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Posts de março 2008

A mulher do gerente - final

31 de março de 2008 23


Para o Túnel do Tempo, aí vai a terceira e última parte desse conto que escrevi em 1999 na Zero Hora.

***

O primeiro pensamento de Péricles foi de não comparecer àquele encontro. Não iria. Isso. Afinal, tratava-se de Dona Belinha, a mulher do Doutor Araújo, o seu gerente. Que era mais do que gerente: era o seu técnico no time da firma.

Mas depois lembrou da ligação. Sim, Dona Belinha ligara para ele à noite, quando ele fazia serão. E dissera-lhe todo o tipo de obscenidades. Quero que tu faças isso, quero te fazer aquilo… Não se identificara, evidentemente, mas Péricles reconhecera a voz. Assim, no dia seguinte, quando ela ligou de novo, ele pronunciou o nome dela. Fez apenas isso. Disse:
— Dona Belinha…

E ela desabrochou como uma petúnia no verão. Marcaram o tal encontro. Ele diria à sua mulher Mariana que ia fazer serão. Ela diria ao Doutor Araújo que ia num chá beneficente — Dona Belinha ia a chás beneficentes.

Péricles passou outra noite sem dormir. Sua mulher Mariana estava cada vez mais desconfiada. Observava-o com olhar perscrutador. Adivinhava algo, farejava a traição como se fosse pólen no ar da primavera. Aquilo deixava Péricles louco. Ele queria que Mariana confiasse nele. Queria muito! Amava-a.

Está certo, houve a loira. Olhos claros. Sardentinha. Aiai. Mas foi uma só vez. Só uma! Bem que Mariana podia ser mais compreensiva. Ele precisava recuperar a confiança extaviada da sua mulher. Mas agora havia Dona Belinha. Ah, Dona Belinha e suas pernas voluptuosas, suas pernas de pecado… Pecado! Era isso que ela era: o pecado!

Por essa razão, pensava em não comparecer ao encontro. Por causa de Mariana, sua mulher. E do Doutor Araújo, seu gerente e treinador. Doutor Araújo, que, como Mariana, desconfiava dele. Doutor Araújo achava que ele não tinha capacidade para ser o novo subchefe do setor e o quarto-zagueiro titular. Precisava da confiança do doutor Araújo! Precisava da confiança da sua mulher Mariana!

No dia seguinte, o peito de Péricles era um pacote de angústia. Às vezes, decidia não comparecer ao encontro, noutras, sonhava com todas as loucuras que Dona Belinha ciciava ao telefone. Via o Doutor Araújo andar pelo escritório e suspirava. Como podia fazer aquilo com um homem tão bom, que já estava quase confiando nele? Depois pensava nas pernas de pecado.

Assim ficou, até as oito da noite, hora do encontro. Haviam combinado num barzinho discreto no centro da cidade. Péricles remanchou, remanchou. Chegou com 15 minutos de atraso, torcendo as mãos. Ela já estava lá. Linda. De minissaia. Não tão curta quanto a do dia anterior. Mas era uma minissaia. Quando o viu, ela miou:
— Péricles.

Ele respondeu, num desabafo:
— Dona Belinha.

Ela sorriu:
— Péricles!

Ele aconchegou a mãozinha dela entre as suas:
— Dona Belinha!

Amaram-se durante exatas duas horas num pequeno, porém romântico, motel. Péricles tomou uma ducha antes de sair, mas chegou em casa com o cheiro dela impregnado nas narinas. Olhou para sua mulher Mariana e suspirou: estava feito, não podia mais voltar atrás. Havia cedido à tentação, aos apelos da carne. Fora fraco.

No entanto, não se arrependia. Queria muito tocar nas pernas de Dona Belinha. E tocara. Ah, como tocara. Talvez por isso sentia-se tranqüilo como há muito não se sentia. Sua mulher Mariana podia falar o que quisesse, podia ficar ciumenta, podia se queixar dele, mas jamais descobriria a grande verdade: ele era o amante da mulher do gerente!

Puxa, Péricles se sentia bem com essa idéia: era o amante da mulher do gerente. Sentia-se tão bem que estava leve, de bom humor. Mariana percebeu.
— Tu estás bem hoje, não? — perguntou ela, acariciando-lhe os cabelos. E ele:
— Sim, sim.

Então ela o beijou. Com ternura. Paixão, até. Naquela noite, amaram-se suavemente. Tudo o que existia de selvagem dentro dele se esvaíra com Dona Belinha. Para Mariana, restara o carinho e a doçura.

Foi uma grande noite para Péricles. Dormiu bem, fazendo do ombro o travesseiro de Mariana. Era a primeira vez, em um ano, que ela dormia amparada por seu braço. Aquela noite de sono sereno foi importante — no dia seguinte, sábado, aconteceria o jogo da semifinal.

