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Posts de setembro 2007

A Ninfeta - 9º capítulo

30 de setembro de 2007 16

— Vou chamar a polícia! — avisou minha secretária, postada atrás da mãe de Suzi.

Ela queria, obviamente, assustar a mulher. Mas a última coisa de que eu precisava naquele momento era da intervenção da polícia. Tentei acalmá-la. Tentei acalmar as duas.
— Não! — gritei.
— Não é necessário. Eu resolvo isso.

A mãe de Suzi me olhava com um sorriso debochado, as mãos à cintura.
— Por favor — disse para ela.
— Por favor — fiz um gesto com as duas mãos espalmadas.
— Sente-se. Vamos esclarecer isso tudo. Vamos conversar…

A secretária continuava parada na soleira da porta. Agora não parecia mais espantada. Parecia tão debochada quanto a mãe de Suzi. Irritei-me com o olhar sardônico da maldita secretária. Por que ainda não a demiti? Isso é algo que alguém tem que me explicar.
— Feche a porta, por favor — disse para a secretária.

A mãe de Suzi já acomodara diante de mim, sentada de pernas cruzadas, a bolsa preta no colo, o mesmo sorriso irônico nos lábios.
— O senhor teve um caso com a minha filha. Uma menina de dezesseis anos — ciciou ela, entre dentes, numa voz sussurrada, acusatória, raivosa.
— Não! Não tive! Juro!
— O senhor a agarrou!
— Nããão! Juro que não!
— O senhor bolinou minha menina!
— Não! Não!
— O senhor a apalpou, a acariciou, a sovou!
— Não! Não! Não!
— O senhor despiu minha filha de dezessseis anos!
— Por Deus! Não! Nãããão!
— O senhor a deixou nua! Nua em pêlo! Nua como ela nasceu! Ela que é tão criança…
— Não, não, nããããããããã…
— O senhor a penetrou!!!
— Aaaaaah, nããããão!!!!!!!

Aquilo era uma tortura. Eu suava. Estava prestes a sair correndo dali. Juntei as mãos. Jurei:
— Pelos meus dois filhos: eu não mantive relações com a sua filha! Não mantive!
— Não?
— Não!
— Então o que o senhor estava fazendo no meu apartamento, sozinho com ela?

Pisquei. Senti-me tonto. Tomei ar. Tentei argumentar:
— Eu… Ah… Eu sei que é difícil de explicar…
— O senhor é casado.
— Eu… Sou…
— A sua mulher sabe que o senhor estava no meu apartamento, de tarde, sozinho com minha filha de dezesseis anos?
— Não! — falei um pouco alto demais aquele não.
— Não — repeti, mais calmo. Suspirei. As coisas não estavam bem paradas. Ela tinha o domínio da situação. Precisava inverter o jogo. Precisava levar a discussão para um caminho mais desimpedido para mim.
— Olha… O que a senhora pretende?
— O que eu pretendo… — ela começou a mexer na bolsa. Estremeci. O que ela tiraria daquela bolsa? Puxaria uma arma?
— O que eu pretendo… — continuava olhando para o interior da bolsa. Senti medo, naquele momento. Muito medo.

Comecei a falar rapidamente, tentando ganhar tempo:
— Olha, a senhora precisa acreditar. Não houve nada entre mim e a sua filha. Nada. Por Deus. Juro. É verdade que fui lá. Admito isso. Mas não fizemos nada. Nada, nada, nada. Nem toquei nela. Nunca encostei um dedinho na sua filha. Garanto que…

Ela puxou algo da bolsa. Algo de metal. Preto. Brilhante. Meu Deus, uma arma??? Aquele meio segundo foi uma eternidade, para mim. Mas não era uma arma. Era um celular. Fiquei um pouco mais calmo. Ela manteve o celular na mão fechada. Fitava-me calmamente.
— Vou dizer o que eu pretendo — falou, afinal.
— O quê? — estava ansioso por terminar aquilo de uma vez.
— O que a senhora quer?

Ela levantou uma sobrancelha.
— Simples. Quero o que tudo mundo quer.
— O que todo mundo quer? — não estava entendendo muito bem. Seria sexo? É sexo o que todo mundo quer? Ela ficou subitamente séria.
— Quero dinheiro.

