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Bundas

25 de fevereiro de 2009 8

Juan Barbosa, Banco de Dados - 29/01/2008

Ressaca pós-Carnaval pegando… Como não vou conseguir criar nada hoje, escolhi uma crônica que foi publicada em 1999 na Zero Hora. Olha só:


Falemos sobre a bunda. Sem devassidão. Sem lascívia. Mas de uma perspectiva histórica. Científica, até. Os responsáveis pela bunda como é conhecida na atualidade, e aí me refiro ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja, a bunda como ela é, os responsáveis por ela são os africanos. Mais especificamente os angolanos e os cabo-verdianos. Para ser ainda mais específico, as angolanas e as cabo-verdianas. Foram elas, angolanas e cabo-verdianas, que, ao chegarem aqui durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.

Foi assim: naquela época, a palavra bunda não existia. Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam, exatamente, nádegas. Ou região glútea, tanto faz. Aí, os escravos angolanos e cabo-verdianos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos. Eram os bantos chamados bundos, que falavam o idioma ambundo. Ou quimbundo. A língua bunda, enfim.

Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa e, por que não dizer?, frutuosa do que as européias, sempre tão aguadamente retinhas, como bem pode ver quem viajava antes das desvalorização do real. Os portugueses, que, ao contrário do que se acredita, não são bobos, logo encompridaram os olhares para as nádegas das bundas. Uma delas passava diante de uma turma de portugueses e eles já comentavam:

- Que bunda!

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas. Assim nasceu a bunda moderna.

Você aí deve estar se perguntando: por que todo esse arrazoado acerca das bundas numa coluna de futebol? E eu respondo: por causa da Tiazinha, ora!

Todo o sucesso que a Tiazinha faz se deve a uma combinação da máscara com a bunda. Têm ligação direta, a máscara e a bunda. A máscara, o simples uso dela sugere a devassidão e a lascívia de que não falei lá em cima. Você olha para a Tiazinha e pensa: “Está mascarada para poder fazer sacanagem“. E a bunda, o uso que a Tiazinha faz da bunda, daqueles 92cm de quadril comparados aos 60cm de busto, o uso disso tudo é pura insinuação. Não é uma utilização violenta, agressiva, como a que emprega a Carla Perez. Não. É um uso circular, envolvente, lasso, dissoluto. Sensual. A bunda e a máscara, a máscara e a bunda, que união formidável consumada na personagem Tiazinha.

Você há de concordar comigo, mas, de repente, pode dizer: “Epa, mas não era uma coluna de futebol?” E é – o que eu quero enfatizar é que o gosto histórico do brasileiro pela bunda torna evidente o traço mais importante do nosso futebol – a negaça, a insinuação. Porque uma bunda que se projeta representa, exatamente, a negaça e a insinuação. Uma bunda como a da Tiazinha sugere. Provoca. A bunda da Tiazinha se oferece. E depois foge. Como um drible – o atacante oferece a bola e, quando o zagueiro vai apanhá-la, ele escapa rumo ao gol. Bunda e bola tantalizantes, isso daria até samba. Portanto, observe com atenção a bunda da Tiazinha e as demais, rotundas, inzoneiras, que desfilam no nosso Carnaval. Mas observe sem devassidão. Sem lascívia. Mas com seriedade histórica. Científica. Gravemente. E então você entenderá um pouco da nossa cultura. E do nosso futebol.”

Postado por David

Comentários (8)

  • Tiago Medina diz: 26 de fevereiro de 2009

    Nem consigo imaginar David coimbra vidrado na Band vendo a Tiazinha para se inspirar para esse texto.
    Bons tempos, aqueles.

  • Carlos Eduardo Salvador diz: 26 de fevereiro de 2009

    Grande época aquela da Tiazinha e da Feiticeira… e hoje, ao invés daqueles programas temos oração e mais oração!
    Será uma evolução decorrente do tempo?

    Não. Infelizmente não.

  • Matheus diz: 26 de fevereiro de 2009

    Achei que vc escreveria sobre o Pinto, muito apropriado para o dia de hoje e que tambem tem uma relação muito forte com o futebol. Tambem não pude deixar de me lembrar da Leticia, momentos dificeis ela deve estar passando ,e claro, como não poderia deixar de ser, me lembrei do “implausivel”

  • Diego diz: 26 de fevereiro de 2009

    David,
    Coloca um link com aquelas listas que vc tinha feito, especialmente a de livros.
    Abs,

  • Bianco Cunha diz: 26 de fevereiro de 2009

    cara,muito bom seus textos.

  • Clovis diz: 1 de março de 2009

    Olá David..Adoro seus textos…mas gostaria de comentar algo diferente. Você não acha estranho que a nossa isenta RBS (tese defendida por ti), enquanto a mídia paulista denuncia as maracutais do governo do RS, não coloque uma vírgula sobre o governo na página do clicrbs nestes últimos dias? Que mídia isenta eihn? Já imaginou se tivesse um cadáver no governo Olívio? PArabéns a RBS pela isenção, isentando a governadora e nos fazendo de trouxas como sempre….Um abraço.

  • Filipe Duarte diz: 27 de fevereiro de 2009

    grande analogia! perfect… lembrei-me de garrincha instantaneamente… um descendente bundo que usava a bola como se fosse uma bunda. parabens, david!!!!

  • josé miguel de coimbra diz: 27 de fevereiro de 2009

    saudades da tiazinha…

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