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Posts de junho 2008

Foi em 28 de abril de 1976

21 de junho de 2008 10

Já contei que uma vez dei o drible elástico? Por Deus que dei. Lá no Alim Pedro. Na ponta-direita. Preferia a ponta-direita porque na esquerda a grama era muito alta. Crescia até inço na ponta-esquerda, e sei por quê. Por causa do Cabral. Cabral era o lateral-direito do Canarinho, quebrador de tíbias e perônios, trincador de rótulas. Nenhum pontinha driblava o Cabral impunemente. Alguém dirá que toda ponta-esquerda um dia já foi ponta-direita, porque o lado do campo inverte no intervalo. É. Mas acontece que o Canarinho sempre começava chutando da Plínio para a Assis Brasil. Então, os pontinhas só se atreviam no primeiro tempo. No segundo eles não iam mais lá. Assim, o capim crescia viçoso como o cabelo dos Ronaldos na ponta-esquerda.

Aquela tarde eu estava na ponta-direita. O marcador veio que veio rosnando e rangendo dente. Eu já tinha treinado o drible elástico. Todos os dias, praticamente. Tentava e tentava, nunca conseguia. Mas naquele dia passei o pé por cima da bola e a enganchei e levei o pé para o outro lado e a bola foi para lá e para cá e… deu certo, cara! O marcador ficou todo torto, um gê invertido.

É isso, dei o elástico. Mas só uma vez, admito. É muito difícil. Fazia todo aquele esforço para dar o elástico apenas por um motivo: por causa de Roberto Rivellino, o Garoto do Parque, o Patada Atômica. Rivellino foi o melhor, depois de Pelé. O herdeiro legítimo da camisa 10. Pergunte para o Ronaldinho ou para o Maradona quem é o ídolo deles. Pergunte! Rivellino, eles dirão, depois de um suspiro.

— Queria ser o Rivellino com a perna direita — disse uma vez Ronaldinho.

Não conseguiu. Não conseguirá. Rivellino era melhor. Rivellino driblava mais, chutava mais, passava mais, lançava mais do que Ronaldinho ou qualquer outro curumilha que hoje corre dentro da camisa canarinho.

Para se ter idéia da potência do chute do Rivellino, conto o seguinte: uma vez, jogando pela Seleção, ele mandou um bazucaço para o gol e o goleiro ousou espalmá-la. Crec!, quebrou os quatro dedos. De outra, o goleiro foi defender, caiu de mau jeito e fraturou a clavícula. A bola saía que era um paralelepípedo do pé canhoto número 37 do Riva. Ele se aproveitava deste poder: a primeira falta do jogo, chutava no meio da barreira, na cara de um coitado. O coitado ia a nocaute, a cara virada num xis-bacon. Na segunda falta, a barreira inteira se encolhia de horror. Gol.

Agora, para se ter idéia da pontaria do Riva, relato mais uma façanha. Aconteceu na Copa de 74, contra a Alemanha Oriental. Rivellino foi bater uma falta e Jairzinho se colocou no meio da barreira. Na hora do chute, Jairzinho se abaixou e a bola passou exatamente pelo espaço antes ocupado pelo seu pescoço. Gol.

Os lançamentos do Rivellino eram ainda mais precisos do que seu chute. Com seus lançamentos, ele consagrou um ponta tosco, o Gil, chamado Búfalo Gil porque não passava disso mesmo: força e velocidade, feito um boi. Lá da intermediária de defesa, o Riva dominava a bola e a fazia atravessar o campo numa viagem de 60 metros sobre as cabeças pasmadas dos jogadores dos dois times. A bola aterrissava sempre no pé direito do Gil, suave como beijo de mãe, e o Gil investia área adentro e dava um chute seco, à meia-altura, e fazia o gol do Flu. Com Rivellino, Gil foi para a Copa do Mundo. Sem Rivellino, Gil percorreria todos os dias a Avenida Atlântica, do posto 1 ao posto 6, com uma vassoura na mão, trabalhando de gari.

Por isso todo guri dos anos 70 queria jogar como o Rivellino. Queria dar o elástico. É a magia do ídolo. Não é por acaso o que vem acontecendo em Porto Alegre nos últimos dias: a torcida do Inter consternada pela saída de Fernandão, a do Grêmio emocionada pela possível volta de Jardel. O ídolo forja o torcedor. Do ídolo, o torcedor aceita tudo, até eventuais fraquezas. Os gremistas pouco estão ligando se Jardel envolveu-se com drogas, se está fora de forma. Os gremistas querem Jardel. Aos colorados não interessava se Fernandão não rendia mais como rendeu em 2006. Os colorados queriam continuar com Fernandão.