Arregalei os olhos. Não era possível. Aquilo não estava acontecendo comigo. Estava sendo chantageado! Conhecia histórias assim. O chantagista, depois que arranca a primeira importância da vítima, não pára mais. Até arruiná-la. Até liquidá-la. Até sugar todo o sangue dela.

E era exatamente o que estava se sucedendo ali, no meu escritório. Senti-me infeliz. Senti-me um otário. E compreendi: era uma armação. Tinha caído numa cilada. Suzi, desgranida, decerto era a décima vez que fazia aquilo! Oh, Deus, o que ia fazer?

O que o advogado Aírton fez? Saiba amanhã, em mais um capítulo de… A Ninfeta!

Postado por David

Mais ainda da boca

28 de setembro de 2007 38

Adriana Franciosi


Atendendo centenas de leitorinhos aflitos e sôfregos, aí estão mais alguns centímetros da modelo que ilustra o folhetim A Ninfeta!

Postado por David

Ó o futuro aí

28 de setembro de 2007 9

Arquivo pessoal
Essas belas moças e esse rapagão que me ladeiam são futuros jornalistas em sua primeira e histórica visita a uma redação de jornal.

Por enquanto estudam no Anchieta, mas nos próximos anos, creiam, vocês vão ouvir falar muito nelas — e nele também, claro.

A foto quem me mandou foi a Ju, aquela de blusão verde (ou seria azul?) ao meu lado.

Postado por David

A Ninfeta - 8º capítulo

28 de setembro de 2007 26

O Tijolo era um pouquinho maior do que isso/Divulgação
SUZI!!!
Foi Suzi.

Foi ela quem abriu a cortina, graças ao Cavalo Celeste! Mas, naquele átimo de segundo em que o tecido foi afastado, confesso: quase que minha bexiga afrouxou. Foi por uma contração que não me urinei todo. Ia ser um fiasco.
— Vem! — sussurrou ela, num tom evidentemente urgente. — Ele está na área de serviço. Aproveita para fugir. Vem! Vem!

Não contestei, não falei nada, não argumentei. Saí correndo dali, deixando Suzi para trás, sem nem olhar para ela, sem dizer tiau, pensando: meu Deus, meu Deus!

Quando cheguei ao limiar da porta, ouvi o berro:
— QUEM É ESTE VAGABUNDO???

Olhei para trás e vi o Tijolo, que assomava à sala, esbaforido. Cristo! Sabe aquela cena em que o David Banner se transforma em Hulk? Era essa a pose do cara. E o tamanho também. E a cor: ele estava verde de raiva. Gritei:
— Meu Deus!

E deitei o cabelo, passei sebo nas canelas, saí em desabalada corrida, fugi covardemente, enfim, com ele atrás de mim, urrando:
— EU MATO! EU MATO!!!

Não tenho vergonha de dizer que sentia vontade de chorar enquanto corria como uma gazela pelo corredor, despencava escada abaixo e gania de pavor. Ao alcançar a porta do edifício, olhei mais uma vez para trás e vi. VI!

Jesusmariajosé!!! O Tijolo vinha que era uma locomotiva, bufando e resfolgando, vermelho e faiscante. Aquela cena terrível me deu ainda mais forças para correr. Joguei-me para dentro do meu Palio fúcsia, demorei o que me pareceram vinte minutos para acertar a ignição e arranquei, enquanto o Tijogo chutava e socava meu carro, gritando que ia me matar.

A tremedeira não passou antes de 15 minutos. Nem voltei ao escritório. Avisei minha secretária que estava me sentindo mal e que ia para casa. Ela respondeu com alguma ironiazinha que me irritou e me fez pensar que deveria demiti-la qualquer dia desses.

Minha mulher ficou muito surpresa ao me ver chegando em casa numa hora daquelas. Disse-lhe que havia decidido tirar o resto do dia para ficar com a família. Ela piscou, desconfiada, e mais desconfiada ficou quando a convidei para comer bolinho de batata no Schulas.