Péricles acordou com um beijo de Mariana. Saiu de casa sorrindo. Chegou no vestiário assobiando. O Doutor Araújo já estava pronto para começar a preleção. Viu que ele o observava e que, entre os olhos, levava um ponto de interrogação.
— Não vacile hoje, seu Péricles — recomendou.
— Pode deixar, Doutor Araújo — exclamou Péricles, cheio de segurança.

Toda essa segurança ele carregou para a grande área. Lá, foi soberano. Foi o dono. O patrão. Era o Figueroa, era o Adílson Capitão América. Era o Péricles.

Na torcida, sua mulher Mariana, sorridente. Ao lado de Dona Belinha, ainda mais sorridente. Péricles também sorria enquanto jogava. Elas abanavam para ele, ele para elas. Todos sorriam. Jogou sua melhor partida. O time da firma venceu. Classificou-se. Péricles saiu de campo festejado.

O vestiário foi invadido pela torcida em festa. Sua mulher Mariana o cumprimentou com um beijo na boca. Dona Belinha se aproximou, abraçou-o e roçou seu rosto. Ao ouvido, lhe cochichou:
— Ainda essa semana, vamos festejar a vitória. Em particular.

Péricles estava feliz. Então viu o seu técnico, seu gerente. Doutor Araújo. Aproximava-se sério, como sempre. Tinha algo nas mãos. Olhou dentro dos olhos de Péricles.

Abriu um sorriso, logo ele, que nunca sorria, puxou a mão direita de Péricles e, na sua palma, deitou um objeto de pano. Uma fita negra. A faixa de capitão.
— Meu subchefe de setor tem que ser o capitão do meu time — declarou o Doutor Araújo.

Péricles olhou em volta. Sua mulher sorria, orgulhosa. Dona Belinha sorria, maliciosa. O Doutor Araújo sorria, o que era raro. Péricles também sorriu. Enxugou uma lágrima fugaz que lhe desceu do olho direito. Suspirou. Péricles, de fato, era um homem feliz.


*Texto publicado em 19/04/1999 em Zero Hora

Postado por David

O cocô

31 de março de 2008 8

A Marcinha trocava a fralda do Bernardo quando gritou:

— WOLFREMBAER!

Ué? Fui ver o que era. Rapazzz, que cocozão! Era um cocô assim… como direi para não chocá-los? Bem, talvez não deva descrevê-lo, muitos leitores são suscetíveis a ler qualquer texto que se refira a excrescências. Eles reclamam:

— Escatológico…

A fim de preservá-los, direi apenas que era uma obra digna de registro.

Fotografei-o.

Depois, fiquei pensando a respeito. O que pode significar um cocô com tamanha magnificência?

Talvez represente, de alguma forma, tudo o que fazemos no planeta, a nossa atividade histórica, a nossa luta pela sobrevivência e pelo conforto. Refiro-me a nós, seres humanos. Passamos a vida tentando produzir energia e, após usá-la, temos de lidar com seus rejeitos. Um drama. Assim como convivemos com o progresso constante, convivemos com o lixo, os maus odores, a poluição…

Ou quem sabe o cocô é uma alegoria da própria vida. Algo bíblico: viemos do barro e para o barro voltaremos. Do pó ao pó!

Há ainda a possibilidade de ser aquilo que o Alexandre Bach, do Diário Gaúcho, falou tempos atrás e que escrevi aqui: o cocô representa a impureza da qual eu, como pai, devo livrar o meu pequeno filho, trocando fraldas e mais fraldas e mais fraldas e ainda mais fraldas e, principalmente, mais fraldas.

Confesso que essa terceira alternativa logo descartei. Prefiro livrar o meu filho das impurezas morais.

Seja como for, tenho pensado muito naquele cocô. Tenho procurado um significado para aquele cocô. Porque, de certos cocôs, não há dúvida, só a filosofia pode nos salvar.

*Texto publicado hoje no caderno Meu Filho de Zero Hora.

Postado por David

A pintura da Última Ceia

30 de março de 2008 7


Leonardo Da Vinci era um homem estranho. Tinha o hábito de escrever da direita para a esquerda. Seus escritos só podiam ser lidos se colocados diante de um espelho, um trabalhão.

Fazia isso talvez por ser canhoto, talvez por ter medo de que suas idéias fossem consideradas heréticas. E eram — entre seus textos foi encontrada a frase %22o sol não se move%22, que, anos depois, rendeu a Galileu Galilei alguns contratempos, como a possibilidade de ser queimado vivo numa fogueira da inquisição.

Leonardo recebia inúmeras encomendas de trabalho de príncipes, governantes e nababos do século 16. Os príncipes e governantes pediam que desenvolvesse máquinas bélicas, no que ele era muito bom; os nababos apreciavam seus dotes musicais, suas pinturas e esculturas, no que era melhor ainda. Geralmente, Leonardo empolgava-se com um novo projeto, começava-o, mas não o terminava. A maior parte da sua obra ficou inconclusa.

