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A Ninfeta - 9º capítulo

30 de setembro de 2007 16

— Vou chamar a polícia! — avisou minha secretária, postada atrás da mãe de Suzi.

Ela queria, obviamente, assustar a mulher. Mas a última coisa de que eu precisava naquele momento era da intervenção da polícia. Tentei acalmá-la. Tentei acalmar as duas.
— Não! — gritei.
— Não é necessário. Eu resolvo isso.

A mãe de Suzi me olhava com um sorriso debochado, as mãos à cintura.
— Por favor — disse para ela.
— Por favor — fiz um gesto com as duas mãos espalmadas.
— Sente-se. Vamos esclarecer isso tudo. Vamos conversar…

A secretária continuava parada na soleira da porta. Agora não parecia mais espantada. Parecia tão debochada quanto a mãe de Suzi. Irritei-me com o olhar sardônico da maldita secretária. Por que ainda não a demiti? Isso é algo que alguém tem que me explicar.
— Feche a porta, por favor — disse para a secretária.

A mãe de Suzi já acomodara diante de mim, sentada de pernas cruzadas, a bolsa preta no colo, o mesmo sorriso irônico nos lábios.
— O senhor teve um caso com a minha filha. Uma menina de dezesseis anos — ciciou ela, entre dentes, numa voz sussurrada, acusatória, raivosa.
— Não! Não tive! Juro!
— O senhor a agarrou!
— Nããão! Juro que não!
— O senhor bolinou minha menina!
— Não! Não!
— O senhor a apalpou, a acariciou, a sovou!
— Não! Não! Não!
— O senhor despiu minha filha de dezessseis anos!
— Por Deus! Não! Nãããão!
— O senhor a deixou nua! Nua em pêlo! Nua como ela nasceu! Ela que é tão criança…
— Não, não, nããããããããã…
— O senhor a penetrou!!!
— Aaaaaah, nããããão!!!!!!!

Aquilo era uma tortura. Eu suava. Estava prestes a sair correndo dali. Juntei as mãos. Jurei:
— Pelos meus dois filhos: eu não mantive relações com a sua filha! Não mantive!
— Não?
— Não!
— Então o que o senhor estava fazendo no meu apartamento, sozinho com ela?

Pisquei. Senti-me tonto. Tomei ar. Tentei argumentar:
— Eu… Ah… Eu sei que é difícil de explicar…
— O senhor é casado.
— Eu… Sou…
— A sua mulher sabe que o senhor estava no meu apartamento, de tarde, sozinho com minha filha de dezesseis anos?
— Não! — falei um pouco alto demais aquele não.
— Não — repeti, mais calmo. Suspirei. As coisas não estavam bem paradas. Ela tinha o domínio da situação. Precisava inverter o jogo. Precisava levar a discussão para um caminho mais desimpedido para mim.
— Olha… O que a senhora pretende?
— O que eu pretendo… — ela começou a mexer na bolsa. Estremeci. O que ela tiraria daquela bolsa? Puxaria uma arma?
— O que eu pretendo… — continuava olhando para o interior da bolsa. Senti medo, naquele momento. Muito medo.

Comecei a falar rapidamente, tentando ganhar tempo:
— Olha, a senhora precisa acreditar. Não houve nada entre mim e a sua filha. Nada. Por Deus. Juro. É verdade que fui lá. Admito isso. Mas não fizemos nada. Nada, nada, nada. Nem toquei nela. Nunca encostei um dedinho na sua filha. Garanto que…

Ela puxou algo da bolsa. Algo de metal. Preto. Brilhante. Meu Deus, uma arma??? Aquele meio segundo foi uma eternidade, para mim. Mas não era uma arma. Era um celular. Fiquei um pouco mais calmo. Ela manteve o celular na mão fechada. Fitava-me calmamente.
— Vou dizer o que eu pretendo — falou, afinal.
— O quê? — estava ansioso por terminar aquilo de uma vez.
— O que a senhora quer?

Ela levantou uma sobrancelha.
— Simples. Quero o que tudo mundo quer.
— O que todo mundo quer? — não estava entendendo muito bem. Seria sexo? É sexo o que todo mundo quer? Ela ficou subitamente séria.
— Quero dinheiro.

Arregalei os olhos. Não era possível. Aquilo não estava acontecendo comigo. Estava sendo chantageado! Conhecia histórias assim. O chantagista, depois que arranca a primeira importância da vítima, não pára mais. Até arruiná-la. Até liquidá-la. Até sugar todo o sangue dela.

E era exatamente o que estava se sucedendo ali, no meu escritório. Senti-me infeliz. Senti-me um otário. E compreendi: era uma armação. Tinha caído numa cilada. Suzi, desgranida, decerto era a décima vez que fazia aquilo! Oh, Deus, o que ia fazer?

O que o advogado Aírton fez? Saiba amanhã, em mais um capítulo de… A Ninfeta!

