes brancos se chocando com os meus.

Foi tão bom. Tão bom. Foi aí que ouvi aquele ruído horrendo.

O pior ruído que poderia ouvir num momento como aquele. Que ruído foi? O que aconteceu?

Saiba amanhã, em mais um capítulo trepidante de… A Ninfeta!

Postado por David

Comentários (46)

  • Cláudio diz: 25 de setembro de 2007

    David! Eu já estou com a trilha sonora dessa estória na Cabeça:
    “Oh, Susie
    we`ve run out of time
    oh, Susie
    say what`s on your mind
    we`ve got nowhere to run”
    Alguém lembra dessa??
    Abraços

  • Ciríaco da Costa Caetano Filho diz: 25 de setembro de 2007

    Pezinho 35, David? Nananinaná…pé 35 é muito pequeno, infantil demais. Pé de mulher deve ser 36 ou 37, esguio, mas belamente torneado. Calcanhar de “pêssego”, liso e redondo. Dedos com unhas buriladas e bem pintadas, “a francesinha”…

  • monica diz: 25 de setembro de 2007

    tátátá
    chega!
    acaba de vez com essa historia que nao aguento de curiosidade pra ver como tudo termina!!!!
    já roi as unhas todas
    cara tah tri
    muito tri
    hehheh
    meu amigo me indicou teu blog e bah tche!
    virei fã ta sabendo?
    abraço

  • Fábio diz: 25 de setembro de 2007

    Celular! Esqueci o celular ligado. Erro prosaico. E deve ser minha esposa dizendo que a babá não chegou e eu vou ter que levar os filhos para a escolinha!

  • Luciano diz: 25 de setembro de 2007

    Ahhhhhh não David!!! Isso é teste pra cardíaco!!!

    Vamos ter que aguardar 24 horas pra saber que ruído foi aquele???

    Quanta maldade!!hahahahahah

    Tá muito boa essa estória!!Abraços!!

  • Alex diz: 25 de setembro de 2007

    Era o DESPERTADOR!! uaHEUAHAuheauha

  • Buzz Lancaster diz: 25 de setembro de 2007

    .
    Isso está ficando que nem LOST…!!

    A cada novo capítulo, mais mistérios e emoções…!!!

    Seguirei acompanhando, afinal, a psiquê humana é deveras interessante…!! ;o)

    Abraços!

  • Juliana Ziebell diz: 25 de setembro de 2007

    Tsk, tsk, tsk…isso não vai acabar bem…ô David podia fazer um final bem “Nelson Rodrigues” né? Com muito fiasco, barraco, sangue, tragédia…

  • Daniel diz: 25 de setembro de 2007

    SADICO!!! MARVADO!!!

  • Ronaldo diz: 26 de setembro de 2007

    O ruído é o alarme do Palio fúcsia sendo roubado!!! rsrsrs…..
    Fúcsia!!! PelamordeDeus!!! rsrsrsrs….

  • Paulo L Sônego diz: 26 de setembro de 2007

    Com certeza é uma surpresa preparada para o Airton: Sua esposa e filhos vão entrar na sala naquele momento…
    Seria uma surpresa de aniversário???

  • Camila diz: 26 de setembro de 2007

    DAVID, não acredito que tu vai deixar teus leitorinhos nessa angústia…
    Ahh só quer saber de dar autógrafo hoje, né?!?!
    Deve tá mais faceiro que gordo de camiseta… *risos*
    Tá, sr. David, continua a história, senão mando os castradores de gato e os vegetarianos atrás de ti… *risos*

  • Cris diz: 25 de setembro de 2007

    Oh, ceús!
    Será o barulho de uma chave rodando na fechadura?
    Ou seria o barulho da barriguinha da Suzi roncando de fominha?
    Ou seria ou barulho da descarga de alguém que saíra do banheiro e era o responsável pelo banho recém tomado de nossa heroína?

    Será… será… será…
    Pô, David! Eu já to com urticária de curiosidade. Aposto que o final será absolutamente inesperado e prosaico, como é do seu estilo. ;-)

    Um abração.

  • Eugenio diz: 25 de setembro de 2007

    Pode confessar David: teu sonho é ser o Nelson Rodrigues, não? Só um pouquinho mais “debochado” do que o grande Mestre! Abração.

  • Rodrigo Conte diz: 25 de setembro de 2007

    Tu deveria escrever novelas!!!

  • Cello Figueiredo diz: 25 de setembro de 2007

    Pronto!
    Lá sei foi minha tarde de trabalho…

  • Rogério diz: 26 de setembro de 2007

    Pô, Palio fúcsia é pra matar… hauhauahua
    Ah, e pezinhos 35 são tudo de bom!
    Vai lá, David, continua com a história, que nós já estamos viciados!

  • Camila diz: 25 de setembro de 2007

    Certo que é a mãe dela chegando e pegando os dois no sofá. E certo também que isto é golpe pra tirar R$ dele…

    Ou, ele não conseguiu se segurar e soltou um pum… ushaushaushaushuahsua
    Seria hilário!!!!!!

  • Silvestre Silva Santos diz: 25 de setembro de 2007

    Tá, e cadê a boca e um pouco mais do rosto… Sobre a Suzi, que barulho? não ouvi barulho? terá sido, o Airton, traído pelo subconsciente? maltratado pela agonia do crime que estaria prestes a praticar…?

  • Wando diz: 25 de setembro de 2007

    Tô com o Alex, de Cachoeira. É o despertador.