Felizmente, a célebre %22Última Ceia%22 não foi um desses casos. A Última Ceia é o mural que sustenta toda a tese de Dan Brown em %22O Código Da Vinci%22, mas nem isso depõe contra a obra. Foi pintada na parede do refeitório de um mosteiro de Milão. Enquanto almoçavam, os monges fruíam a obra de Leonardo, o que me faz lembrar da foto de uma couve que havia no refeitório de um jornal no qual fui repórter. Suponho que os administradores do jornal pretendiam nos estimular gastronomicamente com aquela couve, uma couve bem grande e verde, cheia de folhas. Eu olhava para aquela couve e pensava: uma couve…

Enfim.

Houve testemunhas oculares desse trabalho de Leonardo. Elas contaram que, muitas vezes, o artista subia no andaime e passava o dia inteiro muito ereto, de braços cruzados, examinando a pintura, pensativo. Às vezes, só depois de dias nessa contemplação, é que Leonardo estendia o braço e dava mais uma pincelada.

Leonardo refletia a respeito do que fazia, eis o importante. O gênio tem a vocação, tem a inspiração, tem o dom, mas não é o suficiente. É preciso reflexão, trabalho, prática, transpiração. Agora alguém aí me diga: como é que alguns pernas-de-pau querem jogar futebol sem se esforçar no treinamento???


*Texto publicado hoje na página 51 de Zero Hora

Postado por David

Pobre Porto Alegre

30 de março de 2008 29

Nasci chorando, Cristo Redentor. Porto-alegrense, portanto, descendente de gerações de porto-alegrenses. Mas não me regozijei com essa semana de aniversário da minha cidade. Até, confesso, me entristeci um pouco ao pensar em Porto Alegre e constatar o estado em que se encontra.

Não porque os prédios e os monumentos sejam pichados diariamente. Não porque as ruas estejam sujas. Não porque o Arroio Dilúvio tenha de ser constantemente limpo pela prefeitura, que de seu curso pesca pneus, latas, garrafas e até sofás. Não porque os telefones públicos sejam depredados.

Nada disso.

Fiquei triste porque há pessoas que picham prédios, sujam as ruas, atiram até sofás no Arroio Dilúvio, depredam monumentos e telefones públicos.

Fiquei triste porque o Mal de Porto Alegre é muito menos a qualidade das suas autoridades e muito mais o comportamento da sua população, cada vez mais grosseira e ignorante, uma população de pedintes que ficam de campana nas sinaleiras para achacar motoristas, de motoristas que atiram lixo pelas janelas dos carros, de alunos que agridem professores nas escolas, de pais de alunos que não admitem que seus filhos sejam punidos, uma população que emporcalha a cidade e se xinga mutuamente nos balcões das lojas, nas repartições públicas, no trânsito.

Essa doença da alma portoalegrense, o sintoma dela se manifesta com toda clareza quando a massa que se reúne semanalmente a fim de assistir ao futebol. Há 10 anos, quando víamos cenas de violência patrocinadas por torcedores paulistas, nós aqui na redação do jornal nos congratulávamos: em Porto Alegre não havia daquilo. Hoje, a ignorância do torcedor, nem que seja ignorância verbal, virou tema recorrente entre os jornalistas.

O torcedor, ainda que seja um torcedor leitor, pretensamente de melhor nível cultural, quando se manifesta, em geral o faz com agressividade e intolerância. As mesmas agressividade e intolerância que ele transporta para a arquibancada, que o leva a danificar os aparelhos públicos da cidade e a fazer das ruas em que transita uma imundície.

Por isso, saúdo a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios. Quanto menos instrumentos se der para que aflorem os sentimentos animalescos da súcia, melhor.


*Texto publicado hoje na página 51 de Zero Hora

Postado por David

O gol minhoca

30 de março de 2008 8

Certa feita um gaiato apresentou-se a Foguinho, no Olímpico, pedindo para fazer um teste a fim de jogar no Grêmio.

— Em que posição o senhorrr joga? — quis saber Foguinho, com seus erres triplos.
— Brinco em todas — respondeu o outro, decerto mascando chiclete, imagino-o mascando chiclete.
— Em todas? Hmm… Então faz o seguinte: cabeceia essa bola — mandou o técnico, e rolou a bola rasteirinha.

O sujeito mergulhou no chão, raspou o nariz na grama e meteu a testa na bola.

Foguinho suspirou e apontou o portão da rua:
— Pode irrr embora, meu rapaz. Para jogadorrr o senhorrr não serve.

Isso porque Foguinho não tinha um Jonas no time. Jonas não apenas cabeceou a bola rente à grama, ágil como uma minhoca de chuteiras, na quarta-feira passada. Jonas fez mais do que isso: fez gol!

Faz-se gol de tudo que é jeito nesse mundo do futebol, disso nem Foguinho sabia.


*Texto publicado hoje na página 51 de Zero Hora

Postado por David

A mulher do gerente - parte II

28 de março de 2008 9

Aí vai a segunda parte do texto pedido pelo Rogério Malta, de Gravataí, para o Túnel do Tempo.

