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Posts de maio 2009

Seio

30 de maio de 2009 17

Esse negócio de a Venezuela ser o país das misses é uma indústria de ilusões. Você chega a Caracas e espera encontrar uma morena de um metro e oitenta encostada em cada poste.

Morena, sim, que as morenas reagiram, definitivamente. Tempos atrás, o que se via nos concursos de misses e de rainhas glamours girls? Loiras. Loiras douradas, loiras lívidas, loiras voluptuosas ou loiras esquálidas, tanto faz, porém, sempre loiras. Por algum motivo, as coisas mudaram, de uns tempos para cá. As morenas se organizaram, foram se insinuando, ganhando espaço e, hoje, uma miss tem que ser morena. Você olha para uma mulher magra, cheia de dentes, de cabelos lisos e negros e luminosos, e já sabe: é miss.

Logo, é isso que se espera, quando se chega à Venezuela: morenas do tamanho de zagueiros do Huracán à mancheia, empurrando carrinhos de supermercado, manejando vassouras nos corredores das lojas, contando dinheiro nos caixas dos bancos.

Não é bem assim. A Venezuela está repleta de mulheres… normais. Decepcionante. O que se pode dizer sobre as mulheres da Venezuela é que, olhando para elas, um homem compreende o que realmente, eu disse re-al-men-te, é importante para uma mulher. Qualquer mulher. É o seguinte:

O seio.

Ou: os seios, que eles costumam vir aos pares. As venezuelanas são adeptas ferozes do silicone. Já havia visto algo parecido na Colômbia, coincidentemente, outra pátria bolivariana. Em Cali, as meninas, quando completam 15 anos, não ganham viagens à Disney ou bailes de debutantes; ganham implantes de silicone. Duzentos litros aqui, duzentos e cinquenta ali. Na Venezuela, a ânsia por seios fartos parece ainda maior. Porque os seios inflados estão em toda parte, aí sim, sobre os carrinhos de supermercados, em frente às vassouras que espanam os corredores das lojas, nos caixas de bancos.

Por que isso? Será que o presidente Chávez tem razão, e os Estados Unidos de fato colonizaram culturalmente a América Latina? Não… Não é isso. É que, com a emancipação feminina, as mulheres finalmente puderam dar vazão a essa sua angústia atávica, a essa vontade primeva de possuir grandes, duros e balofos seios, seios que aparentassem estar sempre intumescidos de leite nutritivo, dadivosos de vida, seios que anunciassem ao mundo que elas, as mulheres, estão preparadas para sua função primacial, a única coisa para a qual elas dão importância de verdade: a santa maternidade.

Porque até o século 20 as mulheres tinham de se conformar. Seios pequenos, seios flácidos, seios vesgos, constituídos os seios após a menarca, ainda na primeira adolescência, eles as acompanhavam até o fim de seus dias. Mas, passada a Segunda Guerra, com o advento libertador da pílula e da minissaia, as mulheres concluíram que podiam, elas também, domar a Natureza nem sempre sábia.

E é isso que se conclui observando as venezuelanas de seios túrgidos: que uma mulher sente sua identidade no peito.

Essa a palavra definitiva: identidade. Identidade! Todos temos que ter identidade, precisamos nos reconhecer de alguma maneira. O que faço eu? Eu escrevo, é isso que sou: um homem que escreve. E aquela mulher ali adiante? Ela está satisfeita com seus seios pequenos e, no entanto, rígidos como a vontade de Simón Bolívar, ela caminha altaneira pelo mundo. Ela tem identidade. A outra, ao seu lado? Ela agora é uma nova mulher com seus seios-balão. Alguém pode achar artificial, não interessa, ela se sente orgulhosa cada vez que respira fundo ou exala um suspiro. Ela não precisa mais erguer os braços quando vai tirar uma foto na praia. E um jogador de futebol? Ele tem de ser zagueiro, ou meio-campo, ou atacante, ou lateral, nunca um ala. Um ala não tem identidade. Não é ponta, não é lateral; o ala não existe, o ala é uma ficção. Aprendi isso aqui em Caracas, filosofando sobre o local onde as mulheres sentem re-al-men-te estar sua identidade.

* Texto publicado na página 51 da ZH dominical

Postado por David Coimbra

Drama em Caracas

29 de maio de 2009 22

O grande drama urbano da humanidade no século 21 se desenrola com rara gravidade aqui, nas ruas de Caracas.

Não é da pobreza que falo.

É do carro.

Esta é uma cidade de avenidas largas, recobertas por camadas de asfalto negro lisas como tábuas de bater bife. São ruas arborizadas, de calçadas amplas, margeadas por prédios de requintado gosto arquitetônico, alguns modernos, encimados por luminosas placas de propaganda que lembram Tóquio e Pequim, outros clássicos no estilo espanhol dos colonizadores. O clima eternamente abafado dessas alturas caribenhas é amenizado por uma brisa fresca que desce os 2.600 metros da Montanha Ávila. Uma cidade do porte do Rio de Janeiro, mas com menos pontos de estrangulamento, porque os morros não ficam em meio à área urbana, ficam em torno – Caracas se situa no centro de um vale. Cresceu como cresceram as cidades espanholas, a partir de uma praça maior, no caso, a Praça Bolívar. Da Bolívar, as ruas da capital se espraiam como os raios do sol.

Em tese, seria fácil organizá-la, seria um lugar aprazível de se viver. Isso, claro, desconsiderando-se as favelas embutidas nos morros do lado oeste, precárias como quaisquer favelas do planeta. O problema de Caracas, mesmo da Caracas rica, são os carros. Aqui há carros demais.

De manhã bem cedo, os carros já estão nas ruas e delas não se retiram até que o sol se ponha. Carros, carros carros, só o que se avista são carros arrastando-se entre os grandes edifícios. O trânsito é irritantemente vagaroso. Percorre-se um metro, depois mais um metro, e mais um, e o carro para, e avança mais dois metros, mais dois, e para de novo. Qualquer deslocamento, por curto que seja, leva no mínimo vinte minutos. Se a viagem for um pouco mais longa, de uma zona a outra da cidade, pode-se ficar detido uma, duas, até três horas no trânsito.

Entre os carros, aproveitando-se da lentidão do tráfego, circulam comerciantes de ocasião. Vendem de tudo: pipoca, arepa e até cafezinho. Os vendedores de café carregam quatro ou cinco térmicas em um suporte parecido com uma caixa de engraxate e, nos engarrafamentos, oferecem copinhos de plástico aos motoristas. Que podem, tranquilamente, pagar, beber e pedir outro antes que o carro rode outra vez.

Carros, carros, carros. Os motoristas dirigem com a mão na buzina, em zigue-zague, trocando de pista sem dar sinal, desviando de motoqueiros que enxameiam pela esquerda, pela direita, na frente, atrás. Carros. Eles enfeiam a bela cidade que é Caracas. Eles a tornam dura e nervosa.