Tive essa benevolência com o Riva.

Lembro bem daquele jogo porque se deu no dia do meu aniversário, 28 de abril de 1976. Brasil e Uruguai se enfrentavam pela velha Copa Roca, no Maracanã. Rivellino foi o melhor em campo, marcou um gol na vitória de 2 a 1 e desmontou sozinho o Uruguai, peça por peça, enlouquecendo os uruguaios a drible. No meio do jogo, o lateral Ramirez cometeu uma falta violenta no Zico e Rivellino foi tomar satisfações, peitou o uruguaio e lhe deu uma bofeta na cara. Nenhum uruguaio suportaria tamanha afronta. No fim da partida, Rivellino estava dando entrevistas e Ramirez correu para agredi-lo. O repórter gritou:

— Aí vem o Ramirez!

Rivellino olhou para trás e viu aquela tombadeira desabando na sua direção. Obviamente, deitou o bigode. Correu em zigue-zague rumo ao túnel, escorregou e desceu as escadas do vestiário sentado, a nadegadas. Ramirez, coitado, acabou cercado pelos jogadores do banco do Brasil. Um segurava, outro batia. O Beto Fuscão chegou a errar um soco e acertou no nariz do Flecha. Ramirez ficou todo machucado, levou semanas para se recuperar, mas o Riva ter fugido não pegou nada bem. No dia seguinte, meus amigos vinham gozar:

— Que papelão do Rivellino, hein!

Não me abalei.

— O Riva é da paz – argumentava. – O Riva é contra a violência.

Texto publicado edição dominical de Zero Hora.

Postado por David Coimbra

Fred, o galã

20 de junho de 2008 34

Júlio Cordeiro

 

   

 

Deliciem-se, leitorinhas, com mais uma foto do Fred, o galã de BANDEIRA DOIS.

Como as outras modelos do blog, ele também trabalha na Zero e, claro, não se chama Fred nem Frederico.

Para vocês verem que nem tudo são flores por aqui…

Postado por David

Abaixo a felicidade

20 de junho de 2008 31

É que a felicidade é superestimada. Desde Freud isso, embora, claro, Freud não seja culpado.

As pessoas querem ser felizes, ponto. Quando você pergunta para alguém:

- O que você quer para o seu filho?

Essa pessoa invariavelmente responde:

- Quero que ele seja feliz.

Depois, a criança cresce e os pais vão repetindo:

- O importante é que você seja feliz, meu filho. Você está feliz? Você tem que ser feliz.

A felicidade é o fim em si. O objetivo da vida.

Trata-se de uma distorção rasteira. É como alguém dizer que trabalha para ganhar dinheiro. Quem trabalha para ganhar dinheiro provavelmente não ganhará dinheiro com o trabalho. Um teorema simples: ganha dinheiro com o trabalho quem trabalha bem, trabalha bem quem tem prazer com o que faz. Logo, quem tem prazer com o que faz ganha bem. Uma redução, sei, mas é para resumir que servem as reduções.

A felicidade, se promovida a objetivo de vida, tudo o mais fica subordinado a ela. A pessoa luta por sua satisfação, o resto fica em segundo plano. Os outros ficam em segundo plano. Os valores da pessoa são ela mesma. Então, vale tudo para a obtenção da felicidade.

O filho daquele pai que lhe repete que o importante é ser feliz, por exemplo, já crescidinho ele passa em frente ao orelhão e pensa: esse telefone ficaria bem no meu quarto, meus amigos achariam muito engraçado. Aí ele vai lá e arranca o fone. Leva-o para casa, orgulhoso.

E o pai, ele desliza com seu carro pela cidade mastigando um Amor Carioca. Não sabe o que fazer com a embalagem do bombom e conclui: ah, o meu carro é que não vou sujar. Sem vacilar, abre a janela e atira a bolinha de papel no asfalto. A cidade não interessa, porque os outros não interessam.