Lá estava Péricles, suando, aflito, olhando de esguelha para dona Belinha, a vistosa mulher do gerente. Não um gerente qualquer, não: era o doutor Araújo, o seu gerente, e, mais do que isso, o seu técnico no time da firma. Péricles, havia muito, tentava conquistar a confiança do doutor Araújo. Ambicionava o cargo de subchefe de setor e o posto de quarto-zagueiro titular, mas sabia que o doutor Araújo ainda duvidava da sua capacidade. Assim como sua mulher Mariana. Ela também não confiava nele. Desde que aquela loirinha sardenta…

Bem, aquilo já passara. Só que ela não esquecia. Péricles, portanto, tentava desesperadamente reconquistar sua mulher e conquistar o seu técnico e gerente.

Aí aconteceu aquela ligação. Dez da noite, ele fazendo serão e toca o telefone. Péricles atende e uma voz feminina começa a falar todo o gênero de obscenidades. Luxúria. Lascívia. Dissolução. Cabritismo. Tudo o que se pudesse imaginar de libertinagem era sussurrado por aquela voz, coisas que fariam corar a própria Messalina. E era a dona Belinha! Sim, dona Belinha, a mulher do gerente. Ela não se identificou, claro, mas ele reconheceu a voz.

Durante a noite, Péricles ficou tão perturbado que sequer dormiu. Agora, lá estava ela, no escritório. Dona Belinha! Com uma minissaia… Cristo! A menor delas, ela que vivia usando minissaias estonteantes. Palmo e meio de tecido, não mais. O escritório todo começou a rumorejar. Zumzumzum, viu?, viu?, que pernas! Péricles não olhava. Permaneceu com as vistas baixas, fitando, mas não enxergando, os papéis em sua mesa. Suava. Não via, mas pressentia os movimentos de dona Belinha pela sala, o ondular de suas pernas de abricó por entre as mesas. Ela dobrou à esquerda, à direita, entrou no corredor que levava à mesa dele, e veio. Veio. Veio. Na sua direção! Péricles não sabia o que fazer. Manteve a cabeça baixa. Ela parou diante da sua mesa. Péricles via unicamente uns 15 centímetros das pernas dela, o naco moreno entre a mesa e a minissaia. Hesitava. E suava. Aos poucos, olhou para cima. Viu a região do umbigo, as mãos, os braços, os, oh!, seios pétreos. Finalmente, aterrissou nos olhos. Ela o encarava, divertida.

— Oi, Péricles – cumprimentou, chispas de sol saindo da voz. – Viste o meu marido por aí?

Péricles olhou-a demoradamente antes de responder. Ela sorria, a boca entreaberta, os lábios intumescidos. A própria malícia, dona Belinha. Estava de costas para o resto do escritório, ninguém via aquele olhar. Só Péricles. Era um olhar tão incandescente que Péricles não conseguia falar. Queria dizer que o marido dela, o venerável doutor Araújo, se encontrava na sala dele, como sempre. Mas não conseguia abrir a boca. Acenou com a cabeça, somente: não, não vira o marido dela. Ela passou a língua vermelha e pontuda pelos lábios em forma de coração. Abriu ainda mais o sorriso. Disse:

— Péricles… – só isso, nada mais. E se foi em direção à sala do doutor Araújo. Péricles ficou sentado, nervoso, tremendo.

Não a viu mais, naquele dia. Só, de relance, na hora em que ela e o doutor Araújo, braços dados, foram embora. Péricles ficou trabalhando. Ia fazer serão outra vez. Precisava trabalhar, era verdade, mas, numa gaveta da alma, guardava a esperança de que ela ligasse de novo.

E ela ligou.

Dez da noite, outra vez. Disse o nome dele, entre dentes, e recomeçou com a lambuzeira verbal. Péricles ficou agitado, garganta apertada, olhava para os lados, engolia em seco, até que tomou uma atitude – balbuciou:

— Dona… — num suspiro.

E depois de uma pausa, com voz sumida:

— …Belinha…

Ao ouvir o próprio nome, ela calou. Péricles também. Silêncio. Péricles apertava o fone contra o ouvido, angustiado. Arrependeu-se de ter dito o nome dela. Ela certamente ficara furiosa. Talvez não quisesse jamais ser identificada. Talvez fosse essa sua fantasia – apenas falar, não fazer. Se tivesse ficado ofendida, poderia inclusive comentar algo com o doutor Araújo. O que seria horrível. Péricles queria muito que o doutor Araújo confiasse nele. Queria a vaga de chefe de setor. Queria ser quarto-zagueiro titular. Que arrependimento. Já estava decidido a desligar, quando ela falou.

— Péricles… — foi o que disse, a voz ainda mais cálida. E depois:

— Péricles… — mais quente.

— Péricles… — mais.

— Péricles… — e mais ainda!