A gasolina custa 10 centavos de dólar. Às vezes menos. Com R$ 2 pode-se encher um tanque. Mesmo que o preço dos carros não seja barato (um popular sai por US$ 10 mil), os caraquenhos estão comprando a cada dia mais carros. Até porque o transporte público é uma tragédia. E a cidade não anda. A cidade um dia vai parar.

Eis o grande dilema do século nas cidades do Ocidente e do Oriente. O mundo tornou-se dependente dos carros, inclusive economicamente. Mas o mundo não suporta mais carros. As cidades estão cheias deles, a natureza já não aguenta mais seus excrementos, em pouco tempo metrópoles como Caracas ficarão presas para sempre em engarrafamentos monstros. Como o planeta haverá de se libertar da miserável dependência dos carros?

* Texto publicado na página 3 de ZH de hoje.

Postado por David

Empate com a cara da América

28 de maio de 2009 25

Harold Escalona, EFE
O Grêmio arrancou um empate de um autêntico time de Libertadores, ontem à noite, na Venezuela. O Caracas, que ainda não havia perdido um único ponto em casa na competição, cedeu a muito custo o 1 a 1. Agora, um 0 a 0 no Olímpico, dia 17, garante a vaga na semifinal.

O time da Capital bolivariana foi o tempo todo vibrante, empurrado por uma torcida que pressiona até na cobrança de tiro-de-meta adversária: quando Victor se encaminhava para chutar a bola, os torcedores, todos, batiam os pés e, assim que o goleiro tocava na bola, xingavam-lhe a mãe em uníssono. A torcida do Caracas fez por merecer a fama de maior e mais empolgada da Venezuela. E seu maior ídolo, o zagueiro Rey, fez por merecer a admiração que lhe é devotada. Foi ele quem cobrou a falta da esquerda (ele cobra todas as faltas) aos três minutos, originando o gol de Cichero.

O Grêmio expôs e esgarçou todos ou quase todos os seus defeitos durante o primeiro tempo caraquenho. O mais grave deles: a falta de mobilidade. Sempre que um jogador do Grêmio dominava a bola e virava-se para o campo de ataque, os outros ficavam assistindo, parados cada um em sua posição. Não havia deslocamentos, não havia passagem de jogadores que estivessem atrás da linha da bola, não havia movimentação lateral ou em profundidade. Um time que se comporta desta forma, entrega-se à marcação do adversário. Foi o que aconteceu.

O desenho do time em campo era assim: atrás, imóveis, os três zagueiros, Leo na direita, Réver na esquerda e Rafael Marques entre eles. Na faixa seguinte, Ruy, Adilson e Fábio Santos. No meio dessas duas linhas, o técnico do Caracas postou três atacantes-marcadores. Eles jamais deram tranquilidade para que o Grêmio saísse jogando.

Talvez por isso, Adilson errou alguns passes no começo e Fábio Santos não se apresentava para receber a bola nem quando havia 10 metros entre ele e o próximo adversário.

Ruy era quem mais ousava, correndo junto à linha lateral direita. Mas sem sucesso, com exceção de um único lance, aos 27 minutos, em que ele patrocinou uma boa combinação com Jonas, que cruzou para Máxi Lopes dividir com o goleiro. Antes disso, aos 17 minutos, com a partida parada para que um jogador do Caracas fosse atendido pelo médico, Leo correu até a lateral e conversou nervosamente com Ruy. Os dois gesticularam, Ruy ergueu os ombros, talvez tentando se justificar por algo, provavelmente pela forma como o Caracas se infiltrava no seu setor.

Só no segundo tempo o time articulou jogadas e ameaçou

E, de fato, no início o Grêmio só jogou pelo lado de Ruy. A primeira jogada pela esquerda só foi ocorrer aos 22 minutos, e ainda assim frustrada. Até o meio do primeiro tempo, o Grêmio simplesmente não conseguia fazer a bola rolar. O jogo se dava pelo alto, os jogadores saltando e esticando a cabeça para alcançar a bola. Se um time praticava algo semelhante ao futebol era o Caracas, sereno e confiante por causa do gol marcado logo no início.

Foi do Caracas a melhor chance, aos 34 minutos, momento em que o argentino Figueroa chutou com violência para Victor praticar mais uma de suas defesas de Seleção. Nos últimos dez minutos o Grêmio chegou a dar uma melhorada, logrou trocar alguns passes, mas sem eficiência, sem malícia e, sobretudo, sem talento, um dos piores defeitos que um time pode ter.

No intervalo, enquanto os titulares desciam para o reservado, Alex Mineiro aquecia no meio do campo. Sinal de que Paulo Autuori já não estava gostando do que via. Com 15 minutos de partida no segundo tempo, como nada mudasse, Alex entrou em campo no lugar de Jonas.

Quase que imediatamente Tcheco fez boa jogada pelo meio, driblou três jogadores, abriu para Fábio Santos, que cruzou na cabeça de Máxi Lopes. Esse cabeceou para fora, mas foi uma jogada tramada, uma das poucas do Grêmio no jogo, até então. Outras viriam. Um minuto depois, Fábio Santos chutou por cima, de dentro da área. Aos 27, Souza bateu uma falta na trave. O Grêmio jogava melhor, com mais naturalidade e mais animação. Aos 29, Tcheco cobrou uma falta quase do mesmo lugar em que havia cobrado Rey. E o fez na cabeça de Fábio Santos, que empatou a partida, a partida mais dura para o Grêmio até agora. Uma partida de Libertadores.

COMO ELES FORAM

Victor – Com defesas seguras, salvou o Grêmio de levar mais gols. Nota 7

Léo – Muita dificuldade nos lances aéreos. Levou até um “chapéu” dentro da área. 6

Rafael Marques – Foi o zagueiro da sobra. Simplificou e não comprometeu. 6

Réver – Só se tranquilizou a partir da saída de Figueroa. 6

Ruy – Muita correria, mas pouca efetividade. 5

Adilson – Muita dificuldade para sair jogando. 5

Tcheco – A habitual precisão nas bolas paradas. Fez o passe para o gol que garantiu vantgem ao Grêmio. 7

Souza – Não foi o criador que o time precisava. Um chute na trave. 6

Fábio Santos– Ganhou confiança com a chegada de Autuori. 7

Jonas – Sumiu diante dos marcadores. Poderia ter saído antes. 4

Maxi López – Isolado no ataque, teve que recuar para armar as jogadas. 6

Alex Mineiro– Entrou aos 16 do segundo tempo. Quase não foi visto em campo. 4

DO QUE ELES PRECISAM

Grêmio – Joga por um 0 a 0 no Olímpico para chegar à semifinal.