  • Márcio dias diz: 26 de setembro de 2007

    O ruído…. do DESPERTADOR! Hora de acordar do sonho… hehehehe

  • Andi diz: 25 de setembro de 2007

    Só pode que o Airton vai se dar mal…estou curiosíssima!

  • Vinicius Peraça diz: 25 de setembro de 2007

    Nessas horas o celular sempre toca! Aposto que é o celular e, das duas uma: ou é a esposa do Aírton ou é a secretária que ele deveria demitir algum dia desses.

  • igor diz: 25 de setembro de 2007

    Po só o rosto nã David o corpo entero por favor tem piedade de nó

  • Silvana Tricolor diz: 26 de setembro de 2007

    Vou acabar tendo um infarto de curiosidade, hj irei na cultura pegar teu autógrafo.

  • Rafael diz: 25 de setembro de 2007

    Bah…

  • rUy diz: 25 de setembro de 2007

    David, meu velho!

    Não tenho acompanhado AINDA `A ninfeta`, muito embora deseje tempo para tal…

    Gostaria de falar em outro assunto, falar sobre uma declaração tua no TVCOM Esportes sobre o Grêmio…que história é aquela que o Grêmio pode ir pro mundial? Explica isso cara…posta aí!!! Abraço!

  • Regis Colorado diz: 25 de setembro de 2007

    “O pior ruído que poderia ouvir num momento como aquele. ” O que será? Será aquilo que menos se espera de uma moça…
    Muito bom este teu folhetim David.

  • moa diz: 26 de setembro de 2007

    o ruído foi seu estômago!!
    afroxo as perna do Aírton….
    tbm com uma mulher dessas…
    hahaha

  • Flavio A. GonzalesJr. diz: 25 de setembro de 2007

    David, já passamos dos 100 comentários. Mostra o resto desse rostinho!!! Abração.

  • Elder diz: 25 de setembro de 2007

    é demaaais!!!

    incrivel como a história se ilustra em nosso imaginário.

    e como não se apaixonar pela Suzi?

  • Tiago Manique diz: 25 de setembro de 2007

    Cara!!!!a Suzi!!!!é demais!!!hehehe!!!o amigo internauta falou e disseque é golpe dela com a mãe!!!!eu ja acho que ela é amiga de um fos filhos do Airton e é um deles que está chegadando. Será???????

  • Juliana diz: 25 de setembro de 2007

    Ahh nãoo.. essa foi demaiiis! Por que sempre acaba nesses momentos? Você é mau, David, muito mau! :)

  • Diego Kober diz: 25 de setembro de 2007

    HAuhUIAuihAUIhuiaiu
    Certo que a mãe da Suzi chegou…
    E aposto que isso é um golpe da mãe da Suzi pra tirar dinheiro do advogado tolo…. Devem ter dado esse golpe já em outros trouxas…
    Pensei nisso no momento que descreveste a casa delas. Pobres, com poucos bem materiais… Posso estar generelizando, e quiçá até destratando as pessoas sem posses (aos quais me inclúo), mas é a realidade.
    No aguardo do final do conto :D

  • Morgana diz: 26 de setembro de 2007

    Amigo David eu sou secretária e digo: As Secretárias não devem ser demitidas, devem ser “eliminadas” como queima de arquivo!!! hahahah

  • Cláudio Martins diz: 25 de setembro de 2007

    David, essa estória está o maior barato. E ler um capítulo por dia está sendo, como deve ser o encontro do Airton e Suzy: saborear cada momento, aos pouquinhos. Fica muuuuuiiittttooo mais gostoso! Parabéns. Abraço!

  • Giovani Elisio diz: 26 de setembro de 2007

    hehe, estranho todo mundo achar que poderia ser a mãe de Susi, eu vou um pouco mais além! Para por o Aírton em uma fria (não que eu não goste dele… mas estou com uma p* inveja de sua sorte só isso hehe) imagino que seja o pai da Susi, um velho carcamano, daqueles de dar medo só de olhar. Detalhe, o velho costuma andar armado :)

  • Felipe diz: 25 de setembro de 2007

    isso é tao hilário qto envolvente!

  • Alex diz: 26 de setembro de 2007

    E a continuação, a que hora será postada??? Curiosidade total… hehehehe…

  • Clarice diz: 25 de setembro de 2007

    O ruído é da Suzi chegando… cara, tá beijando a mulher errada… hahaha….
    abraço

  • Jorge Eduardo diz: 25 de setembro de 2007

    David, tu és demais. O Machado de Assis, se vivo fosse, iria “morrer de inveja” da tua criatividade, inteligência e texto brilhante.
    Sou teu fã. Obrigado pelas estórias maravilhosas que escreves.

  • Juliana Acco diz: 25 de setembro de 2007

    Ahh não acredito que tu fez isto com os seus pobres leitores!!
    é crueldade..

  • Edemar Oneszko diz: 26 de setembro de 2007

    Parece cena de filme de Wood Allen. Para transformar essa estoria em um verdadeiro dramalhao mexicano, o som que Airton ouviu deveria ser a sirene de uma viatura policial acionada pela vizinha de Suzi orientada por quem…, quem? Claro a secretaria que deveria ser demitida..

  • GIOVANI ROCHA DOS SANTOS diz: 25 de setembro de 2007

    ta na hora de pelar essa mulher. hehehe

  • Fabio diz: 25 de setembro de 2007

    Assim vc nos mata David, escreve toda esta história de uma vez.
    Brincadeira…Parabéns vc é fantástico..
    Abraço

  • Rogerio diz: 26 de setembro de 2007

    David…não vou dar idéias de que possa ser esse horrendo ruído, deixo pra vc…com certeza será um final incrível. Abraço.

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