Péricles sentiu a cabeça rodando. Ouvir seu nome sendo pronunciado daquela forma, com tanto… calor… amolecia-lhe os ossos, fermentava-lhe o cérebro. Tinha que dizer alguma coisa. Então disse: – Dona Belinha… E ela, ronronando:

— Péricles…

Ele, suspiroso:

- Dona Belinha…

Ela, quase gritando:

— Péricles!

Ele, gritando:

— Dona Belinha!

Ela, aos berros:

— Péricles!!!

Ele, desesperado:

— Dona Belinha!!!

— Péricleeeees!!!

— Dona Belinhaaaaa!

— Péééééricleeeeeees!!!

Marcaram um encontro para o dia seguinte. Porém, mal desligou, Péricles teve vontade de desmarcar. Decidiu, naquele momento: não iria. Não! De jeito nenhum. Iria manter-se determinado como um marido fiel e um funcionário exemplar. Não iria. Não iria mesmo. Ou iria? Bem, isso você vai ficar sabendo amanhã.

*Texto publicado em 18/04/1999 em Zero Hora

Postado por David

Medo de raio

28 de março de 2008 16

Fernando Gomes, Banco de Dados - 15/07/2004
Estava instalado atrás da minha mesa na redação do Jornal da Manhã, em Criciúma, pensando nas sutilezas do ponto-e-vírgula, quando aquele casal de gordos entrou pela porta. Antes que alguma ONG protetora dos gordos se ourice, esclareço que estou apenas descrevendo os dois. Podia ser um casal de baixinhos, ou de alemães muito brancos, ou de magricelas. Não era. Era de gordos. Não lembro da roupa do gordo, faz tempo isso, mas a gorda usava um vestido floreado. Tinha muitas flores no vestido da gorda, flores amarelas e tudo mais. Pararam defronte à mesa. O gordo me estendeu uma mão gorda, apresentou-se como jornalista e disse que queria trabalhar. Coincidentemente, havia uma vaga de repórter, então combinei com o gordo de fazer um teste com ele durante alguns dias. A primeira pauta que lhe dei foi sobre raios. Por algum motivo, caía um monte de raios em Criciúma, atingindo algumas pessoas, inclusive. O gordo saiu para fazer a matéria e, no fim da tarde, voltou chateado.

— Gostaria que essa matéria não saísse — miou.

Perguntei qual o motivo daquela estranha reivindicação, e ele respondeu que a mulher dele, a gorda, tinha muito medo de raio e, pelo que havia apurado, o bairro no qual moravam era justamente o mais atingido pelas descargas.

— Se ela ler essa matéria, vai querer sair de lá – alegou.

Olhei para ele por um momento e depois disse:

— Cara, faz a @%$¨&¨% da matéria.

Na manhã seguinte, cheguei ao jornal e a gorda estava lá, braba dentro do vestido floreado.

— Essa matéria dos raios! – ralhou.

Não dei bola. Fui trabalhar. Mais tarde, passei pela sala onde o gordo devia estar e vi a gorda sentada diante da máquina, escrevendinho. Chamei o gordo:

— Que que a tua mulher está fazendo?

— Está escrevendo a matéria. Mal acreditei:

— Tu é quem tem que fazer a matéria!

Ele acedeu. Mas, no outro dia, entrei na redação e quem encontro sentada à máquina, batendo furiosamente nas teclas com seus dedos roliços? A gorda de vestido floreado. Levei o gordo para um canto:

— Meu, não pode isso de a tua mulher trabalhar por ti!

Ele concordou. Só que, um dia depois, lá estava a gorda com aquele vestido, escrevendo a matéria do gordo. Irritei-me. Peguei o gordo e:

— Por que é que tu não manda a tua mulher pra casa??? Ele torceu as mãos e ciciou:

— Porque lá cai raio…

Tive que dispensar o gordo. Nunca mais o vi, mas sempre lembro dele, quando saem os índices de desemprego no país. Porque hoje o problema do Brasil não é o desemprego. É a falta de qualificação dos candidatos a emprego. Existem vagas, para quem está preparado, mas grande parte da população brasileira é composta por analfabetos funcionais, por gente que lê, mas não entende, por ignorantes de todos os quilates, que não sabem em que mundo vivem. O velho problema: a Educação. Ou a falta de.

Foi difícil preencher aquela vaguinha no Jornal da Manhã, não aparecia ninguém muito melhor do que o gordo. Deveria mesmo era ter contratado aquela mulher dele.

Postado por David

Caricatura e futebol

27 de março de 2008 9

Fraga concorre com esses cinco: Kahn, Tevez, Ronaldinho, Ronaldo e Figo
Leitorinhos, importante:

O Gilmar Fraga, ilustrador das minhas colunas, está participando de um salão de caricaturas na Áustria (Austrian Cartoon Award 2008), cujo tema são jogadores de futebol.