Caracas – Precisa vencer no dia 17. Empate com mais de dois gols também serve. Novo 1 a 1 leva a decisão para os pênaltis

Postado por David Coimbra, de Caracas

A Copa de Autuori

27 de maio de 2009 17

Divulgação

Desde o dia em que se apresentou ao Grêmio, o técnico Paulo Autuori repete uma rotina pouco antes de começar cada manhã de trabalho no Olímpico: estende a mão e cumprimenta todos os jogadores do grupo, um a um. Gesto aparentemente inexpressivo, mas que desenhou um sorriso de satisfação no rosto do atacante Jonas quando ele o relatou, ontem, no saguão do belo Hotel Tamanaco, onde a delegação do clube está instalada, em Caracas, na região central da cidade.

Veja fotos e ouça a narração de gols importantes do capitão Tcheco, que já participou de 150 jogos com a camiseta do Grêmio

É acalentado por atitudes como essa do seu novo treinador que o time gaúcho enfrenta o Caracas hoje à noite, no Estádio Olímpico da Venezuela. A disputa tem tudo para ser a mais dura da equipe na Libertadores de 2009, mas, ainda assim, o Grêmio parece estar em paz. A civilidade de Autuori encanta e surpreende os jogadores.

— Ele não fica esperneando e gritando na área técnica durante o jogo – admirou-se o zagueiro Rafael Marques. — Isso é bom porque, às vezes, o técnico que fala demais confunde a gente. Você quer fazer uma coisa, ele diz outra, e você fica em dúvida. Se erra, vem a cobrança.

— E na maioria das vezes a gente nem escuta o que eles gritam — acrescentou Jonas.

— O que o Autuori fala sempre é sobre o detalhe. Isso do detalhe é muito importante para ele – revelou o gerente de futebol Mauro Galvão.

Jonas e Rafael Marques explicaram o que vem a ser “detalhe” na concepção de Autuori.

Jonas:

— Mais do que um chute ou um drible, às vezes uma corrida de 30 metros é que faz a diferença. Ninguém vai morrer por dar um pique de 30 metros para ajudar um companheiro. Parece pouco, mas é importante.

Rafael:

— É a atitude que você tem durante toda a semana. Você trabalha bem, então será escalado para o jogo.

Autuori quer que o jogador atue com espontaneidade e tome suas próprias decisões, mas sempre baseado no trabalho feito logo depois dos cumprimentos matinais: no treinamento.

Ontem mesmo ele voltou a insistir que costuma cobrar as atitudes dos jogadores com dureza para não precisar ficar se escabelando nos jogos.

— É bom para mim e para eles — explicou. — Quero desenvolver as consciências, quero plantar raízes que sejam profundas e importantes não só para mim, mas para o futuro do jogador.

Talvez entusiasmado com o discurso do técnico, um repórter estendeu-lhe o microfone e perguntou:

— É assim que se conquista um elenco?

— Não sei – Autuori balançou a cabeça. — É assim que aprendi a viver.

* Texto publicado na página 43 de ZH de hoje.

Postado por David

Café TVCOM

26 de maio de 2009 2

Aqui está a íntegra do Café TVCOM, exibido neste sábado.

Confere aí:

Postado por David

À espera de um gigante

26 de maio de 2009 8

Divulgação

Dois grandes outdoors vermelhos se sucedem pelas largas avenidas de Caracas: um estampa o sorriso ubíquo do presidente Chávez; outro, a expressão grave do zagueiro Jose Manuel Rey, maior ídolo do Caracas FC, o adversário do Grêmio por uma vaga na semifinal da Libertadores, amanhã, às 21h50min, no Estádio Olímpico da Venezuela.

No cartaz, Rey olha com seriedade para o pico da imponente Montanha Ávila, ao pé da qual se deita a Capital. Sua camiseta não é feita de tecido ordinário, mas é composta pelos rostos dos torcedores. Assim é a frase que os incita a comparecer ao jogo: “Tua equipe é do tamanho da tua paixão”.

Isso dá bem a medida de que gênero de time o Grêmio enfrentará. O Caracas está longe de ser o clube de futebol típico da Venezuela, onde o beisebol é o esporte preferido de seus quase 28 milhões de habitantes. Não. O Caracas tem tradição.

Já foi campeão nacional nove vezes em seus 42 anos, está mais uma vez na final do campeonato contra outra equipe da Capital, o Itália, e se orgulha de ter a maior torcida do país. Maior e entusiasmada: durante as partidas no Olímpico, os torcedores costumam tomar todos os 24 mil lugares e cantam “Dá-lhe Rojo!”, o apelido do time.

Todo esse arrebatamento às vezes cobra seu custo: como o álcool não é proibido no estádio e não é feita nenhuma separação entre as torcidas, volta e meia explode uma briga nas arquibancadas.

Para o jogo contra o Grêmio, a direção aumentou os preços dos ingressos. Mesmo assim, é esperada lotação completa. Pudera: a imprensa dá espaços nobres à partida. O diário El Nacional, por exemplo, dedicou toda a sua central tamanho standart do caderno de esportes de segunda-feira para falar dos dois adversários. O título, atravessando as duas páginas, anuncia: “Caracas enfrentará um gigante continental”. No texto, as conquistas internacionais do Grêmio são destacadas, mas o repórter lembra que o time gaúcho está em fase de transição, e como que esfrega as mãos: “la oportunidad de darle un zarpazo al ‘imortal tricolor’ es ahora”.

Zagueiro Rey sofreu balãozinho que consagrou Ronaldinho em 1999

Para tanto, é exatamente com Rey que o Caracas conta, mais do que seus outros quatro da seleção venezuelana. Porque Rey, além de ser um zagueiro confiável, é o cobrador de faltas do time. Chuta forte e colocado de qualquer distância. Nesta Libertadores já marcou dois gols de tiros livres.

E Rey até conhece o Grêmio, ao menos de forma indireta. Em 1999, ele estava na zaga da seleção da Venezuela que enfrentou o Brasil na Copa América do Paraguai. Foi nele que Ronaldinho, então jogador do Grêmio, aplicou aquele balãozinho que terminou em um dos gols mais belos da Seleção. E que o consagrou como um dos maiores jogadores do futebol mundial.

Quem é o Caracas
Veja quem são os titulares do Caracas, principal time da Venezuela

Renny Vega – É da seleção venezuelana. Chegou no ano passado ao clube. Tem 1m80cm, altura mediana para goleiro.
Romero – É lateral-direito, só ficou fora na decisão de sábado porque há a exigência de colocar dois jogadores sub-20.
Deivis Barone – Uruguaio, 29 anos e 1m84cm. Já passou por Nacional-URU, Colón-ARG e LIbertad-PAR.
José Manuel Rey – É chamado de ‘Super Rey”. Fez 34 anos na semana passada e é ídolo também da seleção venezuelana.
Gabriel Cichero – Lateral-esquerdo, veio do Deportivo Itália, rival na disputa do título. É da seleção.
Vera – Esteve na seleção com o técnico anterior, como capitão, cargo que também exerce no Caracas.
Piñango – Volante, 1m87cm e 83 quilos, lembra Magrão, do Inter.
Jesús Gómez – Meia, 1m68cm, jogou com Tcheco no Al-Ittihad e também passou pelo Raja Casablanca, do Marrocos.
Emilio Rentería – Atacante venezuelano, ganhou posição do titular mexicano Prieto, que atravessa má fase.
Rafael Castellín – Centroavante, veterano, tem 33 anos e nunca jogou fora do país. É quem faz os gols para o Caracas.