Esses mesmos personagens, pode chegar um dia em que eles ocupem algum cargo público. Pode ser que um dia lidem com o dinheiro público. O raciocínio deles não mudou, eles ainda acreditam que nada vale mais do que sua própria felicidade. E aquele dinheiro, afinal, é dinheiro de ninguém. Bem como a via pública e o fone do orelhão são de ninguém. Assim, por que não tomá-lo, o dinheiro público, e satisfazer seus desejos e realizar seus sonhos e, enfim, ser feliz?

Os corruptos do Brasil, tanto quanto qualquer egoísta satisfeito que senta ao seu lado no trabalho, eles só querem ser felizes.

t Os corruptos brasileiros são uma chaga, mas também são uma bênção. Sobretudo para o gaúcho. O gaúcho acostumou-se a analisar o mundo com uma singeleza comovente. O gaúcho é contra ou a favor, é pelo sim ou pelo não, acha certo ou errado. Não é por acaso que a rivalidade Gre-Nal é assim acérrima. O gaúcho gostaria que a vida fosse um Gre-Nal. Bastaria escolher um lado, lutar contra o lado oposto e, pronto, não seria mais preciso pensar no assunto.

Mas, não. A vida é um pouco mais sofisticada. As carroças atrapalham o trânsito e maltratam os cavalos, mas os carroceiros precisam sobreviver; o MST é violento, mas a questão dos sem-terra tem de ser resolvida; o Brasil depende da agricultura, mas a Amazônia há que ser preservada. Tudo tão complicado… Porém, se há corruptos, o quadro fica mais claro. Pode-se ser contra os corruptos, eleger os corruptos como culpados e dormir tranqüilamente. O problema é quando os valores da sociedade geram a corrupção. Aí fica difícil de identificá-los, os corruptos, porque eles estão em toda parte. Eles estão no meio de nós. E a vida fica complicada de novo.

*Texto publicado hoje na página 3 de Zero Hora.

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (PARTE FINAL)

19 de junho de 2008 78

Quando Fred se encaminhava para o portão de embarque, ela apareceu, correndo, sorrindo, linda, linda, linda. Fred suspirou de alívio. Abraçou-a com doçura.
— Vamos? — perguntou, beijando-lhe a face.
— Vamos logo!

Entraram na sala de embarque, passaram pelo posto da Polícia Federal. Em meia hora, acomodavam-se nas poltronas de primeira classe do avião. Fred sorriu para ela. Ela sorriu para Fred.
— Como você está linda.
— São teus olhos.

Fred suspirou:
— Eu precisava te dizer isso: odeio esse negócio de “são teus olhos”.

Ela riu, aninhou-se no braço dele e brincou:
— Como se diz “olhos” em italiano?
— Não sei, mas, com o tempo que vamos passar lá, acabaremos por descobrir.
— Roma…
— Sou professor de história. Sempre quis conhecer Roma.
— É uma cidade muito romântica, Fred.
— Muito, muito, muito romântica, Francine.

THE END!!!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 10)

19 de junho de 2008 11

O Concho saiu e Fred ficou no saguão, olhando para os lados. Será que ela apareceria? Ou será que acontecera algum problema?

Havia sido tão claro no telefonema… Ela tinha que se apressar para que voassem naquele dia mesmo. Não podiam esperar pelo dia seguinte, de jeito nenhum. No dia seguinte, os bandidos decerto estariam aguardando por ele no aeroporto. Ou, antes disso, aproveitariam a noite para procurá-lo em todos os hotéis da cidade.

Não, não, eles não dispunham de muito tempo.

Fred consultou o relógio. Faltavam 45 minutos. Caminhou de uma ponta a outra do aeroporto. Onde ela estava? Onde??? Consultou o relógio mais uma vez. Os alto-falantes anunciaram o seu vôo. Tinha de embarcar. Será que embarcaria sozinho?

Em uma hora, A PARTE FINAL do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 9)

19 de junho de 2008 36

LEITORINHAS: como prometi, aí está a primeira foto do Fred, o galã do folhetim/Júlio Cordeiro
— Como estás, viejo amigo? — cumprimentou-o o Concho.
— Bem, mas um pouco nervoso. Conseguiu?
— Por supuesto. Aqui está — Concho estendeu-lhe a caderneta verde-escura do passaporte.
— Deu tudo certo? Você não teve problemas?
— Fiz como tu pediste. Falei com o nuestro amigo zelador e subimos los dos para o seu apartamento.
— Eles estavam lá?
— Não. Tudo limpo. Pienso que cansaram de esperar-te. Mas na frente do prédio estava una caminhonete como a que tu descreveste. Com uns hombres dentro.
— Virgem Maria! Devo-lhe essa, amigo.
— No deves nada. Quando voltas?
— Ainda não sei, amigo. Mas você será o primeiro que vou procurar

— Estás olhando para os lados… Esperas alguém? Ou estás com miedo de que os bandidos apareçam?
— As duas coisas, amigo Concho.
— Bien. Já voy.
— Obrigado de novo!
— Suerte!