Não consegui relaxar, naquela noite, Nem dormir direito dormi. Pela manhã, cheguei ao escritório decidido: infidelidade, nunca mais. O advogado Aírton, aqui, acabava de se tornar o maior monógamo do mundo!

Tomei várias resoluções: gastaria mais tempo com minha mulher e meus filhos. Faríamos uma viagem. Cancun. Todos nós. Juntinhos. Ia ser legal. E não dormiria mais tanto nas tardes de domingo. Permaneceria horas e horas e horas com eles. Com minha família. Transformar-me-ia em um pai e em um marido perfeito.

Aírton, o bom marido.
Pensava em tudo isso, quando minha secretária anunciou pela linha interna:
— Dona Ângela está aqui.
— Quem?
— Dona Ângela.
— Não sei quem é.
— Sabe… — percebi a malícia nas reticências da secretária, a desgranida. — É a mãe da Suzi. A menininha — abri a boca quando a maldita secretária acrescentou, cheia de sarcasmo: — E ela está furiosa.

A tremedeira que senti no dia anterior voltou com força. Engoli em seco. Perguntei:
— O Tijolo está junto?
— Tijolo?
— É… O Tijolo…
— Tijolo?… Ei… Peraí, minha senhora! A senhora não pode…

Era óbvio que a mãe da Suzi estava forçando a entranda. Decerto estava com o Tijolo! Que que eu ia fazer? Não havia para onde correr! Saltei da cadeira. A porta se abriu. A mãe de Suzi entrou. Fincou as mãos na cintura. E rosnou:
— SEU TARADO!!! VOCÊ VAI PAGAR PELO QUE FEZ!!!

E agora? Que perigos enfrentará o advogado Aírton? Saiba amanhã, em mais um capítulo trepidante, angustiante e até enervante de… A Ninfeta!!!

Postado por David

A Tara de Dani - parte 2

28 de setembro de 2007 38

Ilustração: Bebel
AJUDINHA DOS LEITORES 

Foi difícil. Os textos dos leitorinhos surgiram às catadupas para o desafio de A Tara de Dani.

Tivemos de organizar forças-tarefa para escolher os melhores imeils. Ficamos em três. Como bom democrata, vou deixar que os leitores votem na melhor. Qual deve ser o imeil que Dani recebeu? Vote djá!

Para ler a primeira parte da história, clique aqui.

Os três finalistas:


Dani: eu já provei os cafés mais fortes, as bebidas mais ácidas e os restaurantes mais sujos. Eu já acreditei em mitos, em luas e em governos. Já fui filiado ao PT e acampei com o MST. Já enfrentei o calor de Cuiabá e o frio de Uruguaiana.

Agora, quero o maior dos desafios: trocarmos os nossos venenos e observarmos, não qual o mais forte, mas sim o mais duradouro, o mais lítico. Aguardo sua resposta.

Rafael Vingador


*****


%22Dani desculpe-me escrever estas mal traçadas linhas, mas precisava, de alguma forma, entrar em contato contigo.

Sou aquele rapaz que te cumprimentou no bebedouro. Depois daquele encontro, minha sede aumentou. E não se trata de sede por água. É sede de paixão. Pois é, vou ser direto e sem rodeios: EU TE AMO.

Serei eternamente teu escravo. Beijos.%22
 
Depois de ler e reler por diversas vezes o texto do email, resolvi desistir. Por que me sujeitaria ser escravo daquela megera? Afinal de contas, ela não é a única mulher do mundo. Até hoje só pensava nela. Mas agora descobri uma ninfeta de 16 anos. Parece que o nome dela é Suzi.

Vou descobrir o e-mail e me dedicar apenas a ela. Quem falou da Suzi foi o advogado de meu pai. Vai ser uma disputa difícil, mas acho que vale essa batalha. E vou tentar arrumar um encontro entre a Dani e o advogado. Assim, a área ficará limpa para mim.

Tomara que ela o domine. Se não der certo, azar. Espero que a Dani se dane. Tenho que pensar num email para a Suzi…

Isaac Menda


*****


%22Oi, Dani!

Não vou mentir para você e dizer que foi difícil conseguir seu e-mail, pois trabalhamos na mesma empresa. Meu motivo primordial de escrever-te é pura e simplesmente alertá-la de que estás correndo um perigo incrível, e te digo que pode ser até de morte.