OLHO NELE!
Darío Figueroa Meia argentino, 31 anos, tudo passa por ele. É quem puxa os contra-ataques e acelera o time. Formado nas categorias de base do River Plate.
Noel Sanvicente

Aos 45 anos, busca o penta nacional pelo Caracas (o clube tem nove). Igualaria em conquistas a Walter Roque e a Orlando Fantoni, ele mesmo, o “Titio Fantoni”, que com cinco títulos nacionais são os maiores vencedores da história do futebol venezuelano.

 

* Texto publicado na página 40 de Zero Hora.

Postado por David

Viagem

26 de maio de 2009 12

Pessoal,

desde segunda-feira estou na Venezuela. Vim para cobrir o jogo do Grêmio e contar como é a vida no Reino do Chávez.

Portanto, vou ter que passar um tempo contando apenas histórias venezuelanas, embora esteja ansioso para contar as novas aventuras de Jô, agora muito mais picantes, para começar o trabalho com os alunos de jornalismo e para comentar alguns comentários às minhas respostas. POr exemplo: houve quem achasse que eu disse não ter tempo para o meu filhinho. EU NÃO DISSE ISSO! Disse que não tenho temp para trocar fraldas e outras atividades comezinhas do dia dele. Reservo boa parte do meu tempo para o Bernardo, sim, e com prazer. Agora mesmo, estou olhando para uma foto dele brincando com uma retroescavadeira azul e vermelha que ele ganhou tempos atrás.

Aguardem histórias do Reino do Chávez.

Postado por David, com saudade do Pocolino

Pergunta, responde

25 de maio de 2009 14

61. Não te chama a atenção que fraudadores e criminosos de outros países – fraudadores financeiros americanos e aquele austríaco que manteve a filha prisioneira e outros – admitem a culpa e enfrentam as consequencias enquanto que por aqui ninguém nunca é culpado, nunca faz nada não admitindo culpa alguma? É a nossa moral qua é mais elástica e permissiva, covardia ou é a certeza da impunidade? Será a certeza que no final do processo “não haverá provas” para condenação? - Giovani, de Santa Maria

Pode ser tudo isso. Pode ser, também, que as polícias de lá sejam mais eficientes em coletar provas que não deixem dúvida da culpa.

62. Como faço para me candidatar a publicar um texto em seu blog? É só enviar para seu e-mail? Escrevo alguma coisa de vez enquando.Bruno Pujol, de Porto Alegre

Vou abrir mais espaços para os leitores, eventualmente. E vou anunciar isso no blog.

63. Como tu se sentiria se ao invés de nascer o Bernardo desembargador viesse uma menina? E se virasse uma baita gostosa no futuro, a descreveria com tantos detalhes como faz com a Aninha Hickmann, por exemplo?Dieguito, de Sapiranga

Sabe que eu até queria uma menina? Mas agora adoro que seja um menino.

64. Até que ponto te envolves nas questões relativas aos cuidados para com o teu herdeiro? É um pai participativo, dos que metem a mão na massa (e em outras coisas também…), ou preferes “supervisionar” a uma distância segura, se reservando apenas aos momentos de carinho, brincadeiras, coisa e tal?Rafael M., de Porto Alegre

Segunda opção. Não tenho tempo para todos os cuidados, tipo trocar fralda. Fico mais na tarefa de assinatura de cheques.

65. Por que você não chama o Porã de pinto pequeno? Por que você nunca viu, ou por que você acha injusto, ou por que você simplesmente não acha pequeno?Nega, de Passo Fundo

É que acho que o Porã fica chateado com a brincadeira.

 

66. Dê onde vêm as inspirações para seus textos? Das tuas experiências? Não estou falando dos futebolísticos…Ana Figueiredo, de Camaquã

Das experiências também. Inclusive as dos outros.

67. David, gostaria de te perguntar e obter uma resposta sincera. O que tu achas do escritor Paulo Coelho?Renato Oliveira, de Porto Alegre

Nada contra. O importante é que a pessoa leia, seja Paulo Coelho, Balzac ou a lista telefônica. O sujeito começa por Paulo Coelho, vai refinando o gosto e, de repente, está no Dostoievski.
 

68. Eu queria saber qual era o teu apelido na época que tu aprontava lá pelo IAPI. Tu sempre conta as histórias e fala o apelido dos teus amigos, mas o teu tu nunca conta!!!Fernanda, de Esteio

Sempre conto as minhas! Não tinha apelido, talvez porque meu nome seja curto…

69. De onde vem a tua predileção por história? Queria algumas dicas de leitura e pesquisa que tu utilizas também.Rodrigo (Parapha), de Pedro Osório

Realmente, adoro História. Acho que essa predileção vem do meu avô, que me contava histórias da Segunda Guerra, da História do Brasil, de arquitetura, de futebol…

Postado por David

Passou um filme na minha cabeça

23 de maio de 2009 31

Venho notando que, ultimamente, os jogadores têm assistido a filmes em suas cabeças. Não faz muito, inclusive, o Andrezinho contou que viu uma dessas projeções. Ele ia bater a falta contra o Flamengo, na quarta-feira passada, e aí começou o tal filme. No caso do Andrezinho, segundo o próprio, ele repassou velhas entrevistas que concedeu, críticas que recebeu, comentários da imprensa escrita, falada e televisada. Quer dizer: o filme do Andrezinho foi um documentário.

Depois de ouvir essa declaração do Andrezinho, fiquei prestando atenção na cena da falta, repetida inúmeras vezes pela TV. Queria ver a expressão absorta do Andrezinho pouco antes de chutar a bola, ele revendo suas entrevistas, ouvindo mais uma vez as críticas e talicoisa. Mas, falta de sensibilidade minha, não consegui perceber nada disso.

A maioria dos jogadores, porém, não vê documentários, como Andrezinho. Eles veem cinebiografias. Suas próprias vidas.

– Em um segundo, toda a minha vida passou diante dos meus olhos. As dificuldades que passei, os problemas da minha família, o sofrimento da minha mãe, minha infância pobre…

Bem como as pessoas que correm riscos extremos de morte. Já li sobre isso, sobre essas pessoas. Elas também assistem à vida inteirinha delas quando estão em perigo. Uma vida em um segundo!

Certa feita um guerrilheiro das FARC apontou um cano de metralhadora para meu frágil peito. Risco de morte, suponho. Não gostei da experiência e gostei menos ainda porque, puxa, não vi filme nenhum. Terei alguma deficiência cinematográfica em meu cérebro?