Postado por David

Comentários (16)

  • Luciano diz: 1 de outubro de 2007

    Suzi, Tijolo e mamãe. Que bela gangue eles formam…organizados e eficazes!! Quantos já não caíram nesse golpe? Hein? Hein???

    Abraços!!

  • Mauricio diz: 1 de outubro de 2007

    Realmente, quando a esmola é demais o santo desconfia! Pobre Airton! Ficará ele sem o seu Palio fúcsia e sua suntuosa poupança de R$ 10.000,00 por ter sucumbido aos encantos da ninfeta??
    David, a trama fica cada vez mais envolvente, continue assim! Abraços!

  • Manoel Nelson Silveira diz: 1 de outubro de 2007

    Caro David,
    Com o dedinhoooo do pé na qual descreves,imagino os seios feito um limão galego,falta ver o detalhe do umbigo e a barriguinha, não comentastes ainda, bem vale a pena arriscar

  • Kelen diz: 30 de setembro de 2007

    Olá, David! Eu e meu marido, Marcio, somos seus fãs. Mesmo eu achando os seus textos um tanto quanto machistas. Mas tudo bem, continuo a lê-los pois você tem carisma. Agora, na NINFETA você se puxou, confesso que desejo, e muito, que o Aírton se dê mal, para assim “aquietar o facho” (risos). Beijos

  • Adriano diz: 1 de outubro de 2007

    E ae David!! Cada dia q passa, a trama fica melhor. Mas vamos e venhamos, não tem como condenar por absoluto o pobre Aírton. É dificil de não cair na mesma tentação q o coitado foi submetido. Situação complicada.
    Bom, espero q minha excelentíssima não leia meu comentário, hehe..

    abraços

  • Gustavo diz: 1 de outubro de 2007

    Parabéns David,
    A estória é ótima, assim como a dos outros contos.
    Só tenho uma dúvida!
    Quando os quatro centímetros da foto de sua colega serão mostrados para cima?
    Após vermos os pés dela? Isso é sacanagem !!! kkkk

  • Giovani Elisio diz: 1 de outubro de 2007

    Putz, que sacanagem fizeram com o pobre Aírton! Pior é que se eu estivesse no lugar dele, cairia feito um patinho! O que fazer agora? Boa pergunta hein David! Sai dessa hehe…

  • Henry diz: 30 de setembro de 2007

    Mas ó…. Jah tah mais que na hora de demitir essa secretária…Nah, na verdade não, tem que deixar ela ae, pois o Aírton ainda tem que se questionar, pq ainda demitiu ela?

  • Fabrício Dhein diz: 30 de setembro de 2007

    Tu em David! Toda esta sua inspiração veio de “Quem matou a Taís?” (risos). A história está muito boa. A cada capítulo penso que irá acontecer algo e pra mim surpresa acontece algo bem diferente. Estamos todos curiosos. Abraço

  • Camila diz: 30 de setembro de 2007

    Era certo que isso ia acontecer…
    Como homem é burro… Viu, só, ele vai se fud** por causa de uma ninfeta de 16 anos…
    suahsuahsuahsuahsuahushaushauhsaushaushausahs
    Meu, cada dia tu tá melhor, sé não demora pra postar os capítulos… hehehehe

  • Rogério diz: 1 de outubro de 2007

    O Henry só esqueceu de dizer ali embaixo que nós conhecemos a Suzi no sábado passado…hehehehehe

  • Sergio Vinicius diz: 1 de outubro de 2007

    Nossa David, essa eu não esperava, ta cada vez melhor, coitado do cara.
    Mostra mais da foto da dona da boca, parece ser bonita.
    flw

  • Cesar savedra diz: 30 de setembro de 2007

    David….

    Mesmo que essa “desgranida” da Suzi tenha feito isso de forma premeditada, qual homem poderia criticar o airton por ter caido no golpe????

    Quando lembro das caracteristicas dela, descritas por ti, acho que mesmo sabendo que fosse golpe, eu cairia…rssss

    Abracos pra ti…

  • Ricardo Tiecher diz: 1 de outubro de 2007

    Hahahaha, boa David! Tô curioso pra saber como o Aírton vai sair dessa; pelo que dá pra entender do cara, aposto que ele vai ceder à chantagem…

  • Henry diz: 1 de outubro de 2007

    Ahh é verdade David, bem lembrado pelo meu amigo Rogério, em um comentário abaixo. Descobrimos, sábado passado, a Suzi… Não sei como o pessoal imagina a ninfeta, mas a que a gente conhece tem todos os requisitos. David, se precisar temos fotos dela. Abraço

  • Diego Kober diz: 1 de outubro de 2007

    HHAHAHAHHAHAHAHAHHHAHAHA
    EU SABIA!!!!!!
    Viu só?
    Eu tava certo! xD

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