Não posso elucidar muito por correio eletrônico, mas adianto que foste descoberta nas ações excusas que andas praticando pós-expediente. Se quiseres maiores informações, encontre-me na porta do segundo elevador, no 13° andar, às 12h de amanhã.

Dani (posso te chamar assim, né?), repito: Corres um grande perigo.

Ass: Teu salvador.%22

Tinha que inventar um modo de vê-la de frente, olhar dentro daqueles olhos que mais pareciam lagos escuros em noite de lua minguante, e aquilo foi o que me ocorrera na hora. Amanhã estarei com a minha melhor camisa, na porta do segundo elevador do 13º andar, a pegarei pelo braço e direi com uma voz de James Bond:
— Venha pela escada de emergência!

Ah! Dani… as escadas serão só o começo do teu adestramento! Mesmo que ela não esteja cometendo atividade excusa sequer, irá… eu sei que irá! Que mulher resiste a um mistério?

Amanhã!! É amanhã!!!

 Luciano Siqueira da Silva

Postado por David

A antologia do Faraco

27 de setembro de 2007 6

Reprodução
Imagina submeter um conto ao crivo do melhor contista do Brasil. Foi o que me aconteceu, meses atrás, quando Sergio Faraco, que, todo mundo sabe, é um contista profissional, o contista número 1 do país, o nosso Tchecov, pediu-me para escrever um conto para ele.

A idéia do Faraco era organizar um livro com o que ele chama de %22contistas bissextos%22. Ou seja: gente que de uma forma ou outra é afeita às letras, mas não especificamente ao conto.

Bem. Lá me fui para o computador. Escrevi um, não gostei. Escrevi o segundo. Achei um pouco melhorzinho e mandei para o Faraco.

O texto está no livro que lançamos nesta noite de quinta na Siciliano do Moinhos Shopping: Antologia de Contistas Bissextos. São 19 contos de 19 contistas eventuais. Aí ao lado, a bela capa do livro feita pela L&PM.

Postado por David

A Ninfeta - 7º capítulo

27 de setembro de 2007 35

Lá estava eu. Escondido atrás de uma cortina de um quarto de menina, tremendo de medo de um irmão brabo que lutava jiu-jitsu e que tinha um metro e noventa de altura e que pesava mais de cem quilos e que, se me descobrisse, ia me transformar num estrogonofe.

Cena mais clichê, impossível. Logo eu, advogado bem constituído, homem sério, com mulher, filhos, uma carreira, um Pálio fúcsia, com mais de dez mil na caderneta de poupança. E por quê? Por causa de uma pirralha de 16 anos. Por causa da luxúria.

Ouvi a voz dela na sala:
— Pra que todo esse escândalo, Tijolo?
E o vozeirão dele:
— Quem taí, Suzi? Quem taí?
— Ninguém… Ficou maluco?
— Ouvi voz de homem, Suzi!
— Era a televisão.
— A televisão está desligada.
— Eu desliguei agora, ué.
— Ah, é? Deixa eu ver…

Supus que o Tijolo ia pôr a mão na TV a fim de constatar se estava quente. Acertei. Um segundo depois, ele exclamou:
— Está fria! Onde está ele?
— Não tem ninguém aqui, Tijolo! Ficou louco?
— Onde está esse safado?
— Pára, Tijolo!
— Eu vou achar! Eu vou achar!

Comecei a suar. E a rezar. Tremer, já estava tremendo. Seria uma humilhação. Seria uma vergonha. Minha mulher, meus filhos, meus amigos, meus colegas, todos iam se decepcionar comigo. E eu ainda ia levar o maior pau daquele brutamontes que bufava e berrava pela casa.

Podia ouvir o som da respiração pesada dele, dos seus passos de mastodonte, do barulho de móveis sendo arrastados, portas de armários sendo abertas, dele urrando:
— Cadê o desgraçado??? Cadê??? Vou matar! Vou matar esse tarado!!!

Era o que eu era. Um tarado. Um quarentão patético que queria se refocilar nas carnes lisas de uma menina de 16 anos. Oh, Deus, talvez eu merecesse aquele fim: ser torturado até a morte por um monstro lutador de jiu-jitsu, ser sovado por manoplas do tamanho de raquetes de tênis, ter minha cara convertida num xis galinha.