Tem um concurso para escolher os oito melhores trabalhos do salão. O Fraga concorre com cinco. É uma votação on-line. A pessoa se cadastra, vai lá e vota. Vou pedir para que vocês, leitorinhos, votem no Fraga. Não porque estou pedindo, nem porque ele é o Fraga, mas por ele ser bom mesmo! Vocês sabem que é.

É preciso selecionar o país de origem do artista, Brasil, no caso, e a categoria (portrait = caricatura). Taí o o endereço: www.cartoonaward.com

Postado por David

Leitor-Cronista

27 de março de 2008 22


Atentem para os poemas da Cláudia Flores, cujo belo rosto ilustra este post. Que tal?


Basta.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
control-sêlo e control-vêlo.

estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
estou cansada desta vida
contra o sê-lo e contra o vê-lo.

* * *


versos em poeira
a perder-se em vigílias
versos empoleiram
a escorrer pela face
versos, aos poucos
aos lotes, avulsos
sem que pudessem
ver-se tão tolos
sussurrar versos
soa imaturo
como se ouvissem
longínquos, mudos
versos ressacam
tuas retinas
tuas narinas
teus labirintos
versos padecem
pelos segundos
lençóis, paredes
vertem dos poros
versos me vêem
piedosos, curtos
lentos, noturnos
quando não vens

Postado por David

A mulher do gerente - parte I

27 de março de 2008 5


Boa lembrança do Rogério Malta, de Gravataí. Ele pediu para o Túnel do Tempo um conto de três capítulos* que escrevi em 1999 na Zero Hora.

***

Péricles estava fazendo serão. Devia ser umas 10 da noite. O telefone tocou. Estranho, o telefone nunca tocava àquela hora. Péricles olhou para o aparelho. Levantou o fone. Levou-o à orelha.
— Alô?

Então ouviu aquilo. Jesusmariajosé! Nunca tinha ouvido nada parecido na sua vida. Nem nos jogos de futebol da vila. Nem nos bordéis que freqüentara na adolescência. Nunca, jamais ouvira cabedal tão vasto, sortido, rascante e caudaloso de obscenidades. E era uma mulher! Que sabia o nome dele. Pois havia perguntado:

— O Péricles estááá? — assim, com três as. E agora dizia o que queria fazer com certas partes do corpo dele e o que queria que ele fizesse com determinadas partes do corpo dela. Coisas… coisas… coisas gosmentas! Cristo! Logo com Péricles que, está certo, não era nenhum sacristão, já aprontara das suas, mas agora não, agora estava mudado, fazia um ano que só queria saber da mulher dele, fazia um ano que decidira tornar-se um homem responsável, bem casado, sério, honesto e, sobretudo, fiel. E estava conseguindo. Mais um pouco, tinha certeza, e iria reconquistar a confiança quebradiça de sua mulher Mariana. Por isso, Péricles não estava interessado em novas aventuras sexuais, por mais selvagens, enlouquecedoras e melequentas que fossem.

Mesmo assim, não conseguia desligar o telefone. Ouvia embasbacado a voz rouca que lhe sugeria posições de ginasta romeno, locais clandestinos de fornicação, que lhe falava de orifícios dilacerados, seivas escorrentes, fluidos esguichados. Mais: Péricles começava a reconhecer aquela voz. Era sussurrada, sim, baixa, sim, mas conhecida.

Enquanto ela falava e gemia e uivava e rosnava, Péricles foi identificando-a. Quem era mesmo? Quem era mesmo?… Até que reconheceu. E quase gritou, ante à revelação. Dona Belinha! Isso: Dona Belinha, a mulher do gerente! Péricles quase desligou o telefone. Dona Belinha, cruz credo, como ele podia ficar ouvindo aquelas coisas da Dona Belinha? Era mesmo um safado! Imagina se o gerente, o Doutor Araújo, descobrisse. Além do mais, o gerente era mais do que o gerente — era o seu técnico. É. O técnico do time de Péricles na firma.

E Péricles, só Péricles, sabia o quanto trabalhava para conquistar a confiança do Doutor Araújo. Com muita raça, treinamento com bola, abdominais e horas extras ele se transformara em forte candidato ao cargo de subchefe de setor e à posição de quarto-zagueiro titular. Ansiava por conquistar a admiração do Doutor Araújo, tanto quanto almejava voltar aos bons tempos com sua mulher Mariana. Mas o Doutor Araújo ainda o encarava com reticências. Até porque era um momento importante: o time da firma ia disputar a semifinal do campeonato interno. Precisava, portanto, de todo o respeito do Doutor Araújo. Como, então, ele tinha a desfaçatez de ficar ouvindo aquelas sem-vergonhices da Dona Belinha? Péricles começava a se sentir mal com aquilo. Começava a se sentir culpado.