Em uma hora, a PENÚLTIMA PARTE do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 8)

19 de junho de 2008 18

Fred chegou ao aeroporto duas horas antes do vôo. Era o prazo marcado para vôos internacionais.

A fim de esconder o dinheiro, comprara roupas novas numa loja do Centro. Enfiara maços de dinheiro nos vários bolsos das calças cargo, dinheiro nos bolsos da jaqueta, dinheiro nos bolsos do sobretudo, dinheiro na camisa, dinheiro até na cueca, lembrando-se de um velho escândalo político.

Adquirira uma mala não muito grande, que poderia levar na mão para dentro do avião, e nela colocara um pouco mais de dinheiro, outras roupas que comprara na loja, escova e pasta de dentes.

Olhou para os lados. Ela ainda não chegara. Mas um homem caminhava em sua direção, olhando fixamente nos seus olhos.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 7)

19 de junho de 2008 21

Fred perdeu a respiração. Simplesmente a perdeu.

Dentro da bolsa, acondicionados em sacos plásticos transparentes, havia dinheiro. Muito dinheiro. Maços de reais presos por atilho, notas de cinqüenta, faiscando para ele. Fred abriu a boca. Tentou inspirar. Não conseguia. Com os olhos arregalados, fez os pulmões puxarem ar. E exclamou:
— Virgem Maria!!! Estou rico!!!

Ligou o carro. Engatou a primeira. Errou a marcha. Deixou o carro apagar. Engatou a marcha corretamente.

E saiu do pátio do ginásio.

No meio do caminho, Fred começou a rir. Gargalhava de felicidade.

Agora, tinha de executar o restante do plano.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 6)

19 de junho de 2008 15

Eram alguns garotos que chegavam sorrindo, dentro de calções e camiseta, em cima de tênis, suados, falando alto, egressos de um jogo que acabara havia poucos minutos.

Fred suspirou, aliviado. Escapara-se desta. Não ficaria mais um segundo naquela ratoeira. Sobraçou a bolsa e saiu marchando do lugar. Chegou ao seu carro, no pátio. Pensou em arrancar-se imediatamente dali.

Aí lembrou-se do conteúdo da bolsa.

Ainda não verificara se ali realmente dormiam cinco milhões de reais.

Não agüentava mais de curiosidade. Tinha de conferir. Tinha de olhar. Talvez os bandidos chegassem, mas ele não suportava mais. Precisava abrir aquela maldita bolsa, que já era responsável pela morte de um homem.

Abriu-a, finalmente.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 5)

19 de junho de 2008 9

Fred recuou dois passos. Um metro e meio de horror em direção ao fundo do vestiário, agarrado à bolsa de pano.

Será que eram eles? Os bandidos? Neste caso, não haveria salvação. Era uma testemunha. Sabia de tudo o que ocorrera, do assassinato do Loguércio, do roubo do dinheiro, das duas quadrilhas, das drogas, das armas, sabe-se lá mais do quê!

Pior: Fred tivera um caso com a mulher do traficante! Pior ainda: ela era mulher do chefe da quadrilha, uma quadrilha poderosa, que transava com milhões, que matava gente. Ele seria assassinado a pancadas, seria torturado, os bandidos seriam capazes de fazer com ele o que fizeram com aquele sujeito no Rio: poderiam enfiá-lo em uma pilha de pneus e tocar fogo! Virgem Maria!!!

As vozes cessaram.

Os homens entraram no vestiário.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 4)

19 de junho de 2008 12

Desta vez, a chave coube no cadeado. Sentindo o sangue lhe subir pelas frontes, Fred girou a chave na fechadura.

O cadeado se abriu num clic.

Fred agora suava, sua respiração tornara-se mais rápida. Abriu a portinhola do armário. Antes de conferir o que havia dentro, olhou para os lados. Ninguém nas imediações. Estava sozinho no vestiário.