Prometi a Jesus, Maria e José ali mesmo que, se saísse daquela, nunca mais me meteria em aventura semelhante. Nunca mais! Transformar-me-ia em modelo de virtude conjugal. Aírton, o marido perfeito.

No instante mesmo que terminara de fazer minha promessa aos céus, percebi alguma movimentação perto de mim. Então, o horror!, a cortina se abriu!

O que aconteceu? O quê???
Saiba amanhã, em mais um capítulo de… A Ninfeta!!!

Postado por David

A Ninfeta - 6º capítulo

26 de setembro de 2007 56

Meu Deus, meu Deus!!!/Gilberto Tadday, Banco de Dados
Alguém estava mexendo na fechadura! Cristo, alguém estava tentando entrar! Quem, Senhor? Quem???

Como se eu tivesse feito a pergunta em voz alta, Suzi respondeu:
— É o Tijolo! — e acrescentou, aparentemente em pânico: — Meu Deus, meu Deus!

Saltei do sofá:
— Tijolo? Que Tijolo???
— Meu irmão mais velho! Meu Deus, meu Deus!

Olhei para a porta. O Tijolo continuava forçando a fechadura. Não estava conseguindo entrar.
— Teu irmão?
— Meu Deus, meu Deus!
— Você não me disse que tinha irmão!

O Tijolo continuava girando a chave do lado de fora, em vão.
— Você precisa fugir! Meu Deus, meu Deus!
— Eu? Fugir? Do seu irmãozinho? De jeito nenhum! Sou um adulto, um homem feito, não tenho medo. Não, garota, medo é uma palavra que não consta no meu dicionário. Vamos enfrentar essa situação com maturidade, com hombridade, com…
— Está louco??? — Suzi saltou do sofá. — Meu irmão é uma fera!
— Teu irmãozinho? — sorri. — Por favor…
— Irmãozinho??? Ele tem vinte e cinco anos, um metro e noventa, mais de cem quilos. E luta jiu jitsu!
— Meu Deus, meu Deus!
— Suzi!!! — O Tijolo berrou do lado de fora, e sua voz parecia ser a de um homem forte fisicamente. — Suzi!!! Você deixou a chave na fechadura, Suzi!!! Abre a porta, Suzi!!!
— Pula a janela! — sugeriu Suzi.

Corri para a janela. Olhei para baixo. Dois andares que pareciam vinte.
— Vou me quebrar todo se me jogar daqui!
— Meu Deus, meu Deus!
— Suzi!!! Tem alguém aí contigo, Suzi???
— Meu Deus, meu Deus! — repetiu Suzi.
— Meu Deus, meu Deus! — concordei.
— Suuuuziiii!!! Abre essa porta, Suzi! Vou derrubar a porta, Suzi!!!

Nós dois:
— Meu Deus, meu Deus!!!
— Vou derrubar essa porta, Suzi!!!
— Vem pro quarto! — ela pegou na minha mão.

Corremos para o quarto.
— Debaixo da cama! — ela disse.

A solução clássica. Humilhante. Mas era o que tínhamos para o momento. Agachei-me, olhei e estremeci: a cama era baixa demais.
— Não entro aqui!
— Meu Deus, meu Deeeuuusss!!!
— Suzi! Quem é que está aí contigo??? Quem está aí, Suzi???

Nós corríamos para um lado e para outro, sacudíamos os braços, não sabíamos o que fazer.
— Vou contar até dez, Suzi! Se essa porta não se abrir até o dez, eu vou arrombar, Suzi!
— Meu Deus!
— UM!
— Meu Deus!
— DOIS!
— Quem sabe o banheiro? — especulei.
—TRÊS!
— Ele vai te achar no banheiro!
— QUATRO!
— E o armário?
— CINCO!
— Muito pequeno!
— SEIS!
— Onde, então?
— SEEEETE!
— Meu Deus!
— Na cortina! Atrás da cortina!
— OITO!!!