Foi quando uma fagulha de raciocínio trespassou seu cérebro azoinado – ora, era ela quem estava ligando! Ela que era a degenerada! Esse pensamento o tranqüilizou um pouco. Ficou ouvindo as libertinagens e pensando: Dona Belinha, quem diria…

De repente, uma outra voz emergiu do fundo da ligação. Era alguém que chegava ao recinto de onde Dona Belinha falava. Um homem. O Doutor Araújo! Sim, era a inconfundível, sisuda, ordeira e grave voz do Doutor Araújo, a mesma voz que lhe recomendava todos os domingos:
— Bola pro mato, seu Péricles! Não pipoque, seu Péricles!

Ou, às segundas:
— Vamos controlar as ligações telefônicas, seu Péricles, precisamos enxugar despesas, seu Péricles.

O Doutor Araújo era assim, chamava todo mundo de senhor, de %22seu%22. Era como o velho Foguinho. Grande homem, o Doutor Araújo. E, agora, o Doutor Araújo chegava perto do telefone em que Dona Belinha proferia todas aquelas imundícies. Péricles estremeceu. Será que o Doutor Araújo pegaria o telefone? Falaria com ele, Péricles?

Mas aí, súbito, ela desligou.

Péricles não conseguiu mais trabalhar. Foi para casa. Não conseguiu dormir, também. Ficou apenas pensando na Dona Belinha, nas coisas que ela dissera. Por que fizera aquilo? Será que ela tinha algum interesse nele? Se tivesse… Puxa vida, Dona Belinha era uma linda mulher… Realmente, uma linda mulher. Seu sorriso cândido, seus cabelos esvoaçantes, seus seios pétreos e, principalmente, suas pernas… Dona Belinha usava cada minissaia! Quando ia à firma, e isso acontecia quase todos os dias, os funcionários se perturbavam, não trabalhavam direito, ficavam só olhando de soslaio para as pernas compridas da Dona Belinha.

Dona Belinha, Dona Belinha… Que pernas! O pensamento de Péricles deslizava pelas pernas de Dona Belinha, apalpava-lhe o tornozelo delicado, subia pelas canelas macias, escalava o joelho redondo e já estava alcançando a curva interna das coxas quando a realidade, na forma das sobrancelhas cerradas da sua mulher Mariana, o abalroou. Foi um choque. Mariana pregava em sua testa um severo olhar de reprovação.
— Em que tu estás pensando? — quis saber ela, as mãos na cintura.

Péricles enrubesceu.
— Nada, nada…
— Só pode ser sacanagem!

Como ela sabia? Que coisa. Mariana não confiava nele mesmo. Desde o dia em que a loirinha sardenta… Puxa, mas fazia tanto tempo! Péricles tinha de fazer algo para muar aquela situação. E já.

— É que pensava em nós, Marianinha. — Será que colaria? — Nos nossos bons tempos… — era uma tentativa, ao menos. Ela só balançou a cabeça, negativamente, e se foi, suspirando.

Não colou.

Péricles passou a noite se recriminando: tentava reconquistar sua mulher, fazer com que ela acreditasse que ele havia mudado, que não era mais o vira-latas de tempos atrás, e bastava um telefonema safado para não pensar em outra coisa, só em pernas de Dona Belinha, pernas de Dona Belinha!

E o Doutor Araújo? Como iria provar ao Doutor Araújo que podia ser titular da quarta-zaga e chefe de setor se estivesse pensando nas pernas da mulher dele? Belas pernas, era verdade. Pernas rijas, sólidas como dois troncos de figueira, e ao mesmo tempo lisas, tenras. De cetim. Mas eram as pernas da mulher do gerente! Oh, Deus! A culpa!

De manhã, Péricles foi para o trabalho estremunhado. Sua cara parecia um pastel. Passou o dia distraído, os colegas falavam com ele e ele:
— Ahn?

Até que, no fim da tarde… ela apareceu. Quando a viu, Péricles sabia que ia acontecer algo. Algo grave. Aconteceu mesmo.

Você saberá o quê amanhã. Aguarde.


*Texto publicado em 17/04/1999 em Zero Hora

Postado por David

Concurso Leitor-Cronista

26 de março de 2008 19

A Claudia dos Santos, a Claudinha, faz poesia. Enviou essas, entre outras. Que tal?


Sou de cartas não enviadas
Amores não declarados
E suspiros afogados
Sou de namoros empurrados
Sentimentos não sentidos
E desejos falsificados
Sou de ficar indecisa
E de ser decidida na minha indecisão
Sou de ficar em cima do muro
Mas de pular desse muro
Mesmo que caia no chão
Sou de não saber o que quer
Mas toda essa controvérsia justifico:
Sou mulher!


Não sei quantas cartas já escrevi
Quantas poesias rabisquei
E nunca te mandei
Quanta coisa já pensei
Já disse, ri, e mudei
E nunca te falei
Tudo que eu quis que tu fosses
E que nunca chegaste a ser
Tudo o que eu quis que soubesses
E que nunca vais saber
Eu já quis me abrir pra ti
Mas não irias compreender
Sou um livro que não escrevi
E que talvez nem venha a escrever.