Olhou para o interior do armário. Lá havia uma bolsa de pano, dessas que os homens levam para o futebol. Uma bolsa bem cheia, estufada por volumes retangulares, do tamanho de maços de notas. Seriam mesmo notas? Fred puxou-a do armário. Levou a mão ao fecho a fim de abri-la.

Foi quando ouviu sons de vozes.

Alguém entrava no vestiário.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 3)

19 de junho de 2008 11

Não funcionou. Naquele armário só deviam estar amontoadas as roupas de algum dos jogadores. O dinheiro se encontrava em outro ginásio, se é que a sua tese estava correta.

Havia outro centro de esportes perto dali, a menos de cinco minutos de carro. Mas Fred já se sentia nervoso com tudo aquilo. Tinha medo de que Renata tivesse deduzido o local do esconderijo do dinheiro e que o traísse. Que contasse para o namorado bandido.

Bem… era certo que ela descobriria o local. Todas aquelas perguntas que ele fez sobre os hábitos esportivos do Loguércio iriam fazê-la pensar. Mas talvez ela não o entregasse. Talvez ela fosse leal, afinal de contas… De qualquer forma, Fred não poderia vacilar. Precisava de rapidez, de agilidade. Seu maior medo era deparar com a quadrilha esperando por ele no ginásio, os bandidos prontos para torturá-lo, tomar-lhe a chave e matá-lo, por fim.

Chegou ao ginásio. Situava-se em frente a um motel e atrás da universidade. Estacionou o carro no pátio. Saiu do carro. Caminhou rapidamente para o vestiário. Fred conhecia aquelas quadras, também. Já marcara muitos gols lá.

O som da bola sendo chutada ecoava pelo ambiente. Ele entrou no vestiário. Seu coração dava pulos debaixo da camisa.

Encontrou o armário número 12.

Experimentou a chave.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 2)

19 de junho de 2008 10

Um lugar perto da PUC, dissera Renata. Fred conhecia pelo menos três centros de futebol nas imediações da PUC.

Voou até as cercanias do campus da universidade. Calculou ter sido multado por no mínimo dois pardais, no caminho. Pouco importava. Ficaria rico. Pagaria todas as multas com juros, se fosse preciso. Mas não seria preciso. Não pretendia continuar morando no país. Não pelos próximos anos. 

Chegou ao primeiro ginásio. Na verdade, um complexo de quadras. Já havia jogado lá, conhecia o local. Já havia jogado na maioria das quadras da cidade. Tratava-se de um fominha consumado. Podiam criticá-lo por isso, mas era esse hábito que o faria encontrar cinco milhões. Ao menos era o que achava.

Fred caminhou por entre as quadras com decisão, sabendo para onde ir. Havia gente jogando, mas ele nem sequer conferiu como iam as partidas, como faria em uma ocasião menos tensa. Olhava fixamente para a porta do vestiário masculino, no fundo do corredor.

Estava aberta. Ele entrou. Tirou do bolso a pequena chave que encontrou colada à peruca de Loguércio. Sorriu. Inteligente, aquele Loguércio. Quem suspeitaria que ele guardava cinco milhões debaixo da peruca? Conferiu o número da chave: 12.

Localizou o armário número 12.

Experimentou a chave.

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

BANDEIRA DOIS - último capítulo (parte 1)

19 de junho de 2008 5

Antes de descer do carro, Renata puxou Fred pelos ombros. Beijou-o na boca.

Beijou-o com volúpia, trançando sua língua na língua dele, beijou-o com os lábios bem abertos. Ofegantemente. Sensualmente. Fred ficou excitado. Queria mais daquela mulher. Queria cada vez mais.

Ela entrou no táxi. Afastou-se olhando para trás. Fred abanou, enquanto ela sumia na avenida cinzenta. Em seguida, ele dirigiu até um posto de conveniência. Instalou-se numa mesa, pediu um café e sacou o celular. Fez três ligações. Pagou. E voltou ao carro.

Agora começaria a parte mais perigosa do seu plano. Agora ia buscar o dinheiro!

Em uma hora, a seqüência do último capítulo de BANDEIRA DOIS!

Postado por David

O último capítulo

18 de junho de 2008 7

Pessoal, vou explicar: o último capítulo do folhetim BANDEIRA DOIS será publicado nesta quinta.

Só que em diversas partes, uma parte por hora. Começa a partir das 9h da manhã. NÃO PERCAM!!!

Postado por David