Acomodei-me atrás da cortina.
— Fica quieto — ordenou Suzi. — Não fala nada! Ai, meu Deus.
— NOVE!!!
— Estou indo — gritou ela. — Estou indo!!! Meudeusmeudeusmeudeus!
— DEZ!!!!!!!!!!!!!!!

O que aconteceu depois do dez? Saiba amanha, em mais um emocionante, palpitante, empolgante, elefante capítulo de… A Ninfeta!

Postado por David

Jogo de Damas

26 de setembro de 2007 16


Hoje é o lançamento do meu novo livro Jogo de Damas (L&PM, 176 páginas), um dos livros que mais gostei de escrever.

Será às 19h, na livraria Cultura do Bourbon Country. Espero todos vocês lá. A modelo de a ninfeta estará lá também. Talvez vocês possam identificar quem é a morena dona daquela boca carmim.

O crítico literário Carlos Moreira escreveu a respeito do livro no seu blog e o Tulio Milman também falou sobre. Escuta aí.

O David Coimbra sabe mesmo das coisas

Postado por David

O mel do Professor Juninho

25 de setembro de 2007 2

HISTÓRIA FALADA
Edição nº 2

Assistam, aí embaixo:

Postado por David

Mais da boca da Ninfeta

25 de setembro de 2007 131

Adriana Franciosi
Os leitorinhos pediram, e levaram.

Aí estão mais quatro centímetros do inefável rosto da modelo que ilustra o folhetim A Ninfeta. Claro que ela não é Suzi, nem tem 16 anos.

Tem 25 e trabalha aqui na Redação de Zero Hora. Você quer ver mais? Só depois de outros cem comentários!

Postado por David

A Ninfeta - 5º capítulo

25 de setembro de 2007 46

Às quinze para as quatro, rodava com meu Palio fúcsia por uma rua sombria do Bairro Sarandi. Ah, essas meninas do subúrbio…São as mais espertinhas, todo mundo sabe.

Parei diante de um prédio encardido. Conferi o número. Aquele mesmo. Desci do carro, caminhei até a porta do prédio, apertei no botão do porteiro eletrônico. Esperei por 10 segundos, 20 segundos, não atenderam. Seria o endereço certo? Conferi mais uma vez. Talvez estivesse chegando cedo demais…

Premi o botão novamente. Agora, sim, ouvi uma voz feminina dizendo alô. Não tinha a certeza de que era ela, mas mesmo assim falei no aparelho:

— É o Aírton!

Como resposta, ouvi o som da fechadura eletrônica se abrindo. Empurrei a porta. Entrei. Ela morava no segundo andar. Não havia elevador. Subi pelas escadas, de dois em dois degraus. Dois, quatro, seis, oito, dez, doze, quatorze, dezesseis.

Parei diante da porta do apartamento. Respirei fundo. Levantei o dedo para premer a campainha. Antes que a tocasse, a porta se abriu. Lentamente. Lentamente. Era ela. Suzi.

Suzi, Suzi, Suzi.

Vestia uma camiseta branca, básica, e só. A camiseta servia-lhe de vestido, descia-lhe até o começo das coxas lisas. Estava de pés descalços e tinha o cabelo molhado. Recém saíra do banho, cheirava a água quente e a sabonete.

Era como se eu estivesse diante da própria primavera. Fiquei com lágrimas nos olhos. Contive-me a custo para não me atirar a seus pés ali mesmo, no corredor, e beijar seus tornozelos perfeitos. Sério: eram os tornozelos mais perfeitos que já vira.

— Entra – ordenou ela, com um sorriso de covinhas.

Entrei, o coração palpitando. Uma sala de estar típica da classe média. Um sofá surrado, uma poltrona mais surrada ainda, um tapete ralo e a indefectível TV. Sobre a mesinha de centro, flores de plástico; sobre a estante, livro nenhum, exceto um pocket do Anonymus Gourmet e a Bíblia.

Aquela singeleza me emocionou. Havia um clima de austeridade naquele lugar. Suzi acomodou-se no sofá, puxando para cima os dois pequenos pés número 35. A camiseta subiu mais um pouco, revelando-lhe mais meio palmo de pernas rosadas. Lindo, aquilo.

— Senta – disse ela.