E, se tivesse assistido ao filme da minha vida, como seria? Digo: que gênero de filme? Drama ou de terror é que não. Comédia, talvez. Quem sabe filme de aventura… Quantas estrelinhas meu filme ganharia do Segundo Caderno? Será que eu acharia meu filme chato? E se eu dormisse durante a sessão???

Essas questões têm me inquietado. Os jogadores não passam por tais dilemas. Basta que estejam prestes a bater uma falta que já assistem a filmes em suas cabeças. Que inveja.

Loira, alta, pernas longas

Alguns homens sentem medo de sair com loiras altas, de pernas longas, sobretudo as que têm um metro e noventa e dois de altura. Eu, não. Ah, não! Digamos a Maria Sharapova, que, além de loira, com 1m92cm de altura, ainda é russa. Chega sexta-feira, e o que a Maria Sharapova faz? Sobe em sapatos com 15 centímetros de salto, claro, que as loiras gostam muito de subir em sapatos com 15 centímetros de salto às sextas. Lá se vão os cabelos amarelos dela para 2m07cm. Dois metros e sete, meeen!

Aí, nós dois, eu e Maria, entramos no bar, ela dentro de uma minissaia realmente mínima, os pés ligeiros calçados com botas de cano longo e saltos re-al-men-te finos. Tudo que é movimentação vital no bar cessa. Todos olham para mim e para as pernas intermináveis de Maria.

Silêncio.

As respirações estão interrompidas. Ouve-se o borbulhar dos chopes em evaporação, ouve-se o som dos corações ribombando como os tambores dos pigmeus bandar. Eu e Sharapova escolhemos uma mesa bem no meio do ambiente, exposta a todos os olhares ávidos. O garçom aparece, trêmulo. Faz uma reverência. Eu:

– Chope, Shara?

Ela pede vodca. Sabe como são essas russas… Depois de alguns drinques, Maria olha para mim e mia:

– Vamos para o meu loft?

Então, toda a minha vida passaria diante dos meus olhos em um segundo, como se fosse um filme.

Postado por David Coimbra

Acidentes aéreos

23 de maio de 2009 47

Explicar um texto é um fracasso de quem escreveu. Mas às vezes não há alternativa.

Alguns parentes das vítimas do acidente da TAM se irritaram com o texto que escrevi na sexta, sobre o projeto que criou o dia das vítimas de acidentes aéreos gaúchas. Obviamente, qualquer pessoa que sofreu perda desse tipo fica tocada sempre que se fala no assunto, sobretudo se não é para homenagear o ente querido que se foi. Imaginei que alguns pudessem ficar ofendidos. Não se pode nunca medir a suscetibilidade das pessoas.

No entanto, na coluna, não tratei do acidente da TAM, não tratei de nenhum acidente aéreo, não tratei de nenhum acidente de trânsito, nem de atropelamento por carroças.

Tratei de uma lei criada pelo legislativo, descrevi todo o tempo e recursos gastos para a criação de uma lei, a fim de mostrar como é importante que o trabalho dos parlamentares seja bem aproveitado. O deputado que criou esse dia queria, evidentemente, fazer demagogia com os parentes e amigos das vítimas. A criação de um dia do acidentado não melhora em nada a vida e nem consola os parentes e amigos do acidentado. Se melhorasse e consolasse, teríamos de ter dias para as vítimas dos incêndios, dos desabamentos, dos afogados e por aí vai. Houve inúmeras tragédias doloridas no Estado – incêndio da Renner e enchente de 41, por exemplo, e a criação de dias homenageando as vítimas dessas tragédias não ajudaria em nada. Normas mais rígidas de segurança em prédios e construção de um muro bloqueado o rio, isso sim, ajuda.

Por que o deputado não despendeu seu tempo e seus recursos para estudar formas de tornar o tráfego aéreo mais seguro? Por que não mandou que seus assessores acompanhassem os processos contra a empresa aérea? Por que não formou comissões para investigar as condições da pista de pouso do Salgado Filho? Por que não pressionou o poder público para adquirir equipamentos mais modernos para o aeroporto, que volta e meia fica sem condições de vôo?

Simples: porque isso dá trabalho. Mandar publicar no Diário Oficial que tal dia é uma data de homenagem a isso ou aquilo é mais fácil e o retorno emocional é garantido. Afinal, os parentes e amigos das vítimas estão fragilizados pelo sofrimento. Há muitas outras provas do desperdício de tempo e trabalho na Assembleia. Essa é apenas uma.

Não gosto de ser assim literal, mas às vezes preciso me render, como no caso, exatamente por respeito aos parentes e amigos das vítimas do acidente.

Postado por David Coimbra

O degas responde (parte 6)

22 de maio de 2009 9

51. Sempre acompanho suas colunas e já percebi que tu és um defensor do governo do Estado, na situação da greve dos professores e elogiando a quitação das dívidas por parte do estado. Pois bem, gostaria de saber agora envolto esta crise qual tua avaliação da Governadora?William Hoffmann Sarmento, de Porto Alegre

Não defendo nada incondicionalmente. Não só como jornalista, mas como ser pensante, quero ter o direito de apoiar o que acho certo e criticar o que acho errado. A quitação das dívidas, evidentemente, é algo bom. “A que custo!”, grita a oposição. Talvez tenha havido algum custo em áreas importantes, mas os outros governos não fizeram nada de muito bom nas áreas importantes e mantiveram as dívidas e até as aumentaram.

A greve dos professores, essa achei uma demasia, porque foi anunciada à priori. A atual presidente do Cpers anunciava a greve antes de assumir. Mas a greve tem de ser o último recurso, não o primeiro. Acho que o RS peca pela oposição sistemática, sempre, a qualquer governo, e isso é ruim para o Estado, não só para quem governa.

Finalmente, a corrupção: se um governo é corrupto, tem de ser punido. Se o governo Yeda roubou, que seja condenado. Não tenho o menor compromisso com o governo, com as posições do governo ou com quem quer que seja do governo. Mas tem o seguinte: eu, aqui, como cidadão, já estou um pouco farto dessa ânsia de denunciar corrupção em governo tão-somente com o objetivo de derrubá-lo. Cadê a discussão sobre a Educação, sobre a Segurança, sobre a Saúde? Cadê o debate de ideias? Saco!

52. Qual foi o pressuposto para tu entrar na faculdade de jornalismo? Isso ocorreu por acaso ou já era uma vontade tua? E se – numa visão mais romântica – tu achas que o caráter jornalístico é formado desde muito, cedo mesmo que inconscientemente?Gabriel, de Rio Grande

Como já disse, sempre quis trabalhar escrevendo. Esse “caráter jornalístico” é formado com a convivência, com o trabalho e com o tempo.