Postado por David

Não me venha com Peixe Vivo!

26 de março de 2008 13

A música preferida de Juscelino Kubitschek era %22Peixe Vivo%22.

Como pode um peixe vivo
Viver fora, viver fora, viver fora d´água fria?
Como poderei viver
Sem a sua, sem a sua, sem a sua companhia?

E o homem é considerado um dos mais importantes presidentes do Brasil. Por favor! Uma pessoa até pode achar engraçadinha a Peixe Vivo, mas tê-la como referência musical é abobadice irremediável. Que seja pagode, que seja sertaneja! Peixe Vivo, não.

Só que não acredito nisso de JK ter gostado de Peixe Vivo. Não pode ser. Ele pretendia era desmentir sua educação universitária, ele que era médico. Pretendia ressaltar o quanto era popular, o quanto era mineiramente caipira, o quanto era povo, matuto, como o eleitor.

Conseguiu.

Já o maior dos nossos presidentes, Getúlio Vargas, morreu de pijama listrado. Tudo bem, qualquer pessoa pode ser surpreendida pela morte quando estiver na cama, enfiada distraidamente em seu pijama listrado. Não foi o caso. Getúlio escolheu a hora de morrer. Meteu uma bala calibre 32 no coração e, antes de fazê-lo, redigiu uma extensa carta-testamento, de estilo criterioso, bem revisada, cheia de frases de efeito. Uma morte premeditada, portanto. Por que, então, o homem escolheu um pijama listrado como traje derradeiro? Poderia, Getúlio, ter acatado o conselho de um conterrâneo ilustre, o senador Pinheiro Machado, antepassado dos meus amigos Ivan e Zé Antônio PMs. O senador ensinava:

- Use sempre roupas de baixo de seda. Assim, se a morte o colher de inopino, você será um cadáver composto.

De fato, Pinheiro Machado foi morto à traição por Manso de Paiva, e vestia elegantes cuecas de seda.

Getúlio também poderia morrer de gravata-borboleta e cartola, como caberia ao maior estadista brasileiro de todos os tempos, que foi. Ou poderia morrer pilchado, como caberia ao gaúcho de São Borja, que era.

Nada disso. Quis morrer de pijama. Listrado.

O que significaria o pijama? Pois Getúlio não faria nada sem significação, na hora desse último e dramático gesto. Pois bem: Getúlio queria mostrar-se humano. O homem injustiçado, que, frente a todas as pressões, escolhia sair da vida para entrar na história. Getúlio queria que o povo sentisse pena dele, tão velhinho, tão frágil e ao mesmo tempo tão abnegado em seu pijaminha.

Conseguiu.

Isso é que é: os hábitos dizem muito de um homem. Por isso, desconfio de jogadores que usam medalhão, brinco, pulseira, chuteira fúcsia, tranças nas madeixas. Esses me deixam ressabiado. Só que esses, hoje, são todos.

Postado por David

Lei maldita

26 de março de 2008 13

O que aconteceu com o futebol brasileiro nos últimos 10 anos?

Em primeiríssimo lugar: os grandes times acabaram. O último grande time montado no Brasil, o Santos de 2002, nem grande time era; era um time ótimo com um único jogador de exceção, Robinho.

O segundo lugar é a causa do primeiro: a expatriação relâmpago dos bons jogadores. Pato ficou seis meses no Inter; Anderson e Lucas, um ano no Grêmio. Os piratas europeus vêm, escolhem um jogador como se o levantassem da prateleira e levam quando querem, deixando esmolas, quando deixam.

Terceiro lugar: os tradicionais clubes do Interior entraram em processo de extinção, feito pássaros dodôs. Sem o recurso da venda de jogadores, os clubes estão perdendo espaço para entidades patrocinadas por empresas, faculdades ou empresários que fundam times para servir de criatórios de jogadores, com fins comerciais.

Em resumo, o futebol brasileiro perdeu a graça nos últimos 10 anos. Dez anos da nefanda Lei Pelé.

Postado por David

Pelas panturrilhas

25 de março de 2008 13

Reprodução

 

 

Esse da esquerda é o meu amigo Potter, que participa do Pretinho Básico.

O Potter, todo mundo sabe, é um analista de panturrilhas. Olhando para a panturrilha de uma mulher, ele desvenda seus mistérios.

Essa moça da direita, que o abraça com carinho, o Potter deu uma passada de vistas na panturrilha dela e adivinhou-lhe o signo.

Touro.

Postado por David

A melhor seleção

25 de março de 2008 2

Para a edição desta quarta-feira de Zero Hora de papel, escrevi um texto sobre aquela que, na minha opinião, foi a melhor seleção de futebol de todos os tempos. Considero-a melhor até do que a Seleção Brasileira de 1970, e digo o porquê.

E você, leitorinho, que seleção você acha que foi A seleção? Diga qual clicando aqui.

Postado por David