Sentei-me. Fiquei olhando para ela, olhando bem dentro de seus olhos. Ela sustentou o olhar. Enrubesceu, afinal. Em um segundo, transformou-se numa menininha. Na menininha que era. Baixou a cabeça, sorriu sem jeito.

— Tô com vergonha – miou.

Senti-me enternecido. E ao mesmo tempo excitado. Meu coração batia com força, minhas virilhas formigavam de prazer.

Aproximei-me dela. Ela não se moveu.

Aproximei-me mais. Ela continuou quietinha, encolhida no canto do sofá, uma menininha, uma coisinha.

Abracei-a. Senti seu corpo quente de encontro ao meu. Ela se aninhou no meu peito. Seus braços delicados me envolveram, e eu a envolvi com os meus. O cheiro quente e doce de seu hálito bafejava meu rosto, e era inebriante.

Fitei seus lábios polpudos. Ela respirava com força. Ofegava. Eu ofegava também.

Então a beijei. Eu a beijei. Eu a beijei.

E foi uma das emoções mais plenas que senti na vida, sua língua macia enrodilhando-se na minha, seus dentes brancos se chocando com os meus.

Foi tão bom. Tão bom. Foi aí que ouvi aquele ruído horrendo.

O pior ruído que poderia ouvir num momento como aquele. Que ruído foi? O que aconteceu?

Saiba amanhã, em mais um capítulo trepidante de… A Ninfeta!

Postado por David

Coooooooooorno

25 de setembro de 2007 1

Mas tu, hein, Zini?/Ricardo Chaves
Uma historinha bem boa daqui da Redação que não poderia ficar de fora da minha participação no programa Pretinho Básico da rádio Atlântida.

Quer saber qual é? É só clicar no link ali abaixo.

Coooooooooooorno

Postado por David

Sobre pedófilos

24 de setembro de 2007 20

Alice, a do país das maravilhas, em pose adulta/Lewis Carroll, Reprodução

Alguns leitores têm acusado o advogado Aírton, protagonista do folhetim A Ninfeta, de ser um pedófilo abjeto e abominável. Defendê-lo-ei apelando para a história da literatura.

Se Aírton é um degenerado, que dizer de Humbert Humbert, personagem que consagrou o russo Vladimir Nabokov com o imortal romance Lolita? %22Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade, meu pecado, minha alma%22. É assim que começa o romance. É assim que o quarentão Humbert Humbert se refere a Lolita.

Certo. Agora: sabe quantos anos tem Lolita? Sabe? Doze.

E o que dizer de Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas? Alice existiu mesmo, na vida real chamava-se Alice Liddell, tinha 10 aninhos de idade e Lewis Carroll apaixonou-se por ela.

O detalhe é que Lewis passava dos 50 anos, quando conheceu a pequena Alice. Lewis, na verdade, era o pseudônimo do reverendo Charles Lutwidge Dogson, que viveu no século 19. Lewis igual a Lutwidge, Carroll igual a Carlos, manja? Pois é.

Esse reverendo era também fotógrafo, e dos bons. O problema é que só gostava de fotografar menininhas. Fotografou inúmeras, em poses um tanto quanto, digamos, adultas. Você pode ver as fotos, se quiser, inclusive algumas da própria Alice (como a deste post, de 1859).

Vá no site da Universidade de Virginia, na página dedicada a Lewis Carroll.

Além de fotografar Alice, Lewis contava-lhe histórias. Uma delas, a do país das maravilhas, que ele botou no papel, mandou para uma editora e, publicado, transformou-se em sucesso mundial.

Nunca ninguém descobriu se Lewis Carroll chegou a encostar um único dedo numa de suas modelos infantis, mas a família de Alice preferiu proibir os encontros dos dois, depois que o reverendo pediu a mão da menina em casamento.

Dez anos. Isso, sim, é pedofilia!

Postado por David

Só no solavanco

24 de setembro de 2007 9

Fernando Gomes
Me diz uma coisa:

Você que guia auto: alguma vez, desde os anos 70, houve tanto buraco nas ruas de Porto Alegre como agora?

A Rosane de Oliveira, no blog dela, também tem falado sobre isso.

Postado por David