53. Sou gaúcho de Pelotas e moro em Criciúma há 12 anos, trabalho no exterior ja 7 anos (2 anos EUA) e aqui em Londres estou há 5 anos. Admiro a muito o teu trabalho, e gostaria de sugerir alguma historia de imigrantes, que trabalham no exterior para sustentar a familia ahi no Brasil, e se puderes de vez em quanto escrever alguma historia de futebol em inglês, para eu passar aos colegas aqui. Este povo aqui é louco por futebol, e eles agora tambem conhecem o COLORADO!Gilvam, de Londres

Sugestões anotadas!

 

54. Noto que em alguns textos tu evocas a presença de parentes das esposas (cunhados, sogras e principalmente cunhadinhas) gostaria de saber o que te inspira e o que te leva a entrar no submundo da mente dos maridos com tanta sabedoria? - Henrique Melo, de Porto Alegre

Por que tu achas que, 300 séculos atrás, foi cunhado o mandamento: “Não cobiçarás a mulher do próximo”? Porque, obviamente, havia muita cobiça às mulheres dos próximos. Uma lei só é feita quando existe o delito. E quem são as mais próximas do que as cunhadas, concunhadas e contra-parentes?

55. Pede para o L. Potter dar sinal de vida. Mandei um  e-mail para ele e não obtive resposta. Diz que estou sumida por causa do  TCC, mas que não esqueci dele e das cartas. Assim que der mando uns mimos que comprei e tive medo de mandar pelo correio. Beijos para ele e para tiThais, de Porto Alegre

Mimos, é? Mandarei o recado.

56. Qual o critério que utilizas para censurar os emails encaminhados pelos leitores do blog?Aristóteles, de Porto Alegre

Peço para que não sejam publicados comentários ofensivos ou desrespeitosos a quem quer que seja. Também não vou publicar comentários daqueles que entram no blog só para me avacalhar. Não tem sentido eu dar espaço para quem está a fim de me esculhambar, né? A crítica ao que escrevou ou falo, se é educada, não tem problema algum.

                               
57. (1) Se o Bernardo fosse toda a madrugada pro seu quarto pra dormir com você e sua esposa, na cama de vocês, o que você faria? (2) O que Paulo Autuori precisa fazer com urgência pra melhorar a dinâmica de jogo do Grêmio? (3) Se você tivesse um encontro com uma loura top de linha no mesmo horário da final da Libertadores 2009, entre Grêmio e Boca, a qual evento iria?Cassiano, de Umuarama (PR)

1. Ia tentar acostumá-lo a dormir na caminha dele.
2. Vai ser duro. O Grêmio ainda precisa de reforços.
3. As loiras top de linha sempre têm prioridade.

 

58. (1) Por que meu namorado nunca diz que estou linda ou me olha de um jeito diferente para levar em consideração as três horas que fiquei me arrumando? (2) Por que os HOMENS e mulheres em geral insistem na ideia de que toda a Profª de Educação Física é gostosa e linda (em todos os momentos do dia,noite e madrugada)? (3) Por que a descrição de uma mulher linda por tí no Pretinho Básico é sempre de uma loira de pernas longas?Thais, de Porto Alegre

1. Acho que tu tens de trocar de namorado.
2. Porque as professoras de educação física SÃO gostosas e lindas.
3. É que as loiras de pernas longas são uma preferência do povo, mas, pelos concursos de misses, noto que as morenas vêm reagindo com galhardia.

 

59. Você não acha que o Paulo Coelho tá muito parecido, para não dizer igual, ao Kalil Gibram? - Dinaldo J.Morsch, de Venâncio Aires

Esse estilo de profeta vem de longe. A fórmula é a mesma.

 

60. Por quanto tempo voce morou na minha cidade (Criciúma) e o que fazia por aqui? Trabalhava, estudava? - Mariana, de Criciúma (SC)

Morei cinco anos. E trabalhei em quase todos os veículos de comunicação da cidade.

Postado por David

Inveja dos peixes de açude

22 de maio de 2009 33

Uma vez uma carroça me atropelou, já contei. Faz décadas isso. Mas foi a causa de agora, poucos dias atrás, ter ficado chateado com os deputados do Rio Grande. Pelo seguinte:

Justamente no fulgor deste 2009 aconteceu de certo deputado estadual ter sido acometido por uma ideia para um projeto de lei. A partir daquele instante de luz, pôs-se a funcionar a gigantesca, pesada e complexa máquina do Estado. Estivéssemos atentos, nós, vulgares contribuintes, reles eleitores, também denominados genericamente de “povo”, poderíamos ouvir o clangor das engrenagens se movimentando.

Imagine os sons da faina dos funcionários públicos: as sábias frases do deputado e de seus assessores a discutir, no recôndito do gabinete acarpetado, qual seria a melhor forma de apresentar a proposta. Em seguida, nossos ouvidos seriam lambidos pelo tectec produzido por dedos ágeis desses mesmos funcionários a ferir os teclados de plástico dos computadores, redigindo o texto do projeto de lei. Depois, poderíamos ver a azáfama das dezenas de secretários da Assembleia percorrendo os corredores da Casa do Povo com o projeto em mãos, apresentando-o às comissões temáticas. Aí teríamos a satisfação de testemunhar o burburinho que se deu nessas comissões ante o projeto: legisladores sisudos debruçados sobre o texto, debatendo se ele deveria ser enviado ou não para a Comissão de Constituição e Justiça. Enviado, como foi, o zunzum daquela colmeia de trabalho que é a Assembleia partiu dos próceres da CCJ, que, do alto do seu saber jurídico, analisaram a ideia do parlamentar, e a aprovaram com louvor, submetendo-a, enfim, à votação em plenário.

O plenário é importante. É como se fosse o palco do Legislativo. No plenário, a atividade da máquina do Estado explode em ação pública e notória. Houve discursos na tribuna, quiçá apartes acalorados, houve votação, as taquígrafas a tudo anotaram, pressurosas, e o canal de TV da Assembleia transmitiu a função ao vivo para o Estado inteiro.

O projeto foi aprovado!

Mas os motores do Estado ainda não foram desligados. Seguiram a pleno, fazendo o projeto atravessar a Praça da Matriz, decerto levado por algum apressado funcionário em cargo de comissão muito bem ilustrado acerca do assunto, e em seguida o texto coruscante aterrissou na mesa da governadora Yeda.

Não estávamos prestando atenção. Pena. Estivéssemos, perceberíamos a concentração da governadora ao ter o projeto em mãos. Seus olhos castanhos correndo céleres pelas linhas impressas do papel, seu cenho franzido de gravidade e, a seguir, o aceno de aprovação que provavelmente fez com a cabeça, antes de apor sua assinatura sancionando a lei. Terminou? A dispendiosa máquina do Estado parou de funcionar? A resposta é não! O projeto agora foi repassado para os funcionários do Diário Oficial, que o digitaram, diagramaram e mandaram imprimir. As poderosas rotativas da gráfica estatal entraram em ação, a tinta beijou as lâminas de papel, o projeto do deputado passou para a imortalidade: está instituído o Dia dos Gaúchos Vitimados por Acidentes Aéreos!

São incontáveis as datas festivas aprovadas pela Assembleia, como a Semana do Peixe de Açude, e foi exatamente por isso que me aborreci. Assim como, suponho, outros peixes gaúchos, como os de lagos, largos, lagoas e até mesmo os marítimos, assim como todos esses peixes devem ter ficado irritados com a preferência dos deputados pelos peixes de açude, também eu me magoei. Tenho todo o respeito por quem já sofreu um acidente aéreo e, mais ainda, por seus amigos e familiares que têm de enfrentar a eventual perda. Mas a lei criada pela Assembleia me deixou órfão. E o Dia dos Atropelados por Carroças? Ninguém se importa conosco? Francamente! Tenho que achar um deputado simpático à nossa causa, à dos Atropelados por Carroças. Quero ouvir o doce som do dinheiro do contribuinte sendo queimado a nosso favor.

* Texto publicado na página 3 de hoje.

Postado por David

O degas responde (parte 5)

21 de maio de 2009 11

Antes das respostas, um comentário sobre uma resposta. Aquilo do degas. A Marisa Oliveira perguntou a respeito, outros leitores comentaram a respeito, muita gente me mandou emails  a respeito. Degas é só uma forma de brincar quando me refiro a mim mesmo, pessoal. Tipo assim: “O malandro aqui já disse que…” Ou: “Podem perguntar para o papai aqui”. Ou: “Este seu escravo está aqui à disposição…” Uma brincadeira, certo?

 

40. (1) Qual o teu ranking (já que gosta de rankings…) dos cinco melhores técnicos brasileiros da atualidade? (2) Há algum neologismo que te orgulhas, em especial, de teres “produzido”?Martin H., de Porto Alegre

1. Os cinco melhores, não necessariamente pela ordem: Felipão, Mano Menezes, Luxemburgo, Muricy e Wianey Carlet.

2. Nunca havia pensado nisso dos neologismos. Vou refletir a respeito.

 

41. Certa vez você estava entrevistando o Renato Gaúcho, que estava deitado em uma maca no vestiário. Então chegou uma atriz global e você e o massagista deixaram os dois a sós. Quem era essa atriz? Pelo menos as inicias… o resto eu descubro.Cristiano, de São João do Oeste (SC)

Cara, sabe que não sei quem ela é? Era uma dessas atrizes menores que há aos enxames na TV. Bem bonita, loirinha e tal, mas não lembro do nome dela…                    

42. Qual foi a sensação de entrevistar um integrante da FARC durante a cobertura da Copa América? Em algum momento você ficou com medo em ser sequestrado?Victor Canuso, de Rio Grande

Fiquei com medo, sim, Victor, de ser seqüestrado e de ser morto. Sabe que, no momento em que ele me apontou a arma, não cheguei a ficar com muito medo. Estava mais era concentrado em solucionar o problema. Tive mais medo antes, quando não tínhamos onde ficar à noite, no meio da montanha.

 

43. Por que você só fala sobre seu filho e a sua esposa? Deveria comentar mais sobre ela e seu convívio com sua família. Sua esposa deve se orgulhar do ótimo esposo que tens, PARABÉNS!!!Bruna Fonseca, de Alvorada

Sou mesmo O Bom Marido.

 

44. Quanto tempo mais vai levar para assumir publicamente que és gremista? Pega mal você ficar em cima do muro, mas nos textos que escreve deixar claro a tua preferência clubística. Lembra que ano passado escreveste sobre o “craque” Thiego, dizendo que tinha surgido um excelente zagueiro, com cara de xerife e tal. Para escrever aquilo só sendo gremista fanático e cegamente apaixonado pelo seu clube.Tiago Oliveira, de Porto Alegre

De novo, é aquilo que já falei: não tenho que “assumir publicamente” coisa alguma. Isso é problema meu. Tu achas que sou isso ou aquilo? Tudo bem, pode achar. Quanto ao Thiego, continuo achando que ele é um ótimo zagueiro e que ainda vai se destacar no futebol, mas é claro que muitas vezes me engano. O Chiquinho, do Inter, por exemplo, achei que poderia ser um bom jogador, e acho que me enganei.

 

45. Qual é o teu escritor preferido?Maurício, de Santa Cruz do Sul

Prefiro as americanos: Capote, Bukovski, Steinbeck. Fitzgerald, Fante, Chandler…

 

46. Já li algumas vezes na tua coluna,o teu apoio pra Geral. Humildemente, te peço mais apoio ainda porque a direção tá afim de boicotar com a melhor e mais copiada torcida do Brasil.Karina, de Cachoeirinha

Realmente, Karina, a Geral é uma torcida que deixa o estádio colorido e que leva o time para frente. Tomara que a direção reconheça isso.

47. Este teu estilo de escrita, em particular a forma despreocupada como descreve o fato de estar a ponto de levar um tiro, parece-me muito com o estilo de Douglas Adams, conhece? Aquele sujeito que escreveu o Guia do Mochileiro das Galáxias. Leste? - Lorenzo, de Porto Alegre

Não li, Lorenzo. Mas vou.

 

48. Tu viaja bastante? Qual país mais gostou? Qual o cantinho do Brasil que recomenda pra ser visitado? Quando viaja a trabalho tem tempo de conhecer os lugares ou separa as viajens de trabalho das de passeio?Leticia, de Santa Maria

Tem um lugar do Brasil que me emocionou: as Cataratas do Iguaçu. Não sou dado a ecologias, mas quando entrei no meio das cataratas, nossa!, foi uma emoção.
 

49. Que critérios usas para a escolha de tuas leituras? O que consideras uma boa leitura? Última questão: Não vai mais haver festa do blog? - Tiele Freitas,de Esteio

Vai ter festa, sim, Tiele.
As minhas leituras têm de me acrescentar algo, nem que seja diversão. Mas eu tenho que ganhar algo com o tempo que despendo com a leitura.

 

50. Como era o trabalho nos jornais – rotina, estrutura, linha editorial – que tu trabalhaste antes de ir para a Zero?

Cada veículo tem lá as suas vantagens. Num jornal pequeno a gente pode fazer coisas impossíveis para um jornal grande. Mas a maioria das coisas impossíveis quem pode fazer são os grandes. A ZH é um dos grandes do Brasil, é um veículo profissional onde é muito bom de trabalhar, mas gostei de trabalhar em cada um dos veículos que trabalhei, sem demagogia.

Postado por David

O degas responde (parte 4)

21 de maio de 2009 8

26. Suas colunas e textos, quase sempre, falam em sexo. Como sua mulher reage a isso, principalmente quando?Jonathan Schreiber, de Gravataí

É que eu só falo em sexo.

27. Para que time o Bernardo torce? Já está aplicando as técnicas para tornar o garoto um embaixador? - Eduardo Ritter, de Porto Alegre

Por enquanto o Bernardo gosta mais de economia do que esporte. Anda meio preocupado com a crise dos Estados Unidos. Mas ele será desembargador, não embaixador.

28. Não cansa ser cobrado pra ter opinião sobre tudo e na maioria das vezes ser rechaçado por essas mesmas opiniões?Glaucia, de Rio Grande

É cansativo mesmo, Gláucia, mas tento não dar bola para as opiniões sobre as minhas opiniões, afinal, tanto umas quanto outras são só opiniões.

 

29. Qual tua opinião sobre a legalização da maconha?Robert Nesta Marley, de Kingston

Deveria ser legalizada, sim. A maconha não pode ser problema de polícia, mas de saúde, como o tabaco.

 

30. Eu queria saber o teu ponto de vista perante as campanhas contra o alcool e o tabagismo, em quanto crescem diariamente o numero de usuarios de crack, e também porque a mídia ressalta o mal do fumo, e não tanto quanto o do álccol?Werner, de Pelotas

A RBS está começando uma campanha contra o crack, Werner. As campanhas têm de ser educativas, têm de orientar, não perseguir quem fuma ou bebe. Tenho pena de alguns fumantes, tratados como escória, coitados.

 

31. Dá pra colocar no blog o Café TV Com do último sabado dia 9? A Tania sempre coloca no blog dela mas esta semana não puder assistir o programa e adoro ver voces todos, isto me ajuda a matar a saudade de POA sendo que vivo aqui há milhas de distancia daí.Lis DaRocha, de Hamilton/ NJ/USA

Vou pedir para o Matheus fazer isso, Lis.

Atualização do Matheus:

 

32. Como é trabalhar com os guris do pretinho? Você entende tanto das mulheres como diz? Você sabe que isso é bastante complicado…Rosana Peres, de Porto Alegre

Eu não entendo nada, Rosana, sou só um interessado no assunto. Quanto ao Pretinho, trabalhar com eles é um prazer, não é trabalho.

 

33. Estou curioso pra saber o que achou da história dos Bra-Péis que fiz com o meu amigo áureo-cerúleo Sérgio Osório. Em suma, o que achou do livro?Mario Gayer do Amaral, de Pelotas

Ainda não li o livro, Mario. Mas está na fila.

                               

34. Sabemos que seu trabalho demanda de uma disponibilidade total de tempo. Como faz para trabalhar com satisfação e conseguir dar atenção e ficar um tempo com a familia?Leticia Fernandes Raupp Scherer, de Canoas

Tento me organizar para arrumar tempo para tudo, Letícia. Até agora, tem dado certo, mas às vezes tenho de simplesmente desistir de fazer algo.

 

35. Por que será que os colorados acham que tu és gremista e os gremistas também acham que tu és gremista? - Mateus, de Porto Alegre

Essa pergunta mostra bem aquilo que eu falei sobre a deficiência que o torcedor gaúcho tem de compreender certas coisas. Algumas pessoas acham que a vida é um Gre-Nal, o que é que se pode fazer?…

 

36. Oi David, me passa teu msn, quero te ver na cam…Felina da Net, de São Paulo

Não sou muito bom de webcams…

 

37. Tu atinge a leitores de todos os tipos, desde os nossos pais que o acompanham no esporte, a nós, jovens que adoramos os livros e as colunas. As manifestações em relação a teu trabalho é maior por parte de qual público?Janine Stecanella, de Caxias do Sul

O bom é exatamente isso, Janine: recebo manifestações de todas as faixas etárias, de públicos diversos, mas gosto muito quando os jovens dizem que me lêem, sobretudo os que começaram a gostar de ler pelo que escrevo.

                               
38. Quando é que tu vais colocar no blog a entrevista que fizeste com o leonel brizola? Nem é tanto uma dúvida, mas uma sugestão…Joel Marafon, de São Domingos do Sul

Foi uma entrevista que fiz pelo Correio do Povo, faz tempo. Mas vou procurá-la para tentar atender à sugestão.

 

39. Como faz quando escreve um livro? A história vem de fatos ou você busca a imaginação? De onde tu busca inspiração?Juliano, de Porto Alegre

Estou sempre procurando assunto para escrever, Juliano. Sempre pensando. E, como já disse, a inspiração é mais física mesmo. Vem do trabalho de pensar, pensar, pensar…

Postado por David

O degas responde (parte 3)

20 de maio de 2009 16

17. David, tu como jornalista, e no mundo multimídia que vivemos (com todos escrevendo, postando, fotografando, fazendo vídeos e publicando-os para o mundo ver), como vês o projeto para o fim do diploma de jornalista para exercício da profissão?Luciano, de Porto Alegre

Luciano, o diploma talvez não seja tão importante; a faculdade é. A faculdade tem de ser melhorada, tem de se aperfeiçoar, para que, cada vez mais, se torne indispensável, mesmo que o diploma não seja exigido. Com boas faculdades, as empresas só vão chamar jornalistas formados, pode acreditar.

18. Desculpe a ignorância do macaco…mas o que é degas? Depois do vivíparo, não me mande ao google de novo!Marisa Oliveira, de Porto Alegre

Nem tudo está no google, Marisa. Tenta o dicionário!

 

19. Concorda com o Professor Juninho ao acreditar q homens não podem confiar nos amigos tendo namoradas “gostosas”, por quê?  – Daíse C., de São Borja

Sempre concordo com o Professor Juninho.

20. Acha realmente que o mundo pertence as loiras magras, altas,cabelos longos q usam minisaias?  – Daíse C., de São Borja

Sim. E às morenas também. E às negras, às japonesas, às ruivas, às vesguinhas, é legal uma vesguinha.

21. Quanto a população dos galos cinzas será que é grande? -  – Daíse C., de São Borja

É mínima. Os galos cinza estão em extinção e têm de ser muito bem tratados.

22. Por que tu fala tão baixo no Pretinho Básico? Aguardaremos repostas daqui do blog e dos candidatos analisados a fazer matérias para o mesmo!Daíse C., de São Borja

Para que prestem mais atenção ao que digo.

Logo vou me comunicar com os estudantes que farão matéria pro blog.

 

23. A maioria dos casos contados nos livros foi você que passou por estas histórias ou você tira de alguém que tenha comentado contigo?Vinícius Morales, de Porto Alegre

Tem de tudo, Vinícius. Muita coisa aconteceu comigo, outras com amigos meus, outras são imaginação mesmo. O leitor é que tem que adivinhar o que é uma coisa, o que é outra.

 

24. Me conta um pouco como é esta vida de jornalista? A tua mulher não fica fula da vida contigo, quando tu descreve as mulheres no PB??Karol, de Viamão

Sempre digo: você quer dinheiro, fama, viagens e sexo casual à vontade? Venha ser jornalista!

Mas não deixe que sua mulher se importe com isso.

 

25. (1) Você é gremista ou colorado? (2) Com tantos afazeres que tens, sobra tempo para ser Galo Cinza em casa ou sua mulher fica a ver navios? - Juliana, de Goiânia

1. Já respondi.

2. É claro que eu sou o Galo Cinza!

Postado por David